quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Guião à fundo perdido.



«Sobre a nudez forte da verdade o manto diáfano da fantasia.»
                                                                                        Eça de Queiroz

Solteirão sem família, alto, magro, de agora em diante passará a se  vestir todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito, o rosto aguçado no queixo (e no nariz) ia-se alargando até a calva vasta e polida, um pouco amolgada no alto.(Calva invisível, presentemente, pela forma como deixa crescer o cabelo e penteia-o para emcobrí-la.) à partir de agora tingirá os  cabelos, que de uma orelha à outra lhe farão o colar parta trás da nuca ...Tinha uma covinha no queixo e as orelhas muito grandes, muito despegadas do crânio... e, é claro, não lhe faltarão as polainas

Comendador com  Estrela da Ordem do Mérito da Polônia, Cavaleiro da Ordem de São Tiago( Se não é  o Dr. Cavaco resolve isto certamente.) em atenção aos seus grandes merecimentos literários e às obras publicadas, de grande utilidade, no campo da economia política. Era autor das seguintes obras: Elementos Genéricos da Ciência da Riqueza e sua Distribuição. Discrição Pitoresca das Principais Cidades de Portugal e seus mais famosos estabelecimentos (no prelo) e do famoso Guião da Reforma do Estado, tão importante que esteve na gaveta do Primeiro Ministro vários meses, e  que agora  atende pelo nome de" Um Estado Melhor", com 112 páginas que visam recuperar a autonomia de Portugal.

Paladino da família e das virtudes cristãs, moralista  com frequentes e insistentes declarações à favor da sã moral e dos bons costumes, defensor dos agricultores, e dos grandes valores como o nosso Garrett, o nosso Herculano, o nosso Saramago, defensor dos nossos reformados e dos nossos pencionistas, na defesa perene das nossas virtudes pátrias. Ministro de Estado várias vezes, quase, digo melhor vice,-primeiro-ministro, assinante do Teatro São Carlos há 18 anos (deve ser) para aperfeiçoar a personagem mudar-se-á pra um terceiro andar da Rua do Ferregial. Os seus gestos muito medidos, mesmo a tomar café. Nunca usava palavras triviais, citava muito, se expressa por chavões e frases muito elaboradas e vazias de conteúdo como: " A vida é um bem inestimável." " Reformar é diferente de cortar." " Estar no Euro é incompatível com a demagogia."  Nem Estado mau, nem Estado mínimo, um Estado melhor." " É preciso reformar, é preciso remodelar" Com seu frasiado elaborado e vazio e com obviedades, temos o Conselheiro Acácio.

Está é a nudez forte da verdade : O Dr. Paulo Portas dando sequência aos vários  renascimentos da personagem, o faz no melhor estilo acaciano, dando-lhe relevância raramente vista nos inúmeros políticos que a fizeram renascer pelo mundo fora. Pois que como disse no entre o 'g' e o 'j' toda a verdade se esgota, é valendo-se destes meios que se atinge uma grande posição. Pois este é o mesmo Paulo Portas de quem falei no Irrevogável Upgrade I e II, tendo o primeiro por título : Portugal e o futuro, e não é título de livro? Sim é o mesmo e não é limitado como o Conselheiro Queiroziano. Então porque isto? Não havia outra solução. Fez todo o possível para ver se descalçava esta bota. Deixou passar o tempo, transformou o documento em secreto, criou várias manobras de diversão, vendeu-o à peso de ouro, ou melhor à peso de alto cargo. Inútil. Todos queriam o Guião. Pois então está aí o Guião. Como ele não pode conter nada de substantivo e imediatamente exequível, havia de ser vago, genérico, óbvio, um apanhado de banalidades, para ser inconteste, e não comprometer o autor.

Muito esperto o Dr. Paulo. Fê-lo sem o fazer. O momento escolhido é ótimo. Durante a votação do orçamento de Estado( e que orçamento) onde muito será discutido, tudo estará na ribalta, menos o Guião. Além do mais, como este não desperta grandes contestações, por ser um conjunto de boas intenções e de objetivos indefinidos, irá logo voltar de onde nunca devia ter saído, para o limbo das propostas cheias de boas intenções e sem sentido prático e sem intenções para se cumprir. Há alguns inocentes, ou incautos, que acreditam na intencionalidade do documento. Provavelmente também acreditam no Pai Natal, e sua intencionalidade. Só que se o pai, a mãe ou o avô da criança não comprar o presente, ficam-se por aí as boas intenções do Pai Natal, mas há gente para tudo. E, ademais, sabemos, bem o que é que está cheio de boas  intenções. As propostas do Guião são como os Pais Natal de shoppings, só servem para a fotografia.

E agora o manto diáfano da fantasia : O Dr. Paulo Portas cumpriu, deu o seu grande contributo para a Reforma do Estado, tão desejada e tão esperada, e ficaremos todos a esperar que Portugal tenha um crescimento real do PIB de 2%, como ele mesmo salienta no documento, até lá, vão se fazendo mais cortes e privatizando-se tudo que for possível do Estado Social e companhia ilimitada, será a Reforma em ação. E, como este aumento real do PIB de 2% (4 ou 5% nominal)  vai demorar mais de uma década para acontecer, o Dr. Paulo Portas está salvo. Não foi culpa sua. O guião está pronto, mas só se poderão começar as filmagens depois da tempestade, e esta está para durar.

 *** Para a leitura de brasileiros, que não há acordo ortográfico que dê jeito:
          Descalçava esta bota é livrava-se deste problema de qualquer maneira.
          Pai Natal é o Papai Noel, e « está para durar  »  é que vai demorar.

  P.S. Ninguém como Eça para estar tão vivo e presente em todas as situações,
          especialmente as políticas. Que escritor formidável !




terça-feira, 29 de outubro de 2013

Que dizer?

As palavras muitas vezes são fracas. Perderam sua energia pelo uso. E por outro lado os fatos são  tão eloquentes, que ultrapassam tão fortemente o poder descritivo e qualificador da expressão vernácula.Quais palavras usar para o caso da mãe que durante dois anos criou a sua filha bebé récem-nascida numa mala de um carro? Inimaginável? Intolerável? Incrível? Desumano? Absurdo? Impossível? Inacreditável? Qualquer expressão é fraca, e há ainda outras que me occorrem, mas são todas impotentes em face da violência do ocorrido. Uma bebé durante dois anos crescendo atrofiada, mas cresendo, mantendo-se viva, já que a vida tem muita força, numa mala de um automóvel? Foi encontrada imersa em fezes, o que prova que era alimentada, que a sua mãe a queria viva. Até quando? Para que? O que pretendia? Loucura? É mãe de outros três filhos, segundo todas as testemunhas, bem criados, amados, tratados, cuidados, com bom e normal desenvolvimento. Que dizer então desta pobre menina da mala, atrofiada, atrasada em seu desenvolvimento, reclusa logo ao nascer, dois anos de prisão sem condenação e sem pecado ou culpa....Que dizer?

Voltemos às palavras, que  sem elas não nos safamos, não nos comunicamos, não nos entendemos? Qual palavra será suficiente? Sugeri inimaginável e inacreditável. Sim a situação é inimaginável e olhamos para aquilo e não podemos acreditar, mas aconteceu, para além de todas as possibilidades e para além da nossa imaginação mais perversa, aconteceu! E o mais impensável é não ter havido intenção de maldade com a criança dois invernos e dois verões confinada na mala de um veículo de passseio, sem desenvolver suas capacidades  cognitivas, sem desenvolver sua musculação -um ser não ser- algo mais que Shakespeariano, mais que kafkiano, mais que Hitchcockiano, mais que inacreditável... Pois bem: absurdo é, mas aconteceu. Desumano foi, intolerável é, essa mãe que pode ser presa por 10 anos, que privarão seus outros três filhos e até mesmo esta bebé de seus cuidados, pois que era para o resto da família uma mãe normal, não podemos temer a palavra....normal, apesar do duplo comportamento oposto e antilógico. O que, mesmo sem temer e sem acreditar, não conseguimos definir é o que fez esta mulher. Que palavra classifica ou define esta mãe?

Então que dizer deste fato, fato indiscutível e incontornável, uma bebe dois anos numa mala de um carro, logo os dois primeiros anos de sua vida, crescendo, chorando, sentido frio, sentindo fome, querendo aconchego, querendo luz, querendo ar, querendo se movimentar...Não sei que dizer, Deus Pai !

Onde estão as palavras? Costuma se dizer que a arte imita a vida. E que às vezes, tragicamente, a vida imita a arte, mas a arte mais ousada, e para além de seus três ícones que citei, não foi capaz de imaginar,de engendrar trama mais horrenda e macabra, e mais (QUAL A PALAVRA?) absurda? Inverossímel? Irracional? Disparatada? Nada se pode exprimir, portanto explicar, a atitude desta mãe. Sabem, eu sinto, nesta condição de tomar conhecimento de que isto se passou, que me falta qualquer coisa, que me subtrairam uma parte da minha capacidade de entendimento. É-me incompreensível. E o que eu não consigo entender, não consigo expressar, portanto faltam-me palavras, não consigo dizer nada, pois nada posso dizer, a não ser a pergunta que dá título a este  texto.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

NO ÂMAGO DAS COISAS


Síntese da mediocridade.


                                        Entre o 'g' e o 'j' toda verdade se esgota.

                                                                                                          Aos que se ficam por aí.


          Se cuidássemos de alfa e de ômega,
          que seria dizer de 'a' a 'z',
           teríamos à luz sôfrega
           tudo o que há pra dizer.

                         Como não cuidamos de mentiras,
                         de bocados, ou daquilo que se parte em postas.
                         Pois se cuidássemos do que se reparte em tiras
                         teríamos tudo consolidado num jogo sem apostas,
                         num arco bem cuidado sem pestilências ou ziquiziras.

        E seguindo-se por este caminho zetético
        de se crer resolvido o que não tem solução,
        sempre a esquecer o ético, no cuidado do estético,
        buscando por esta via alguma satisfação,
        o que é bem menos frenético.
                   
                        Como são incertos os caminhos
                         e imprevistas as circunstãncias,
                         é melhor deixarem-se ficar nos ninhos,
                         fazer ouvidos môcos às instâncias.

        Quem diria : Seguir em frente?
        Melhor é a indecisão.
        Esta coisa mais indolente
        que é não ter opinião,
        pra não ter que dar explicação.

                        É assim que se atinge uma grande posição:
                        pouco fazer, pouco arriscar,
                        não se expor, não contestar, guardar discrição.
                        Pouco pensar, menos saber, ainda menos falar,
                        para atingir perfeição.

        É essa gente que se fica
        entre o 'g' e o 'j'
        e com isso fica rica...
        Já que por aí toda verdade se esgota.

                      Como conheço mais umas quantas letras
                      devo ter perdido meu rumo , espremido até o sumo,
                      esmagado por essa gente,  envolvido nessas tretas.
                      Fui cuidando  de seguir, de manter-me sempre a prumo
                      Sem deixar de ser eu mesmo, sem perder-me nessas petas

domingo, 20 de outubro de 2013

A pieguice de Pacheco Pereira: " That silver-haired daddy of mine".

DEFESA PRÉVIA.

Pacheco Pereira, o português que guarda este ilustríssimo nome de família, é piegas. Está provado! Neste seu último programa que intitula-se 'Ponto contra ponto', que vai regularmente ao ar aos sábados, portanto no dia de hoje, termina com uma homenagem aos mais velhos portuguêses, essa gente que vem sendo tão espezinhada ultimamente, e para a qual se tem tentando criar uma crise inter-geracional, como tem insistentemente alertado o piegas Pacheco Pereira. O Dr. Pacheco Pereira conhece os meandros do poder, logo quando fala deve ser escutado. E como não tem medos, nem papas na língua, costuma dizer coisas que os cícrculos de poder devem achar no mínimo inconveniente. Além do mais Dr. Pacheco Pereira é piegas.

Com esta canção de uma pieguice imensa, onde um filho gostaria de devolver a cor dos cabelos brancos de seu pai, com a qual terminou seu programa de hoje, está condenado à exclusão, e ainda dirá com seu modo indiferente que é o lado pra onde ele dorme melhor, imaginem. Um assinte a uma gente que não aceita nada que possa ser piegas. Certamente o Dr. Pacheco Pereira não deverá saber da gravidade da situação que vive Portugal. Bem...Olha que sabe! Então faz isso de propósito... Pois faz... E qual é o propósito? ......?..... É ser piegas.


Sim, pieguice é sentimentalidade excessiva. E o que será excessivo no sentir? Piegas é  aquele que se embaraça com pequenas coisas. Ora Dr. Pacheco Pereira não se embaraça nem com as grandes. E então? Talvez embaraço aqui queira dizer simplesmente emoção. É que Dr. Paheco Pereira se emociona. Dr. Pacheco Pereira sente piedade, dor, compaixão, comiseração. Sentimentos banidos pelo primeiro ministro ao indicar que não fossem piegas os portuguêses. Dr. Pacheco Pereira não acatou-lhe a orientação. Piegas também é animado. Olha que bem animado deve ser Dr. Pacheco Pereira, bem animada há de ser sua vida, com pensamentos e sentimentos que tem demonstrado à exaustão, de não aceitar nada que seja pequenino e mesquinho- só isso dá-lhe animação pra três vidas, mas há mais. Dr. Pacheco Pereira tem caráter. Isso é terrível..Coisa mais danada esta de ter caráter, além de gerar uma enorme animação, nos leva a outra qualidade da pieguice, que é ser ridículo. Dr. Pacheco Pereira é ridículo. E sabem porque? Porque faz  rir aos que não têm o caráter que ele tem. Porque o riso é uma reação histérica face do icognoscível (definição minha). É certamente rirão do Dr. Pacheco Pereira aqueles que não lhe conhecem a gema, porque não lhe reconhecem o caráter. Aliás esta gente contra a pieguice não reconhece caráter a ninguém.

Porque ser piegas é ter condescendência e compaixão com o próximo. Ser piegas é ser  solidário. É preocupar-se e por-se no lugar dos outros. E por-se nos lugares dos outros é um atraso de vida, porque os não podemos massacrar, porque temos de entender sua situação. Ser piegas é ser choramingas. Devemos sempre chorar as nossas mágoas e não desdenhar das alheias. E a grande força é resentir-se das alheias, mas isto é tão raro, cada vez mais, que muita gente nem sabe o que é. Extremamente piegas, alguns chamam de humano, mas pra quem não sente o dever de solidariedade, é piegas. Pois bem.....é. E daí? Quem,com sentimento, não gostaria de devolver a cor aos cabelos brancos do pai?

Pois é, neste momento tão desumanizado que atravessamos ainda bem que há homens como o Dr. Pacheco Pereira, que para lá de qualquer defeito que  lhe possam apontar, é piegas. Graças á Deus!

sábado, 19 de outubro de 2013

CEM ANOS DO MAIOR POETA BRASILEIRO.

                 NUNCA ANTES DO 3º WHISKY COM VINICIUS DE MORAES.
           
                                                                                       

Um pouco de tensão ,
a fala mais ligeira.
Dizer logo a que veio,
pra fazer ambiente.
Estava sempre um pouco à meio,
no meio de toda a gente.

                        E ia-se o 1º copo  desbravador,
                        como a abrir caminho à um estado d’alma.
                        Que é sempre um pouco sofredor,
                        quando se  procura ter calma.

Algumas  afirmações à voz de tenor,
uma longa pausa.
E ia-se o 2ºcopo alentador.
Vai haver sintonia com o ambiente?
Fica algo pensador,
dependendo de quem está presente.

                           Fala e se cala,
                           se há boa receptividade,
                           a onda se propaga.

E ia-se o 3º copo  vivificador
com aconchego,  “ tudo em cima”.
Era um deslumbramento onde nada resvala,
universo  revelador,
fala mansa e clara.

                          Leblon, Ipanema, Arpoador,
                          arco-iris e ‘charla’.

Meu Deus, eu acredito
que há gente que não devia morrer.



















                         

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O ódio espanhol aos portugueses.

Antes de tudo  quero registar a minha condição de brasileiro e portanto eu, pessoalmente, não tenho nada contra os espanhois. Ademais gosto imensamente de Espanha, de sua gente, de seu modo de vida, de seu glorioso passado, de sua «charla» sobretudo a literária, bem como muito me agradou o tempo que lá vivi tendo deixado muitos amigos e muitas saudades.

Em recente entrevista o treinador número um do mundo, o português José Mourinho, que é mesmo o número um, só vindo depois do Felipão, declarou que os espanhois odeiam os portuguêses. Já há gente em toda parte dizendo que esta afirmativa é um exgero de Mourinho, quando não dizem coisa mais grave. Na verdade há uma velha expressão portuguesa que diz que: ' Quem não se sente não é filho de boa gente.' Ora, o treinador sentiu na pele, nos ossos, nos ouvidos, na alma, isto a que ele chama ódio. Não seria boa gente se não se sentisse. Ressentiu-se, como é normal, e declarou sem cerimônias e expontaneamente como é seu estilo, o que leva a muita gente a odiá-lo só por isto. Entretanto, ódios à parte, vamos analizar se tem fundamento a afirmativa do treinador ' number one'.

Espanha em mil anos de tentativas só conseguiu ter Portugal sob seu jugo por 60 anos,sendo,pois, consignada a três Felipes a terceira disnatia reinante. Deve ser duro, para uma nação que teve o mundo sob seu domínio, que enfrentou França e Inglaterra, que possuiu parte de Itália, não dominar aquela tripa de terra que está entre ela e o Mar Atlântico voltado à sul. Não ter o Tejo, para eles Tajo, todo seu, ter aquela gente ali, e, ademais, a disputar-lhes, como foi, o mundo, este mundo que em dado momento era em grande parte espanhol. Sendo cognominado seu Rei de Planeta. Afinal não tinham o planeta, lá estavam os portugueses para atrapalhá-los. Temos ainda o final da história do período do Portugal espanhol, o Duque de Bragança, aquele João, retomou Portugal e depois de 28 anos tiveram de reconhecer sua independência porque os portugueses haviam ganho todas as batalhas. Então aquele enorme país, que domina a quase a totalidade territorial da península, não consegue se impor sobre aquela pequenina porção?

Tentaram de todas as maneiras, depois quando surge Napoleão no cenário mundial invadem Portugal com o apoio francês, numa guerra que só lhes rendeu uma única cidade,que depois terão que devolver, mas que por despeito e assinte mantêm, Olivença é espanhola. Depois outra vez com a mesma França Napoleônica, mas aí com outra dimensão, tentam tomar Portugal, do qual ficariam com um terço, ou dois. Não conseguem, como França também não consegue. Ossos duros de roer estes portugueses. Pois Portugal continua português.

O espinho que têm mais entalado na garganta os espanhois, chama-se Portugal. De fato não hão lá de gostar muito disto. E, claro, com estas sucessivas tentativas e guerras os portugueses tinham que estar motivados para resistir. A gente da raia manteve-se dura, como ainda são. Os movimentos se sucederam, o Direito ao território e sua defesa foi sempre a preocupação número um em Portugal, o pequenino Portugal. Quantas vezes locais como Castelo Rodrigo viram-se sitiados ao longo dos séculos?E Portugal resistiu. Para manter alerta este sentimento crivaram muito seu único vizinho,na raia não se podiam permitir amizades nem proximidades. Aproveitando que os ventos fortes vêm do Norte, ou de leste, clivaram aforismos que se tornaram célebres, como aquele : « De Espanha nem bons ventos, nem bons casamenos.» Portugal, relativizada as grandezas, era como Gibraltar é hoje na península, e em Espanha, um enclave, e a mesma ação que hoje se desenvolve e a mesma postura psico-emocional espanhola em relação a Gibraltar de hoje, foi a de sempre em relação à Portugal.

Será isto ódio? Não puro. É aquele misto de amor e ódio por quem se quer possuir. É aquele sentimento mais medonho de incompreenção de que haja aquele espinho em garganta tão poderosa, mas há, e não há nada a fazer. É claro que após tantos séculos de rivalidade ficou um sentimento que, já irracional, não se poderá desfazer assim facilmante. E, é claro, Mourinho provou dele no seu mais exponenciado feitio, o de uma torcida de futebol vendo seu time(equipa pros portugueses) perder, porque têm lá um treinador estrangeiro que sabe indicar o caminho ao adversário. Não podia dar noutra coisa, e Mourinho não gostou, e nem podia gostar....

Há ainda um detalhe muito importante: Os espanhois são  muito intensos nas suas expressões e seus modos, daí a tourada lá ser de morte, diferentemente de Portugal, à excessão de Barrancos. São intensos, talvez como descansam à tarde tenham mais energia. O fato é que usam formas de dizer e ensejar as coisas de uma intensidade muitas vezes assutadora. Dizem: Que cagam no leite, na mãe, em Deus, por exemplo. Penso que isto é de uma violência, pelo menos verbal, única. Entretanto o ditador muito odiado que tiveram, que adotou inclusive do garrote vil, Franco de seu nome, morreu tranquilamente de velhice em sua cama. Muita parra e pouca uva, olhem, é outro dito que me ocorre. Em  meu país diríamos: É só garganta!


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A ESTUPIDEZ PERSISTE.



Eu evitei falar antes, como queria evitar falar sobre este assunto, já que tudo o que tinha para dizer sobre êle, ficou dito nos artigos intitulados: NO MÁXIMO DO CINISMO, QUAL É A EXPLICAÇÃO? MAIS OU MENOS FESTA, TUDO AO CONTRÁRIO, entre outros, entretanto com o aguçar da situação portuguêsa, e com as novas medidas constantes do Orçamento de Estado para 2014, apresentado à Assembléia da República, foi tamanha a solicitação de e-mails e telefonemas que não me furto a abordar o assunto, no entanto não posso mudar tudo que já dissse e não quero vender desespero a desesperados, mas é o que vai acontecer. Vamos a isto!

Primeiro reafirmo que tudo isto que andam a fazer além de ser de um grande cinísmo, ser uma falácia, é de uma total inutilidade. Porque inutilidade? Muito simples, se acreditarmos que cumprirão as metas do déficit, ou seja 4% o PIB à mais em 2014, o que significam mais  4% de dívida à somar aos mais de 130% já existentes, o que imediatamente gerará ainda mais dívida com os juros acrescidos, sem contar os juros incidentes sobre a dívida já existente, terão de manter todas as medidas terríveis já aplicadas, e criar ainda mais outras para baixar para os dois por cento(2% do PIB de déficit)contratados. Isto implica em duas coisas. Primeira que as medidas transitórias mantêm-se.  Segunda que estas contas se dão na suposição de não haver queda do PIB. Temos então neste segundo caso, que a dívida continua a crescer e auto-alimentar-se à conta dos juros, posto que nada da dívida nestes termos será paga neste período, isto por um lado, por outro temos que como os cortes diminuiram, e diminuirão, a capacidade de consumo dos portugueses, seu PIB certamente cairá. Até agora o valor do PIB tem sido reposto pelo fantástico aumento das exportações. Pergunta-se até quando esta situação se manterá? E retornando, e tendo em atenção a primeira questão: a da transitoriedade das medidas, neste interregno o Tribunal Constitucional se aperceberá que elas vieram para ficar e as chumbam. Não tenham dúvidas o TC vai chumbar muitas das medidas propostas, ademais por iníquas. O que significa irem buscar este dinheiro à outra parte. Não há saída, isto tudo é uma bomba relógio que vai, repito, VAI ESTOURAR! Está aí a inutilidade, como vai estourar de qualquer maneira, não adianta nada do que se faça, a não ser por Portugal a crescer.

O grande problema nisto tudo é que os portugueses são bons pagadores.Acabaram de pagar ano passado a sua primeira dívida, contraída ainda por D. João VI, quase dois séculos a pagarem, mas pagaram tudo. Eu gostava de saber quantas vezes esta rendeu em juros. E sabedores disto os 'mercados' querem deixar que a dívida se auto-alimente, gerando fantásticas transferências nas próximas três décadas. Portugal é uma vítima preferêncial porque, por várias razões, não tem a força de outros países similares. Por exempo a Irlanda, que tem uma Grande Bretanha a se contrapor. Ou a Grécia, posto que os gregos, não como os portuguêses, não pagam e pronto. Ou um país como a Suissa, que ninguém ousa atacar porque têm lá muitos interesses instalados. Ser correto é uma vulnerabilidade.

Voltando ao caso das medidas implementadas, uma receita do FMI para países de terceiro mundo e com moeda própria, que a União Européia permitiu e assegurou que fossem aplicadas em seu território repetidas vezes, é de uma estupidez (perdoem, mas o termo é incontornável) que é difícil entender que isto se tenha passado. O que já leva muitas pessoas a questionar : Que interesses de deliberado empobrecimento destes países poderá ter a União nas suas mais altas esferas? Que podendo ser uma inclusão na teoria da conspiração, não deixa de ser propositada a questão em face da estupidez flagrante, compreensível à quem conhece aritmética elementar. E fazendo-se as contas, vê-se claramente que assim não se vai conseguir solução nenhuma. Então porque insistir? Esta é a questão!

Em meu limitado estado de compreenção, em meu horizonte limitado por informações que não tenho, na minha maneira de ser, de não aceitar facilmente teorias da conspiração, na absoluta certeza de que é suicidária esta posição adotada, e adotada pelas mais altas figuras dos países e da União Européia como um todo, só me resta concluir que irá acontecer um milagre e que estes iluminados têm notícia dele e eu, na minha ignorância, estou antevendo o pior e desejo uma mudança desnecessária.

Isto com mais dois anos na persecução destas medidas, e sem o tal milagre,  vai estourar. Eu só espero estar vivo para ver o final da novela. O que sei é que muita gente valorosa e decente não vai estar viva, não só no sentido médico da expressão, mas muitas no sentido sócio-econômico da mesma. E eu não conheço coisa mais injusta, sobretudo por fútil, inútil, e inconsequente.