quarta-feira, 9 de março de 2016

AVISO CERVANTINO-SHAKESPEAREANO II.






ESTAMOS REALIZANDO UMA HOMENAGEM AOS DOIS MAIORES

DA LITERATURA UNIVERSAL

NO 23 E 24 DE  ABRIL COMEMORA-SE O QUARTO CENTENÁRIO

DE SUAS AUSÊNCIAS.

COM DOIS MESES DE ANTECEDÊNCIA ESTAMOS LOUVANDO TODAS

AS SEMANAS A ESTES DOIS GRANDES.

LEIAM ESSA SÉRIE DE PUBLICAÇÕES DO OLHO DO OGRE.

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terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher.







Nunca cantei esse dia desse ser tão diferente de mim, porque sou homem... Seu antagonismo, seu realismo, em oposição ao lirismo do homem, sonhador rematado que não compreende a condição especial de ser mulher...





Mulher, mulher
Ser de desejo
Do homem que a quer
Ser do ensejo
Da dor de ser...

                          Mulher.


Igualdade de gênero.
Sou completamente contra a igualdade de gênero. Viva a diferença! Só a diferença, e em tudo, garante a continuidade, inclusive da espécie. Vivam as mulheres, seres de luz e maravilhosos. Abaixo a igualdade e o respeito a ela. O direito a diferença dá-se antes de tudo no reconhecimento a ela, e no reconhecimento de Direitos, esses iguais e sua valoração, essa merecedora de valorização justa, igual se igual, não importando o gênero, diferenciada se diferente. Nunca esquecendo que não há Humanidade sem mulheres, logo, havemos de dar-lhes especial espaço para que continuemos a existir.

20 é alvissareiro.








Vinte é um número abundante, nos ensina a matemática, vinte são duas dezenas completas, maioridade  no Japão, quase maioridade plena entre nós, pois todos os direitos civis são alcançados nessa idade do vinte e um, o que nos levará a crer que nesta  marca do vinte completa-se a transição.

Do vinte que considero alvissareiro, é esse que denota o vigésimo presidente português, com o qual esperamos que se complete a transição para uma inescusável democracia permanente, maior conquista de um povo, onde pessoas normais desempenham funções normais, em condições normais, e a norma é a média de todos nós, todos que fazemos parte da comunidade humana que compõe a sociedade nacional de qualquer país, e que seja esse presidente franco, aberto, humano, próximo, não equivocado, despretensioso, desassombrado, porque não tem, nem vê, fantasmas, esses que transformam pessoas simples em pessoas depreciadas, ensombradas, assombradas, triste condição dos que se excluem ou se crêem diferentes, superiores, ou mais importantes.

Falo-vos evidentemente de Marcelo Rebelo de Sousa que já começa bem. Sua tomada de posse é uma aula de democracia, porque muitos se esquecem que demos quer dizer povo no seu entendimento mais profundo, e os que se esquecendo consideram-se os privilegiados, que se cercam de privilegiados para manter seus privilégios, e querem se distanciar de tudo que cheire a povo, querem transitar entre palácios, e que nas visitas que façam estejam guarnecidos e resguardados do contato popular, pois esse lhes pode ser contestatário e adverso, porque, afinal, eles não os representam, tem o poder de os representar, foi à conta desse poder que atingiram sua posição, é à conta desse poder que podem exercer tão alta função, representam-nos, pois são seus mandatários, mas representar no sentido de fazer as vezes de, isso não. Os mandatários, como sabemos, infelizmente, nem sempre cumprem os interesses daqueles a quem representam. O Professor Marcelo começa bem porque chama para junto de si a representação mais singela do povo, seus artistas, porque põe na agenda não só Camões, a letra, a história de um passado glorioso, mas Vasco da Gama, a ação gloriosa desse passado, que deve estar presente, deve ser patente como via de acesso ao futuro, se os portugueses desejam ter futuro.

Sem banquete de Estado, sem convites institucionais, sem gente escolhida, sem salões de Palácios, sem ambientes fechados, com informalidade, com proximidade, com ecumenismo, com povo na praça, e, ademais, música, sem muros, com gente de todos os credos, com gente de todas as cores: Alvíssaras!

Eis a diferença que pode fazer um homem culto, na acepção ampla e humanitária do termo, pode revelar e constituir mesmo toda a diferença, que a ilusão da política ensombra, porque dá apenas a dimensão da palavra, a eterna palavra tão afirmativa quanto enganosa, porque, sem o conhecimento profundo de sua significação, não é nada além de uma referência, mas que, com sua significância timbrada, é poder  gerador, criador, e, como de irrealidade andamos fartos, realizador mais que tudo. Viva a palavra que realiza, que gera, que cria!




P.S. Acabo de ouvir o discurso de posse: Impecável, tocou em todos os pontos essenciais, sem fugir às mazelas, nem às questões centrais que estão à sua frente esperando que ele nela se envolva e lhes busque dar solução. Envolveu-se corajosamente, falta agora arregaçar mangas... (9/3)

P.S. Agora foi o discurso feito ao corpo diplomático, ainda melhor, se é que pode haver melhor... Tenho que afirmar uma e outra vez: Nada como um homem culto... (10/3)


domingo, 6 de março de 2016

O Crime da Rua da Caldeiroa.






Na rua da Caldeiroa, no centro de Guimarães, há uma casa para amores passageiros, aqueles que só dependem da vontade, aqueles a que chamamos fazê-los, porém do fazer vem o gostar, e o amar pode não ser ligeiro, pode não passar, passageiro, e quando não passa espera algo mais, um não sei que de expectativa infundada, que espera também não se sabe o que, mas espera, e nesse esperar toda a desgraça do mundo, porque contradizendo o ditado popular muitas vezes é inalcançável o que se espera, porque para haver esperança possível tem de haver retribuição dessa esperança, porque só quando dois esperam a mesma coisa se alcança algo em comum, só um a esperar pode ser desesperar...


Ele tinha 39 anos, idade de grande decisões, ela 34, idade de grande desilusões para uma mulher que já não mais espera nada, ou pouco espera da vida, sobretudo na profissão que abraçara, profissão de poucas esperanças e menores expectativas, sobretudo no campo sentimental, pois quando o amor tem preço, sua concretização resume-se na sua realização mais carnal e nela se finda, que é o fazê-lo em toda a sua extensão, que começa e termina nisso, nesse objetivo e propósito que o consuma e realiza, nada mais.


Porém na rua da Caldeiroa a brasileira com seu dengo deu ao português esperanças, não se sabe de que, mas é certo que deu,  e a esperança é a coisa mais tortuosa desse mundo quando não vai se concretizar. E nesse novelo em que se enrola o desejo e a impossibilidade, como duas constritoras que se esmagam mutuamente, havia um namoro, forma gentil de classificar a relação, mas que imputa a quem tem expectativas todo um universo de esperanças, que são aquelas possibilidades de futuro que cada um sonha para si no desejo de ter prosseguimento o presente em algo mais duradouro e realizável que materialize seus sonhos. E o homem da relação sonhou, talvez quando ela, a mulher da relação, fosse incapaz de sonhar, ou talvez quando não o quisesse mais, ou, sonhar, não estivesse  mais em seus planos, ou mesmo não lhe restassem planos, pois em seu 'métier' é bem melhor não planejar, pois planejar importa possibilidades das quais já havia abdicado há muito nessa condição...

Foram pro quarto, câmara da tragédia, aposento do sonho, lugar de proximidade, intimidade, exclusividade, e distanciamento, onde só ele e ela sabiam de si e se revelavam, e nessa revelação mútua toda a tragédia, apesar de poderem ver satisfeitos ali todos e quaisquer desejos da carne, os do espírito não. E foi o espírito que falou nessa noite, falou de futuro, de possibilidades, de expectativas, e nesse digladiar da esperança com a recusa: a tragédia.

Ele desatinado agride-a, estrangula-a. Deixa a cena da tragédia, para, refletindo a seguir, vir se entregar mansamente à polícia.

Houve amor na rua da Caldeiroa? Houve paixão na rua da Caldeiroa? Houve certamente um crime na rua da Caleiroa...

sábado, 5 de março de 2016

INDÍCIO X EVIDÊNCIA





A falta de conhecimento  vernacular pode fazer suspeitar outras faltas de conhecimentos. Portanto o primeiro cuidado de quem tem responsabilidades graves deve ser usar as palavras certas, não só para não confundir ou equivocar o público a quem essas se destinam em geral, que, leigo, não deve ser induzido em erros, devendo-se ser claro e inequívoco em todas as declarações.

Deu-se nas informações prestadas pela procuradoria e polícia federal sobre a condução do ex-Presidente Lula a depor.

Portanto quando um Procurador da República numa conferência de imprensa ao explicar a situação melindrosa de ter dado ordem de levar o ex Presidente da República para prestar depoimento em modo coercivo, situação humilhante e desnecessária a quem tem endereço certo, diz que há evidencias, quando só há indícios, não sabe do que fala, e o maior perigo de todos os que se podem correr com alguém que tem por dever interpretar fatos, é a ignorância desse alguém. Uma palavra mal interpretada pode inculpar um inocente, e quem confunde indícios com evidências é um mal intérprete.

Pondo-se de parte tudo que foi feito para com alguém com quem o Brasil tem uma dívida imensa, que não lhe poderá pagar nem com 100 triplex no Guarujá ou mil sítios em Atibaia, num país de ladrões e de péssimos governantes, que mantiveram uma dívida que era o estorvo do país, onde a classe média esmagada era alvo de todas as espoliações e enganos, que, sendo alargada e enriquecida, abre a perspectiva de um novo Brasil, o que certamente aborrece a muitos e muitos interesses instalados, onde a subserviência ao estrangeiro foi sempre a praxe, abrindo horizontes novos que dão o rumo a um gigante amarrado, soltando-o,  um ex-presidente até ser condenado merece especial respeito, como merecem todos aqueles cidadãos que inocentes ou não, saber-se-á depois, que ainda não condenados, e que, chamados perante  a justiça, não devem ter seu bom nome execrado pela suspeita que acusa mais que uma acusação, porque a acusação se provará ou não, esclarecendo a situação, a suspeita é mácula que permanece  para toda a vida.

No entanto deve-se ter gente com conhecimento e preparação para se dirigir ao público que, carente de informação, deve ser esclarecido,  e que palavras mal empregadas só comprometem uma situação já por si melindrosa. Ao injustificável da ação coercitiva, veio se somar a ignorância da língua, promotora de confusão e escárnio que, sendo involuntário, não retira a miséria da situação que não devera ter ocorrido de forma alguma.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Terrível Abril....




Foi há 400 anos, completam-se no próximo Abril, mas é uma perda tão grande que ainda dói. Os dois maiores nomes da literatura, cada qual em seu idioma, de uma grandeza e densidade de escrita que, passados estes quatro séculos, não surgiu ninguém que se lhes aproxime, nem de longe pode alguém pensar ombrear com Shakespeare ou Cervantes, e morreram na mesma semana um num dia, o outro no dia seguinte.

Vivos como nunca no coração e na imaginação de todos, esses dois portentos mudaram o mundo, pois alteraram a percepção da realidade, a forma de sentir, os comportamentos pelas melhores e mais poderosas razões. E essa mudança muda a própria mudança, porque aquilo que já está mudando pela sua peroração multi-centenária, torna a mudar com a ação de sua palavra sempre viva. Quanta gente foi e deixou de ser, e terá voltado a ser Quixote? Quantos Romeus haverá? Quantos Macbeths? Quantos Sanchos Panças?

Morreram apenas fisicamente, essa ocorrência incontornável, vivos e eternos que são em todos nós, com sua força viva a intervir na sociedade intensamente, muito mais intensamente que a maioria dos supostamente vivos, que, séculos depois, restritos na sua dimensão não influenciaram ninguém, não manifestaram nada. Vivos, mais que vivos, ativos, presentes e atuantes PELO PODER DA SUA PALAVRA seguem alertando, aconselhando, orientando século após século centenas de gerações e bilhões de seres humanos. A dimensão do poder dessas duas figuras no cotidiano é imensurável, sua influência inexcedível a nível humano, só a bíblia pode lhes fazer frente, mas aí já entramos na dimensão do sagrado que, evidentemente, não é comparável. Esse paralelo mostra bem quão alto se alçaram, porque tiveram a sensibilidade, o sentimento, para tocar no essencial, naquilo que conta na nossa condição, ela própria, a condição humana.

Dois gigantes nos deixaram
E ficaram  mais ativos
Naquilo que propalaram
Em seus testemunhos vivos:
Palavras de se dizer
Palavras de se contar...
Que nos fazem renascer
Que nos fazem acreditar.
Pode haver maior fazer?
Pode haver maior amar?


terça-feira, 1 de março de 2016

Iremos louvar quem merece ser louvado.





                                                                     Willian Sheakespeare , Strattford-upon- Avon 1564/ 1616.




Terá nascido em Abril , não se sabe o dia e falecido em 23 de Abril de 1616 e a partir de 23 de Fevereiro próximo, com dois meses de antecedência, começaremos por louvar essa personagem além de seu tempo, além de seu lugar, universal na expressão máxima do termo, porque nos toca à todos, dando forma ao que temos de mais íntimo e verdadeiro, traduzindo em palavras tudo aquilo que somos capazes de sentir, sem nunca perder o humor e harmonia, notas máximas de seu ser, luz que ilumina o tempo para lá do tempo, poeta, como não podia deixar de ser, mestre da palavra, mágico das situações, pontífice da narrativa, e mais que tudo um gozador das coisas e da vida na plenitude da acepção que apalavra gozo tem.


O poeta é o poeta
Que coisa mais indiscreta
Falar de seus sentimentos
Revelar a que é secreta
Emoção de seus momentos,
Propalar sua paixão

Poeta que é poeta
Define e interpreta,
Expõe o coração.


Quem com mais imensidade que ele terá revelado sentimentos intensos e profundos? Criados mais profusos mundos? Conhecido melhor a emoção?

Quem se afiguraria maior? Quem conseguiu dizer melhor? E já lá se vão 400 anos...

São exatamente esses quatro séculos que se irão comemorar no vinte e três de Abril próximo em que começamos a lembrar a partir desse final de Fevereiro, que esperamos seja alvissareiro, de acendrada emoção; William Shakespeare, o maior poeta inglês de sempre, que penso nunca será sequer igualado, porque transpôs nossas emoções com maestria, traduziu em palavras e atos, porque era também dramaturgo, e fazia a cena toda, derramava sua emoção para além das palavras, sendo mestre delas, com a exata temperatura, a perfeita situação, o vibrar incisivo, acertando direto ao coração.

Nesse Abril que vem no ano próximo contar-se-ão quatrocentos anos que ele nos deixou, e deixou suas maravilhosas palavras a encantar gerações sucessivas. Quem não sentiu-se um Romeu, apaixonado de sua Julieta? Quem não cogitou da podridão que o circundava como Hamlet? Quem não se sentiu traído como Lear? Quem não já se sentiu esconjurado como Macbeth? Quem nunca ouviu que fizessem muito barulho por nada?  Quem não viveu um sonho de uma noite de verão?

Todo o mundo tem de celebrar que esse homem tenha existido, só mesmo passando a ser adorado no XIX, demorou, esqueceram-se entretanto que o homem é o principal ator de seu drama, drama que traz na alma, e sem calma o vai realizar, e que esse drama tem numa determinada perspectiva também seu que de humor, todos temos de reverenciar quem expôs nossa alma, nossa dor e nossa incongruência com tanta força e  prontidão. Cantemos Shakespeare, louvemos sua passagem por esse mundo que terminou, como se sabe, e dele se sabe pouco, no 23/4/1616.