O Olho do Ogre

O blog O Olho do Ogre é composto de artigos de opinião sobre economia, política e cidadania, artigos de interesse sobre assuntos diversos com uma visão sociológica, e poesia, posto que a vida se não for cantada, não presta pra nada. O autor. Após algum tempo muitas dessas crônicas passaram a ser publicadas em jornais e revistas portugueses e brasileiros, esporadicamente.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Escroto até o fim. - 1º retrato: O ameaçador.



Ainda teremos um mês disso!


Cada gesto, cada atitude, cada afirmação reafirma e reforça sua postura canalha de sempre, continua com as mesmas ações, as mesmas mentiras, a mesma fraude. Será escroto até o fim. Trump, que esperamos morra de seu próprio veneno, mantém-se igual a si mesmo, e todos os que o acompanham, familiares e não, são da mesma laia, incluindo os que fugiram na undécima hora. Que afinal após 20 de janeiro do ano que vem o mundo se livrará desta maldição que nos afligiu por quatro longos anos nos quais não cansou de mentir, de roubar, de atribuir privilégios aos privilegiados, de criar sucessivas tensões, é um alívio essa expelição. A grande mentira que é esse ser, um engano que pode enganar milhões, alberga uma carga de maldade e negatividade raras vezes vista.

Preparemos a lápide, e que ela o cubra nesse 20 de janeiro para sempre, até o resto de seus dias. 

O asco, o desvio, a maldição que representa, que não nos possa afetar mais, e que não nos esqueçamos dela, porque poderia ter sido um mal muito maior, até mesmo fatal para milhões, como foi para os milhares que levou a morte. Mais adiante o mundo virá a saber das diversas tentativas que fez para espalhar o caos, que só não conseguiu por força da administração, da estrutura do governo norte-americano, que se lhe opôs, pela ação dos sensatos, corajosos e independentes funcionários, dos ajuizados generais, dos hábeis diplomatas, mas estivemos à beira do abismo, e só pela graça de Deus não caímos nele.

Exorcizado deste demônio poderá o mundo ir buscar seu caminho para implementar as medidas inadiáveis necessárias a combater a crise ambiental, possa também os EUA reassumir sua posição de contrapeso aos outros poderes que podem promover a guerra, a desgraça, e o terror, trazendo a morte à porta de nossas casas.    

Corruptor-mor levou seu desvio aos seus amigos, a muitos políticos de seu partido, a uns quantos funcionários que iludidos serviram-no em suas mentiras e despropósitos, e conseguiu enganar também dezenas de milhões de eleitores americanos. Inútil, nada fez por um mundo melhor. Malévolo, congraçou forças do mal, estimulou dissensões, promoveu divisões, atacou a democracia, perseguiu os que se lhe opuseram, coagiu os que não concordavam com sua maldades e mentiras, intimidando e ameaçando, fazendo por silenciar os jornalistas, espalhou o ódio entre os norte-americanos, os dividiu e fomentou as divergências, alargando o ódio, o preconceito, o racismo, a homofobia, a raiva e a morte, pervertendo o sistema, pondo armas em mãos inconsequentes, pondo slogans em bocas irrefletidas, despertando ou pondo sentimentos beligerantes de ódio, repúdio e maldade nas almas dos desorientados, pondo a malignidade nos corações dos alienados e sem luz, que enveredaram pelo caminho da repulsa, do mesmo ódio, e do horror. A quantidade de miséria que espalhou ainda está para ser devidamente avaliada, sobretudo naqueles que acreditaram em suas mentiras.

Esperemos termo-nos livrados definitivamente dessa desgraça, desse estuporado, desse mal que teve poder pelo tempo em que pode mandar para só espalhar desgraças como nunca se viu.   


 

Postado por Helder Paraná Do Coutto às 04:29 Sem comentários:
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

ANIMSTATO.

 


OS ESTADOS DE ESPIRITO 

DE MAFALDA D’EÇA.


ANIMSTATO.



Estado d’alma. A expressão está em esperanto, essa língua artificial com vocabulário simplificado, expressão que designa essa vulgaríssima sensação que percorre todos e a cada um de nós, o que explica como sentimos diferentemente as coisas, e muitas vezes temos dificuldade em traduzir em palavras. Muito embora sua expressividade seja coisa corrente é também um sentimento muito particular, pessoal e intransferível, cuja manifestação é sempre complicada de se explicar a outro.


Entretanto um Estado d’alma ser posto em imagem, é um desafio ainda maior e bem

mais complexo. A forma e a cor para traduzir sensações amorfas e incolores, é coisa bastante improvável. Pensarão alguns, que o são também sem palavras, poderão serem alguns casos, não muitos, mas tudo que tentamos dizer, explicar, traduzir, fazemos com as palavras, essa amigas de todas as horas que nos socorrem, auxiliam e abrem-nos todas as portas. O que de facto é mesmo nada expectável é que Estados d’alma surjam em imagens com formas e cores.


As cores que genericamente traduzem e explicitam sentimentos, bem o sabemos 

quando está a vermelho, e os semáforos, em três diferentes cores, já dizem, como

diz o dia se cinzento, ou azul anil, e como dizem os momentos negros, roxos e

claros e brancos da vida de cada um de nós, mas a artista vai muitos além disso,

ela não trabalha com códigos, mas com voos da imaginação e da sensibilidade.  


Esta a proeza da artista Mafalda d’Eça, traduzir em imagens as formas intrincado da

alma humana, retratando o irretratável, que também o é no sentido de que não se 

poder tratar, eis o verbo procedente, além de retratar, que é traçar-lhe o retrato, é

representar com exactidão, esta manifestação fugaz, ligeira e fugidia, que todos nós

sentimos, para logo a seguir, dando de ombros, nos esquecermos, e muito desejamos tantas vezes esquecer, daquilo que nos encheu o ânimo (vale dizer a alma) durante o episódio do estado em que estivemos vivenciando.     

Postado por Helder Paraná Do Coutto às 04:17 Sem comentários:
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

S(a)oltou-lhe a mola.

 

O governo quis ser simpático, e isso vai custar vidas.

Disse bem a Ordem dos Médicos: "O vírus não tem Natal." Aliviar medidas contra um guerreiro furioso é um risco muito grande, quanto mais em época de ajuntamentos. (Já escrevi no artigo Ajuntamentos de jumentos bem o que isso significa.) Abre-se uma caixa de Pandora. Não gosto de ser arauto de más notícias, mas é necessário!

As medidas para o Natal e Ano novo em Portugal são um grande equívoco, e essa simpatia governamental vai custar caro! Custará vidas, custará boa saúde, custará tempo de efetiva ação na guerra que estamos travando, vai custar aos cofre do Estado, custará emocionalmente aos portugueses, e vai custar a economia do país. Mas é simpático abrandar as medidas no Natal. Temos que relembrar Sócrates que nos chegou através da pena de Platão, quando afirmava. "A sinceridade mata." A sinceridade, que para mim é sempre preferível, mata as esperanças, o bom relacionamento, a empatia entre aquele que é sincero e o ouvinte que preferiria que ele não fosse tão direto e sincero. Assim, politicamente pensando, António Costa preferiu aliviar as medidas no Natal. Todos iremos pagar o preço deste alívio.

Porque ao soltar a pressão sobre a mola que está a conter os números pandémicos, se está fazendo adoecer muita gente, se está gerando problemas, inclusive económicos a médio prazo, e se estará matando gente. Para que alguém opte por soltar a mola, é necessário que antes lhe tenha saltado a mola. Mas falta de bom critério é o que mais há por toda parte.


P.S. : Demorei três dias refletindo se publicava esse artigo, e cheguei a conclusão que era meu dever publica-lo. Perdoem-me os que discordarem.  

Postado por Helder Paraná Do Coutto às 09:25 Sem comentários:
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Quanto vale a TAP?

 


O cálculo do valor de uma empresa é a soma de todos seus ativos,  incluindo o giro, da qual se subtrai suas dívidas e compromissos.

Em Fevereiro de 2020, grosso modo, a companhia tinha 101 aviões, mais seus hangares, guichês, lojas e escritórios que valeriam algo como 10 bi (Dez mil milhões de euros), e teria um débito da metade desse valor, ou seja, valia algo como 5 bi.

Com a pandemia os aviões foram reduzidos para 88 aeronaves, e os débitos e encargos aumentaram, passando a valer algo como 3,5 bi. 

A paralisação de uma empresa que se expandia e se endividara para o efeito, foi sua maior tragédia. Com o boom turístico português a TAP resolvera crescer, e se endividou para isso, pois era uma empresa mista, com uma administração privada, com a visão empresarial de um sócio privado que queria uma grande empresa, com sua saída toda a aposta da empresa mudou, e logo a seguir veio a pandemia, tudo somado foi uma queda só, um colapso que só muito investimento poderá salvar.

Logo se, como dizem, serão necessários mais três bilhões, não se esqueçam depois de somar o que já lá foi posto, para algo que vale três e meio, parece a princípio um mal negócio. Entretanto entram nessa equação o tempo necessário para construir de raiz uma companhia como a TAP, e isto custa e vale muito dinheiro, outra coisa a considerar serão as indemnizações devidas com sua extinção. Para o governo, seu sócio majoritário, entra também nas contas a montanha de impostos que arrecada por haver TAP, o que para os privados eram apenas custos. Logo, tudo algebricamente somado, a TAP está para ficar, terá de fazer amputações necessárias para esperar que a pandemia passe, o turismo volte, e volte a haver entradas que permitam financiar sua expansão novamente. 

Até lá vai haver muita gritaria, muita discussão, e a ideia de António Costa de propor a aprovação da AR, (dos deputados da Assembleia da República) é uma legitimação mas é um jogo de cartas marcadas, jogo que traz de volta a geringonça bem unida outra vez, porque se formará de novo essa maioria entorno da ideia de uma Companhia aérea de bandeira forte, ideia muito apelativa num país amputado de suas outras principais empresas de bandeira (Eletricidade, Correios, telefónica, etc...), Tudo  mais que vai haver é encenação para inglês ver.       

Postado por Helder Paraná Do Coutto às 06:56 Sem comentários:
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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Há vacina para a pobreza, a fome e a desigualdade! E é a mesma.

 





Engana-se o presidente da Organização Mundial da Saúde, quando afirma: "There is no vaccine for poverty,  no vaccine for hunger. There is no vaccine for inequality. There is no vaccine for climate change." Tedros Ghebreyesus disse-o com a melhor da intenções, mas engana-se, e engana-se redondamente. 

Essas que são as vulnerabilidade a que a Humanidade está sujeita, como mesmo diz o Sr. Ghebreyesus, que eram três e agora são cinco, e se acabarmos com o vírus voltarão a ser quatro, têm todas a mesma origem, a ganância, essa que arrebanha para uns poucos o que é de todos.

Vamos às vacinas:

                               1. Vacina contra a pobreza.

A pobreza existe porque não há trabalho condignamente remunerado para todos, pois é o trabalho a cura da pobreza. A poesia de Fagner na sua música "Guerreiro menino" diz tudo:"...A vida é o trabalho                                                                                                                                             E sem o seu trabalho                                                                                                                                         Um homem não tem honra                                                                                                                                E sem a sua honra                                                                                                                                           Se morre, se mata                                                                                                                                            Não dá pra ser feliz.                                                                                                                                         Não  dá pra ser feliz."      Porque todos precisamos de "um sonho que (n)os torne perfeitos", essa componente imaterial da vida que afinal a justifica, justifica a razão de ser de vivermos, e deixarmos de ser amputados, incompletos e imperfeitos, que é realizarmos nossos sonhos.  

                               2. Vacina contra a fome.

Um velho ditado alerta para que não se deve dar um peixe, mas uma vara de pescar, e aí está a vacina, nas condições para que cada um faça por si, que cada um construa seu mundo, pois só com possibilidades para todos não haverá fome. É absolutamente necessário que cada núcleo, cada família, cada pessoa possa ter acesso aos meios para se sustentar e aos seus, e isto leva-nos à vacina contra a pobreza.

                               3. Vacina contra a desigualdade.

O Estado social, a distribuição da Riqueza, e a remuneração justa, são os meios de  acabar com as desigualdades sociais, de implantar Justiça Social, eliminar a absurda concentração de Riqueza na mão de tão poucos com a socialização da Miséria. Sem invertermos essa iniquidade, nunca acabará a desigualdade. Trabalho bem remunerado para acabar com ela é a única solução!

                               4, Vacina contra as mudanças climáticas.

As mudanças climáticas fazem parte de um problema maior que nos deixa vulnerável como espécie, que é o problema ambiental, que inclui desde a poluição, que exige uma reforma profunda nos meios de produção, da forma como fazemos as coisas, dos materiais que usamos e da sujeira que espalhamos pelo planeta, que está destruindo o ambiente, até a superpopulação e a escassez de bens e meios, como a água o ar limpo, e as quantidades de alimentos necessárias para todos, o que nos leva a vacina contra a fome, essa que nos leva a vacina contra a pobreza.  

Dito isto fica claro que a razão de todo o mal, origem comum de toda nossa vulnerabilidade, e de toda desgraça que há no mundo, reside na ganância de uns, que gera a miséria de muitos. Sempre haverá ricos e pobres, o que tem de deixar de haver é miseráveis, com uma pobreza a um nível que dissemina a injustiça e a morte (Morrer não acontece num dia, se vai morrendo as poucos, todos os dias, a cada hora por faltas diversas das condições para viver, viver decentemente.) e só o trabalho bem remunerado para todos, com um forte Estado Social pode acabar com esta perversão, e a condição absolutamente necessária para tal é conter a ganância generalizada que está na origem comum de toda essa desgraça.

Como fica demonstrado há vacina para tudo, o que não há é vontade de a aplicar,  porque incomoda interesses instalados, mas a Crise ambiental é o começo da evidência de que as vacinas terão de ser inoculadas, sob o risco de que se não as aplicarmos, todos corremos o mesmo risco, pois todos e cada um, muito ricos e muito pobres, todos teremos perdido a dignidade e a honra se não o fizermos, e sem honra nos tornamos feras. 

Grande desgraça essa a ambiental, mas boa porque clama por justiça, posto que neste caso máscaras, o trabalho domiciliário ou um produto da Ciência, como no caso do vírus, não nos poderá valer, uma vez que é absolutamente mister que mudemos tudo para efetivamente podermos enfrentar a destruição que fizemos no meio ambiente, e só se mudam as coisas com justiça social, e só há justiça com trabalho para todos, só com a vara de pescar, "... a vida é o trabalho E sem o seu trabalho um homem não tem honra... Se mata, se morre."       

                                                                                                                                


Postado por Helder Paraná Do Coutto às 02:33 Sem comentários:
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Sem conflitos de interesse. "Moro fez de novo."

Ia escrevendo meu artigo cujo tema era o conflito de interesses do Sr. Sérgio Fernando Moro, esse calhorda sem caráter que, com sua última ação em se tornar sócio-diretor da Alvarez & Marsal, consultora norte-americana, que atende inclusive a Oderbrecht, revelou a quem e a quais interesse realmente servia, quando tramou a prisão de Lula. Nã era necessária mais uma vírgula para estar tudo dito, entretanto tudo que eu possa dizer tem a força do compromisso patriótico que assumi desde adolescente e de meu passado que não deixa dúvida que tenho que detestar alguém com o caráter do Sr. Sérgio Moro. Foi quando recebi o Diário de Notícias do dia, DN de 3/12/20, com o excelente artigo de João Almeida Moreira, que por ser português e neutro em relação ao que se passa no Brasil, salvo por seu caráter que o põe indubitavelmente contra essa ignomínia, e que, assim sendo, sua opinião tem muito mais valor que tudo que eu possa escrever. Eu que se ainda tivesse a idade e fosse terrorista teria já eliminado essa mancha espúria do horizonte de meu país.  

Sugiro fortemente a leitura do texto do Jornalista João Almeida Moreira, é muito fácil, vá ao Motor de busca de seu computador e ponha: Moro did it again DN. E logo aparece o artigo, não podem deixar de lê-lo.

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  • EDIÇÃO DO DIA
  • 03 DEZ 2020

03 DEZ 2020

Nº55379

Índice

  • GISCARD D'ESTAING (1926-2020)O presidente francês que sonhou ser líder da Europa (e amante da princesa Diana)
  • OPINIÃOMoro did it again
  • CINEMAOs 90 anos de Godard, o louco
  • SNSVacina covid-19. Voluntária, gratuita - e não haverá nas farmácias
  • DINHEIROSindicatos da função pública insistem em negociar mais do que subidas de salários mais baixos
  • MINISTRA HÚNGARA"Há países da UE a usar os fundos para fazer chantagem política"
  • BANCO DE PORTUGALNove mil milhões de euros até outubro. Empréstimos para compra de casa em máximos apesar da crise
  • BAÚ DO DNO Dia da Mocidade
  • WEB SUMMITWeb Summit foi montra para estratégia verde e digital da União Europeia
‹›



Moro did it again.

Postado por Helder Paraná Do Coutto às 09:46 Sem comentários:
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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

VIVE EDUARDO LOURENÇO.


 Já não poderei certamente ligar para a Soraya na Gulbenkian, nem para Vence na Provença, destinos de sua matéria, com quem tanto me aprazia estar, velório nos Jerónimos, missa, exéquias, funeral a São Pedro, mas o terei sempre próximo em sua sabedoria, vertida em muitas águas, lustrais todas elas, onde banhou-se e nadou, tendo esbracejado muito nas brasileiras, e flutuado nas francesas, com a sabedoria transbordante de suas páginas imortais, logo eternas, e sempre disponíveis. Agora nos irá contar com é a morte, contraponto de si mesmo, pessoa Pessoísta congruente, não falhará!. 

Fica aqui o poema mal amanhado que a notícia de sua morte me arrancou, mas devo dizer como diria Twain, esta é uma notícia "manifestamente exagerada".

Seca-se o rio

Onde se Guarda toda virtude

Espera-o São Pedro

Ele terá todas as chaves

Abrirá todas as portas

Outros mundos, outras realidades

Para Eduardo desvendar.


Rio nosso

Em que nos banhamos largamente

Cujas águas derramaram-se pela Europa

Sua Europa refundida, recomposta

Da Beira ao infinito

Acendeu a luz 

Nada pode ser mais bonito

E é nesta luz que sempre viverá!    


Não se apaga a luz, extingui-se a vela. Fica uma luz fulgurante que as pessoas não viam, não sabiam, não se davam conta, só por ouvirem falar, ou pela sua discrição e timidez, mas sua presença arrebatava nas palavras mansamente candentes, e quem ler um texto seu, e tiver apreciação literária, render-se-á ao poder desta palavra serena e complexa, leve, robusta e elegante, de uma limpeza e claridade mais que raras, na verdade inigualáveis, e essa claridade não se apaga, fica como limiar, objetivo, endereço, fim e destino, porque escrever como Eduardo Lourenço em português, muitos poucos. A graça, o redondo, a força e a pujança de seu texto banhado na compreensão larga, universal, das coisas mais labirínticas, algumas que só ele via, e nos vinha contar, ensinando de certa forma o imponderável, o invisível que só ele percebera, suavemente penetrando o incognoscível, que só a ele revelava-se; e com sua graça única, sua mordacidade fulgurante, sua ironia calma, seu sentido de humor, que da tona ás mais inatingíveis profundezas, incorporava crítico o todo, posto que nada lhe escapava, na argúcia doce de pensar o impensável, na intensidade cáustica e suave de perceber o imperceptível, na visão longínqua e sintética, simples e lúcida, como ele mesmo o era, universal e peculiar de alcançar o inalcançável, que uma vez explicado era tão certo e compreensível em sua simplicidade humilde, lúcida, e sincera, que espantava, encantava e deleitava a todos que o puderam conhecer em carne e ossos, realidade que a partir de hoje se torna impossível, mas burlada toda impossibilidade ele está aqui conosco, agora e sempre, permanentemente em sua palavra vivaz.  




Postado por Helder Paraná Do Coutto às 04:43 Sem comentários:
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