sábado, 9 de maio de 2026

"Agora ele vai rir sempre."

"É melhor ser alegre Que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe..." "Samba da benção" Vinicius de Moraes

O vatícinio de Lula em relação a Trump, que serve de título a esta crônica, tem um certo ar sarcástico que se contrapõe ao blasé estrutural de Trump com o qual Lula teve de lidar por horas na reunião fechada que manteve com o homem que se julga o mais poderosos do mundo, metido de momento num beco amarrado com nó górdio, ou talvez fosse mais apropriado dizer que se meteu num estreito do qual não consegue sair, que devido ao outro, o de seu intelecto, ficará lá metido sem encontrar saída, razão do acréscimo de mau humor da criatura presentemente, a quem Lula certamente terá recomendado alegria, mesmo sabendo não ser essa possível, porém como solução desazada para um inapto, fica consumada quando diz: "Trump rindo é melhor do que de cara feia" não sei, mas afirma-se na conclusão (do título aqui) que é deboche, porque diz "agora" e "sempre", amarrando absolutamente a visão da impossibilidade, que, com sua vivacidade, Lula afirma. Que restará a Trump?

Tudo que ficou dito lembrou-me o Samba da benção, do imenso poeta Vinicius de Moraes, que se Trump sentisse e entendesse que está sendo gozado por Lula, como foi, mas que só brasileiro entende, a diplomacia poderia usar como escusa a letra do samba de Vinicius, posto que ela serve como profissão de fé de meu povo, pois nós achamos mesmo que a alegria é a melhor coisa que existe, e cujas palavras do samba são uma reafirmação de fé de uma criatura iluminada, com emoção e respeito, pedindo que o abençoe aos grandes sambistas, e expondo sua filosofia de vida, coisa que Trump, para entender, mesmo que todos os 'brazilianists' lhe explicassem, necessitaria morrer e nascer dez mil vezes. "A vida é a arte do encontro…"

Essa lembrança do samba, trouxe-me a presença muito viva das crônicas de Lídia Jorge que acabei de ler, Lídia é portuguesa, e mesmo assim terá a perfeita compreensão do que aqui digo, e refletindo mais, a mãe da minha flha portuguesa compreenderia, lembrei-me de tantos outros portugueses, e angolanos, e moçambicanos e ingleses, e ucranianos, etcetera, etcetera, todos capazes de entenderem perfeitamente a gozação do Lula; o que me obriga a correção do que afirmei que só brasileiro entende, não é isso. entendem aqueles que têm "luz no coração" como diz Vinicius, coisa que essa gente que anda por aí agora mandando no mundo desconhece.

Sugiro-vos antes de concluirem a leitura aqui, que ouçam o "Samba da benção", de preferência na voz do Vinicius, para compreenderem o alcance desse universo próprio de meu país, com sua sensibilidade muito particular, e com a abertura para o entendimento e a aceitação do próximo, essa qualidade magistral, e que infelizmente vem diminuindo na população brasileira à conta de uns quantos miseráveis que ganharam preeminência espalhando ódio: misóginos, homofóbicos, transfóbicos, mentirosos, racistas, autoritários, xenofóbicos, incitadores malévolos, que são. Mas vai passar, como tudo nesta vida. Resta-nos estarmos "atentos e fortes" para combatermos os malfeitos que estes fazem contra a sociedade, sua estrutura, seu progresso, e sua capacidade humana de aceitação, que está afeta à gente com capacidade de amar, porque só aqueles que amam são capazes da boa-vontade com o próximo. Vibração muito especial de entendimento e proximidade, posto que sem amor não temos o juizo, tolda-se-nos o entendimento fino, e estamos só. Não encontramos beleza, nada nos cativa, não sentimos alegria.

Na incompreensão do humano, esta única verdade de nossa espécie, essa mesma que nos diferencia com a marca superior, incompreensão em que vivem quantos cultivam o ódio e a superioridade, ilusões que nos corroem na ideia de repudiar os outros, onde só o humano na inteireza do que é humano, e que poderá mesmo ser divina se fizermos as escolhas certas, as que nos permite abraçar o mundo, nos permite deixar a malenconia e encontrarmos a alegria, que vive nas coisas simples, e nos abre a dimensão divina, o encontro com o outro, únicos momentos em que somos sublimes, na singular ambição humana, repito, que é a única pela qual vale a pena viver.

Não lhe restando outro remédio ele vai rir sempre, compreender é que não.

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