sexta-feira, 8 de abril de 2022

Lugar de encontro.

   "A vida é a arte do encontro, malgrado haja tanto desencontro nessa vida."
                                                                                                           
                                                    Vinícius de Morais.

Dos extremos, como nas estações do ano, para o calor e o frio, 'locus horrendus' versus 'locus amoenus' como se demarcava então na visão literária romântica, posto que será com essa visão literária que se consolidará a ideia antiga, consumada no sexto século antes de Cristo, donde teremos o 'testimonii loco', o 'Colletio loco', um 'locus tutum', lugar seguro, o lugar do encontro, posto que com as oferendas das Musas na Grécia antiga, formaram-se coleções de objetos preciosos e exóticos que eram exibidos mediante o pagamento de uma pequena taxa. Pouco depois, no final da época Neobabilônica (530 a.C) a princesa Enigaldi-Nana, filha de Nabonido, com as coleções da dinastia caldeia, que vinham desde Nabucodonosor II, formou o primeiro Museu, entendido como hoje o entendemos, com finalidade eminentemente cultural. Teria de transcorrer mais de um milénio, onze séculos, para voltarmos a valorizar esta ideia - museu - lugar de encontro.

'Collectio loco'.

Essa expressão, que é a forma latina do título escolhida para este artigo, bem como sua introdução via literária, se devem ao fato de que é do coleccionismo que nascem os museus, mesmos os coleccionismos involuntários, como ocorre tantas vezes com as peças que deixaram de ter uso corrente e permaneceram guardadas nas cafuas das famílias e instituições. E tanto é, o que quer significar aqui 'encontro', exatamente como está também na raiz da palavra coleção, como temos as Musas, as nove filhas de Zeus com a Memória [Mnemósine] (e que eram as das Poesias, épica e lírica, a da História, as da tragédia e da comédia, as das Músicas, a corrente e a sacra, a da Dança, e a da Astronomia e Astrologia) Calíope, Erato, Clío, Melpomêne, Tália, Euterpe, Polímia, Terpsicore, e Urânia respectivamente, que deram origem com suas coleções de objetos preciosos ao termo Museu, para o local da exposição dos mesmos.

E é deste encontro que Vos quero falar, posto que o lugar de encontro que desejo referir aqui e agora, é o Museu da Misericórdia de Cascais que se inaugura neste dez de Abril de 2022, data solene, visto que é enfática e infunde respeito a um só tempo, daí sua solenidade, a que na magia do tempo restará por testemunho, capsula do tempo, universo de referências, razão nossa, posto que nos define, razão de memória, com M grande, da mãe das Musas, que reunem todas as artes, visto que sem Arte, a vida é nada. A mim, que escrevo esse texto, cabe uma mui pequenina responsabilidade por esse Museu vir a existir, cuja Missão é a da Misericórdia, assumida em sua plenitude pela sua Provedora, Dra. Isabel Miguéns de Almeida Bouças, na realização das obras que a definem, tanto as corporais, como as espirituais, que aqui permanecerão no testemunho de sua realização, e cujo incumbente é, por sua visão maior, o Presidente da Câmara, Dr. Carlos Manuel Lavrador de Jesus Carreiras, que com sua simplicidade e objetividade, tem assumido a lúcida visão do futuro mister.

Futuro necessário.

Na continuidade do passado é que se constrói o futuro, uma vez que ninguém pode partir do nada, posto que quando todos aqui chegamos havia já uma realidade estabelecida, ignorá-la é desmerecer a História (Clio) e a Memória (Mnemósine, sua mãe). Assumir esse passado é a grande obra necessária ao futuro, que em si mesma se alimenta, posto que por preservá-lo criamos o que virá, o testemunho rico, o registo da História que remanesce após a vida ter acontecido em cada sítio, preservar o conhecimento dessa história, é criar o futuro necessário. Para o turismo, por exemplo, mais frequência, mais negócios, que ninguém vem a uma terra onde não há o que ver. Para os da terra, um outro exemplo, é o de seu passado, o caminho que estabelece seu auto-respeito, seu patriotismo, e seu orgulho. Infelizmente pouca gente entende isso, mas o futuro, esse que é necessário, revelará que assim é.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

PODEM TANTO AS PALAVRAS: 12/3/1572 - 12/3/ 2022

Quatro séculos e meio d'Os Lusíadas! Editado no doze de março há 450 anos, esta impressionante história de uma epopéia comum, a que hoje, mais certamente, intitularíamos 'Os portugueses', essa gente que protagoniza o mais de milhar e cento de estrofes que vão contando sua história, a História de Portugal como nação. A algum outro povo ocorreu contar sua história desse modo? O livro que foi escrito por várias terras por meio mundo, em condições adversas para o autor, sendo que a que mais me emociona é a da gruta de Macau, entre os dois penedos onde se abrigava o gigante escritor (1), não é incrível que um homem em tão difíceis condições, pulse seu gênio em profunada erudição do saber de seu tempo, com o conhecimento perfeito da historia de seu povo, numa rigidez estrutural rigorosíssima, em oitavas decassilábicas sempre no mesmo esquema difícil de rimar (as seis primeiras cruzadas e as duas últimas emparelhadas) ao longo dessas 1102 estrofes? Sr. Luís Vaz, que ousadia? Que coragem!
Para que lado olha o pelicano? Conto-Vos já o porque desse reparo ao pelicano que encima a capa, mas antes falemos do que significa o pelicano, o que se vê bem ao meio da referida capa das primeiras edições d'Os Lusíadas. Quanto a história que conduz a obra, é a de Vasco da Gama, escolhida pelo poeta das gentes portuguesas, seu povo, ao qual admira e glorifica, que, ao escolher esse fio condutor, convidando-nos à viagem, o fez porque essa era a inigualável obra dos homens de seu tempo, desde o grumete desconhecido ao rei que, à época da publicação, este outro não era se não o menino Sebastião, que em seu sonho de grandeza, se pudera haver maior que a já realizada (2), e em quem termina a dinastia do Pelicano, apesar dos dois seguintes sucessores desta linhagem, era já o fim, e o glorioso Portugal iría acabar por ser espanhol durante seis décadas. Aviz, a do primeiro João de Boa Memória, que por bastardia do cruel primeiro Pedro, criara essa nova dinastia, uma vez que o formoso fora infeliz, tendo rasgado o documento de Alcoutim apaixonado por uma trasmontana venenosa que roubara ao marido, anulando seu casamento. Com a morte do rei D.Fernando a oportunista Leonor é regente, e com seu amante indignou toda gente, pondo fim ao período afonsino,eis que então viría Aviz, com Dom João, o primeiro, que, casando-se com a princesa inglesa, mãe da "ínclita geração", a Lancastre da rosa vermelha e do pelicano, inaugura a nova dinastia. O pelicano em sua piedade, como o chamam, pois que bica o próprio peito para com o sangue alimentar aos filhotes, torna-se o símbolo ingente desta família. Essa a tradição que começara com Elizabth I de Inglaterra, como se pode ver em seu retrato de circa de 1575, atribuído a Nicholas Hiliard, hoje na Walker Galery. Elizabeth que foi a última Tudor, ou seja York e Lancaster ao mesmo tempo. Esse é pois o pelicano em sua piedade na capa da primeira edição d'Os Lusíadas. A edição de António Gonçalves de Lisboa em 1571, que é a primeira, na época em que Elizabeth reinava em Inglaterra, e um descendente de D. Felipa de Lancaster em Portugal, portanto nada mais apropriado que lembrar o pelicano, posto que era com esse sangue que começara a nova dinastia, a do João, o irmão bastardo d'O Formoso, em quem terminara a primeira dinastia portuguesa. Esta edição teve sucessivas reimpressões, e o pelicano que na primeira aparece voltado à esquerda, nas seguintes olha à direita, mas são todas igualmente raras, posto que só se conhecem 34 exemplares sobreviventes. A épica camoniana. Batalhas e feitos heróicas sobejavam para serem cantados, e os iam sendo esparsamente, loas diversas narrando momentos gloriosos nunca faltaram (3), concertá-los numa narrativa única e sequenciada onde o herói multiforme e multifário (4) emergisse com uma identidade una e absoluta a partir de uma propositura universal, que, sincrética, apresentasse seu caminho traçado e trilhado como via solitária na qual sua decisiva intenção fosse o forjar-se, e o amalgamar sua existência na própria senda de existir (5). Onde o pequeno se torna grande, e o trivial, inusitado. Este o feito alcançado nestes versos, que de seu tempo, eternizaram-se. 'PACTUM'. "Os Lusíadas" trazem consigo uma convenção implícita, a da portugalidade, não patriótica somente, mas universal, por cometer a transgressão da especificidade lusitana, no congraçamento (pactum em latim) que extrapola os liames do tecido com o qual fabrica sua conjuração, que é mais que trama ou narrativa, indo compor este elemento de unidade, que segue bravamente sua senda a caminho do meio milênio, em seu continuado trabalho cívico, sina de maravilha. Podem tanto as palavras! (1) Os penedos no outeiro de Patane, conforme a tradição indicam dois poemas da Lírica: "Sustenta meu viver uã esperança" e "Onde acharei lugar tão apartado". (2) Como está na estrofe 45 do segundo Canto. (3) Como se pode ver alguns exemplos desta poesia épica recolhida no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516). (4) Hoje, diriam, mais credivelmente, multipolar, termo agora em uso nos meios diplomáticos internacionais. (5) Como fica claro nas estrofes 2 do Canto I, 44 do Canto II, 3 do Canto VII, que destaco entre outras.

quinta-feira, 10 de março de 2022

O anunciado Haraquiri russo.

E o reles autocrata russo cometerá seppuku? Como um samurai sem honra nesse caso, porque nunca a teve, o sr. Putin cortará o seu próprio ventre ao cortar o fornecimento de matérias primas, -energéticas (gás, petróleo carvão) assim como -metais, e -cereais à Europa. Posto que a Europa é uma princesa muito melindrável, ciosa de seu poder e glória, não sendo susceptível a aceitar ofensa sem grande e vigorosa resposta. Assim como seus três irmãos, netos do furioso Netuno/Poseidon, orgulhosa e difícil, não aceitará ficar dependente de ninguém, nem ignorará a ofensa de quererem regulá-la, ou cercearem o que quer que deseje ou necessite. Para Putin será fatal cortar o fornecimento de gás. Quem viver verá.

Um suicídio doloroso enquanto rasga horizontalmente a barriga, retalhando os intestinos, esventrando o interior no qual se alimenta. Expropriar empresas estrangeiras instaladas em território da Federação como retaliação, seria a segunda parte deste suicídio, pondo a mão onde não deve, situação inaceitável, que legitimaria a manutenção das medidas. E, como sabemos, que o alimento de uma economia é o dinheiro, aquele montante que consiga obter com seu comércio e indústria, na qual seus recursos, sobretudo os naturais, permitam alcançar riqueza, que distribuída e multiplicada permita que uma nação se sustente e mantenha, assim como sempre fez a Grã-Bretanha, nominalmente a quinta potencia econômica do planeta. Estripação bastante elaborada pretende perpetrar o coronel, em que seu Wakizashi será a torneira do gasoduto, o 1, que o 2 ainda não há, nem mais haverá proximamente. Putin tendo já destruído boa possibilidade de progresso de uma economia, que sendo o décimo primeiro PIB nominal, é débil e insuficiente para 150 milhões de almas, e de onde umas quantas dúzias de oligarcas, entorno de uma grosa, arrancam a maior porção, montante ao qual se somam os custos de seu poderio bélico, diminuindo muito a riqueza que possa ser distribuída. Pobre povo russo, fantoche de um "socialismo" que só lhe trouxe miséria, sobretudo por não ser socialista mais que no nome. A riqueza russa que cai no per capita para a quinquagésima oitava posição, e que com a desvalorização do rublo mais as atuais sanções, já estará abaixo da centésima posição, depois do Peru, da Colombia, da Guiné, de Palau, da Moldova. Este será o resultado final da prepotência de Putin e de seu sonho de recompor a União soviética. Bem sabemos também que a ideia do per capita é estatística, como aquela de 200 galinhas para alimentar 100 famílias, que, estatisticamente, dá 2 galinhas para cada uma, mas como na realidade uma come galinha e meia em sua 'dacha', sobra apenas meia galinha para a outra da estatística se alimentar. O coronel Putin está a espalhar a miséria pelo povo russo, e nãpo só. O qual esperamos o mande embora, possibilidade que só se verificará através de uma revolução, bolchevique (?), solução feliz para acabar com a pobreza num país cheio de recursos e ladrões. O kaishakunin do presente ritual de seppuku, a Bielorússia, este país, onde na praça principal de Minsk se situava o gigantesco prédio da KGB, a Belarus sem oceano, confinada, desejosa de um porto, quem sabe no Negro face da impossibilidade báltica? Belarus que não cumprirá o ritual, decapitando o samurai, situação que, quem sabe o ajudará, levando a que o urso acorde de sua longa hibernação, enquanto foi autocraticamente vampirizado; esse poderoso gigante de dois continentes, 17 milhões de quilômetros quadrados, dois Brasís, adormecido, e sugado por sucessivos execráveis meliantes gatunos no poder e seus associados. Tornando aos filhos de Agenor, irmãos da poderosa princesa que raptada deu nome ao continente que habitamos, dentre eles o que tinha nome da ave que, antes de ser grega foi egípcia, mas que era mesmo chinesa, que, entrementes, fundou a Fenícia, que guarda seu nome, já seu irmão Cílix, seguindo a tradição, fundou a Cilícia, que ao penitenciar-se em mortificação no pelo da cabra, seguindo a tradição familiar, também não volta, e o outro que completa o trio, Cadmos, que funda Tebas, a grega, a que, quando terminada a Guerra do Peloponeso, expulsa os espartanos de seu território, transformando a antiga poderosa cidade-Estado de Esparta para sempre num Estado de segunda categoria, a história nos ensina tanta coisa, não é? Devemos estar atentos! Este conjunto de contra-medidas, se aplicadas, poderá se converter no fim da Era Putin. Que os anjos digam amém! Ainda veremos a Ucrânia na NATO, e uma Federação Russa falida. O que será um perigo acrescentado para o mundo, porque um agressivo urso moribundo é sempre muito perigoso, ainda mais quando detém o maior arsenal nuclear que existe.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Boomerang - Ucraine abandonada à sua própria sorte, mas atenção.

Lembro sempre o colibri a apagar o grande incêndio na floresta, fazendo o que lhe compete, a sua parte para extinguir o fogo, sem fraquejar, sem temer, seria como um pequeno país, Portugal por exemplo, a fazer o que lhe compete, quando outros nada fizeram, assim como lembro-me daqueles outros vizinhos da mesma rua, que também nada fizeram ao verem os seus vizinhos atacados. Viram destruir uma casa, depois outra, sem que reagissem, até que foram à casa deles e incendiaram-na. Tudo que fazemos ou não fazemos para com os outros, como um boomerang, vem a seguir ter conosco.

PARALELO.

Hoje com a Ucraine passa-se o que se passou com a Polônia, hoje é Putin antes foi Hitler, não que haja equiparação entre as duas figuras, mas a comparação é incontornável, não esquecendo das tendências nazi de Putin, porém cada qual com seu objetivo, o do Coronel russo há 12 anos que digo qual é: RECOMPOR A URSS. Tendo-lhe caído o poder ao colo, sem nunca ter participado na política, essa arte da esperteza bem como da civilidade que molda seus atores, primeiro, após ter o poder, pensou em roubar, uma vez que foi chamado para proteger um ladrão, e o fez imensamente, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo, à seguir quis brincar com seu poder, testá-lo, e ciente que é um dos 3 homens mais poderosos do mundo, logo passou à uma outra fase, a de querer ficar na história russa pelo o que ele entende "por boas razões", pretendendo recriar o Império soviético o quanto possa, -to be remembered- a pele do tigre - como legado de sua Era, a Era Putin. [Ver Artigos: O Czar Putin decidirá da guerra, Movem-se as peças no tabuleiro da terceira guerra mundial, Putin e o jogo do gato e do rato, As guerras da Ucrânia em andamento, A decisão da guerra e o cúmulo da desfaçatez, todos há mais de sete anos … entre dezenas de outros artigos, e, pouco antes do Natal do ano passado: PACTO DE BELAVEJA: O FIM DA URSS há 30 anos, mas ninguém sabia, onde afirmava que Putin ia invadir a Ucrânia, o que mostra que estou atento ao coronel há muito tempo, e tenho traçado seu perfil, não serei eu o iluminado, pois não? Certamente não, aliás o próprio coronel já havia dito tudo o que ia fazer, só não percebeu quem não quis.]

CREDULIDADE CONVENIENTE.

Ninguém é tolo o bastante para crer que alguém movimentaria uma quantidade enorme de meios para nada, ou só para exercícios. É como alguém que vá pondo sempre mais líquido numa garrafa, e diz que a não quer encher! A VERDADE É QUE NINGUÉM QUER MORRER PELA UCRÂNIA, como ninguém queria morrer pela Polônia, e acabaram por morrer às dezenas e dezenas de milhões à conta deste descaso, como queimaram-se os vizinhos daquela rua. Só Churchill via bem o que se passava e iria passar. Tropas no terreno são um elemento de ação com elevados custos, não uma brincadeira, e não apenas um meio de pressão, pois se sua presença não bastar, há sempre a fase seguinte, uma vez que já lá estão. O mais é retórica e contra-informação, e sabemos há muitos anos quão bom é o coronel a mentir e enganar, e quem não quer mesmo agir, prefere certamente acreditar.

REAÇÃO.

TODOS REPUDIAMOS O CAOS E PREFERIMOS A ORDEM INSTINTIVAMENTE. Guerrear é espalhar o caos de alguma maneira. Aplicar-se-ão sanções, caos econômico, administrativo e financeiro. Porém essa resposta, a das propaladas sanções, faz pouca dano aos intentos do Coronel Putin, que se antecipou a tudo que se poderia passar, e durante anos se preparou para isso, inclusive criando um sistema próprio de pagamentos e compensações, versão russa do SWIFT, também tendo contratado ex-políticos influentes em todo o mundo, principalmente europeus, para cargos chaves na Russia, em empresas estatais e outros postos nevrálgicos da economia e finanças soviéticas, visando manter vários canais abertos após a inevitável resposta mundial a uma guerra de conquista. Sim, Putin está a conquistar a Ucrânia (logo não venham discutir o termo invasão).

SEMPRE O PARALELO.

Todos os países sabedores do que se ia passar fizeram um ato de perfeita hipocrisia, que culmina com a declaração do Sr.Biden de que não iria pôr tropas no terreno, ou seja que não irá começar a terceira guerra mundial, o que soa como uma autorização tácita para Putin fazer como lhe aprouver, tudo o mais são justificativas contra uma realidade monstruosa, a do monstro que preferiram evitar enfrentar, mesmo sabendo que o povo russo é contra a guerra, mas, como vive sob censura há décadas, e acredita nas fantasias que lhe são impostas pelo poder nas televisões todos os dias, assim como fazia Trump descaradamente, com mentiras absurdas/Fox news. A diferença é que na América há uma imprensa livre para contradizê-lo e repor a verdade, mesmo assim metade dos americanos do norte acabaram por crerem nessas mentiras, "… foi o presidente quem o afirmou", imaginem num país sob censura, onde a imprensa corrobora as mentiras e invenções do governo, que percentual atingirá. Agora, na sequência dessa guerra, que será brutal e sangrenta, com uma enorme resistência ucraniana, ou deixam o homem refazer a URSS, ou nada! Ou Guerra mundial! Já estão avisados. Tudo o mais é conversa fiada e mais conversa fiada. (Que ninguém se esqueça que a história do mundo está cheia de psicopatas assassinos cruéis a que chamamos conquistadores.) A comparação com os tempos de Hitler entretanto é inevitável, porque da mesma forma como fizeram então com o líder nazi, cedendo-lhe cada vez mais território, sem reagirem enquanto ele movimentava seus exércitos em sucessivas invasões, agora fazem-no com Putin, = Geórgia (Ossétia do Sul), Sebastopol, Crimeia, Donestik e Lugansk = ele não se irá ficar pela Ucrânia, que controlará indiretamente, para não estar direto nas fronteiras da NATO. Quem viver verá.

MAIS CONVENIÊNCIAS.

Tudo o mais é, repito, conversa fiada mais os reflexos do império do poder econômico que, mais cedo ou mais tarde sempre fala mais alto (E sempre mais cedo que mais tarde, como sabemos!). E o Coronel Putin após duas décadas a lidar com o mundo todo, com suas várias caras de conveniência, sabe perfeitamente disso, foi assim depois da Crimeia, quando recuperou sua imagem e até chegou a ser o grande parceiro russo, e será assim novamente. Por isso a Ucrânia sempre esteve abandonada à sua própria sorte, mas, para todo mundo, há que lavar-se a face, com sanções e recriminações, nada mais. (A ADMINISTRAÇÃO DO MUNDO É AMORAL, O PODER SE MOVIMENTA POR INTERESSES, AS CONVENIÊNCIAS REGEM O PLANETA, AS GUERRAS SÃO IMORAIS E SÃO SEMPRE INCONVENIENTES, POR ISSO QUASE TODOS ESQUIVAM-SE TANTO DELAS.) Só os que vêem mais longe, antecipam-se, as lideranças atuais são fracas (pífias para a visão de Putin, muito calejado dos interrogatórios do KGB) e até que apareça alguém credível, estamos nas mãos dos Trumps e Putins deste mundo, dois pratos de uma mesma balança torta.

GRANDE ENGANO.

Esse engano de não reagir já, e deixar seguir, é o mesmo daquele que lança um boomerang sem saber que ele volta, e leva com ele na cara quando este termina seu trajeto de retorno ao ponto de partida, ao mesmo ponto de onde foi lançado. TODO AQUELE QUE NÃO SABE COMO FAZER, É UM PERDEDOR À PARTIDA. O Coronel Putin é um ganhador, cuidado com ele (E ele também tem que ter cuidado por estar a ameaçar toda gente! Esopo reescreverá a fábula?) e já ouço a música de Prokfiev. Abandonada a sua sorte, a Ucrânia é como uma daquelas casas dos vizinhos que vemos destruir sem nada fazer para impedir sua destruição, resta entretanto saber quando a nossa irá arder.

OUTRA MÚSICA.

Porém agora já toca outra música, é de Caetano Veloso, e chama-se Fora da ordem.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A boda de Prata da revelação da Dolly, a ovelha.

 


22/02/2022 - Há 25 anos clonamos uma ovelha, que ficou velha muito antes do tempo.

O que nos diz isto? Feito em 5/7/1996, e só sabido 7 meses depois a 22/2/97 Manipulação genética. Mataram-na quando completou 6 anos, que era já podre de velha. O que nos diz isso?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Entre os homens só há uma raça, a humana.

Somos todos macacos, e, como é sabido, nossos ancestrais primatas evoluíram, muito provavelmente, desde o Australopitecus afarensis, a conhecida Lucy, o primeiro macaco bípede, derivando em muitas espécies, das quais só restou uma, o Homo sapiens sapiens, nós, bem entendido; tendo todas as outras, inclusive os outros Homo, sido extintas. Homo sapiens é a única espécie do gênero Homo.
Entretanto na Natureza ocorrem variações como resposta, além da evolutiva em outras espécies ou sub-espécies, por exemplo as variações de padrões como respostas alternativas às pressões ambientais de vária ordem, desde as sexuais, necessárias à perpetuação da espécie [hoje nos humanos é muito reduzido qualquer dimorfismo de natureza sexual, mas em Artrópoda, por exemplo, este é muito acentuado, ocorrendo em quase todos os insetos muitas variações dimórficas sexuais, que são bem visíveis e vincadas] até às respostas aos padrões climatológicos, acentuadamente demarcadas com características adaptativas às variações de latitude, como resposta às diferentes radiações ultravioleta (Esta a razão de haver diferentes pigmentações cutâneas – latitudes mais altas = pele mais clara, latitudes mais baixas = peles mais escuras – o receptor melanocortina [hormônios peptídeos] atuam nessas respostas.) o que tem repercussão alelomórfica, com taxas de mutações variáveis, e com diversos polimorfismos. No entanto não há diferenças genéticas significativas (ref. Geneticista Alan Templeton).
Macho e fêmea de Ornitoptera croesus. Dada esta gama de variações, historicamente buscou-se o conceito de raça para estabelecer uma categorização biológica que se consolidasse como taxonômica, pela evidente relação fenotípica entre a herança ancestral e os nossos genes, mas que não passa daí, apenas uma relação, que por ser muito visível da-se-lhe importância que não tem, criando uma divisão em grupos, d mesmo modo que os sanguíneos, mas é só isso. NESSE ENTENDIMENTO NÃO PODERÁ HAVER MAIOR EQUÍVOCO, duplo aliás. É como a peta que nos prega todos os dias o Sol “ao percorrer os céus”, fazendo-nos crer no Geocentrismo em lugar do Heliocentrismo real, nossos olhos nos enganam, mas este equívoco está resolvido há 400 anos graças ao genial florentino. Já o equívoco de existirem raças humanas, como a maioria de nós terá estudado no colégio, e que ainda permanece na cabeça de alguns, é absolutamente inadmissível e disparatado depois de que Craig Ventel, em abril de 2000, sequenciou o genoma humano, revelando, para além de qualquer dúvida razoável, que somos todos de uma mesma “raça”, de uma mesma espécie, todos nós os humanos que por cá andamos. O outro equívoco é de que este conceito possa continuar a ser usado em Biologia como uma possível noção de “esclarecimento”, ou “explicação”, seja do que for, e pior ainda em Sociologia como reflexo de uma taxonomia absurda e inexistente (Siga-se a recomendação publicada na Science Vol 351, issue 6273, de 5/2/2016 págs 564 e 565.) equívoco que, refletindo-se no léxico, faz com que a parte do vocabulário cujas palavras e expressões envolvam ou derivem da palavra raça, deva ter suas definições urgentemente alteradas, posto que palavras como racismo, racista, e ‘racé’ para os humanos, baseiam-se num conceito sem o menor fundamento científico.
ENTROPIA PSICODÉLICA. O antropomorfismo condicionado de diferentes etnias, faz com que exacerbem as reações do cérebro reptiliano à similitude, ou diferenciação entre grupos, estabelecendo associações positivas e negativas, conforme o caso. É muito reveladora a experiência desenvolvida no Chile pelo Neurologista Facundo Emane, fazendo-nos crer, à primeira vista, que esse impulso associativo é biológico. Dr. Emane colocou eletrodos em milhares de Mapuches, mostrando-lhes fotos de diferentes grupos sociais, a resposta foi quase instantânea, com o cérebro apercebendo-se imediatamente se faziam parte de sua etnia ou não. E de forma preconceituosa associava a imagem a algo positivo se sim, se fossem de sua etnia, e a algo negativo em caso contrário. É plenamente compreensível, face a História da Humanidade, que dêem-se essas associações, posto que deve-se sempre identificar o inimigo, e que devemos sempre estar precavidos, mas esta reação comportamental fica-se pela individualidade cultural, posto que, com o grupo, em sociedade, temos de aceitar os outros, diferentes que sejam, e os temos de aceitar como iguais, uma vez que não há sub-espécies humanas, caso contrário entramos no reino da entropia, e entropia psicodélica, porque as relações humanas são as da aceitação do diferente, e diferente em todos os sentidos, não agir assim é disseminar o caos, é perturbar a ordem da Natureza no que ela tem de mais profundo e abrangente: sua diversidade. Abandonando a conceituação hipocrática, que tanto, ao longo de 3 milênios, tem servido aos preconceitos “Claros = valentes X Escuros = covardes”, sem esquecer que o oposto também tem servido de elemento motivador de repulsa, com declararam achar os chineses aos europeus, bem como os indianos, por sua vez, no mesmo diapasão, o que em nada impediu milhões de cruzamentos, a que gostavam de chamar inter-específicos ou inter-raciais, também duas rematadas tolices preconceituosas, que ainda hoje se mantêm e propalam. DISSONÂNCIA “ÚTIL”, OU AGRADÁVEL. Como lamentavelmente o número de preconceituosos de toda ordem permanece em percentual significativo, ainda que sempre bem minoritário, devemos ter em atenção os disparates difundidos, e combatê-los, como São Paulo na segunda carta a Timóteo nos ensina, e nunca nos arredarmos da luz da ciência que deve iluminar nossos corações, posto que um dislate, por mais repetido que seja, nunca se tornará sensato, nem uma mentira, verdade.