domingo, 26 de julho de 2026

24.000 idiotas.

Nos encontramos no início de uma das piores crises que jamais atravessou a Humanidade. Os que anteviram isto passaram anos, décadas mesmo, a avisar para prevenir. Não funcionou posto que a estupidez somada à incúria administrativa levou-nos à presente situação, onde milhares são afetados ou mortos à vez, pela desordem climática. Se fosse só isso alguns, séculos de horror hão de repor a estabilidade pré-industrial, nem que seja matando muitos milhões que habitam a crosta terrestre, onde as misérias se irão manifestar cada vez mais intensamente. Entretanto o que nos espera é bem mais grave, porque outros fatores começam a atuar em diferentes setores da estrutura ambiental, poluindo, matando, envenenando, destruindo, impossibilitando que vivamos em harmonia ambiental, que é a primeira necessidade humana. Campos para plantar, agua limpa para beber, um lugar onde dormir sem medo de não existir mais no dia seguinte. Mas a inconsequência que cada vez mais se generaliza, com os cidadãos que elegemos cada vez mais afastados da realidade, e entrincheirados em seus interesses políticos e econômicos, mesmo aí incluídos os ilegítimos. Já ingerimos entre meio e um cartão, como estes de bancos, de crédito, por mês em micro-partículas escondidas nos alimentos. É o plástico que está em tudo, que corrompe tudo, polui tudo, neste modelo de sociedade que criamos, sem nos darmos conta de que ela pode ser mortífera para todos nós. Não adianta afirmarmos convictamente que algo precisa ser feito já. Os interesses econômicos das industrias do plástico e petroquímicas, conjugados com a maleabilidade e baixos custos em transformar essa matéria nos mais variados tipos de embalagens, determina a continuidade da desgraça que espalhamos pelo mundo, já existindo mesmo ilhas de plástico espalhadas pelos oceanos, numa ação que vai nos empurrar cada vez mais para fora do planeta, e a única maneira de sairmos, como sabemos, é em espírito, porque nossa matéria, nossos corpos, sempre irão demandar espaço, este que vamos destruindo cada vez mais, dia a dia. Muito bem, também muito tem sido feito para evitar ou atrasar essa catástrofe, muitas iniciativas que vão desde reciclar o lixo até alterar a origem deste, usando materiais bio-degradáveis, vão caminhando. Há mesmo muita gente empenhada em resolver essa terrível encruzilhada em que nos encontramos, buscando fórmulas e soluções para alterar o panorama destrutivo que é a vida em imensos aglomerados humanos produtores de lixo em proporções inimagináveis. E vão surgindo medidas, que se vão juntando, com a intenção de diminuir de algum modo esta situação catastrófica que vivemos. Entáo, uns quantos países, penso que 19, implantaram um sistema de re-esmbolso pelas garrafas plásticas devolvidas: VOLTA, que em Portugal teve início no dia 10 de abril próximo passado, pagando por cada embalagem retornada. Amplamente divulgado, mas ainda pouco, é minha opinião, resultou na recolha de 100 milhões de embalagens nestes primeiros três meses do sistema. É promissor, e é mais uma medida para contornarmos a terrível catástrofe que se avizinha. Quem ganha monetariamente com isso? Não sei e não me importa saber. Importa que o meio-ambiente é preservado, e alguma coisa no sentido certo está sendo feita. Pois eis que surgiu um abaixo assinado contra o sistema de recolha. O iniciador disso não sabe bem explicar contra o que é o abaixo assinado. Não importa, é contra. E como todas as tolices sempre encontram muitos tolos que as acompanhem, já há 24 mil idiotas que assinaram a petição. Espero que haja uma crise de consciência em que se disacuta o que se passa. Se há gente desempregada que recolhe as embalagens, tanto melhor, passam a ter o que fazer e ganham dinheiro. Além disso ninguém tem nada a ver com o que faz cada um para ganhar a vida, não sendo isso contra a Lei. No mais tudo que se diga é só tolice e má vontade. Aproveito estar a tratar do assunto, para apontar que há uma má vontade para com o sistema. No Continente do Cascais Shopping puseram a máquina de recolha no meio do pátio de estacionamento superior, um andar acima do supermercado. O que é de todo inconveniente. O que leva a quem queira depositar suas embalagens a ter de atravessar o supermercado, pegar um elevador, subir ao pátio de estacionamento e então poder chegar à máquina de recolha. Quando chegarem as chuvas de inverno, ninguém depositará suas embalagens sem tomar uma boa chuvada. Parece de propósito.

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