O blog O Olho do Ogre é composto de artigos de opinião sobre economia, política e cidadania, artigos de interesse sobre assuntos diversos com uma visão sociológica, e poesia, posto que a vida se não for cantada, não presta pra nada. O autor. Após algum tempo muitas dessas crônicas passaram a ser publicadas em jornais e revistas portugueses e brasileiros, esporadicamente.
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
"Como el musguito en la piedra..."
Em respeito a Violeta Parra e Mercedes Sosa, mestras do sonho.
Mesmo em pedra dura As coisas que são tenazes
À mínima fissura
Põem lá suas raízes.
Há sempre uma outra dimensão, se não fosse assim, eramos lixo, ou eramos apenas pedra, dura e sem valor, mas a outra dimensão nos abre a porta do infinito, e nos torna melhor, porque conseguimos sentir, porque conseguimos sonhar. Em nós, para além de nós, esta impossibilidade constante tornada possível, pela simples razão de irmos além, de nos lançarmos face ao infinito, na medida em que nos acreditamos ser maiores que as misérias, maiores que as circunstâncias, maiores que as necessidades, voltados ao infinito em todas as suas dimensões.
Em Itaipu, Niterói.
Nunca esquecerei a promessa. Lutava contra a destruição da Laguna de Itaipu, loteada pela Veplan-Residência, lotes sub-aquáticos, na busca do puro lucro, a querendo transformar em um monte de ilhotas com mansões de milionários em cada uma. Nada contra os milionários, nem contra suas mansões, mas não ali, ali não. A laguna de Itaipu é um criadouro natural de peixes, não podia ser destruída para gozo de esportes náuticos e habitação de uns poucos. Tinha dezessete anos. Dava uma entrevista à beira da laguna, à Folha de São Paulo, um dos poucos jornais que compraria essa briga contra o imobiliário. E alguns anos depois me foi dito, um pouco em forma de afirmação: "A vida, o trabalho, os compromissos, nunca mais se faz a revolução... Não é?" foram as palavras. E eu respondi, comigo só quando eu estiver morto. Mas a gente morre de vários outros modos além do físico, eu talvez não soubesse, mas mantive a promessa de nunca desistir, nunca abandonar a causa da Natureza e dos excluídos, passado meio século ainda estou nisso, e espero morrer lutando. Mas para isso há sempre que se voltar aos dezessete.
"VOLVER A LOS DIECISIETE"
Porém aos dezessete é de maneira diversa dos 67 e não é, pois para quem luta com convicção, a luta é a mesma, a energia é a mesma, só não é a resposta do corpo desgastado, mas a maior sabedoria compensa isto um bocado. Tudo depende dependerá sempre da opção de vida, e da promessa.
"Brotando"
Santo Tomás de Aquino dizia que "a santidade se renova a cada dia". Digo eu que assim como a sede e a fome têm que ser saciadas a cada dia, para que vivamos, toda nossa obra também tem de ser guarnecida todos os dias, provendo-lhe o necessário para que se mantenha, ou irá ruir, uma vez que é frágil e imperfeita, posto que obra humana. Assim é o que se passa com a democracia, obra humana feita de ideias e ideais, mas que se mantém viva e ativa, como corpo material e social, na medida em que se realiza, mas que muitas das forças da matéria e da sociedade, com interesses egoísticos, autocráticos, populistas, enganadores, contra o que é mundano e verdadeiramente burguês e popular, atacam-na todos as horas. Carece de nossa ação e vigilância para que se mantenha viva, posto que a democracia é muito frágil e necessita de nossa ação para que se renove e sustenha-se a todos e a cada dia.
Como uma planta, a Democracia tem de crescer para se renovar, como o "musguito" que vive o dessafio constante de brotar, e brotar sempre, para resultar e ser efetivo, assim como o amor e a santidade que se não se renovarem, desvanecem, morrem e desaparecem.
"Como el musguito en la piedra, Ay, ay si si si"
Se entendemos e concordamos que é assim, o que devemos fazer? Sim sim sim, como o musgo na pedra, brotarmos! Mas como se brota? Velando, como a uma criança pequena de quem cuidamos a cada hora, e vigiamos para que não sofra nenhum dano. Velando os sonhos, as expectativas, os valores, mesmo o amor, verdades muito fáceis de serem corrompidas ou destruidas, se não cuidarmos. Para isso falamos, atuamos, participamos, prevenimos, e mais que tudo expressamos nossa convicção, que, como nosso amor que vai tocar o coração do ente amado, nossa convicção vai inundar a sociedade com toda a certeza, e vai espalhar a força da verdade, para que ela prevaleça ante tudo que seja engano ou mentira, e seja nossa solidariedade, para que ela bloqueie o que quer que haja de egoísmo, de tirânico ou de autoritarismo, posto que esse mundo é de todos e de cada um, e temos que preservá-lo, todos e cada um. Essa é uma ação que exige repetição e persistência, como "el musguito en la piedra".
É dificil, eu sei, é cansativo, pois é, lembremos, e tinha de ser um poeta, Gonçalves Dias, na sua "Canção do Tamoio" quando diz. " A vida é luta renhida que aos fracos abate, e aos fortes só faz exaltar." e vá brotando, brotando...
Em respeito a Violeta Parra e Mercedes Sosa, . mestras do sonho.
. As coisas que são tenazes
. Quando mesmo em pedra dura
. À mínima fissura
. Põem lá suas raízes.
Há sempre uma outra dimensão, se não fosse assim, éramos lixo, ou éramos apenas pedra, dura e sem valor, mas uma outra dimensão nos abre a porta do infinito, e nos torna melhor, porque conseguimos sentir, porque conseguimos sonhar. Em nós, para além de nós, esta impossibilidade constante tornada possível, pela simples razão de irmos além, de nos lançarmos face ao infinito, na medida em que acreditamos ser maiores que as misérias, maiores que as circunstâncias, maiores que as necessidades, e voltados ao infinito em todas suas dimensões.
Em Itaipu, Niterói.
Nunca esquecerei a promessa. Lutava contra a destruição da Laguna de Itaipu, loteada pela Veplan-Residência, lotes sub-aquáticos, na busca do lucro rápido, a querendo transformar em um monte de ilhotas com mansões de milionários em cada uma. Nada contra os milionários, nem contra suas mansões, mas não ali, ali não. A laguna de Itaipu é um criadouro natural de peixes, não podia ser destruído para gozo de esportes náuticos e habitação de uns poucos. Tinha dezessete anos. Dava uma entrevista à beira da laguna, à Folha d São Paulo, um dos poucos jornais que compraria essa briga contra o imobiliário. E alguns anos depois me foi dito um pouco em forma de afirmação: "A vida, o trabalho, os compromissos, nunca mais se faz a revolução…" foram essas as palavras. E eu respondi: Comigo, só morto. Bem que tentaram. Mas a gente morre de vários outros modos além do físico, eu talvez não soubesse, mas mantive a promessa de nunca desistir, nunca abandonar a causa da Natureza e dos excluídos, passado meio século ainda estou nisso, e espero morrer lutando. Mas para isso há sempre que se voltar aos dezessete.
"VOLVER A LOS DIECISIETE"
Porém aos dezessete é de maneira diversa dos 67, e não é, pois para quem luta com convicção, a luta é a mesma, a energia é a mesma, só não é a resposta do corpo desgastado, mas a maior sabedoria compensa este handicap. Tudo depende da opção, e da promessa.
"Brotando"
Santo Tomás de Aquino dizia que "a santidade se renova a cada dia". Digo eu que assim como a sede e a fome têm que ser saciada a cada dia, para que vivamos; toda nossa obra também tem de ser guarnecida todos os dias, provendo-lhe o necessário para que se mantenha, ou irá ruir, uma vez que é frágil e imperfeita, posto que obra humana. Assim é o que se passa com a democracia, obra humana feita de ideias, mas que se mantém viva e ativa como corpo material e social, na medida em que se realiza, mas que muitas das forças da matéria e da sociedade, com interesses egoísticos, autocráticos, populistas, enganadores, contra o que é mundano e verdadeiramente burguês e popular, a atacam todos as horas. Carece pois de nossa ação e vigilância para que se mantenha viva, posto que a democracia é muito frágil e necessita de nossa ação para que se renove e sustenha-se todos e a cada dia.
Como uma planta, a Democracia tem de crescer para se renovar, como o "musguito" que vive o dessafio constante de brotar, e brotar sempre, para resultar e ser efetivo, assim como o amor e a santidade que se não se renovarem, desvanecem.
"Como el musguito en la piedra, Ay, ay si si si"
Se entendemos e concordamos que é assim, o que devemos fazer? Sim sim sim, como o musgo na pedra, brotarmos! Mas como se brota? Velando pelos nossos valores, como fazemos a uma criança pequena de quem cuidamos a cada hora, e vigiamos para que não sofra nenhum dano. Para isso falamos, atuamos, participamos, prevenimos, e mais que tudo expressamos nossa convicção, que, como nosso amor, irá tocar o coração do ente amado, nossa convicção irá inundar a sociedade de certeza, vai espalhar a força da verdade, para que ela prevaleça ante tudo de engano ou mentira, e nossa solidariedade alastrar-se-á, para que ela bloqueie o que quer que haja de egoísmo, de tirânico ou de autoritarismo, posto que esse mundo é de todos e de cada um, e temos que preservá-lo, todos, e cada um.
É difícil, eu sei, é cansativo, pois é. Lembremos, e tinha de ser um poeta, de Gonçalves Dias, na sua "Canção do Tamoio" quando diz. " A vida é luta renhida que as fracos abate, e aos fortes só faz exaltar." e vá brotando, brotando…
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
À BUSCA DA REALIDADE PARALELA - I.
COISAS COM AS QUAIS CONCORDARÁ CERTAMENTE:
A- Tão bom se nossos sonhos fossem todos verdade. Pudessemos concretizar os mais irrealizáveis delírios, que de imagináveis se realizariam pela só ação de nossa vontade. Querer é poder, entretanto (I) só se pode o que é possível.
B- À tudo que acreditamos ser de um determinado modo, costuma sempre se apresentar alternativa diferente da que escolhemos, e, para além de nossa vontade, existe outra opção, ao menos uma, posto que (II) tudo tem seu oposto, e também seu obstrutor.
C- Cabe-nos sempre fazer escolhas, e baseados nelas tomamos muitíssimas decisões todos os dias, muitas vezes sem nos darmos conta, será mesmo assim? Esse processo de muitas possibilidades são as respostas, sempre as mesmas, à muitíssimas situações e fenômenos, sempre os mesmos, que atuam como variáveis invariáveis, e nos enganamos tantas vezes. Mas (III) fazemos sempre nossas escolhas, pelo menos assim o cremos.
NO MUNDO DA MENTIRA.
Dentro de nossa dualidade indesvencilhável, e tendo esses três pontos determinantes em vista, dividimos essa análise filosófica, sociológica, científica e artística em três partes correspondentes, e, face a impossibilidade de apresentar os diferentes prismas num mesmo único texto sem acabar por ser confuso, com reflexos de uns altercando com os de outros, assim o dividimos também em três, na intenção da proposta.
Sendo que temos o propósito de analisar tendências que se verificam em tudo que existe, e nos confrontam quase sempre com perspectivas muito inesperadas, desde as que a ciência nos vai propondo ao estudarmos os diferentes fenômenos, posto que todos e cada um admitem sempre outra possibilidade de entendimento e interpretação, logo outra conclusão, portanto esta a razão de que Ciência se faz com comprovação da ocorrência do fenômeno em sua igual e fiel repetição, verificando-se este sempre de igual forma, posto que nas mesmas situações-condições, quando repetidas, dá-se o mesmo fenômeno, e deste modo o comprova e explica. Isto não elimina a realidade paralela, só determina a realidade que encontramos em determinadas condições; até às coisas mais banais com as quais lidamos, e para as quais somos muitas vezes convocados a acreditar em narrativas difrentes das da 'realidade', que é ao que chamamos mais simplesmente mentira, e que tem muita utilidade àqueles que as tentam impingir como uma realidade diversa da que ocorreu, e com uma interpretação distinta da ocorrente. Ante a realidade, e com ela cnfrontada, a mentira é anti-ciência, é anti-realidade, anti-arte, anti-normalidade, por mais que grasse como verdade, e seja aceita ou desejada, por só algum tempo que seja. A mentira em si mesma não é realidade paralela, já a sua crença, acreditar nela, é.
Sendo isso que permite as tentativas das crianças em propô-las quando um acontecimento não lhes agrada, e mentem inocentemente, na mais singela alteração da realidade, até o que fazem os abjetos desavergonhados como Trump, Boris, Bolsonaro, que, do mesmo modo mentem, mas que pretendem que suas sucessivas mentiras acabem por se impor, e se transformem em realidade, a paralela que traçaram, como possíveis verdades para interpretarem o mundo a seu talante. Entretanto para a maioria que empregue tal opção, a de criar uma realidade paralela, logo verá prontamente dissolvida suas afirmações, lembrem-se da Máxiam de Lincoln (a), (apesar de que por outro lado a capacidade de convencimento desempenhe função muito distintiva em cada caso) eis pois o exemplo dos advogados às barras dos tribunais, se forem confontados com factos provados, logo vêm sua peroração diminuída, ou anulada, o que não os impede de tentar fazê-la prevalecer, até por fé de ofício que seja. E temos ainda esses que têm representatividade mais alargada, eleitos que foram, que, ao criarem essas pseudo-realidades, puras mentiras, as conseguem imputar como alternativa à realidade, tão somente pelo arbítrio que lhes é possível, este alvedrio que é afeto só aos que tem poder, grande poder, o de influênciar pessoas.
Entretanto analisando o comprtamento dos humanos, verifica-se que há uma tendência universal para a mistificação, por isso mentimos tanto, e é de tal forma essa tendência, que se vai generalizando como recurso de resposta (uma solução de recurso para poder responder) para toda e qualquer situação indesejada, seja em que campo for, exceto o científico, onde os fatos têm de ser comprovados, em todos os outros campos da atividade humana se vêm ampliando a criação de universos alternativos ao gosto do gerador dessas múltiplas versões, mesmo no campo jurídico, que por princípio segue norma homóloga a da ciência, está legalmente autorizada, e vem prevalecendo tantas vezes a mistificação.
(a) "É possível enganar algumas pessoas todo o tempo; é também possível enganar todas as pessoas por algum tempo; o que não é possível é enganar todas as pessoas todo o tempo" (Abraham Lincoln - February 12, 1809 - April 15, 1865)
1. SÓ SE PODE O QUE É POSSÍVEL?
A ideia, muito utilizada, de que se algo não significa nada, não existe, é a grande peta, posto que tudo é significante, mesmo o que não alcançamos, ignoremos, ou desconheçamos. O significado é que pode não ser o desejado, ou o sentido não ser o pretendido, ou mesmo não ter a importância ou eco esperado, o que em nada diminui, muito menos anula, sua existência e significação (b). Nosso grande problema é que queremos que as coisas sejam segundo nossa ótica, e, mais grave ainda, que tenham representatividade e peso no tal significado entendido-pretendido, mas as coisas não são assim. As coisas são por si mesmas.
(b) Uma coisa poderá ter significante e não significado, já o oposto é impossível.
Uma árvore que nasceu, é apenas uma árvore, sem entender sua razão, seu porque, terá funções determinadas (seu Determinismo certamente), mas a razão de sua existência é sincopada num infinito de realidades que não são suas, apesar de lhes serem correlatas, todas e cada uma. Assim é com a maoiria das coisas e conosco. Nossa insistência em lhe atribuirmos, à árvore, como à tudo, um sentido, uma razão, um significado, dirá de sua retidão, se assim crescer, ou, se não, de sua tortura. Dirá de sua utilidade, de suas qualidades todas, adjetivos múltiplos que por infinitos estudos, na busca de inúmeras significâncias, realizamos; trajetória infinita da cultura. Entretanto a árvore, antes de tudo, é tão somente a árvore, para além de qualquer questionamento ou suposição. A interpretação nossa, de todas e cada uma das qualidades que se lhes atribuirmos, é nossa, e só nossa; o que não acrescenta nem retira nada à árvore, que continuará a ser tão somente árvore, como é, independentemente de tudo que lhe venhamos a considerar, e atribuir, ou não. Aqui se impacientará meu erudito leitor afirmando:'Mas ela tem características próprias, umas dão frutos comestíveis, outras não, as árvores...' Peço a Vossa infinita capacidade de compreensão, de que todas as 'características' que tenha reconhecido a árvore, em qualquer árvore, como em qualquer coisa que observe ou estude, são interpretações Vossas, que, como disse, nada acrescenta ou retira ao objeto estudado, que, nesse caso elencado, continuará sendo apenas árvore, independentemente do que possamos lhe querer imputar. Uma árvore é uma árvore, uma árvore, uma árvore, tudo o mais é conosco. Coníferas para obter celulose, as macieiras para se ter maçãs, como não pode ser de outro modo. As coisas são o que são por si mesmas, classifiquemo-las, ou não, é tão somente nosso juizo.
Encararmos o caracol.
Temos de entrar em sua concha para o vermos cara-a-cara! O caracol não será menos caracol por se encapsular, nem mais por jogar a defesa, é sempre e apenas caracol. Entretanto o passar do tempo, as experiências vividas, o atrito com a realidade, foi generalizando respostas, das mais efetivas, às muitas e diversa situações que se apresentaram. E, como a reação animal é geneticamente determiada ao longo de sua evolução, e o comportamento aprendido, especialmente nos animais superiores como os primatas, portanto há muito pouco espaço de manobra para a invenção ou a experimentação, essas já foram todas feitas e incorporadas, ou, as que não resultaram, rejeitadas. O que não elimina eventuais ocorrências nihilistas, que provocam respostas diferentes das costumeiras e esperadas. E com tudo isso, com o esperado e o inesperado, se criaram muitas estruturas de mecanismos responsivos, que a inteligência humana agrega em diferentes campos, sob diversas perspectivas, criando as mais díspares áreas da cultura, como fez com quase tudo que estudou, onde, saído o caracol de sua concha, revela tudo o que conseguiremos entender da realidade, nua e crua, uma vez assim exposta.
DA CONVERSÃO E O ESTABELECIMENTO DO PARALELISMO.
Temos porém que existem conceitos que não são transversais a tudo que existe, como a vida e a inexorável morte, comum a todos, porém há outros que são conceitos exclusivos de entendimentos particulares, alguns intelectualizados, o que no entanto pode ser obra de pura ficção, e que nos lança mesmo na realidade paralela, muito para além de nós e nossas possibilidades. Com isso temos implicações originais de várias ordens:
=> => => De ordem sentimental.
A realidade nos inspira energias e emoções muito próprias, que obtêm diferentes respostas, consoantes nosso entendimento e percepção do que ocorre. Entretanto para despertarem nossas emoções passam pelo filtro dos sentidos, esses cinco elementos enganadores que nos desassocia da própria relidade, posto que oferecem-na já adulterada pelo sentido que a captou, ou pela combinação dos vários que assim procederam, criando pois realidade adulterada, ou mesmo alternativa. Ademais nos ocorre muita
vez també intuir a realidade, através do que ficou conhecido como sexto sentido, que modifica significante e significado a um só tempo. Temos pois que a realidade é orgânica, já sua narrativa é conceitual. Esta constatação nos leva a um cabuloso conceito jurídico e de investigação criminal, o do testemunho ocular, no qual qualquer pessoa ao afirmar seja o que for, distorce o que viu, por isso o questionamento deve restringir-se aos fatos, e se o conhecimento destes vier de uma narrativa, quase sempre serã desprezados. Porque nossos sentidos nos enganam muita vez.
=> => => De Ordem Ética - tida como Moral.
No âmbito das coisas, que são todas infinitamente interpretáveis, há alterações de perspectiva que se dão por conversão, posto que mantendo a mesma matéria, sofrem profundas mudanças na forma e/ou qualidade como a interpretamos. Esse processo altera o costume, esse a que estamos geralmente afetos, e, convertidos, os apreciaremos diversamente. Olhem um pouco para a História e verão que muito do que se acreditava de um modo, logo passou a ser doutro com a mudança ds costumes, e muito do que era proibido, passou a ser aceito, mesmo até desejado e louvado, e vice-versa, somos pois circunstâncias do tempo.
Como verificamos o problema da Humanidade é a adjetivação particular que cada um de seus grupos componentes faz das coisas, tornando-as interditas aos outros que as percebem diferentemente - fonte de conflito - segmentando as perspectivas, para quem as têm, em diferentes porções de gente que à mesma substância atribui formas e qualidades outras. Desse modo os costumes são adjetivados de bons, àqueles que entendemos como os nossos - sãos, úteis, meritórios, bons enfim - sendo os demais o oposto por princípio.
Os bons costumes, irmão siamês dos bons modos, os quais muitos tentam impôr ambos pela força e não pela conversão, com o evoluir de sua imposição por que via fôr, tornam-se convenção, que de pacto, e acordo inicial, aquilo que é geralmente admitido, torna-se obrigação, imposição, resvalando de sua função civilizadora, para a de encargo ou ônus. Cabe aqui avaliar as expressões que definem esses critérios: O que será bons modos? Quais são, por exemplo, os trajos ditos menores? Essa ideia abstrata que norteia tanta legislação restritiva. Reflitam sobre isso.
Abandonado o âmbito da ética, original e filosófica, mergulha-se fundo no da moral, que imaterial, e muitas vezes não instintiva, pressupõe regras estrictas, logo de pré-conceitos, que preconceituosas logo se verificam, tendo abandonado a amplitude de entendimento de seus conceitos originais, para o restricto âmbito da regra.
Perdidos nesse emaranhado de interpretações, aqueles que não detêm as bases da perspectiva de conversão que levou à convenção vigente, tornam-se sensíveis à outra realidade, paralela que será.
=> => => De Ordem Religiosa.
Como a doutrina religiosa compõe-se de preceitos morais, estes edifícios orgânicos da religião, acrescidos das suas particularidades de crença, formam suposta verdade absoluta, compartimentando o mundo, portanto as implicações dessa ordem são as que mais comumente geram fanáticos, religiosos e anti-religiosos, não admitindo outra qualquer interpretação. Eis pois o fim de linha da conversão, na fiel e plena vivência da realidade paralela.
=> => => De Ordem Jurídica.
Para fugir à letra 'morta'(?) da Lei, há o humano que julga, e a jurispridência que se estabelece, gerando doutrina para além da Lei, esta é a realidade paralela no seu melhor, recriando e redirecionando a Ordem Jurídica. A dita correspondência, ou rciprocidade.
=> => => De Ordem Filosófica.
Quanto ao entendimento de querer elevar nossos espíritos para lá dos falsos conceitos -adjetivação-, esse recai nas questões da Ordem Moral em quase todos os casos, já quanto a filosofia do conhecimento, esta é a única que escapa destas implicações convencionadas e assume a postura científica consistente da epistemologia. Aquilo que é moral é a realidade paralela do ético.
=> => => De Ordem Artística.
Salvo esta corrente pós-moderna que pretende fazer a Arte, moral; toda as artes clamam por liberdade e transigência, quando não diretamente, através da mescla das possibilidades, exceção feita a marcial, sendo conceitualmente as artes mais desordem que ordem, logo em tudo atendem à realidade paralela, esta que cria e estabelece, abrindo as portas às possibilidades distintas que a sociedade, mor das vezes reacionária, geralmente rejeita. Certamente esta é a magia da Arte, de todas as artes.
Advertência.
Nunca esquecendo que na vida cultural nada é garantido convocar, para além de que não há espaços vazios, e que mesmo na busca de uma veradde alternativa, na realidade paralela que se busque, só se pode o que é possível, porque há restrições, mesmo ao ficcionado. E que, mais cedo que tarde, esta realidade criada logo se revelará como fraude, ou terá, entretanto geral aceitação. O que, no primeiro caso, não impedirá a muitos de a escolherem como sua verdade, e no segundo, de vir a tornar-se absoluta verdade.
quinta-feira, 11 de agosto de 2022
'Apokálypsis - ἀποκάλυψις
Reiteradamente tenho escrito sobre as penitências do milenário, no caso, deste terceiro que perseguimos, e em que vamos de tragédia em tragédia desde seu começo. E não veio por fim a New Age. Não houve paz. Apesar da guerra ter ficado na geladeira meio século, acabou por aquecer, aliás o aquecimento é global. Também não veio o fim do mundo Maia, com seus 5125 anos em contagem ultrapassada. Ou, talvez..., quem sabe? E temos na sequência, como também antes tivemos, temos à seguir o depois, causa e efeito de uma mesma ocorrência. E tivemos e temos: A falsa inocência ou paz disfarçada, tanto a que se segue ao sangue derramado, como a que o origina, e vem logo depois a escuridão nas planícies desertas, e por fim um cadáver a se decompor, tudo segundo a visão de João em Patmos, uma descoberta, como ele mesmo a denominou.
SAEM AS MONTARIAS: Quatro, em quatro diferentes cores.
1.
Primeiro foi o 'híppos leukós', o cavalo acinzentado (branco, também dizem) simbolicamente cavalgado pelo anticristo com a ideia de conquistar, induzindo falsas crenças, coisas falsas para que creiamos, e logo espalha-se a pestilência.
2.
O 'híppos pyrrós', vermelho flamejante, cavalgado por aquele que traz a espada, promove a destruição, desencadeia a guerra, eis o segundo cavalo.
3.
O terceiro, o 'híppos mélas', negro em sua cor, vagueia pelas planícies desertas, espalha a penúria, a destruição, as trocas injustas, eis que é a Fome que campeia.
4.
Por fim o 'híppos khlōrós', também dito Thánatos, amarelo-esverdeado, com a cor de um cadáver em decomposição, segundo João sua meta é destruir pela guerra, pela fome, pela peste, pelas doenças, as de seu nome, formando a desgraça final, chamam-lhe MORTE.
Vêem-se vaguear pelo mundo esses cavalos a seu turno, desgraças que nos afligem regularmente, tendo predilecções geográficas, o vermelho gosta muito dos campos da Europa, o acinzentado da Ásia, o preto de África e Thánatos de toda parte. Dizem que são destinos, creio mais serem evocações.
Armagedon.
No monte Meggido, como em toda parte, dentro de nós também, dá-se o combate, e, como em todo combate, é decisivo para as forças combatentes ganhar, e não perder, viver ou morrer, sendo sempre uma indecisão que se procura ultrapassar em vitória, esta que só é possível a um dos contendores, só a um pode abraçar e conter, só um pode ganhar. Escatologia ou não, a grande tribulação que nos profetizou Daniel, tornou-se, apesar de pretensiosa, comezinha. E a batalha é sempre pelo mesmo, por saúde, paz, fartura, e vida, tudo que nos opõe ao cavalgar dos quatro cavalos, tudo que desejamos como os anseios básicos em nossas existências, tudo o que queremos, e por isto rechaçamos as cavalgaduras. Quem trocará seja o que for, por sua saúde? Ou, visto noutra perspectiva, não ter suficiente alimento, sua miséria por sua paz, ou por sua vida? Esse combate de todos os dias em nosso viver, que nos queremos vivos mais que tudo, combate perene, diuturno, persistente enquanto durarmos, não escolhe terreno, o campo de batalha é em toda parte, combate sem tréguas, e sem armistícios, que também se dá em Meggido, como em toda parte, digo outra vez.
Rompidos os selos.
Seis dos sete selos, Apocalipse capítulo 5, são partidos. Penso que esses selos são as riquezas do planeta(*), e com sua destruição (dos selos e das riquezas), são libertos os equídeos, começa a cavalgada, essa sanha incontrolável, essa desgraça que se espalha, que se pode ver tanto em sucessão de acontecimentos interconectos, como autônomos, como também em progressão inopinada, permitindo a campanha dos quatro cavalos coloridos. Foi como o que se passou quando se destapou o vaso de Pandora, a mulher primeira,'kalón kakón', criação vingativa de Hefesto à incúria de Prometeu por nos ter dado o fogo e seu segredo; vaso do qual se libertaram os males, materiais e morais, desgraças que de há muito nos afligem, que estavam guardadas num vaso, não sei se o mesmo, na mansão de Zeus, como nos conta a Ilíada, mas que com o tempo, consubstanciadas as desgraças, através do aperfeiçoamento que há em tudo, nelas também, e do mesmo modo com a expansão humana, gente à mais, os quatro passam a cavalgar pelo mundo mais livre e intensamente.
Vulcânicas, tecnológicas, mesmo científicas, para o Bem e para o Mal, alastram suas possibilidades, como também se dera na caixa de Urashima Taro, com os seus anos de vida, muitos ou poucos, não importa. E do vaso da primeira mulher todas fogem, menos elpís, a antecipação, raiz da esperança para o positivo, ou, por outro lado, o duplo sofrimento para quem vier a conhecer antecipadamente dos males que irá sofrer. Assim resta-nos a esperança, que como virtude, teologal e não, guarda todas nossas expectativas, toda nossa confiança pelo melhor, mesmo que às vezes não seja assim.
Por toda parte.
Vendo campear os quatro cavalos indago-me: Qualquer semelhança com o que hoje se passa, será mera coincidência?
(*) As riquezas do planeta são: seus climas, suas águas, suas terras, seus ares, sua flora, sua fauna. Riquezas que têm sistematicamente sido conspurcadas, usadas sem lógica, consumidas abusivamente, impiedosamente poluídas, arrancadas do berço para serem dispersas e desperdiçadas. Consumir e consumir por consumir. Produzir e produzir, pelo lucro desenfreado, tendo como resultado tudo ir o mais rápido possível para o lixo, para voltarmos a consumir. A eliminação sistemática das espécies animais e vegetais, a terra, a terra que é antes de tudo suas substâncias, que nos permite plantar nela, produzindo alimentos, remédios, roupas e utensílios, fibras vegetais, e madeiras de todos os tipos. Desperdiçamos esse fabuloso patrimônio alucinadamente. Toda essa riqueza tem também sua forma antiga, vinda de outras eras, que ficaram guardadas no seio da Terra, desde águas cristalinas, jazidas minerais, como o petróleo, o sal gema, etc… etc… E vamos acabando com tudo. Até quando? E depois?
Eu estou convencido que a Humanidade enlouqueceu.
quarta-feira, 3 de agosto de 2022
A lã da cabra e a lei do aleatório a darem fé.
Vivemos o tempo da insânia, imprevisível e realizavel à vez. Tudo ao acaso, tudo à ventura, entregue ao fortuito, no gozo pleno do presente, supremo engano das possibilidades, quando só o impossível nos espreita. E a lucura vem. Para vencermos tudo isso, a única possibilidade seria abandonarmos nosso individualismo e termos um projeto global para salvar o planeta. Vocês acreditam ser isso realizável? Vocês estão a ver metade do mundo, ou mais de metade, abandonando seus interesses para se dedicarem a uma tarefa comum em prol de todos, única forma de nos safarmos?
Esqueçam as expressões: Vai correr tudo dentro do previsto. Como nós prevíramos... De acordo com programado, etc... etc... Não cabem mais nesse nosso mundo de hoje, nesse estado de coisas, que é o de não terem estado algum. Hoje o estado é de contingência, de calamidade, de emergência, de sítio, mas sobretudo o estado de alerta, que não nos dá descanso, e o léxico tem de ser compatível. ATENÇÃO: Não é que tenha falhado o estado da arte, pois tudo era sabido, o que faltou foi coragem.
E ainda falta. Nada é provável. Nada é dentro do conforme, ou das possíveis expectativas. Expectável? Nada mais é expectável, ou dentro do previsto, não há previsão possível seja para o que for. É mesmo dentro das impossibilidades que vivemos. E assim é por nossa culpa, única e exclusiva. Recitemos repetidamente o 'Confiteor'.
"Num domingo qualquer, qualquer hora... Sei que nada será como antes, amanhã... Sei que nada será como está Amanhã ou depois de amanhã Resistindo na boca da noite um gosto de Sol. ... Ventania em qualquer direção." Nas palavras premonitórias de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. (Guerra, detruição, incêndio...) "Que notícias me dão dos amigos? Que notícias me dão de você? Alvoroço em meu coração". Este terrível sentimento de perda e desolação que nos aflige.
CONTRATEMPOS X CONTRA-SENSOS.
Contra-abertura, contra-acusação, contratualizado não, contra-alisados ventos, contra-alegação. Contra ventos e marés, contra a corrente, contra a vida, incômodo, atentado, crime, contra tudo, contra naturam é que são. E vamos todos pagar a conta.
A lã da cabra, que será quase nada para a ovelha, é tudo neste mundo para a cabra. Nós somos as cabras da Natureza, e não nos devíamos deixar tosquiar. Sofrida a machucadura, não haverá lanolina suficiente para pomada que nos possa curar, nem será o pisão tão forte que se a obtenha da suarda mister, estará já tudo perdido. As contrariedades serão muitas, contratempos absolutos a nos obstaculizar, e não há como os esgrimir ou contornar, sua existência independente e autoritária nos oprimirá para a morte. Brincamos com o perigo, não ouvimos os avisos dos cientistas, estabelecendo contra-sensos aos quais não conseguimos fugir ou ultrapassar, e os políticos a brincar de pequenos deuses, deuses da fatalidade que são. À BEIRA DO PRECIPÍCIO DÃO O PASSO SEGUINTE. Que esperam?
A polarização, a forçada multilariedade, o extremo partidarismo, a generalizada bipolaridade em tudo e por qualquer razão, para estabelecer linhas divisórias que atendam conveniências e às diversas áreas de influência, às contigências geográficas e mesmo a determinante estupidez que está por todo lado, tudo leva-me a crer que sempre estarão dispostos a dar o passo seguinte em toda e qualquer direção.
Esse artigo já estava escrito há meses quando o Senhor engenheiro Guterres veio agora avisar que enfrentamos o "suicídio coletivo", e ninguém dá ouvidos. Eu bato nesta tecla há décadas, mas eu sou ninguém, se não ouvem o Secretário Geral da ONU, a quem ouvirão? Por isso, entretanto, não publiquei o artigo, inútil que o reconheço, foi de momento esse aviso do Guterres o que me motivou , e só o faço por fé de ofício, mas sem esperança, eu que sou tão otimista. Quando uns imbecís fazem guerra, outros pioram mais a situação com mais poluição e mais perda de tempo, e a maioria nada faz por absoluta falta de consciência, que esperar? Para adiantarem serviço podiam já começar uma guerra atômica, modo em que o fim seria menos doloroso, posto que na hecatombe nuclear morremos logo, na climática seremos assados lentamente. Esses pretensos "líderes" são assassinos antes de mais, e serão logo a seguir suicidas, mas aí já será tarde demais para todos.
Lana-caprina política, busílis da Humanidade crucial de nossa existência, à cada dia estamos perdendo tempo, tempo que se pagará com vidas e mais vidas, mortes melhor dizendo. Enquanto houver um resto de lã, irão tosquiá-la. A ganância infinita do poder político e geopolítico, da supremacia pretendida, do poder econômico, do crescimento, dos mercados, da fatalidade financeira, dos fatores que governam o dinheiro, ou os que o dinheiro governa, como preferirem, assim o determina. Os homens não sabem parar, já o disse. Segem em sua Insânia analgésica. Até onde irão nesta loucura? Só quem viver, fugazmente verá.
sexta-feira, 15 de julho de 2022
O carvalho, o salgueiro, a bétula, e o equívoco.
Do emprego correcto das palavras.
Muitas vezes até os opostos se confundem em sua ação, é verdade, mas não deixam de ser opostos em virtude dessa eventual confusão. Nós sabemos, como disse L-S Mercier, que: "Les extrêmes se touchent". Tudo mais disigual é apartado. Só a Arte em sua ação faz exceção, como diz Mario Cavaradossi no primeiro ato da "Tosca" (1), ao referir-se à "Recondita Armonia" posto que "... Le diverse bellezze insiem confonde..." o que não deixa de suscitar a indignação do sacristão que expulsa ao 'Satanás' que vê aí (Fuori, Satana, fuori.) e que segue avisando ao artista: "Scherza coi fanti e lascia stare i santi.", lembrando que há dominios intangíveis, que devemos respeitar. Só à Arte é permitida tal confusão, por puras razões artísticas, bem entendido. Muitos achando essa mescla positiva tornam-se promíscuos, temos pois, então, essa mania que se tem hoje de dizer resiliência por resistência, o que é no mínimo estultice.
Assim também disse o vento num ensejo: "Que você seja tão forte quanto o carvalho, mas flexível como a bétula, que você seja tão alto quanto a sequóia, viva graciosamente como o salgueiro e que você sempre dê frutos todos os seus dias nesta terra." (2) Não sei se foi bem assim que disse o vento, pois deveria crer o salgueiro ainda mais flexível que a bétula, elasticidade que confere enorme graciosidade ao salgueiro, às vezes a própria de um bailarino em movimento. Porém deixando de lado extamente o que terá dito, ou não, o vento, o fato é que a força e a solidez do carvalho em contraste com a flexibilidade do salgueiro, ambas características admiráveis, bem o sabemos, será muito difícil de as reunir e de as fazer conviver numa mesma entidade, exceto quando se o faça em espírito. Posto que nosso espírito deve ser forte e sólido em suas convicções, mas flexível na maneira de as colocar, para não ferir ou melindrar ninguém, porque sabe que poderá sempre as recuperar em sua totalidade original sem perder sua robustez por ter sido dócil, e sem ter imposto pela força sua opinião convicta, mesmo que só pela força das palavras, uma vez que sempre, diplomaticamente, a pode fazer valer. Acho boa essa atitude de juntar coisas diferentes formando um compósito, mas daí a extrapolar e misturar, e chamar preto ao branco, e branco ao preto, é algo que termina sempre num mundo muito cinza de cedências e mistificação, sem ser por brincadeira alguma, mas por desgraça própria, a do equívoco, desarmonia oculta para quem não quis ver.
Não negligenciemos o Vento em sua benção, nem Puccini em sua magia, mas há coisas que se não podem confundir, e não é engano misturá-las, é despropósito, é suspeito, é o próprio equívoco manifesto. A capacidade de recuperação após um revés, a de superar as situações de crise, admirável qualidade, não se pode confundir com a capacidade de resistir, de se opor, e de manter-se. Quando acabamos por jungir coisas tão dissemelhantes apenas por soarem parecido, estamos abolindo o sacrossanto valor do significado, numa negligência para levar a crer que as semelhanças fonéticas possam aproximar realidades distintas. NÃO PODEEM! Resiliência não tem nada a ver com resistência. Se temos convicção devemos sempre resistir e nunca resilir. Essa confusão que fazem, é bem um traço desse nosso duvidoso tempo de covardia ambígua, vivido nesse penitente segundo milenário que iniciamos há duas décadas. Por isso hoje os ucranianos têm causado tanta admiração em sua resistência firme, quando vemos tantos outros tão mais afeitos a transigir, a ceder, a capitular, a se submeterem, a voltar atrás, a escapar, a resvalar, a fugir. Sempre na esperança resiliente de se recomporem, que vejo já muito espalhada; prefiro a resistência. Sou dos que enfrenta, e não aceita nenhuma capitulação. Resistir é bravura, resilir covardia... Este é um indício denotativo agourento que agora temos, pois seguem usando a palavra resiliência, já até a dizem sem o 'i', "resilência", sem o (termo que não existe), insistindo no uso desta palavra como se soubessem o que dizem.
(1)Tosca, a ópera com a magistral música de Puccini, tendo libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, a partir da peça homônima de Victorien Sardou.
(2)"And the wind said: May you be as strong as the oak, yet flexible as the birch may you stand as tall as the redwood, live gracefully as the willow and may you always bear fruit all your days on this earth." Native American Prayer.
sábado, 9 de julho de 2022
O golpe de Estado, "bird's are not real", e uma incógnita.
Quando a Livraria Hachette pensar em atualizar o livro que editou em 1963 sobre Os Golpes de Estado, muito já em falta para brasileiros, 1964, portugueses, 1974, e muitos outros, e que culminam hoje com os americanos do norte, 2021, terá de convidar outro historiador, uma vez que Jean Dumont faleceu em 2001, e rever detalhadamente a história destes golpes recentes, que, por êxito ou desgraça querem ser entendidos como outra coisa, que não são, sendo apenas Golpes de Estado.
Os golpes de Estado terminam em êxito como o 19 Brumário de Napoleão, ou em rematada desgraça como a de Catilina. Já o de 6 de Janeiro de 2021, terminou na morte de uns quantos dos que bravamente defenderam o Capitólio contra os golpistas, tudo já provado e comprovado, decorrido mais de um ano de que as investigações começaram e teve a conclusão óbvia. Mas o "House select committee" cautelosamnte ouviu mais de um milhar de testemunhas, não deixando margem para dúvidas de suas conclusões.
Um golpe com preparação prévia.
A única justificação possível para o incitamento popular, para ter apoio ao golpe, era acusar haver fraude nas eleições, e este processo começou cedo, mesmo antes do que deveria começar, mesmo quando ainda não se sabia dos números apurados, posto ser esta a única maneira de permanecer na Casa Branca encontrada por um 'presidente' em apuros vários, para além do eleitoral, uma vez que sabia que nã ganhava as eleições, e logo a seguir, quando foi informado que não havia fraude alguma, o que não o conteve de permancer na narrativa (que soube desde sempre ser mentirosa) única centelha a poder despoletar as forças que acreditava obteriam bom desfecho do golpe que estava em movimento desde há muito. O que não evitou que tentasse fraudar as eleições, tendo ligado para vários chefes da apuração em diversos estados cuja margem era pequena para Biden, visando que eles "encontrassem" a diferença, os múmeros de votos misteres para o fazerem ganhar. Não resultando essa via insiste na versão de fraude (igual a que ele tentou e não conseguiu concretizar) insistindo à exaustão na cantilinária de que havia um processo de fraude eleitoral em curso, toda vez que fala como Presidente da Nação mais poderosa do globo, insiste, o que culmina no comício de 6 de Janeiro, realizado há muito pouca distância do Capitólio, para, como útimo recurso, tentar impedir a homologação da Vitória do Presidente Joe Biden, que se daría em poucas horas. Tudo preparado adrede, do local, passando pelos convidados que foram ao comício, às palavars de incitamento, tudo medido, tudo preparado previamente, dolosamente.
Quando a Hachette for fazer a atualização de seu livro sobre os Golpes de Estados, este miserável golpe americano estará lá, mácula no currículo da Demcracia Americana, incontornável, ademais porque o próprio establishment ds Estados Unidos da América oficialmente o reconheceu, logo entrou para a lista, o que resta saber é com qual conclusão.
Uma incógnita.
Nestes tristes dias que vivemos desde que começou este terceiro milênio, surgiram forças absurdas, ridículas algumas, e, ademais, outras que pensavamos definitivamente mortas e enterradas, estão aí de volta, com variadas feições e intenções, promovendo a desordem, trazendo o caos, em diferentes perspectivas manifestas. Dão-se coisas tão repugnantes como os pogroms,
acontecimentos tão insólitos como os 'mass shootings', figuras tão ridículas quanto o criador de frangos Himler, criador também dos Einsatzgruppen, e dos camps de extermínio, e outras tão medonhas como, Hitler, Ivan, o terrível, Napoleão etc...
Temos no caso do autor intelectual e moral, bem como incitador do golpe de Estado americano, essa figura sinistra, distópica e miserável, uma mistura, recoberta de chanttily para enganar, de Himler, Napoleão, Hitler, com a incompetência que nenhum desses equívocos humanos teve, pois eram muito competentes, o Sr. Donald Trump é um equívoco, mais que tudo, mas que anda por aí.
E nesse existir todo o perigo. Quantas convrsas teve com os generais do Pentágono para começar uma guerra? Eles cnseguiram evitar, dizendo que não lhes obdeceriam as ordens, o momento mais baixo da presidência americana. Quantas tramas fez com outros líderes, de Putin a Xi e Bolsonaro, passando pelos Saud, e os muitos acordos que decumpriu, de Paris à NATO e a ONU, a instabilidade que gerou, a miséria que disseminou, o caos na Ordem mundial, que abriu portas a muitos autocratas, mas a polítca esconde tudo isso. 0k. Já a tentativa de golpe, a incitação a violência, a tentativa de fraude, comprovadíssimos pelo Comitê, não dão margem para outra coisa que sua condenação. A incógnita é até quando manter-lhe-ão um estatuto que ele não tem? Seu estatuto é mais que tudo o do falsário, do mentiroso, média de 56 mentiras por dia, todos os dias em que esteve na Casa Branca, o do golpista, do criminoso. Até quando?
Porque há que se humilhar a Rússia.
Humilhar, antes de mais quer dizer tornar humilde, o que é absolutamente impossível com os russos por outra via que não seja a da força. É também rebaixar e vexar, o que, como sabemos, depende do que o outro venha a sentir evidentemente, mas humilhar também é abater, submeter, e é isso que é imprescindível fazer aos russos, não é só a Putin, posto que a grande maioria dos russos também pensa serem suas as áreas de expressão russófona, é como se a Inglaterra quisesse hoje incorporar os EEUU, o Canadá, a África do Sul, só por falarem Inglês, ou Portugal ao Brasil, a Angola, Moçambique. Dentro dessa maioría de russos que assim pensa, vive um soviético.
Lá, no norte da Eurásia, eles têm mau perder, pois os fazedores de ruinas não reconhecem se não a derrota ou a vitória, a força e o aniquilamento, preto e branco, desconhecem o cinza, preferem a destruição e matarem inocentes, para intimidar, como a violação e a tortura que são seu modus operandi. Também desconhecem acordos. E como também não os respeitam, não os merecem. A tão propalada via diplomática como solução para a guerra da Ucrânia não existe, essa ideia do Sr. Macron de não humilhar Putin, não mostra nem infunde respeito, mostra medo. Quem conhece História, sabe como são os franceses quando as guerras se apresentam. Tenham por adquirido que com os russos, o acordo de hoje é mais guerra, a continuidade da guerra amanhã. Como já escrevi anteriormente o Coronel do KGB Putin tem a visão da URSS, a União Soviética, o que quer dizer das antigas Repúblicas Socialistas que eles crêem ainda lhes pertencerem, crêem-nas "parte da patria-mãe" segundo sua visão, e isso só acabará, como soí ocorrer com toda presunção colonialista, com a cabal derrota do colonizador. No caso russo é ainda mais grave porque como suas ambicionadas colônias ficam junto às suas fronteiras, as conduz à simples anexação. Portanto fica evidente que qualquer concessão seja entendida como uma situação precária no caminho da futura anexação, e como uma etapa no processo de (re)conquista, logo só uma derrota absoluta pode pôr cobro às suas intenções belicistas pondo fim ao conflito, e só a pujança econômica e militar das ex-Repúblicas Soviéticas bloqueará quaisquer futuras intenções de voltar a possuí-las por parte da Rússia.
Os invasores devem sempre ser derrotados pelos invadidos, para que estes saibam que não devem promover a guerra, e para que se faça Justiça, posto que a vítima, tendo o Direito a se defender, deve sair vitoriosa, recolocando em seu justo lugar suas fronteiras, e reassumindo o 'status quo ante'. Hã por aí muitos pretensos defensores da Paz, e penso que todos a desejamos, porém os que alegam que para obtê-la devemos fazer concessões, enganam-se, visto que é muito fácil dar o chapéu alheio, em todo caso antes de tudo é preciso compreender que para tudo que se queira ter nesse mundo, há um preço a pagar, e nesse caso o preço é o da guerra sem quartel, pois como anteviu Churchill em relação à Alemanha Nazi,uma vez que só a rendição incondicional a pararía, estamos no mesmo dilema hoje com os russos, só a derrota os parará. E para todos os que querendo mostrarem-se 'pacifistas', os ditos 'apaziguadores' que defendem outras vias como solução às agressões russas temos o exemplar 'sound-bite' que, com sua graça muito peculiar, nos deixou o percuciente Churchill: "Um apaziguador é alguém que alimenta um crocodilo esperando ser o último a ser devorado".
No entanto a precariedade da situação quando tratamos com obstinados, ademais com a gigantesca diferença na correlação de forças, uma vez que tratamos com a maior potência nuclear, com o maior país em extensão do mundo, ocupando um nono das terras do planeta, e sendo um dos dez mais populosos, o antigo grande império que se converteu em superpotência à conta da estupidez Hitlerista que levou à terrível querra que a Rússia veio a ganhar, derrotando a Alemanha. Não sozinha, é verdade, mas foi essa vitória que a pôs numa posição de poder muito alta, muito para além da que detinha no tempo do império, despoletando um outro tipo de guerra, uma vez que os lados beligerantes dispunham igualmente da bomba atômica e, com poder semelhante não era bom que a guerra fosse quente, tivemos portanto a guerra dita fria, que a Rússia veio a perder, e juntamente com esta derrota perderia todas as "Repúblicas" que constituiam seu bloco, a dita União -URSS. Consequência que não engoliram, e não engolem, por falta do calor das armas no processo, esse calor no qual acreditam residir sua supremacia. AGORA SÓ A DERROTA À QUENTE OS DETERÁ.
E onde devem ser derrotados? O mais próximo possível de suas atuais fronteiras, é a resposta. Porque ao incorporarem o parque
industrial e bélico do Dombass (Carvão, aço, maquinaria, componentes, etcetera) a conssecução desse objetivo os torna ainda mais poderosos, e perigosos consequentemente. QUALQUER CONCESSÃO AGORA É PORTA ABERTA A AÇÕES FUTURAS, OU SEJA: MAIS GUERRA! Não entender isso hoje é comprometer o futuro. É preparar uma bomba-relógio que virá a deflagrar. Compreendemos perfeitamente que ninguém queira começar a terceira guerra mundial, nós também não queremos, mas se não a pode evitar a qualquer custo.
Perdoem-me a pretensão, mas este artigo deveria ser entregue aos do G7 e aos 30 da NATO, devidamente traduzido, para leitura antes de começarem suas reuniões, e aos do G20 também, logo depois. Será que não viram que a guerra já escalou? E que não há outra saída para a guerra, que a guerra. Por enquanto esta pode estar a ser travada em solo ucraniano, mas com a demora e hesitações em fornecer as condições que permitam que a Rússia possa ser contida com uma derrota vexaminosa ante a Ucrânia, esta poderá terminar mal em duas vertentes. Primeiro levando a um acordo de cessão territorial ucraniana, com tacitamente aconteceu na Criméia, permitindo com essa vitória a derrota da NATO e de todos que se empenharam pela vitória ucraniana. Segundo consolidando o processo expancionista russo que se vem fazendo há décadas, com sucessivas anexações, afastando cada vez mais qualquer conceito de respeito pelas outras nações, pelo Direito, bem como por regras de convivência que não sejam convenientes aos intúitos russos, em sua arrogância de sucessivos enfrentamentos.
A loucura nuclear.
Sem sequer pensarmos que se possa ir por este caminho sem retorno, que, como meio de intimidação, a toda hora é posto em cima da mesa, sendo que a só existência dessa possibilidade é a insanidade materializada, e, não duvidemos, há loucos para tudo nesse mundo, logo certamente não faltarão os capazes dessa loucura. Esta ameaça presente é o molde e modelo de intimidação que quer levar a que os demais desistam da luta, boa maneira de criar vitória numa etapa, abrindo a possibilidade para a etapa seguinte, e, pouco a pouco irão atingir metas avantajadas e significativamente relevantes, que num confronto único seria muito mais difícil alcançar, e criariam muito mais resistência, podendo mesmo inviabilizar suas pretensões, por isso vão progressivamente.
Por quem lutam os Ucranianos?
Diretamente por sua existência como aquilo que são, ucranianos, um povo e uma nação. Indiretamente pelo futuro da Europa, porque se os russos não forem contidos agora, irão sempre continuar na sua pretensão de novas conquistas. INFELIZMENTE MUITOS AINDA NÃO SE APERCEBERAM DA IMPORTÂNCIA DO QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NA UCRÂNIA, NÃO SABEM QUE ESTES COMBATES SÃO PELO FUTURO DA EUROPA, E BRINCAM ÀS AJUDINHAS. Os ucranianos continuam quase sem meios aéreos, sem radares, sem mísseis de longo alcance, etc..., etc.
A China.
Que, retomando seu paradigma histórico, reconquistou seu lugar de superpotência, posição que gradualmente (r)estabeleceu nos diversos campos, começando pelo econômico evidentemente, e que, com sua calma visão de bem longo prazo, vai consolidando nos outros campos, ultimamente vem sendo sua frota, que pretende que seja maior que as duas abaixo combinadas, seguindo a premissa inglesa que se estabeleceu no século XIX e deu ao Reino Unido seu Império. Disputa com os EEUU a posição cimeira de superpotência a vários níveis, configurando-se essa disputa primeiramente no Indo-Pacífico, deixando claro à Rússia que os tempos de sua posição a par com os americanos acabou, e que no jogo estratégico dos interesses, única realidade que governa o mundo, cabe-lhe agir em outras plagas, e, como sabemos que sempre se impõe a determinante geográfica, sendo que é para os lados europeus que caberá se movimentar a Rússia, pois não será certamente nem para a China, nem para os EEUU, os lados para os quais quererá, ou conseguirá se mover.
PLANO DE LONGA PREPARAÇÃO.
A Rússia de Putin fez-se simpática,"confiável", parceira econômica, establecendo, destarte, muitos negócios que ao mesmo tempo que a enrriqueciam, enfraqueciam a Europa, que na sua ilusão 'merkelista' deixou-se ficar a depender das commodities russas, desde o ouro, o gás, o petróleo, aos fertilizantes e alimentos, numa relação cada vez mais próxima com um parceiro que não é confiável, também escrevi muito sobre isso, mas quem sou eu contra as opiniões dos Bush e das Ângelas deste mundo, afinal, lamentavelmente, eu tinha razão.
Estamos pagando o preço, e para o qual agora volto a avisar, há que paga-lo todo. NÃO TENTEM EVITAR A GUERRA. Hoje é possível ganhá-la, amanhã não sabemos. Não busquem a Paz de Chamberlain. A verdade é só uma, e a entendeu bem, há milênio e meio, Flávio Vegélio na sua De l'arte militare: "Si vis pacem para bellum".
P. S. Já tem preço a 'paz'da Ucrânia, 20% de seu território. O que isso significa encontra razão e resposta neste artigo.
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