O blog O Olho do Ogre é composto de artigos de opinião sobre economia, política e cidadania, artigos de interesse sobre assuntos diversos com uma visão sociológica, e poesia, posto que a vida se não for cantada, não presta pra nada. O autor. Após algum tempo muitas dessas crônicas passaram a ser publicadas em jornais e revistas portugueses e brasileiros, esporadicamente.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Dr. Cavaco descumpre a Constituição!
Publicado por mim agora mesmo em outras redes sociais: O Dr. Cavaco já entrou em incumprimento, porque não tendo convocado as eleições legislativas hoje - 16 de Julho - já não cumpre mais a constitição plenamente. E ao revelar candidamente há dois dias que irá convocar os líderes de partidos com assento parlamentar para consulta semana próxima, ainda mais desrespeita a Constituição Portuguesa que deve defender: Senão vejamos: O Artigo 11º letra b da Constituição da República Portuguesa determina ao Presidente da República marcar as eleições em "harmonia coma lei eleitoral" e diz a Lei eleitoral em seu artigo 19º -1, que essa deverá ser marcada com "antecedência mínima de 60 dias." e no segundo dá as datas entre "14 de Setembro e 14 de Outubro." Se fizerem as contas verão que esse prazo de 60 dias termina hoje a meia noite na melhor das hipóteses, ou mais corretamente terminou a meia noite de ontem. De uma forma ou de outra está em incumprimento. E pergunto: Quem quer ele enganar fazendo qualquer tipo de consulta na semana que vem? Se os líderes partidários decidirem por 15, 16, 18 de Setembro, o Dr. Cavaco não pode cumprir a Lei dos 60 dias de antecedência. E se incluirmos o artigo 20º que obriga-o a marcar em domingo ou em feriado, aí é que não cumpre mesmo. Ele já tem o dia escolhido para cumprir os 60 dias obviamente.É tudo hipocrisia? E ninguém diz nada? Quer dar quantos mais dias puder a este governo? E a Assembleia da República que compete " vigiar o cumprimento da Constituição."? Muda e queda nada diz! Em inglês se diz: Shame on you:
PEÇO QUE DIVULGUEM ISTO DE TODAS AS MANEIRAS QUE POSSAM!
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Talvez a China resgate a Grécia.
As ocorrências financeiras na China, onde já passam dos vinte por cento, em média, de perdas nos diferentes mercados, o bulsátil, o dos futuros, o dos títulos, o dos investimentos de todas as ordens, que se desorientaram, como se naquele suposto jogo de monopólio que joga a China a longo, muito longo, prazo, tivesse caído agora numa casa de penitência, como é bem o retrato do capitalismo, uma senoide, onde sobe para logo a seguir descer, numa sucessão de vantagens e penitências, ganhos e perdas, característica do sistema. (*)
A afirmação inconsequente do Sr Junker que declara ou revela uma situação de preparação geral para a saída da Grécia evolui de inadequada para despropositada, porque a situação mundial está agora bloqueada pela realidade chinesa, ou seja é impensável uma saída grega neste momento, com a situação mundial como está, ninguém sabe hoje como vão evoluir as coisas mesmo se não houver muitas turbulências, inimaginável é somar-se a isso tudo uma outra crise de imprevisíel consequêsncia nesse momento.
O baque do motor chinês vai pôr o mundo numa recessão, que esperamos seja branda, mas pode não ser, entretanto tudo o que o mundo não precisa agora é de uma recessão, branda ou não, a única coisa boa que advirá daí é uma baixa nos preços do petróleo acentuando a tendência atual que tem outras razões, que já abordei no artigo ainda de Janeiro, intitulado «A OPEP vai pôr o mundo em deflação e a seguir em recessão. », aí está! A deflação foi atenuada com o emissão e circulação de uma quantidade de dinheiro como jamais existiu na história da humanidade, somados a não haver justificação econômica para isso, além de querer parar a crise que grassava como fogo em mato seco, por outro lado terá impedido, ou impedirá o que aí vem, melhor dizendo, impedirá que a recessão seja forte? Entretanto é um ciclo que se fecha, conectado nos seus efeitos, uma coisa levando a outra, e a outra retornado a uma, como um fecho do círculo. SABEREMOS MUITO EM BREVE!
O que será inevitável vai ser um ajustamento de baque, aquele que acontece com qualquer carga quando o veículo que a transporta sofre um baque de qualquer ordem, aquilo a que no Brasil chamamos de freada de arrumação. A China não se perturba nada com isso, porque apesar dela agir como capitalista, a China ainda é socialista (comunista). Quem se perturba muito com isso tudo é o resto do mundo rico, que apesar de proceder como socialista, com o Estado social etcetera, é contudo capitalista.
E isso nos leva a questão da Grécia, que é mais da Europa que da Grécia, a Grécia tem pouco mais a perder atualmente, a Europa como União tem tudo a perder, e os países membros, em diferente graus e com diversas consequências, têm muito a perder. A má qualidade dos líderes dos membros da União europeia permitiu se tangenciar a catástrofe sem muita antevisão disso, levando a uma situação de perigo que pode pôr tudo a perder.
O que será inevitável vai ser um ajustamento de baque, aquele que acontece com qualquer carga quando o veículo que a transporta sofre um baque de qualquer ordem, aquilo a que no Brasil chamamos de freada de arrumação. A China não se perturba nada com isso, porque apesar dela agir como capitalista, a China ainda é socialista (comunista). Quem se perturba muito com isso tudo é o resto do mundo rico, que apesar de proceder como socialista, com o Estado social etcetera, é contudo capitalista.
E isso nos leva a questão da Grécia, que é mais da Europa que da Grécia, a Grécia tem pouco mais a perder atualmente, a Europa como União tem tudo a perder, e os países membros, em diferente graus e com diversas consequências, têm muito a perder. A má qualidade dos líderes dos membros da União europeia permitiu se tangenciar a catástrofe sem muita antevisão disso, levando a uma situação de perigo que pode pôr tudo a perder.
Porque eu digo isso? Porque tendo se mantido por tempo demais à beira do abismo grego, esse se alargou, com a enorme instabilidade econômico-financeira que se patenteou com a situação chinesa. Por isso pode-se dizer que a China, apesar de ser pelas piores razões, poderá resgatar a Grécia.
(*) O problema chinês evoluiu para os trinta por cento em perdas, atigindo um número que só não é maior que o que produz apenas quatro países ao longo de um ano, sendo um deles evidentemente a própria China, as perdas rondaram os três trilhões de euro (#), maior que o PIB do Brasil, da França, da Inglaterra, da Itália, da Rússia, da Índia. è incrível um número desse em menos de um mês, e é mais que tudo assustador.
(#) Três milhões de milhões de euros, mais de 2,75 trilhões contabilizados até agora.
(*) O problema chinês evoluiu para os trinta por cento em perdas, atigindo um número que só não é maior que o que produz apenas quatro países ao longo de um ano, sendo um deles evidentemente a própria China, as perdas rondaram os três trilhões de euro (#), maior que o PIB do Brasil, da França, da Inglaterra, da Itália, da Rússia, da Índia. è incrível um número desse em menos de um mês, e é mais que tudo assustador.
(#) Três milhões de milhões de euros, mais de 2,75 trilhões contabilizados até agora.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Não sei se é conversa, não sei se é carta. É pra D. Maria Barroso.
7/7/15.
Acordei hoje com a notícia de sua morte. Maldito tombo! Que buraco você me abre no peito, quando não mais vou ter seu jeito incisivo a me empurrar ou sua imensa doçura a me estimular, coisas tão opostas para um mesmo fim, pensando agora tenho a ideia perfeita do que estava por detrás de tudo isso, sua imensa generosidade que queria ver todo mundo bem, inclusive esse seu humilde amigo.
Estive vendo as declarações de toda gente, gente que não podia ver o seu homem nem pintado, já em relação a si foram todos unânimes, só viam a sua grandeza, viam a sua capacidade estrema de esquecer a desavença política em detrimento da relação pessoal, e você se relacionou com todo mundo com enorme fraternidade, aliás, fraternidade é seu segundo nome, diz-se isso como figura de linguagem, no seu caso é literal, pois foi esse de fato seu segundo nome, travestido no nome da essência da fraternidade que alguma vez pisou nesse planeta.
Com isso lembro-me da cruz, não a d'Ele, a vermelha, que entre tantas que você carregou com a força indomável de que sempre foi dotada, o fez com a ação de conciliação humana que era seu privilégio mais que característica, porque a si atendiam, mais que tudo pelo estatuto emocional que sua presença imediatamente gerava. Quando ouvi a Senhora dizer que não gostava do seu título de Primeira Dama, fiquei a pensar porque, sei você era o que era por si mesma, mas por mais que eu busque um título que lhe assente melhor, não encontro, a Senhora é mesmo e será eternamente a Primeira Dama de Portugal, porque a Senhora, com seu jeitinho, para além de sempre ter feito o país à sua dimensão, fez um Portugal com uma dimensão maior para todos, porque essa era sua verdadeira dimensão, que é mesmo grande.
Lembro ainda do dia que nos conhecemos, a Manela Felipe nos apresentou e a Senhora logo meteu uma pergunta, primeiro pensei que era por educação e pelo seu traquejo social para deixar as pessoas confortáveis, depois pensei que era generosidade, tal a intensidade da conversação, hoje sei que era por real interesse, seu interesse genuíno nas coisas e nas pessoas, sobretudo nessas últimas, como faz falta isso no mundo, num mundo cada vez mais superficial, onde são cada vez mais raras as Donas Maria Barroso! Sabe, nunca dei fé da sua idade, lembrei-me que poucos anos depois de tê-la conhecido comemoramos seus oitenta anos, mas para mim a Senhora era uma menina de 25. Mesmo quando teve aquele período ruim, que lhe abateu um bocado, sua jovialidade, sua pureza estavam lá, intactas. Depois quando lhe mostrei alguma da minha poesia seus olhos diziam que gostava dela sinceramente, o que sua boca também dizia, e que era mesmo de dentro, do fundo, mas as pessoas dizem coisas por conveniências... Sabe D. Maria, acredito que a Senhora tenha dito algumas coisas por inconveniência, ao contrário não, nunca, contornava, seguia em frente e perdoava, ou esquecia, ou sepultava debaixo da pedra enorme da sua generosidade e do seu bem querer.
No Brasil o poeta Manuel Bandeira fez um primor de poesia para uma empregada sua chamada Irene, em que destacava a bondade e o bom humor desta, que quando chegava no céu e pedia licença para entrar a resposta pronta de Deus era: "Entra Irene, você não precisa pedir licença." Imagino você agora, Deus nem vai dizer nada, vai fazer o mesmo que você fazia com a gente: Vai lhe pegar pelo braço e abrindo de par em par as portas do céu vai levá-la para dentro.
E como um poeta puxa outro, lembrei também uma coisa de Vinicius, ele dizia que "a vida é a arte do encontro, malgrado haja tanto desencontro nessa vida", acho que sua maior arte foi essa, a do encontro, e com isso, pensando melhor, entendi tudo, sua maior arte foi a vida! Foi a vida foi!
domingo, 5 de julho de 2015
Cinco de Julho de 2015.
Praça Syntagma.
Meia noite. Está errado, esse dia não tem meia noite. Meia noite é o fim de um dia, e este dia não tem fim. Poderá ser zero hora de dia seis, dia de um novo começo, quando um povo, pisado, humilhado, ultrajado, ameaçado, esmagado, soube resistir. Essa é e sempre foi a lição grega, saber resistir para além de todas as probabilidades, para além de todas as possibilidades, criando outros horizontes inesperados, como fez com a Pérsia, nas Termópilas, nas guerras Médicas, e com a Macedônia, e com a própria Atenas imperialista, etc...
Essa a Grécia que deu lições ao mundo, que deu cultura ao mundo, que deu filosofia ao mundo, e que deu seus deuses como modelos de erros e acertos, para que o mundo aprendesse com esses erros e com esses acertos, não precisando os repetir. Agora que uma deusa sua anda meio baralhada, cometendo erros, blasfêmias e lançando misérias e desorientações, cumpre a velha Hélade, repor-lhe no caminho, tarefa ingrata, hercúlea, que só um semi-deus seria capaz de realizar.
Ao ouvir a voz de um povo inteiro, sinto a força de mil deuses, esses que sabem derrubar barreiras e criar possibilidades, mesmo sabendo que o peso de sua derrota é seu pescoço, é seu futuro, é sua própria possibilidade de existir. Só que hoje os deuses são outros, tendo no altar-mor um deus pagão, um pagão deus idólatra, que se adora, a nós pletora e a si os frutos da cornucópia só voltada para seu bem estar. Tendo assumido a plenitude do poder, esse deus cifrado, equivocado, pensa que pode tudo subtrair, omnívoro, e vive das inconsistências de seu multiplicar autogerador, pensando tudo abarcar. Irá morrer de si mesmo, de sua desumanidade, de sua potencialidade, de seu multiplicar, valendo tudo, não vale nada.
Entre seu servos e seus sacerdotes o senhores do mundo, todos engolfados na miséria dos números que o deus lhes deu, pensando não soluções em suas maquinações numéricas, em suas projeções financeiras, perdendo-se nelas, porque elas não são nada, não são gente, não são bicho, não são coisas, não são matéria, não são presente, não são passado, não são futuro sequer. São medidas de promessas que só se concretizam se os povos disserem sim.
Hoje os gregos disseram não! O futuro é amanhã!
sábado, 4 de julho de 2015
SIM OU NÃO?
Esta dúvida em si já é uma derrota
Associada a uma triste confissão,
Ambas a correr na mesma rota
Seja a resposta indiferente sim ou não.
Foge-lhe o sangue de correr em suas veias
Escapa-se-lhe a vontade em contrição
Indiferente o povo que as semeia
Duvida em dizer se sim ou não.
Carrega todo o fardo de um passado
Promessas e eterna corrupção
Arroja-se com seu credo já de lado
Importa dizer sim e também não.
Luta, festeja e imagina
Qual resposta possa resultar
Insiste e segue e não se inclina
Acreditando que poderá singrar.
Põe-se a opção: Oliveira ou cavalo?
Que a oferta da deusa sempre encerra
Marcante decisão e forte abalo
Escolher de pronto: paz ou guerra.
Prisioneiro de uma verdade que é mentira
Como livrar-se acaso da prisão?
Será portanto destino daquele que se atira
Gritando ser o sim em vez do não?
Falseia uma alegria, uma justiça e liberdade
Para expressar sua intensa e premente afirmação
Qual será ela: signo, sonho ou realidade ?
Crença perefeita e simples escolha: sim ou não.
Dessa conta helena falsa e vil
Segue certeza que não pede explicação
Nada mais há que seja varonil
Amesquinhou-se em limitar-se a sim ou não.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Conversas no Panteão.
Que conversas terão Eusêbio, D. Sofia e o Sr. General? Conversas de toda a vida, de todo o tempo agora que reunidos estão na mesma sala do panteão. Obtidas as graças de Santa Engrácia, o que é obra, obra que nunca acaba, assim como a santidade na visão de Agostinho de Hipona há que ser renovada todos os dias, porque Eusébio terá de continuar fazendo seus gols exímios, D.Sofia a falar-nos a alma com sua forma poderosa, e o General a enfrentar as circunstancias do seu momento, momento que não pode passar, passa, e certamente passa é a glória do mundo, esse estranho fenômeno fruto de vontades incongruentes.
Não estarão cristalizados no Panteão, não, porque o tempo que passa modificará sempre a perspectiva de cada um e de todos sobre a verdade de cada um, três verdades tão diversas que dará para as conversas da eternidade e sobram, mas que para a realidade encontrarão diversas dificuldades entre aqueles que o apreciarão. Aqueles que deverão deslindar a riqueza da escrita de D. Sofia, tarefa mais leve, porque a verve continua pujante com o fogo das palavras escolhidas e na matéria ígnea da interação destas, assim como do infalível rastilho.
Os dribles e passes e gols do jogador já serão, com o passar do tempo, mais distantes, mais reclusos, com menos lembranças, quando morrerem odos que presenciaram sua magia em campo, e depois aqueles que receberam o testemunho na primeira pessoa, mais longínquo ficará o acesso porque não será um abrir de livro seu que o restituirá, ou o ver um vídeo cuja emoção do momento estará subtraída pelo conhecimento antecipado do resultado, pela realidade perdida do contexto do momento.
As ações do general, que impôs sua presença num tempo de medo por não tê-lo, por desdenhá-lo, seus discursos, seus feitos, sua presença forte, registro de uma época, terá ficado nela recluso, necessitando evocação histórica, lembrança e conhecimento de tudo o que implicava ter feito o que fez, quando o fez, como o fez, apara revelar sua bravura, sua importância.
Esperando que conversem muito com esse encontro que agora se propiciou, que se renovem as palavras, as forças, as glórias e as vontades, e que quando o tempo, esse corruptor das vontades, destruidor das glórias, ladrão de forças, e mestre em empanar as palavras, tudo grisar definitivamente, haja quem do eterno baú das maravilhas que existiram retire de cada um seus feitos gloriosos e os rememorem às gerações futuras, para que esses lembrem-se do que foram aqueles, e porque lá estão à mercê de uma obra que nunca acaba, Engrácia viva no coração de Lisboa.
O complexo de imaturidade da presidente do FMI.
Todo aquele que insiste numa determinada temática é porque esta lhe é cara pela positiva ou pela negativa, o que equivale a dizer que este tema no qual insiste ou é uma referência existencial de qualquer sorte, como uma música que sempre ouve, ou é um handicap que traz consigo.
A Sra. Cristine Lagarde, esta dama cheia de esqueletos em seus armários, que são tantos que de quando em vez um sai de lá para assombrá-la, e percorre lépido a praça pública, cavalgando uma série de suspeitas aflitivas para a senhora, volta a insistir na imaturidade, e pelo seu contrário na necessidade de maturidade, dos negociadores da gravíssima crise que atravessa a União Europeia na resolução da questão grega que, despreparados, os negociadores deixaram ultrapassar todos os limites da razoabilidade, conforme já afirmei, mais que tudo por conhecerem da impossibilidade negocial de uma dívida impagável.
Que o criminoso organismo que representa, o FMI, criminoso no dizer do Sr. Tsipras, tenha aplicado receitas iguais para países diferentes, e evidentemente imposto soluções abstrusas para uns, que podem até ser certas para outros, aplicando sempre o mesmo receituário como panaceia mundial, é um fato incontornável, e que agora venha pousar de bonzinho sendo o mais complacente dos membros da troika, expressão banida pela circunstância negocial grega, na atual situação a que chegaram as negociações e evidentemente volvidos seis meses, com a situação tendo desandado por toda parte e entre todas as partes, e particularmente a situação do paciente em tratamento, tendo-se perdido a perspectiva do receituário, e qualquer efeito que esse tratamento pudesse ter de positivo, quer por se ter demorado demasiado a continuidade do tratamento, quer por inadequado, quer por tardio, quer por dosagem inespecífica, lançaram o paciente num vórtice que lhe é destrutivo, a tal ponto que, após tanta confrontação, será indiferente um resultado de um referendo?
Que mesmo que seja com a melhor das intenções a Europa quer manter uma farsa é outro fato inconteste, farsa negocial que adia, como no caso português, uma explosão certa, sendo este uma armadilha no tempo, no caso grego, sobretudo por insistência dos gregos para que se retirem as bandagens que encobrem a terrível chaga supurada que necessita de purga completa, porque sente que com a manutenção das bandagens a situação só piora, e que é necessário trazer-se à luz a infecção para saneá-la e desinfetá-la eficientemente, preferindo os médicos de plantão bandagens novas e muita sulfa, deixando a ferida como está para posterior tratamento, seguindo uma agenda muito particular, mantêm-se a indefinição insuportável.
A senhora Lagarde por ser europeia a frente de um organismo internacional deveria ter uma agenda europeia, e alternadamente, inconstantemente, ora tem ora não tem uma visão de conjunto dos males que afligem a União, e a própria União, na sua vertente monetária, cega-se face da dimensão do problema que exige um estatuto negocial complicado que passa pelas assembleias e câmaras de diversos países para aprovação, e que vai requerer um tempo, um esforço e uma lucidez que exige uma dimensão dos negociadores que as atuais lideranças não têm e que, com a tônica da premunição e do equívoco, a senhora Lagarde insiste em ver imaturidades, não sabemos se por todos os lados na sua visão, mas sabemos que sim na realidade do prcesso, realidade tão absurda que, se fora ficção, não poderia ser mais inverossímil.
# Menos de uma semana depois em obediência aos patrões franceses e americanos, já reformulou seu comportamento, livrando-se do complexo rapidamente.
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