segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Lideranças






A eleição de António Costa prova como a Esquerda é muito mais conservadora que a Direita, vejam lá o PCP! Não obstante as lideranças terem vindo decaindo de nível por toda parte, até atingirem este mar de mediocridades em que estamos mergulhados, à Esquerda elas tem outro brilho. No caso português, foram caindo até termos na liderança dos dois principais partidos estes meninos das jotas que se confrontaram nos últimos três anos, sendo um, primeiro ministro, o da Direita, e quando a Esquerda viu que a dose se podia repetir, com outro jota como PM, e toda a fragilidade que isto implicava, e esta já se evidenciava em resultados eleitorais, moveu-se toda a velha guarda do PS para evitar a tragédia.

Esta ação conservadora que não há na Direita, e não há porque à Direita interessa prioritariamente o proveito imediato, e, por isto, a estes não importa principalmente conservar, importa antes ser (Viram o que passou a Dra. Manoela?) por isto ela é tão mais beligerante entre si, importando somente desbastar o palmeiral para abrir uma passagem que os leve ao poder.

Por isto veremos sempre um combate fratricida muito mais intenso e diversificado entre os da Direita, com as pretensões sempre mais acesas na busca de colocação efetiva. por isto as soluções e resoluções demoram mais, por isto vemos mais candidaturas, verão agora nas presidenciais, por isto mais rasteiras, e se se encontram em partidos diversos, ainda que do mesmo lado, coligados ou não, os golpes então são ainda mais fortes, procurando o caminho que os evidencie, e que os retire da situação incômoda de não exclusividades, quase nunca sabendo esperar sua vez. Desacomodados, pouco conservadores estes muitos próceres têm  o comando mais que a liderança, esvaindo-se logo sua pujança quando deixam os cargos que a expressam. A não ser que nunca conquistando o poder façam um jogo de sai e entra, para, seguindo a velha máxima, modificar tudo para tudo ficar como era.

A liderança que é forjada na ação de pugnas constantes, é uma conquista muito conservadora, porque mantém-se ao longo do tempo, perpetua-se para além do cargo, refulge em situações adversas, nunca esvaecendo-se, mesmo na mais contrária condição, tendendo a conservar-se como aquilo que é: Uma verdadeira liderança!


sábado, 17 de janeiro de 2015

Suplício de Tântalo.






Tão perto e ainda assim tão longe, é o dito popular para designar o que está ali à mão de semear e não conseguimos atingir. Assim está a solução dos problemas econômicos portugueses, tão perto e ainda assim tão longe. Tão perto parece porque, com a Troika tendo-se ido embora, abre-se uma nova perspectiva ao país, fazendo parecer que pode ser diferente do que tinha sido até aqui neste período de tutela dos três organismos que patrocinaram o resgate a Portugal. Tão longe porque a autonomia é uma ilusão, já que com esta avultada dívida não há nada que se possa fazer que livre os portugueses do arbítrio dos credores e das razões imperiosas de equilibrar uma economia que paga a volta de 5% de tudo que produz em juros. É calamitoso, para não dizer pior.

Este Rei da Frígia (ou da Lídia ardente?) nascido de um dos muitos abusos de Zeus, tendo este, do qual nasceu Tântalo, se dado com a princesa Plota, filha do Rei Himas, que sendo considerado filho do Rei Tmolo, herdou-lhe o trono. Não acreditando na omnisciência dos deuses, roubou-lhes os manjares, para testar-lhes, servindo-lhes a carne de seu próprio filho Pélope, descoberto e castigado foi lançado ao Tártaro (local onde o crime encontra seu castigo) num vale cheio de frutos e com fontes fresquíssimas, sendo castigado pelos deuses (para a causa há várias versões além do roubo do manjar) já o castigo era não poder nem comer nem beber. Quando ele se aproximava da água das fontes, esta secava, quando ele se aproximava dos frutos, estes fugiam-lhes. Por isto a expressão título refere-se a tudo aquilo que apesar de aparentemente próximo, não se consegue alcançar.

Enquanto não houver real autonomia Portugal estará sujeito ao suplício de Tântalo, porque ficando, como está,  perto de qualquer solução consistente, esta foge-lhe e fugir-lhe-á sempre porque industriados a pagar uma divida acima das suas possibilidades, não têm margem para cuidar de si, deixando de poderem se alimentar, a única situação que poderia livrar-lhes deste condição, fortalecendo-os para poderem trabalhar mais.. Por isto têm de deixar o Tártaro, porque não cometeram crime para sofrerem tal castigo, estão sujeitos sim a uma contra-ordenação, a uma multa que terão de pagar, mas mesmo o juiz mais intransigente vê-se na contingência de propiciar os meios ao devedor para que ele pague o que deve, oferecendo-lhe tempo e parcelamento, condições necessárias a cumprir, sem as quais, sabe o juiz, o incumprimento é certo. Como mortos e falidos não pagam dívidas, cumprir o pactuado, não é necessariamente cumprir como pactuado, prazos e condições sempre podem se adequar.

Qualquer juiz digno deste nome estará propenso a comutar a sentença alargando prazos e dando condições ao devedor para pagar, aquele que for mais perspicaz retirará logo o contingenciado desta situação de restrição absoluta, para que ele, em melhor condição, livre do suplício, possa seguir vivendo para mais rapidamente cumprir o pactuado. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A faina assassina e corruptora do Estado Islâmico.








EIIL, EIIS, ISIL ou ISIS, ou simplesmente Estado Islâmico, esta nova força que surgiu pelo desequilíbrio em que entrou o médio oriente pós invasão do Iraque, quando a mídia o intitulou Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que se auto-proclamou como um Califado, o que quer dizer que são um poder de unidade e liderança de todo o mundo islâmico, portanto os sucessores do Profeta. Com o que faz esta gente, Maomé deve estar a dar voltas no túmulo.

Maomé nunca foi jihadista e esta gente é, o que significa que seu principal propósito e razão de existir é fazer a guerra, pretendendo estabelecer seu poder já sobre todo o Levante (Jordânia, Palestina, Israel, Líbano, Chipre e o Sul da Turquia (Hatay). É claro que apesar da insanidade generalizada no grupo anda têm juízo bastante para não pensarem em atacar a Turquia e nem sonharem em atacar Israel, mas até quando? Se crescerem em força e poços de petróleo sua perspectiva poderá mudar. Logo à seguir sua intenção confessa é expandirem-se para a Europa como fizeram os mouros outrora, ocupando pelo menos as mesmas regiões, a começar pela península ibérica. 

Uma organização com tal ideal, já dispondo dos meios que dispõe, muito diferentemente da Al Queida que nunca dispôs de território como possui o Estado Islâmico, sempre juntando mais recursos, posto que sempre os obtém a partir dos poços de petróleo que conquista, e já controla muitos, com enorme projeto a longo prazo, um Estado em guerra permanente por definição, sem piedade e desafiante, como se tem verificado ao executar todos os estrangeiros que lhes caem nas mãos : O que os irá parar? O que os irá deter? 

O mundo até agora não sabe bem o que fazer, sobretudo pelo desequilíbrio de forças no qual a ação americana deixou a região, quando teve a infeliz idéia de eliminar Sadam Hussein, desestabilizando todo o crescente fértil, e como sistematicamente faz vistas grossas, pelas razões mais inconfessáveis, ao financiamento da Arábia Saudita aos Sunitas, que estão na origem deste Estado Islâmico, que, tendo atingido seu primeiro objetivo, prepara o próximo, já existindo com exército, território, organização estatal, com dirigente, o 'califa' Abur Bakr Al Bagdadi, nunca tendo parado de se expandir desde que se formou, e desde que  existindo como um país proclamado aos vinte e nove de Junho próximo passado, atinge um nível de possibilidades que altera a mera classificação de grupo ou organização terrorista que lhes é atribuída. Mais cego é aquele que não quer ver.

Nunca se podendo saber qual será a posição do mundo árabe com a Arábia Saudita à cabeça, real financiadora de toda esta situação, o que os interesses econômicos fazem questão de esquecer, quando o Estado Islâmico tendo se expandido o suficiente, e tendo força e recursos suficientes, decretar uma guerra santa generalizada, a jihad total. Quem viver verá!

A continuada atitude mole das nações permite que se criem monstros que depois cobram um altíssimo preço para serem debelados, vide a gênese da Alemanha Nazi, contemporizando com forças e tendências a que o mundo livre não pode de maneira nenhuma aceitar que existam um só dia sequer, quanto mais que se consolidem enquanto  país. A tibiez e falta de lucidez somadas são capazes de grandes estragos, até que surjam homens com a fibra de um Churchill que os enfrente, porém, na maioria das vezes, homens destes não estão disponíveis. O Estado Islâmico pratica toda a série de crimes contra a humanidade de a à z.

Que todo o grupo humano, ou etnia, ou linha de pensamento queira se expressar, queira existir como unidade autônoma, mesmo como nação, e tenham este Direito  por mais diferentes que sejam de nós, eu aceito e admito. O único problema com o Estado Islâmico e que o impede de ser aceito como um novo país, como uma nova realidade que se manifestou, para além de seu propósito declarado de conquista de outros países, o que não pode ser aceito, é sua faina assassina e corruptora que se manifesta por meio de execuções simbólicas, afrontamentos, ações terroristas por todo o mundo, e eliminação de grupos populacionais inteiros, quando se implantam nos territórios conquistados a estes grupos, não poupando nem mesmo mulheres e crianças, desde que estes professem crenças diferentes das suas, ainda que da mesma religião. Gente de alma negra, negra como a sua bandeira.

QUE MAIS SE PODE DIZER DESTA GENTE ?

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Os sentimentos.






                                                                                "Nous ne sommes pas plus rien, que les autres"
                                                                                                          Henri Laborit.

                                                                                 "L'enfer c'est les autres"
                                                                                                          Jean Paul Sartre.

                                                                                  "Nous sommes faits pour la peindre, nous autres, et                                                                                                            rien de plus."
                                                                                                          Gustave Flaubert.




Nós somos eterna contradição.

Apesar do ar afetado, tão comum em tantos lentes universitários, sobretudo os que chegam à cadeira,  e também em sacerdotes por esta Europa fora, mas que, independentemente do ar, têm bom coração, na sua maioria, sendo esta uma postura tonta, distante, fruto da cultura do meio. Assim  criam-se sentimentos que podem não ser propriamente 'sentidos' mas são inspirados por uma condição, criados por uma ambiência, propiciados por uma situação.

Os sentimentos foram evoluindo até se consolidarem em alguns que são transversais pela condição de liberdade que é o primeiro de todos os bens do ser humano, passando a promover resposta homóloga, quase universal, a um mesmo empecilho que apareça, a um mesmo percalço que ocorra. 

Somos todos iguais na essência, somos todos essência igual na adversidade. Fomos todos Charlie na só resposta, somos todos os mesmos na contra-mão, nem mais nem menos, como irmãos da grande família humana da pertença de ideais e valores consagrados, sagradas conquistas partilhadas. E como um só organismo reagimos, qual colmeia inteligente e uníssona, vibrando no  mesmo tom de indignação. Sabemos ser um na adversidade, como numa certeza agostiniana de união. São valores há muito conquistados, para os quais não há dúvidas nem hesitações.

Tanto o ar afetado do lente, como a resposta igual de um continente, são caldo de cultura de algo que lhes ultrapassa, o sentimento inequívoco de pertença, e são como são porque fazem parte, e fazer parte é mais forte que tudo, é ser muitos em um e ser um em muitos, condição que possui uma força de coesão tão grande que nos anula, nos consagrando. Eu sendo um em todos e todos sendo um em mim.

Podemos é, tão intoxicados, num  momento sermos tão diferente que nos tornamos aberrações, porque os sentimentos colhem a média, escolhem um plano, recolhem as almas, igualam os distintos como distinguem os iguais, sua manifestação fará a obra e revelará a alma, que ovelha, seguirá ordeira a manada, que loba enraivecida, ferirá de morte a própria matilha. Os sentimentos são matéria sútil e inesperada, revelada na concórdia e na discórdia como coisa unida ou desirmanada.

A mesma vaga que flui em união, reflui em isolamento, na nossa natureza individual e absoluta, somos muitos, sendo um, e somos um em sendo nada.










segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

SEMPRE HÁ UMA FORMA, MAIS É PRECISO TER FIBRA.








Há pessoas para as quais não lhes basta serem as melhores para serem reconhecidas, é necessário mesmo serem a melhor com ninguém que sequer lhes chegue perto, para não poderem ser contestadas, ou preteridas.



PARABÉNS CRISTIANO RONALDO !

domingo, 11 de janeiro de 2015

Je suis Syriza.







A reação de solidariedade e o sentimento de forte pertença, integrando gente tão diferente, com pensamentos tão contrários, numa afirmação de certezas que são maiores, e que nos tornam um só, quando todos afirmamos: " Je suis Charllie", "Je suis juif", onde todos fomos mais do que nós mesmos por que acreditamos em valores que estão além de nós, e nesta crença nossa pertença, e somos os outros, somos um ideal, nos transcendemos na busca de bens imateriais que prezamos mais que tudo, valores pelos quais estamos dispostos a sacrificar muito do que nos é precioso porque cremos estes valores como superiores, e não aceitamos prescindir deles, mesmo que o preço a pagar seja alto, muitas vezes o maior preço de todos.

Vê-se que milhares de milhões sempre estiveram dispostos a abrir mão do bem mais precioso para não condescenderem com a perda do segundo mais precioso - ou seja estavam, e estão, dispostos a abrir mão da vida pela liberdade - Vê-se que outros tantos estarão também sempre dispostos em prescindirem de muitas de suas conquistas materiais a vários níveis, para que haja mais justiça, o bem seguinte em importância, e assim vimos a irredutibilidade em posturas generalizadas, líderes mundiais incluídos, no intuito de demonstrarem a sua firme convicção na defesa dos valores fundamentais para os seres humanos.

Então, eu que me convidei para participar deste projeto de Europa, generoso e aberto, que esteve na origem deste sonho de união de tantas expressões tão diferentes e difíceis de conciliar, mas com boa vontade e abertura, verifica-se que tudo é possível, pergunto: Então este plano, que com um olhar histórico verificamos que mais que tudo é um projeto de paz, de uma Europa unida, não nos concita a fazermos cedências de várias ordens para o alcançarmos?

Sinto que o belíssimo projeto da Europa unida estancou no pano de fundo dos interesses econômicos, que uma vez satisfeitos já não havendo barreiras alfandegárias e sendo livre o comércio neste espaço da Europa, que era o seu primeiro objetivo, os outros sucessivos objetivos, sendo o mais importante o de igualar economias tão diferentes e suas gentes com condições de vida tão diferentes, vão enfraquecendo. E foi aí que tudo empacou! Na falta da solidariedade mister para que o processo se concluísse, e que duas crises inesperadas fizeram por revelar fraturas inesperadas, que, quando expostas, careceram de suporte e presença forte para vencê-la, o que não sucedeu, optando por introduzir inclusive força exógena com solução estranha e inadequada (o FMI) num ambiente que devera e podia encontrar suas soluções de per si.

Falhando neste aspecto, logo se tornou evidente que deveriam buscar outros caminhos que possibilitassem integrar os excluídos por uma crise que lhes ultrapassava e com um endividamento a que foram estimulados a contrair. Agora é necessária uma confrontação, faz-se imprescindível que uma outra força que se anteponha a esta situação de impasse e da total falta de conscientização, necessariamente generalizada, ocorra, pois está claro de que só com um sentido de fraternidade e de nação única, se pode construir verdadeiramente a Europa.

O Syriza, como opção grega de expressão política, quer contrariar esta situação de impasse, quer discutir uma alteração neste 'modus operandi', promovendo outro que gere esta nova consciência e mentalidade necessárias a promover uma verdadeira Europa como nação. 

Por isto: JE SUIS SYRIZA!


sábado, 10 de janeiro de 2015

Churchill, o Expresso e eu.








Com quase um ano de atraso o Expresso de hoje,(10/1/2015) na sua revista intitulada E, publica um texto em que se reporta ipsis verbis a um texto meu de 25/3/2014 (*) onde até os títulos e subtítulos são os mesmos. Não me importa nada que copiem ou se inspirem em textos meus, desde que me citem.

O título do Expresso: Winston Churchill Porque precisamos dele. Hoje. O meu: Que falta nos faz Churchill. No mais a ideia, as chamadas de atenção, os subtítulos implícitos são os mesmos. De qualquer maneira fico muito feliz que, apesar do atraso referido, enfim cheguem à mesma conclusão que eu tinha chegado um ano antes, e que um jornal da categoria do Expresso leve à público ideias que venho defendendo há tanto tempo.

Não obstante, meu estudo é melhor e mais abrangente, focado no que se vem passando na Ucrânia, revelando o que tenho repetido à exaustão, que a tibiez dos 'líderes' mundiais hoje, revele a falta que nos faz Churchill.

(*) Para lerem meu texto que está no blog O Olho do Ogre, que regularmente publico há dois anos, basta pôr o título no motor de busca e ele surgirá como a primeira opção de pesquisa.