quinta-feira, 7 de maio de 2026

Da universalidade, entre o antropológico e o tecnológico, em 30 crônicas e 1 Discurso - pressentimentos de Lídia Jorge.

Entre libelos e louvores. Esta dicotomia existencial que é afeta a nosso entendimento para parametrizar nossa visão da realidade, não é inocente, culpa ou absolve tudo que há, e ao fazer estas escolhas antagoniza os universos que critica, sabendo que isso representa gerar, não digamos inimigos, mas menosprezo de todos aqueles que estão no polo censurado. E assim fez-se o mundo, pois é da natureza das coisas que assim sejam, entretanto quem tem dignidade não se escusa à escolha, uma vez que devemos sempre expressar nossa concordância ou discordância face aos valores em presença, inevitável postulação do intelecto que requer certa coragem. Lídia não foge a nada. O céu certamente cairá sobre nós à conta de nossas más escolhas, posto que o que resta vive no coração, esta forma equivocada de dizermos amor, este mesmo que não temos com a abrangência mister e na amplitude requerida, perene libelo em nossa mediocridade, posto que não podemos negar que perdemos nossos valores deontológicos em troca da matéria, sempre só a matéria, esquecendo que foi o humano gerou este mundo que criamos com suas infinitas possibilidades, e que quando retiramos o humano do centro de nossos propósitos, para permitir que qualquer outro valor prevaleça, cometemos suicídio, porque matamos nossos valores primeiros, fundacionais, e sem eles estamos mortos. A incompreensão do sentimento universal, como quer a filosofia que seja sentido por todos, foi hoje substituído pelos ilusórios valores da matéria, esses que regem o mundo em nossos dias, impulsionados pelo tecnológico que tudo reduz a seus fins materiais e comerciais, sob o signo do dinheiro, traduzível em conforto, luxo e bem estar, sem nenhuma paginação humana, espiritual, na desordem do existir egoísta, pequeno, intramuros, nos muitíssimos labirintos tribalizados que criamos, no paradigma do possuir contra tudo e contra todos, na faina infinita de ter, ao invés de buscar a alegria e a plenitude, essas duas possibilidades existenciais que tanto nos redime, e que todos pretendemos alcançar, mesmo sem conhecer o caminho, e, apesar de termos esquecido que faina originalmente significava cortesia, jungindo essas características humanas tão redentoras que se consubstanciam em felicidade, denominador comum do humano. 30 cartas contra a História, e o perceber por antecipação. A História é toda a história, a narrativa, mesmo podendo ser verdade, é o que alguém quis contar da história, geralmente uma parte selecionada pelo narrador, que não é a História, pelo menos não toda. Do que há de "factos, opinião e verdade" no que nos é contado, tem como maestro o "lastro filosófico" que, para além do que antevira Nietzsche, faz uma amputação precisa, deixando o que devera ser verdade, por isto a crônica é contra a História, a oficial, pode-se dizer, aquela que pretensamente permanecerá como verdade ao gosto do narrador, uma vez que esta seja a que se propala, ocultando o mais que lhe interessa ocultar. Sabemos bem a resposta de Jesus a Tomé quando este Lhe perguntou sobre o caminho, teria sido a mesma se Lhe perguntasse sobre a verdade, posto que sem o Humano, esta fórmula que nos foi legada, esse modo de sentir verdadeiro, não somos nada: Oxigênio, Carbono, Hidrogênio, e mais uma dúzia de elementos combinados em carne e ossos, eis tudo. Os bichos também são assim, e não têm filosofia, ainda que tenham memória, sentimento e ética, e nós nem isso às vezes temos. Essas 30 crônicas dizem tudo, porque Lídia é tangível como o mais fino instrumento que só toque a música da verdade, essa música rara que nos encanta quando ouvida, porque cala no mais fundo do entendimento, traduzindo-se em compreensão. Com a visão de "antena" e uma "sabedoria de natureza indefinida" perscruta o mundo antevendo futuros equívocos, e prevenindo o indecifrável como método. Pa rum pum pum pum… A sexta crônica começa trazendo o The little drummer boy como presença fortúita nao texto, mas na verdade a determina. Um ritmo, sempre um ritmo, que é bem mais que as palavras, uma vez que elas se expressam nos ritmos, nas cadências com que são ditas ou escritas, definição absoluta de seu ser, de sua lógica, de sua própria existência. São como as dizemos, e revolucionam por onde passam. As palavras plasmam! E Lídia evoca Amos Oz querendo a absoluta dissociação das palavras, da música e do ritmo, com uma realidade maniqueísta da canção que escolhe, inevitável pela desarmonia fomentada pelos líderes mundiais promotores da violência, anti-antropológicos que são, e cuja única receita para nos curar de seus males, ou evitá-los, nos é dada nas conferências de Oz como que a concitar, com as batidas do tambor, uma cadência para substituir o matraquear das armas assassinas que mantêm-se, e contra o qual se insurge Lídia Jorge. Magistral a sonhar um mundo melhor, este que nós evitamos e duvidamos, a autora não evita nada, crê, é é quanto lhe basta. Onde está tudo lá. "Sharia, Chega, o judiciário, golpes de comédia, os poemas, o movimento anti-democratização, a Revolição, Grândola, Vila Morena, Bella Ciao, a ONU, a incompletude, manhosos, o instante oscilante em que tudo ainda está por acontecer, as distopias, o Pacto para as Migração e Asilo, o ímpeto do pensamento defensivo, grupos organizados, 'fake news', notícias, medo, mentiras, os messias, os meliantes, as cercas nacionalistas, as escadas de emergências …até ver, a ideia de paz, os indivíduos, as nações, cores vivas, o movimento retrógrado, o grande mercado, a honra, a escalada bélica, a máquina da produção, o oprimido e o opressor, a bondade e a compaixão, a sobrevivência da espécie, a verdade científica, a beleza, a essência da democracia, liberdade, o ensaísmo acadêmico, a dor sentida nas ruas, estereótipos de papéis de gênero, identidades culturais e raciais, imagens sexuais degradantes, assimetrias, alguma coisa caótica, furiosa, fratricida, interesse geoestratégico, sentimento de irrealidade, verdugos da humanidade, as democracias mais consolidadas podem cair e por si mesmas apodrecer, dança histérica, deriva para o caos, votos, a vergonha coabita com a verdade, humilhação vergonhosa, escalada, nem liberdade nem pão, mecanismos, consumo, divertimento, ligeireza, ansiedade, ruído e lixo, relações humanas, intolerância, caricaturas, 'cartoons', nada para dizer, a música, o triunfo que ignora a lei, ninguém se salvou, comédia trágica, Ainda Estou Aqui, a profundidade da vida, a Inteligência Artificial, a estupidez natural, manipulação da verdade, as dores da humanidade, 'selfies', terror, mitologia pessoal, ecrãs, ameaças, nem únicos nem perdidos, a Literatura que em geral pressente o que a História depois confirma, domesticar, desinteligência grosseira, descomando, desequilíbrio, desarmonização, violência, racismo, NATO, a síndrome da imortalidade, reduzidos à condição de animais, há tentativas de rima que ameaçam matar o próprio poema, mundos prodigiosos, antecipar", tudo lá está, só esqueceu José Carlos Ary dos Santos. E termina 2025 na trigésima crônica, evocando a força das palavras profanas, ensejando que sejam mais fortes do que os mísseis. Aí vemos a palavra que a autora busca, poética e messiânica, que seja proferida pelas figuras costumeiras formadoras de opinião, palavra denunciadora, altiva, fiel e corajosa. E de súbito nos apercebemos que caberá à Literatura proferi-la, e Vos pergunto: Quem melhor que Lídia Jorge para usar da palavra? Lagos, 10/6/2025. O Discurso, e que discurso! Já o apreciei em 'Partir qualquer coisa', discurso onde todo o espírito português é exposto sem medo de patologias, posto que a verdade não se infecciona, é asséptica, pura, além do Bem e do Mal, manifestação imperiosa, não contaminável. Poderá ser falseada, mas aí não mais é a verdade. O discurso de Lagos no final da Primavera de 25, fica na História desse país para redimi-la. Quem não teme falsos fantasmas arroja-se intrépido no Absoluto, e com ele cria nova dimensão que liberta e engrandece a todos. João 8:32. Aqueles que tiveram conhecimento prévio de todos os assuntos levantados nestas 30 Crônicas e no Discurso, quedar-se-ão instigados pelos não cogitados ângulos de interpretação dado pela autora, pelo muito que é revelado à conta de sua apreciação atenta, e concluirão que não foram suficientemente espertos para reparar nessa enorme mudança de nosso tempo em seus detalhes, e que nem bem souberam avaliar em que mundo se encontram. E mais, ficarão a saber que há várias Lídias, que são uma em sendo muitas, sempre a mesma com diversas temperaturas e amplexo multiforme, que não deixa escapar nada, e que com calma e sabedoria avalia os mais diferentes eventos e realidades, sucessos esquivos que encontram todos, disse bem, todos, espaço na sua capacidade analítica de sentir e mais ainda de pressentir tudo que há.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Da trilateralidade.

"Alguma coisa está fora da Ordem, da Nova Ordem Mundial." Caetano Veloso. Meu avô materno, que era militar, costumava dizer: Manda quem pode, obedece quem tem juízo! E assim é, por maioria de razão, em espaços sem o império das leis, quando países deixam o Estado Democrático de Direito para assumirem posições em que fiquem sob o poder da força, vale dizer sob o Império da força, rejeitando os outros meios de expressão existentes na relação entre os Estados: o Direito (nesse caso o público internacional) a Diplomacia e o diálogo, institucional ou não, fazendo perecer estes meios, dando espaço somente ao poder da força — que muito pode, é verdade, mas não pode tudo, porque no processo atuam também outras componentes, que sendo de pequena e relativa força, mesmo assim podem modificar cenários que o poder entendem como certos. Foi assim durante toda a idade média, durante o período napoleônico, e mais, porque aquilo que se imaginava seguro, subitamente tomou outro rumo, alterando toda a situação — Vejam por exemplo o poder napoleônico, pensava que dominaria Portugal, o pequenino Portugal, facilmente, e não conseguiu. Por três vezes tentou, e por três vezes perdeu. Hoje temos dada a incúria europeia, por um lado, e o psicopata que ocupa a casa branca, por outro, (pedra que eu havia cantado na primeira campanha para sua indicação pelo partido republicano - podem verificar, está na net) a condição que está permitindo que o mundo tenha se rachado em três blocos, sem melhor proveito para nenhum, no entando permite a todos, e a cada um deles, impor políticas e ações militares absolutamente perversas, desrespeitando tudo que estava consaagrado como ordem mundial, rasgando a Carta da ONU, a da OEA, rasgando os compêndios de Direito Internacional, e destruindo relações diplomáticas, políticas e militares, e suas instituições, que levaram décadas (algumas séculos) a se consolidarem. Com isso ruiu a ordem, a antiga ordem multilateral, e surge uma nova, novíssima, que, por enquanto, é trilateral. A Alemanha foi a primeira a perceber isso, e a começar a se preparar para lidar com a Nova Ordem, e tentar estabelecer um quarto factor, um quarto lado (muito certamente dentro do todo da União Europeia da qual faz parte) mas isto demora. São preciso armas, exércitos treinados, indústria bélica e apoio popular (no caso das democracias). É preciso tomar boa nota que o tempo é um factor crucial, porque todo o espaço (político, militar, institucional, que não é ocupado, é um flanco aberto a movimentações, nada podendo embotá-las, que não o exercício efetivo do poder). Os que crêem em acordos (tinta sobre papel) como se deu com a Ucrânia, que entregou seu arsenal atômico em troca de um acordo de defesa — sabemos o que foi feito de tal acordo. Pobre Ucrânia. Sem Ordem, visto os poderes proeminentes só entenderem a linguagem da força, essa que só pode ser exercida militar ou/e economicamente, do vazio existente, muitas movimentações ocorreram no intúito de demarcar territórios, e estabelecer zonas de domínio. A Rússia de Putin começa sua expansão territorial no sentido de recompor a velha União Soviética (que nunca teve nada de União, mas sim de jugo soviético). Os Estados Unidos começam a peleja pelo domínio do Indo-Pacífico, levando a China a demonstrar todo o poderio que vinha, e vem, consolidando durante décadas, como é seu modo de atuar (devagar e sempre, ou melhor: continuamente ativa sem despertar barulho e atenções) e um pouco por toda parte, na Europa, em África, por toda Ásia, na América, nos próprios Estados Unidos, comprando sua brutal e impagável dívida; e por toda parte comprando empresas, portos, companhias de transporte, etcetera (tudo sem guerra, pela foça e poder do dinheiro que deixará de ser o dólar). Desse modo a Rússia que só é poder pela força das armas, tendo uma economia bem menos pujante que os outros dois lados — Os Estados Unidos e a China, os atuais maiores PIBs do planeta, muito distantes dos que vem depois, e, como sabemos, tudo, desde o desenvolvimento às guerras, custa dinheiro, e muito dinheiro, este que só pode ser obtido pelo desenvolvimento econômico e pela exploração das riquezas naturais, próprias ou alheias, para que haja uma máquina poderosa que sustente as pretensões de poder que alguém possa ter. Hoje estamos nisso, três poderes tentando aumentar seu efetivo poder e sua área de influência, melhor dizer domínio, por isso a Rússia do Coronel Putin invadiu vários Estados sem declarar guerra, através de "operações especiais", a China e os Estados Unidos fizeram o mesmo, coagindo outros países, sendo que os EUA têm como justificação, o entendimento absurdo da extra-territorialidade, e agora as três, para demarcar território, buscam acordos secretos ou não, como o de Putin-Trump em Anchorage, os de Xi nos BRICS+, e o de Trump-Xi na Venezuela (onde nem uma gota do petróleo que vai para a China será tocada). Manda quem pode, obedece quem tem juízo, 'tout court'.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Complexo de Napoleão.

Napoleão era baixinho.
O Sr. José Paulo Fafe escreveu no seu 24 horas, às vezes são só 23 e meia, um artigo de opinião intitulado O ERRO FATAL DE MARCOS MENDES. Ora não há erro nenhum, é como é. Erro é aquilo que resulta de uma má compreensão, ou de análise deficiente, o que nesse caso não se verifica. Sendo o erro apontado "assentar sua campanha na seriedade, na questão da ética e da experiência.". Não há erro nenhum nisso, e na verdade o mínimo expectável é que todos os candidatos o fizessem.O que não ficou dito é que para o fazer é preciso não ter telhado de vidro, o que certamente o sr. José Paulo Fafe evitou mencionar, para não responder a um processo do Dr. Marcos Mendes, agora dizem Marcos Mentes... Sei lá! O facto é que essa coisa de se apresentar higiênico, é necessária higidez, ou seja sua boa saúde no sentido da limpeza, ou seja não estar conspurcado por nenhuma sujeira que se lhe possam apontar. O paladino dos comentários de domingo, que, tendo sucedido a Marcelo na tv, não o sucederá em Belém, por falta de cabedal, os sobejos recursos que tinha Marcelo candidato, que pôs-se em rumo batido na sua candidatura inexorável a dez anos no Palácio de Belém, salvo sua mordacidade, não puderam apontar nada a Marcelo. Já o caso do Sr. Mendes é bem diverso. Não se tratando de erro algum, posto que só erra quem foge a sua essência, e Marcos Mendes manteve, e mantém sua essência, essa que é forjada na puquenez de seus dias, o tampinha que sempre foi, e é, porque é baixote, poucos esuqecer-se-ão das blagues dos bonecos da Contra-Informação, onde o sr. Mendes era retratado naquela versão abstrusa de comportar-se, um sorriso falso, uma pose estudada, uma postura premeditada, e nada para destruir uma pessoa do que passar a sensação de ilusionismo. E a postulação do Sr. Marcos Mendes não aguentou uma campanha, sem erro, mas com sua natureza, napoleônica que é, o complexo,mas sem nenhuma genialidade como tinha o que denominou o complexo, o 'petit caporal'. O complexo de Napoleão, que atinge primordialmente às pessoas de baixa estatura que gostariam de ver sua figura em posição cimeira, ultrapassando todos os demais mais altos fisicamente que eles, tendo destarte o desejado destaque, aquele que se lhe foi roubado pela Natureza ao fazêlo pequeno fisicamente, mas que seus magníficos dotes intelectuais o lançaram muito para além dos outros, oa mais altos. O erro, que aqui neste caso é do Sr. José Paulo, foi esquecer-se que ninguém foge a sua própria natureza, sendo como é, nesse caso um pretencioso, que só sem máculas, como se verificou na candidatura de Marcelo Rebelo de Souza, poderia prosseguir num diapasão de ética, cuja conduta fosse, não digo irrepreensível, mas com falhas aceitáveis, e que não levassem ao que as apresenta a postura temerosa e apoucada para um gigante-anão que tenha a maior pretensão política que há em Portugal. "Ganda noia."

Macas ou mocas?

Devido à minha proverbial estupidez, promovo soluções óbvias aos problemas que se me aparecem. Por exemplo: acaba-se-me o pão lá em casa, eu sem exitar saio e compro pão - pondo fim ao problema - e me considero muito engenhoso por isso! Só uma mente brilhante alcançaría tão pronta solução. Deste modo quando sabe-se que o problema do INEM reside no sequestro, melhor será dizer não liberação, das ambulâncias que não podem seguir seu rumo sem as macas, este utencílio indispensável para o transporte de doentes, uma vez que os doentes sem macas teriam um transporte ao mesmo tempo difícil e perigoso, pensei, dentro dos meus limitadíssimos recursos mentais: Porque não suprir a falta de macas, e com isso libertar as ambulâncias prontamente, vale dizer libertar o INEM para continuar a fazer seu serviço indispensável e insubstituível? Desse modo, dentro de minha fraquíssima capacidade de entendimento, imaginei que se houvessem macas sobressalentes, o problema prontamente resolver-se-ia, evitando toda essa convulsão que assola o país há anos. Fiquei mesmo muito abespinhado que saísse essa ideia de minha limitadíssima cabeça, quando os cérebros privilegiados que dirigem a nação portuguesa, não concatenaram essa prodigiosa ideia, advinda de minhas parcas faculdades. Seria algo assim: No lugar de adquirir mais ambulância, equipamentos, treinar pessoal para-médico e de suporte, etcetera e tal, bastaria comprar bom número de macas e distribuí-las pelos hospitais. Desse modo quando uma ambulância chegasse a um hospital, em lugar de aguardar a devolução da maca em que entregaram o doente, apanhariam outra, e seguiam seu mui meritório trabalho de salvar vidas. Sinto-me amedrontado em propor solução tão simples, que só poderia vir de uma mente tão simplória quanto a minha, e deste modo estar metendo a pata na poça, revelando todas as minhas limitações de raciocínio, mostrando quão medíocre eu sou. Vencendo este medo por amor à causa, e na expectativa de salvar vidas, lanço aqui minha sugestão: PONHAM MACAS SOBRESSALENTES EM CADA HOSPITAL. COM POSSIBILIDADE DE ACESSO SÓ POR PARTE DOS PARAMÉDICOS DAS AMBULÂNCIAS. Dito isso peço a Deus que me perdoe na minha ousadia simplória, e que ilumine as mentes brilhantes que nos governam para encontrarem a solução mais adequada a tão complexo problema. Que Deus nos ajude.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Ano Novo, quem sabe, feliz?

1. Da condição. Toda surpresa do entendimento é tão plena como a da incompreensão, esta mesma que não existe, assim como o frio não existe, e que como a física nos ensina, há apenas falta de calor, este que efetivamente existe, e que sentimos igualmente ao frio, por presença ou por ausência as coisas se fazem notar. Temos incompreensão quando não compreendemos aquilo que notamos, entretanto ela não se faz presente, por isso a notamos, e é sua ausência que nos vem ensinar, porque não está lá, e nós que lutamos pelo entendimento com a cabeça de quem sempre busca perceber as coisas, não entendemos o que se passa quando este (que se passa) são o vazio ou a ausência, porque não colecionamos ausências, estas que costumam ser mais eloquentes e instrutivas que a maioria das presenças, dispensando as palavras como nas trilhas sonoras de Morricone, que nos faz cantar suas músicas ainda que sem palavras, como nas telas do Bosch, ou então com palavras, como na poesia de Vinicius, onde só o sentimento prevalece; e, com ou sem palavras, dispensando também as demonstrações, porque tudo já foi entendido com a plena incompreensão manifesta. O sentimento tem forças telúricas, oníricas e mágicas, como poemas soprados ao vento, que ficam impregnados nas almas, arrancados à vida, esta particularidade que não podemos evitar. 2. Do estado. Já não somos mais. Já não estamos mais. Já não pertencemos mais. E a sensação não nos abandona. A impossível compreensão perde-se na surpresa sem entendimento, mas é tão forte, tão presente, como se existisse, e nós, que a sabemos não existir, mesmo assim não conseguimos nos livrar dela, a ausente mais presente em nossas vidas. Dialética do absurdo, gramática da estupidez em sua mais absoluta retórica, de tudo o que entendemos, por não entendermos. 3. Da ocorrência. Encontro desesperado do desencontro, essa arte tão subtil quanto brutal, sem humana compreensão, desumana que é, também torpe e fidedigna, retrato perfeito do que não existe, senda sem rumo de caminhos incertos, posto que nada restará. Tudo passa por nós e nós passamos por tudo, incólumes e devastados, nesta dupla sensação que como tintas primárias se fundem gerando uma nova cor, que não sabemos designar, que macula nosso pensamento e alma, na impossível certeza de nos fazer duvidar, porque não há nada para se crer neste mundo de meu Deus. Só a inteireza, a boa vontade e o amor, poderão transformar esta incredulidade. 4. Do ser. Depois de alguma estrada, múltiplos e desencantados voltamos sem surpresa a entendimentos fatídicos sem passado, sem futuro, na presença exclusiva da memória, esta maldição incruenta que nos conforta e aterroriza, que, sendo nossa única tábua de salvação, é ao mesmo tempo o precipício em que nos lançamos por falta de melhor opção, já que habitamos e somos habitados por todos os fantasmas baldios, como um espaço que sendo de todos, é de ninguém. Em nós e fora de nós. - Ali vivia d. Fulana, onde andará? Aqui não era uma pracinha? Essa era a casa da menina, minha primeira namorada, nunca mais soube dela. - Toda a roda de coisas que nos habitam desajeitadas e desajustadas para além da nossa vontade, e que seguem imparáveis e sem eixo, desabaladas e estáticas, dupla e exclusiva condição, em coisas impensáveis, para almas insaciáveis, em presenças muito vívidas, como só soem ser as que não mais existem, apartadas definitivamente da decrepitude dissolvente que tudo esmaece, descolorindo a felicidade, esta cuja cor desconhecemos, no entanto a cremos pintalgada como canteiro de múltiplas flores. Será? Pouco custa desejar. E tendo girado a roda, melhor ou insensatamente impelida, sucederam-se estações, anos, talvez mais, posto que o tempo, esse senhor absoluto da vida (e da morte) implacável como é, tudo vence, exceto ao amor, à bondade, e à inteireza; tudo mais ele faz fenecer com sua passagem (e nós, tolos, festejamos), ou, então, faz ressuscitar na sequência daquilo a que chamamos existência, inarredável condição em nós, e que, quando se torna extrema, nós, ignorantes, prestos em seu derradeiro requisito, diletantes, devemos desejá-la feliz.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Os meandros do casamento - Leopoldina e Pedro.

1. O mundo deixava de ser clássico para ser romântico, o que era mais-que-tudo uma mudança na forma de sentir, penso não poder haver maior mudança, ao mudar a forma de sentir de uma pessoa muda-se tudo: seu pensamento, sua lógica, sua sensibilidade, seus gostos, seus hábitos, enfim sua forma de ser. Peço-Vos que não busquem nesse livro objetividade histórica, uma vez que vejo as coisas desde outra perspectiva, posto que não acredito na filosofia histórica, porque não vejo perfeição no mundo, nem em mim. Agora que se passaram quatrocentos e cinquenta anos de que este Rio de Janeiro se fundou na contingência de defender esta baía de águas tão calmas, onde os franceses se haviam instalado, promovendo a preocupação portuguesa de que o imenso território que tinha nas mãos teria de ser ocupado rapidamente se o queriam manter, e que passados duzentos e cinquenta anos daquela sua fundação, o vamos encontrar aqui como capital do Império, com o seu Rei morando nele, coisa nunca vista entre os Impérios europeus, tendo deixado Portugal, portanto a capital do Reino do Brasil, que no final deste ano se iria constituir, assumindo uma posição de destaque no cenário mundial, concernente à sua pujança, e as suas riquezas, que deixaram de circular já há sete anos por intermédio de interpostos negociadores residentes em Lisboa, para passarem a ser diretamente negociadas pelos próprios ‘brasileiros’, começando o Brasil a assumir a posição de destaque que lhe é devida, e, que, com este casamento, do qual lhes conto sua gênese até a faustosíssima festa que se realizou em Viena para celebrá-lo, mais longe irá, e em maiores alturas ousará planar, na consequência de um brilho e poder que não se poderia mais tentar ocultar e tentar constranger, e a ação de Marialva em Viena muito ajudará ao processo, como se verá. Alteração que mudando as relações da metrópole com a colônia, passando mesmo a colônia a ser metrópole, na inversão desta lógica colonial com a qual se passou a dizer, porque rima em português e irritava solenemente aos portugueses: ‘Encomenda sem dinheiro fica no Rio de Janeiro’. 2. Os anos se vão somando, e os séculos se completam, agora dois, sobre este casamento que mudou Portugal e o Brasil para sempre, duas centenas de anos que iremos reviver, porque a memória é vida, e tenho esta gente bem viva porque deve ser lembrada e relembrada pelo que fez, e quero que as personagens saltem do papel e venham dançar à sua frente, com suas qualidades e defeitos, com suas vontades e desleixos, com suas verdades e segredos, mostrando e demonstrando tudo o que se passou. Trazendo-vos o gosto das coisas, não mortas nem vivas, mas eternas, como são as coisas do passado, que como fatos imutáveis conquistaram este estatuto, e que devem ser apresentados em sua plena extensão para fazerem-nos viver com eles e com as personagens que os protagonizaram, com tudo aquilo que representam e que, chegados até nós, dizem-nos do rumo de nossas vidas, rumo que estas personagens traçaram com suas ações e omissões, e que foram estas mesmas ações e omissões, hoje eternas, que moldaram tudo que aí está, e a que chamamos ‘status quo’, ou realidade presente, e que é a materialização em somatório, como consequência, de todos os atos que se fizeram antes. E alguns se nos vão revelando por seus testemunhos, os quais vamos ocasionalmente encontrando e descobrindo. Aqui também assim foi. 3. Foi preciso sorte, disposição, ganas, perseverança, paciência, tempo e disponibilidade! Os pré-requisitos necessários, indispensáveis mesmo, para produzir uma obra como essa. Onde teremos que retirar do Danúbio suas ninfas, suas ondinas e todos os espíritos fantásticos que o habitam, para que venham prestar reverência a esta festa plena de maravilhas, assim como Strauss o fez com sua música no tempo da festa, quero eu fazer com meu pálido verbo ao relatá-la, quero dar vida ao ter memória. Náiades venham dançar! E como o Danúbio, também a Guanabara e seu perdido Janeiro, e também o Tejo, o Moldava, o Sena, o Lago di Lèsina, ou o di Varano, e ainda outras muitas hidrografias com suas entidades mitológicas, tágides, melíades, multíplices potâmides, e também venham seus fantasmas, seus espíritos benfazejos ou maléficos, para além de outras entidades manifestas que conformam a paisagem histórica, sem nada esconder, que estes são o invisível, o impalpável, mesmo o imponderável, sua alma, suas gentes e paisagens diversas, que sendo o que se pode ver e perceber de suas ações, pois tudo se combina. E que como ao sátiro de Bouguereau elas me conduzam a banho lustral, ou batismo, minhas noivas que são, e destarte ao destino revelador dos mistérios, pois os trazendo à memória, revelo-lhes a presença, personagens que estão conosco vivas, vivas na vida que nos legaram, na forma como as coisas se passaram e chegaram até nós. Vivas! Já que só vivem os que se fazem lembrar. Partindo desses três focos, o do contexto, o da materialização, e o da factualaidade, dediquei-me 25 anos a estudar esse assunto do elo entre o Brasil e a Áustria, que levou a Independência do Brasil, tendo como geratriz o casamento de D. Pedro e D. Leopoldina, que desaguaram numa série de acontecimentos que determinam a enorme mudança mundial do XIX, com a instituição da liberdade e voz dos povos, antes sujeitos ao silêncio do poder absoluto. Vos trago a reflexão toda a teia de interesses que eclodiram nesta época como nova realidade inesperada à conta de ideias novas que se espalharam pelo mundo, criando entendimentos, sentimentos e organização tão diversa da vigente até então. Com esses dados escrevi esse livro que Vos apresento como ferramenta para a compreensão da realidade a partir dos fatos que a moldaram com as sucessivas mudanças que foram ocorrendo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Da irresponsabilidade civil virtual, à peta da IA.

Salvo os filósofos, as pessoas não pensam nos arquétipos das coisas, e só vêem as coisas ou como absolutas, ou como arquétipos de outras coisas. Entretanto toda a Natureza serviu de modelo para a tecnologia humana - as aves e insetos aos aviões e mísseis, por exemplo, os cetáceos aos submarinos, o mimetismo à camuflagem, a pedra que se atira de várias formas, às balas e projéteis. No entanto as coisas não são absolutas! Como postulou Platão, as idéias são os arquétipos das coisas, logo as coisas não são manifestação de si mesmas, sendo fruto das ideias. Porém para quem olhe para as coisas, estabelece o senso comum, interpreta a realidade de modo a ver nas coisas a expressão absoluta do que existe, nelas mesmas, esquecendo-se do arquétipo que as gerou, a verdadeira fonte, ficando-se pela visão do mundo. Qualquer biólogo sabe que a intenção que rege a forma como a Natureza cria as coisas, traz consigo um método estruturado num modelo ideal que forja repetidamente este mesmo modelo, o reproduzindo inúmeras vezes com muitíssimas variações formais, e o faz matematicamente. Em química sabemos à exaustão das leis que permitem, ou não, as combinações das diferentes substâncias segundo as possibilidades de sua natureza, arquétipo criador de tudo que há. Ilimitada e ilimitável, a realidade das coisas se foi verificando regrada por modelos intrínsecos de sua natureza, modo pelo qual a ciência foi revelando o que já afirmava a filosofia, o arquétipo das coisas reside nas ideias, e, se as revelarmos, teremos desvendado o mistério, teremos decifrado o código, e faz-se a maravilha do entendimento, unica matriz das infinitas possibilidades a nível humano, posto que tudo mais é escuridão e apalpadelas metafísicas, até que consigamos entender e interpretar a realidade que observamos e as manifestações empíricas de tudo com o quanto lidamos, permanecemos no escuro. E se é assim a essência das coisas além do mundo sensível, uma vez que fixemos o olhar para além da ilusão da aparência das coisas, como, por exemplo, ao observarmos o percurso solar, a primeira ideia é que o Sol roda ao redor da Terra, quando sabemos que é extamente o contrário que ocorre, e ela só nos revelará a verdade, esta tão desejada luz que só se acende na dialética, permitindo libertarmo-nos da visão fragmentária superficial, para atingirmos o 'toú agothoú idéa', a ideia do Bem, abandonando a 'eikasia e pistis' para entrar na 'dianoia e noesis', exatamente como a neurociência veio a confirmar milênios depois, a concluão de Platão, rejeitando o acaso pela assunção da causalidade, como a Natureza há muito nos indicava, pois é fonte de toda ciência. Logicamente se tudo tem sua causa, não podemos deixar ao acaso a regência da realidade das coisas, muito menos as virtuais, uma vez que estas são as potenciais realidades susceptíveis de se materializarem por um lado, e por outro muito mais afetas a 'dianoia', ou seja às ideias que nos governam, constituindo imenso perigo porque o futuro é feito de ideias que, como fantasmas, abentesmas assustadoras, são os espectros voando como avejões na direção de suas aparições constantes, que, se toleradas, irão se materializar como imagens no espelho diáfano do entendimento, sendo depois aceitas por todos como verdades tegumentosas. Portanto devemos ter em atenção: 1. A responsabilidade civil na net só existe se for denunciada uma transgressão, e esta obtiver decisão judicial que a reconheça, diferentemente da vida civil onde qualquer transgressão denunciada (à polícia) obtém imediata resposta. Se alguém proferir injúrias contra você, é imediatamente silenciado, se o atacar, é primeiro detido e depois levado a Juizo pelo crime de agressão. Essa inversão da lógica da resposta à criminalidade, permite, no mundo virtual, ao criminoso praticar o crime impunemente e repetidamente por largo período de tempo, de tal sorte que se o ofendido vier, quando vier, obter as restrições misteres a serem imputadas a quem o ofende, o malfeito já estará consumado, e a injustiça consolidada, uma vez que ficou espalhada a ofensa, mor das vezes baseada em falsidade, e se viralizar poderá mesmo atingir níveis planetários, com milhões a ver, sem saneamento possível. Esta condição de impossível defesa, e falta de pronta punição, é a porta aberta a todos que com más intenções, pelas mais variadas razões, queiram prejudicar quem quer que seja. 2. A demanda pessoal de milhões (fofoqueiros, paparazis, mentirosos, mal-intencionados ou não, e seus seguidores) tem a capacidade de gerar correntes inteiras, de proporções industriais, não só contra indivíduos, mas como ação de desarmonia em velocidade inimaginável na oralidade, ou na escrita não tecnológica, prejudicando tanto pela intenção do falsificador, como pela ação disseminatória do consumidor que reproduz a desinformação ao consumi-la, tanto por sua própria ação, como pela ação multiplicadora dos algoritmos. 3. A multiplicidade de usos, bem como das diferentes intenções de uso, deste meio tecnológico para os mais inqualificáveis fins, permite a corrupção generalizada dos valores sociais, uma vez que o próprio consumidor não se alarma com as diatribes e absurdos que encontra nas redes sociais, as achando circunstanciais, ou serem restritos os desaforos e as invenções propaladas, portanto não serão graves, uma vez que no universo virtual não existe ação, assim como na guerra fria, que não deixa de ser guerra a conta disso. Deste modo o racismo, a violência contra as mulheres, os impulsos pedófilos, os descréditos políticos, religiosos e éticos, etc... etc... são difundidos sem que sofram nenhuma coibição. 4. A verdade subjacente às atitudes anti-democráticas, e criminosas permitidas na internet, é que há uma intencionalidade, muitas vezes perversa, nestas propagações de notícias falsas, posto que direcionam suas ideias a partir de um foco de onde dimanam a maioria das detrações de relevo difundidas, é a intencionalidade política. Já a razão das empresas servidoras permitiren isso, é econômica, não se importando com as consequências sociais, muitas delas criminosas. Não refrear essa difusão à cabeça, permite que se forme um ambiente de desinformação propício aos interesses mais esdrúxulos, propagando ideias intencionadas que servem a grupos políticos que desejam ver inculcadas estas ideias, as fazendo ser aceitas por número sempre crescente de desavisados. 5. A Inteligência artificial, fruto do adestramento político-social da máquina em sucessivos ângulos, conferindo-lhe hipotética lucidez em meio a escuridão geral, e conexões lógicas pelo nexo que apresenta onde há falta de tanto entendimento, permitindo, pelas imensas associações, simular pensamentos e inteligência, portanto assim se intitulando apesar de faltar-lhe sempre muito de imaginação, algo de concepção e um raciocínio verdadeiro, posto não ter espírito, e ser instrumento indissociável de quem a criou, nunca uma inteligência. Mas a ideia de inteligência é engraçada e encobre a autoria, por isto largamente aceita. Voltando à Caverna de Platão do preâmbulo, temos que as imagens refletidas, que só as podemos observar na parede (ecran) imobilizados pela forma como nos é apresentada a pretensa realidade em seu jogo de sombras, condiçção impossível à época da ideia da caverna, mas que hoje existe e chama-se computador, com a mesma iluminação às nossas costas, traz toda uma realidade, do mesmo modo que a parede da caverna, diria Glauco concordando, que contém os mesmos modos de distorção, gerando os mesmos 'prisioneiros crédulos' da única realidade que passam a conhecer, impossível à época de Platão que perspectivou toda esta situação, impossível no seu tempo, e que hoje, sem prospectiva, grassa, desinformando e alucinando aos usuários das redes, pleiteando por ser aceita cada vez mais, posto que só existe em potencial e não em ação, alega, por virtual que é, sendo para os que a controlem, poderosíssimo instrumento de ação, uma vez que "a essência das coisas está para além do mundo visível", como constatou Orwel, e este 'potencial' é capaz de tudo, impedindo inclusive a ascensão da alma para o mundo intelegível, fazendo com que permaneça na lógica do reflexo que lhe apresentarem. Não esquecendo que a ideia do Bem é a última a ser aprendida, e com grande dificuldade, toda e qualquer substituição desta ideia, proposta como verdade, tem a capacidade de engendrar as almas e o entendimento, logo também no mundo intelegível. Assim a dita IA, inteligência artificial, é o meio mais efetivo de incutir as convenientes informações de uma realidade que se deseje fazer crível, ainda que seja falsa, ademais supostamente sem autoria. Neste enorme perigo a que estamos sujeitos, nossa única esperança, essa qualidade nossa, exclusivamente humana, é a de que a 'ideia do Bem', arquétipo original, em sendo soberana, dispensa a inteligência, e mesmo a verdade, venha por fim prevalecer, posto que só ela engendra as almas efetivamente. Por agora devemos entender que estamos todos em perigo.