quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"A realidade tira sempre o tapete a ideologia" Cavaco Silva.















Uma afirmação absolutamente prática que revela que não se deve ter ideologia, que se deve aceitar a realidade sem nada fazer para contrária-la, posto que ela é inevitável como a morte, certa como uma fatalidade, incontornável como os oceanos, reconhecendo ao Dr. Cavaco Silva sua habilidade prática, nos questionamos se não é exatamente o contrário que esperamos de todos aqueles a que elegemos? Esperamos que eles contrariem a fatalidade da realidade, esgrimindo com ideologia rumos mais humanos, mais aceitáveis, mais justos, se não teríamos a escravidão, por exemplo, como uma realidade aceitável ainda, e válida, e ativa, posto que retirando o tapete à ideologia que baseando-se em princípios éticos se opôs a essa forma de dominação, eliminando-a, a realidade não poderia ser contrariada dentro das ideias práticas do Dr. Cavaco Silva, e ainda teríamos escravos. Não duvido nada que a ideia certamente agradará a alguns, mas felizmente repugna a esmagadora maioria.

"A Palavra presidencial deve ser rara." afirmou também, querendo criticar o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, esta afirmação mais a expressão: "a verborreia frenética dos políticos"dirige-se a sua tentativa de valorizar sua forma de ser, sua passividade enquanto político e presidente da república, cargo que deslustrou com sua atuação, e que a fortíssima dor de cotovelos que sente pela proximidade, o apreço,  e o bem querer que o Prof. Marcelo irradia e recebe, que rapidamente apagou da memória de todos que um dia sequer existiu alguém chamado Cavaco Silva, formatando um novo modelo de presidente que não mais dará espaço a figuras sem luz, opacas, sombrias, pesadas, perversa mesmo, como é Cavaco Silva. Recusando o esquecimento, que já se ia generalizando, e que inevitavelmente será absoluto, só quem viveu as décadas de sua presença poderá no futuro bem avaliar o quão malfazeja esta foi, guardando a lição por comparação daquilo que pode ser e representar um presidente da república com sentimentos e um sem. Portanto queremos todos uma palavra presidencial constante, presente, afetuosa, frenética, atuante, bendizente, reveladora e que formate a posição do máximo magistrado da nação como algo próximo e esclarecedor, portanto garante de nossa tranquilidade por sua constante vigilância, função para a qual foi eleito, e que não se deve recusar a cumpri-la refugiando-se nas sombras de gabinetes obscuros e inalcançáveis aos comuns dos  mortais. distanciando-se da realidade do país nos salões palacianos, fugindo ao compromisso popular, para o qual se exige vocação, exige que se goste do cheiro do povo, e não só do perfume de sua maria.

Essa criatura nociva, que tanto mal fez em seu magistrado ao país que escolheu mal essa figura,  procura fazer o que o Dr. Passos Coelho não revela a competência torsa para o fazer: OPOSIÇÃO, e não se pode negar que em tudo que é destrutivo as competências vincadas do Dr. Cavaco Silva se revelam industriosas e prolíficas, vindo assim colmatar este vazio, se opondo logo a tudo e a todos com a mais expressiva voluntariedade. Eis o Dr. Cavaco em seu melhor.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Os lindos laranjais do Algarve: AVISO !






Falemos antes da fruta, a laranja. Essa benção de equilíbrio entre o acre e o doce, com umbigo ou sem umbigo, mais redondas ou mais ovaladas, com a casca mais grossa ou mais fina, são uma maravilha, uma emoção e um prazer único de se desfrutar (e veja a palavra: des-frutar, que é gozar os frutos do trabalho). Imaginem lá aquele caldinho amarelinho a correr, a nos entrar pela boca, depois dos olhos e nariz, aquela sensação de absoluto reconhecível, esta fruta que tanto nos dá.

De suas muitas variedades desde a enorme Bahia, que deve seu nome a seu local de origem, até a pequenina D. João, que o sexto e último rei português deste nome se regalava, e que na 'orangerie' de Belém sempre as tinha porque chegam até o final do outono amadurecendo, e adocicando, no pé, e as que também mais cedo aparecem, como a que hoje se chama 'newhall' ou a 'ortanique' maduras entre fevereiro e abril, e que uma bem regada de arsênico foi a causa da morte do primeiro imperador do Brasil por tratado com seu filho D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, o saudoso João.

Não se esqueçam de incluírem nesse grupo dos citrinos duas outras maravilhas: as celestinas e as tangerinas, também cultivadas nesse Algarve dourado, e que deve começar a se preparar desde já para mover seus laranjais e outros cultivos porque irá se transformar num deserto, a continuação do Sahara do outro lado do Mediterrâneo, com a alteração da inclinação do eixo da Terra, e, devido a isto, a excelente produção de citrinos tem de ser movida para outras áreas onde possam prosperar, e manter a sua participação na economia portuguesa como importante ativo que é.

Os lindos laranjais do Algarve, devem continuar lindos, devem continuar laranjais, ou seja a produzirem as suas maravilhosas laranjas, só não mais poderão ser é algarvios, portanto é necessário tempo e calma para que se encontrem os locais adequados, prepararem-se os terrenos, e assim refaçam as extensas plantações dos laranjais, para que em seu devido tempo tenham a substituição mister.

Tenho alertado para isto com as minhas fracas forças, ninguém me ouve, o outro caso é o do montado, e está numa crônica intitulada Está na hora de mover os sobreiros. . . que pode ser lida nesse blog,  mas as coisas se fazem com antecipação e previsão. As laranjas talvez encontrem área mais à beira mar, como em todo o Marrocos desde o sul, na região de Agadir,  e no Norte junto a Tanger, aliás é do nome  dessa cidade que vem tangerina, e também a leste onde plantam de tudo. Nunca esquecer que com calma sempre se podem encontrar soluções, e que em Israel se cultiva o próprio deserto. Contudo as limitações econômicas impõem-separa além das climáticas, e antes, muito antes, que a situação esteja implantada, e que o problema bata aflitamente a nossa porta, devemos ir buscando soluções, mas parece ninguém querer se preocupar com isso, mas devem, para que sempre existam os lindos laranjais do 'Algarve', onde quer que eles possam estar plantados.

sábado, 26 de agosto de 2017

O melhor Fernandes. . . O homem que escolheu seu nome.







Se escrevêssemos em catalão, vocês logo se dariam conta de quem falo, vejam o título em catalão: El Millor Fernandes, que era mesmo o melhor em tudo que fazia e não haveria quem o ombreasse, chamasse-se Fernandes, ou não. Milton Viola Fernandes, como queriam seus país, e que pela má caligrafia do escrivão que assentou seu nascimento, pode vir a ser o homem que escolheu seu nome, quase, posto que na certidão que requereu aos dezessete anos viu que o que estava escrito não era Milton, o traço do t estava sobre o o parecendo um circunflexo, e o ene era como um erre, daí Millôr, o que parecia ótimo, artístico, diferente,  único mesmo, e optou pelo nome Millôr em vez de requerer uma retificação do registro de nascimento, nascendo então o grande Millôr Fernandes.

Eu o conheci na Codecri, onde o rato que ruge, que aparecia nas páginas do Pasquim, nos recomendava livros, com assuntos que nos espicaçavam a imaginação e mostravam um outro Brasil oculto, que eu desejava, e já com essa minha mania de livros e documentos, fui várias vezes lá no alto de Ipanema, na casa sede da editora buscar os livros que já não se encontravam mais a venda, e pude conversar com os donos, e dizer muitas coisas, eles eram interessados em quem se interessava por eles, e tive longos papos, os de um garoto entre os 19 e vinte e tais anos, o tempo que durou minhas idas lá, e aqueles que encontrava na sede da editora. Lembro-me perfeitamente do dia em que encontrei Millôr, já bem careca, ele ria muito com as orelhas, e tinha uns olhos penetrantes, porém sempre um homem simples, despretensioso, falava sem nenhuma afetação e discutia comigo normalmente, muito embora fosse extremamente mordaz.

Vi, por aqueles dias, também o Henrique Filho, o Tarso, o Ziraldo e o Zélio, o Claudius, o Redi, o Ique, e até o Sérgio Cabral, era muito engraçada a sede da editora, você entrava pela varanda, dava na sala da casa onde se abriam portas para os outros cômodos da casa, e quase nunca tinha ninguém na sala, era tudo muito informal, algo que me agradava bastante, e apontava para outro mundo, onde as pessoas não se obrigavam a ordens e estruturas, era um Brasil que podia dar certo, e o Pasquim, o símbolo e o responsável daquilo tudo nos abria para uma realidade tão diferente...

Agora que se completaram cinco anos de sua morte e sabemos que o mundo ficou muito mais pobre sem Millôr, esta alma tão vivaz e irascível, que canalizava sua indignação para a transformação social e para fazer refletir as pessoas "... livre pensar é só pensar . . .", "Fábulas fabulosas" de alguém que compreendeu o Brasil como ninguém, como os que o governaram o deveriam ter compreendido, e feito com esta análise e entendimento a libertação das forças potenciais do Brasil, como o Millôr fez. Sim porque ele abriu as estradas a um Brasil mais verdadeiro, revelando "Que pais é este?", aquele que nós sonhávamos, o que indignadamente levou o Legião Urbana a cantar na década seguinte, e que assim fez com que todos guardássemos na alma a esperança do futuro, essa indeterminada e difusa manifestação de que algo virá nos redimir, algo que chegará inexplicavelmente, como digo num poema.

No seu "Livro branco do Humor", que foi o que primeiro que li, vê-se o olhar crítico, onde a gozação mostra as contradições e ri-se, fazendo-nos rir delas consigo, até os Guia Millôr Fernandes do final, sempre se encontra o mesmo homem empapado na sua brasilidade, enganchado no seu tempo, embrenhado na selva escura da alma, desvendando-a. Seu teatro é bem revelador desse desassossego (e eis aqui palavra apropriada) na "É", que logo que surgiu fui ver no Maison de France, que me era mais acessível que os teatros de Ipanema, pois eu vivia em Niterói, e com o casal Fernando e Fernanda protagonizando, eu, que com meus vinte e um feitos naquela mesma semana, pois foi quando soube que havia estreado a peça, e que era do Millôr, e tinha a atriz que eu gostava tanto fazendo par com o marido no papel principal, foi uma primeira revelação para mim a força do teatro de Millôr, bem como em muitas outras peças suas, será sempre o mesmo Millôr, livre e impetuoso, benigno e contraditório, como um Haikai vivo, desses que ele gostava tanto, perorando "por um mundo Millor".


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A Morte do Mar Morto.






O Mar Morto é uma dádiva de Deus (os que preferirem leiam natureza onde escrevi Deus) não bem conhecida, e ignorada, sobretudo em razão de sua localização. Cada gota de sua água, cada grama de sua lama e de seu sal deveriam ser estimados e valorizados, e resguardados como uma preciosidade médica para as futuras gerações.

O Mar Morto como lhe chamam os árabes (أل بحر أل معي  al Bahr al Mayit) ou Mar de sal como os judeus (אם-היא-מלאה Yam -ha-Melah) ou mais atentamente Asfaltites, como lhe chamavam os antigos gregos, ou Mare Asphalticum como queriam os romanos, se formou na fenda formada por tectônica de placas entre a africana e a arábica com a influência da euro-asiática, tendo formado essa fenda a que chamam de sírio-africana, que uma vez aberta foi inundada pela água do mar (tem o Mediterrâneo e o Vermelho ao lado), que penetrou pela terra adentro por gravidade, posto que a fenda fica centenas de metros abaixo do nível do mar, indo ao encontro do interior da terra que ali se expôs, com sua riqueza mineral, o magma que brotou, os famosos depósitos de asfalto, que tudo misturado deu a sopa que é o Mar Morto, e que por sua formação endorreica, logo tendo ficado sem comunicação com nada, um lago quase totalmente isolado, no vale do rio Jordão, só sendo alimentado pelas águas deste rio, e por esporádicas nascentes nas encostas circundantes ao lago (Mar Morto) assumiu uma natural tendência para secar, posto que a quantidade de água que lhe chegava, não repunha o que perdia por evaporação, diminuindo dos mais de três mil quilômetros quadrados para os mil e cinquenta em 1930 (hoje menos de 650km2) ficando desta forma com enorme concentração salina, a maior do planeta, atingindo onze vezes a  dosagem oceânica média, estando nas trinta e cinco gramas de sal por cem mililitros, o que impede a existência de qualquer tipo de vida, exceção feita a algumas algas e arqueo-bactérias . Ademais situado numa região árida junto ao deserto, o de Negev, a tendência é uma evaporação violenta e sem chuvas para aumentar a desgraça, posto que é de cem milímetros cúbicos anuais a norte e menos de cinquenta a sul (Para compararem no Rio chovem mil trezentos e cinquenta milímetros, e em Lisboa setecentos.)

O Mar Morto está dividido meio a meio entre Israel e a Jordânia, que vêm perdendo igualmente muitos quilômetros quadrados do mar em virtude da aceleração de sua secagem continuada, nos últimos oitenta anos diminuiu mais de quatrocentos quilômetros quadrados, de 1050 em 1930 para os atuais menos de 650) verificando-se uma aceleração por diversas razões, tendo desta diminuição mais de um terço se verificado nas últimas seis décadas, tendo baixado seu nível em vinte e um metros entre 1930 e 1997,  acelerando para um metro por ano após 1992, tendência que se mantém e acentua.

Muito citado na bíblia com diversos nomes: Mar de Lot, Mar de Arava, ou Mar de Arabá, Mar Oriental, Mar Salgado,  desde o Gênese (14:3)  a Mateus (3:5) estando em todo o antigo testamento muito citado. O lago Asfaltite dos gregos, denuncia este nome a presença do betume, que havia em fontes pros lados de Sodoma e Gomorra, o Talmude chama mesmo ao Mar Morto de mar de Sodoma. Pois estas substâncias todas juntas dão a suas águas uma densidade tal que tudo que não estiver dissolvido nelas bóia, é empurrado para cima, quando tomamos banho nele, temos de ter estremo cuidado para não boiarmos, porque depois para nos pormos de pé iremos ter enorme dificuldade. Pois estão aí nestas águas que parecem azeite de tão densas, uma combinação de óleos essenciais, argila, e vários sais que são um remédio fabuloso, com muito magnésio, cálcio, potássio, sódio, e ainda  iodo, bromo, ferro, silício e silicatos, e em menor quantidade zinco, bário, selênio, cromo e vanádio.

Há poucos lugares no mundo que têm ao dispor as propriedades curativas do Mar Morto, e composição similar, locais como em Ischia, no Mar Tirreno, onde ocorrem águas doces com enormes poderes curativos. Seus oligoelementos contém todos os micro-nutrientes, sais minerais, e muitos outros componentes que curam úlceras, varizes, pruridos, fístolas, psoríase, eczemas furúnculos etc...   Dizemos nutrientes pois têm a ver com as capacidades atróficas encontrada nestas águas, em Ischia, não só as argílas, como as termais, são capazes de maravilhas, mas na Fonte da Ninfa Nitrodi também beber a água traz enormes benefícios, pois têm outras propriedades para os rins, o fígado, o pâncreas, a regulação da  circulação.  Conto minha experiência pessoal após meu primeiro banho na fonte da Ninfa, e beber um bocado da água, que é mito saborosa, tinha vontade de dançar, parecia ter perdido vinte, trinta quilos, uma  sensação única.

Voltando aos poderes curativos dermatológicos, o Mar Morto seria como uma concentração de Aloé vera, que tem inúmeras propriedades curativas e micro-nutrientes, mas o poder da argila e das águas do Mar Morto são inigualáveis, pois exponenciais pela concentração única dos elementos. O maior crime que se comete é a extração de potássio, de sal e a utilização para a beleza desse reservatório de saúde, só deveriam permitir a utilização e comercialização de suas águas e lama para fins medicinais, bem como deveriam introduzir sempre uma quantidade de água para manter o nível do mar que diminui, como disse, todos os anos. Israel que tem um povo muito adiantado, muito evoluído, tem que tomar consciência disso e não permitir a morte do Mar Morto.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Além da humana compreensão: As Almas Negras.




Uma avo e neta chegam ao seu hotel, deixam sua bagagem, avisam que chegaram bem, e vão dar uma volta pelas redondezas, logo ali está La Rambla, a via central, a mais eminentemente turística da cidade que foram visitar. E encontram uma morte desesperada. Eram militares, eram espiões, eram representantes de algum governo? Não, eram turistas, inocentes visitantes como outras dezenas que foram atingidas. Eu não consigo entender a motivação e a falta de sentimento de um ser humano para fazer isso. Eu entendo perfeitamente alguém que mate com uma motivação, por raiva, por defesa, por luta, mas a frio? Sem motivo? A uma pessoa totalmente inocente que nunca viram? Cujo único azar foi estar na hora que resolveram matar no local que escolheram para isso . . .

Outros por raiva incendeiam, agridem, matam ao vizinho, ao seu concidadão.

Eu por mais que me esforce, e tenho me esforçado muito desde que esta selvajaria começou, não consigo compreender, não consigo apreciar com que forças, debaixo de qual entendimento, alguém pode gratuitamente agredir, esfaquear, atropelar, explodir, incendiar, etc...  pelo simples fato de julgar o outro contra suas ideias. E onde falta o entendimento, prevalece a poesia.(Poesia como expressão de um estado de espírito.)

                       Almas Negras

Carregadas de fumo e horror
Capazes de tanto ódio
Capazes de tanta dor

Matam por matar
Ferem por ferir
Os que vão a passar
Aos que conseguem atingir

Transbordam sua vileza
Espalham somente tristeza
São pura maldade

Põem fogo nas florestas
Destroem o infeliz a passar
Crêem serem estas
As ações que os irão clarear

Insanos na sua torpeza
Ferindo por crerem-se feridos
Maldade por serem malditos

Negras, mais negras que o fumo
Almas da pior escuridão
Desditosas e sem rumo
Perdem-se nessa ilusão.

domingo, 20 de agosto de 2017

Tricky Trump.






Existiu um homem que ocupando a Casa branca, mentiu, valeu-se de todos os tipos  de falsidades, manipulou tudo e todos, valendo-se de todos os modos de enganos e enganações, com o fito de manter-se no poder, visando única e exclusivamente protelar sua estadia no poder, fosse a que custo fosse, Richard Milhous Nixon de seu nome, ficou conhecido por Tricky Dick. Quem disse que a História não se repete? Como bem viu Karl Marx ao clivar sua famosa frase: "A História se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa."

Pouco mais de quatro décadas depois temos a mesma insânia na Casa Branca, another Tricky.

Todos concordamos em avaliar Richard Nixon como um homem reles, populista, sem grandes virtudes, desonesto, sem escrúpulos, sem remorsos, duas caras, abjeto e impiedoso, que chegou à casa Branca num tempo de grande inquietação e instabilidade, valendo-se destes fatores para prometer uma saída à crise que se vivia nos EEUU.  (FIM DAS SIMILITUDES COM TRUMP.) Posto que Nixon era um homem com baixa estatura moral, com enorme aptidão para a mentira, capaz das piores façanhas para atingir o fim pretendido, com um caráter duvidoso, pronto a transgredir a Lei, capaz da conspiração mais baixa para implantar seu intento, temos também que era um advogado brilhante, um homem que acabou por ter um papel muito importante na História americana, perseguindo suas promessas eleitorais, e cristalizando a posição de liderança americana no mundo. O seu discurso sobre a cidadania é um marco na lógica do pensamento republicano. Terminou com a guerra  do Vietname, e reatou relações com a China, era um marido fiel, recusou as mulheres mais lindas que o assediaram, e tinha outras perspectivas da convivência familiar e humana; terá errado muito, principalmente fruto de seu jeito tortuoso, sua forma de ser enganosa, seu gosto pela mentira e pela confabulação política, mas tinha enorme experiência parlamentar, tendo sido deputado e senador, e administrativa, tendo sido vice-presidente vária vezes, não era um inconsequente.

Trump além das semelhanças apontadas com Nixon, diferentemente de Nixon que tinha uma baixa estatura moral, é amoral, não só tem uma aptidão pela mentira, é um mentiroso compulsivo, não será capaz das piores coisas para tingir o fim que pretenda, Trump é capaz de qualquer coisa mais que tudo porque não tem capacidade de avaliar, sendo um psicopata, o alcance moral de seus atos, sendo capaz não só dos piores, mas de todos os necessários, muito para além do improvável, diferentemente de Nixon que tinha um caráter duvidoso e transgredia a Lei, Trump não tem caráter, e desconhece a Lei, e foi capaz não apenas da conspiração mais baixa para atingir seu intento, mas capaz de comprometer seu país para esse fim. No mais não tem nada que se compare com a cultura de Nixon, Trump é um ignorante, e não tem nenhuma experiência legislativa, ou administrativa da máquina americana. Ou seja: Um desastre! Ao mesmo tempo que uma bomba relógio como veremos.

No entanto foi eleito com minoria de votos, dentro do sistema americano de representantes eleitores, tendo sabido utilizar o sistema para atingir suas pretensões. Único mérito que lhe reconheço até então, mas para tal, valeu-se de expedientes que comprometem definitivamente os EEUU, sobretudo em seu envolvimento com a Rússia, principal opositor americano no mundo, pouco se importando do efeito que esse envolvimento virá a ter no futuro dos EEUU.

Porém não creio que nada disso seja inocente, que inocente mesmo nunca poderia ser, uso a palavra no sentido de ingênuo e não de inculpável, já que culpado ele é absolutamente,  mas poderia ser apenas naif, não o é, ele tem um plano de ação, e após esse tempo em que já está na presidência, ao atento observador vai ficando claro que, assim como Maduro o pretende em relação a Venezuela, Trump tem pretensões ditatoriais em relação aos EEUU, é algo assustador, que seria cômico, se não fosse trágico, o fato de apenas existirem tais pretensões, que no entanto existem, e cumprem um plano, é algo insano, é verdade, mas não o poderia deixar de ser; entretanto um plano que, urdido numa mente alucinada, se, em meio a uma guerra atômica, por exemplo, poderia obter a consecução de seu intento com um momento em que a desordem mundial se estremasse, e a necessidade de aumento de poderes presidenciais se fizesse necessária, criando as condições favoráveis a tão odioso objetivo. O senhor Trump age com uma intenção, o que faz do psicopata que ele é, um psicopata perigoso, como já tive oportunidade de evidenciar, mas, por outro lado, alguém que irá jogar com as deficiências do sistema, coisa que ele sabe muito bem fazer, e em seu ato maior de enganos e perseguições, ("this is not this", "you're fired". . .) estabelecer uma plataforma onde se possa manter à tona, até ter gente 'sua' em todos os setores vitais para seu projeto, posto que se ele declarasse uma guerra hoje, por exemplo, seria logo bloqueado pelo Congresso, por isso precisa de tempo, bastante tempo no poder, e para tal precisa de enganar, o mais que possa, precisa de absolutamente ser o Tricky Trump.


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

À gauche Carlos Drumond de Andrade.


         


                                                                   
                                                 Nos trinta anos de sua morte,
                                                 lembrando o décimo segundo dia de insuportável tristeza.


Um pai nunca deveria enterrar um filho. No seis de Agosto desse 1987, pouco mais de um ano depois  do episódio que lhes contei ontem, pedem-me para ir ao cemitério em Botafogo, ao enterro da Maria Julieta, a única filha de Drumond. Lembro-me de passar um dia por Manguinhos e ver nos muros da Fundação Osvaldo Cruz imensa faixa com o nome da Maria Julieta, simpatizava com ela, vou ao cemitério. Lá está o poeta, mais defunto que a morta, de preto, rosto congelado, cumpre as funções que eram de se esperar dele, acompanhar à campa o ser a que ele mais amou em sua vida, e o faz maquinalmente, o faz como que por um instinto social, por uma razão de existir, que existir nos obriga a muita coisa. Vive ainda uma dúzia de dias de insuportável tristeza, até que nesse décimo segundo dia não suporta mais.

Passadas três décadas desses fatos ainda os recordo com espanto, porque para mim é espantosa a ligação entre as pessoas, lembro de Minha bisavó Zizinha e sua filha mais velha, uma num dia e a outra no seguinte, como a nos dizer que esses dois seres viviam conectados, e tendo-se acabado um, o propósito do outro esvanecera.

Mas deixemo-nos de coisas tristes que a herança drumondiana deixa-nos muito o que lembrar por boas razões, não que as da morte não sejam boas, certamente serão, mas, sendo funéreas, decerto não são alegres, e alguém que amou e foi amado, alguém que desejou e soube cantar o desejo, alguém que viveu a realidade de seu tempo em plenitude, "Vosso pai evém chegando" deve ser lembrado no dia de sua morte por melhores razões que ela mesma. Lembremos de como se descrevia em face da vida: