sexta-feira, 10 de maio de 2024

"DIGITUS IMPUDICUS".

Esta designação surge na Epigrammata - Marcial séc I d.C - mas crê-se que venha do séc V a. C, quando os gregos se ofendiam com o gesto Expressão macaca, simiesca, do mesmo estilo da que fazem os macacos pregos valendo-se de seus próprios pênis para demonstrar menosprezo. Este gesto também sói representar o próprio pênis. Linguagem clara e inequívoca de desprezo. Há sempre uma demarcação confrontacional em se pôr o dedo ao outro. Há uma raiva guardada, um menosprezo latente, um desafio, uma humilhação pretendida, uma agressividade desperta, quando fazemos o gesto. Ainda que não tenhamos perfeita consciência da linguagem oculta em nossos corpos, o estudo desta linguagem evoluiu e codificou todas as posturas, gestos, reações, e atitudes que experimentamos nas diversas situações em que podemos nos encontrar. Ainda que a fala e a postura, uma impostura muitas vezes, busque esconder, ou vá no sentido de protagonizar a suposta verdade formulada, a linguagem corporal juntamente com certos gestos, e formas de dizer, bem como sonoridades particulares, e/ou as escolhas feitas para articular uma contestação ao que o corpo está dizendo. No entanto temos que o corpo não mente, porque sua formulação é assimétrica, essa tentativa de simetria, de correspondência da formulação com a mentira imposta, que o corpo desmente porque seu diálogo é autônomo em virtude da correlação não correlata por parte dos nucleos cerebrais autônomos, impondo que o corpo diga outra coisa, muitas vezes diferente da história que esteja sendo contada verbalmente à conta da dissociação dos dois hemisférios cerebrais (Ver Assimetria Assintótica IV.). Quanto ao dedo, sua legitimação é inequívoca, ainda que tudo o justifique, nada o torna razoável, porque apesar de ser resposta, é confrontação ao mesmo tempo, exacerbando ânimos, apesar de estar tão normalizado em nossos dias, não deixa de ser gestualidade ofensiva e reles, portanto agressiva. O gesto do dedo médio é de toda sorte uma mascarada, porque sendo uma não resposta ao que quer que o tenha motivado, esse gesto é uma hipocrisia, tendo em vista que antes de mais é um despiste, uma charada, linguagem obscura que afasta e refuta sem mais explicação qualquer passo seguinte que pudesse ser articulado. Será referenciado muitas vezes, no Suda, a enciclopédia bizantiba, nos Adagia, a compilação de Erasmus, no Satyricon, que acreditamos ser de Petronius, e em Juvenal, Aulus Persius, Marcial, como referi, o bispo Isidoro de Sevilha, em todos sempre com similar interpretação, mas com diferentes usos, pretenções e intenções diversas. Em outras partes do mundo é o fazer figa o gesto ofensivo, e há outras preferências gestuais, algumas preferindo os braços, a do manguito ou de dar banana, no entanto o gesto do dedo do meio vem se generalizando, espalhando-se por todos os países do mundo, ainda que possa em alguns ter conotação mais ligeira como "só em seus sonhos" ou "desavergonhada", contudo seu intúito mais usual é o de mandar o outro fazer a ação que para os homens é anal e homosexual. Desrespeito, zombaria, infâmia, e obscenidade. A insultuosidade do gesto, 'katapygon' não impedirá Diógenes de Sinope de o evocar na sua comédia 'As núvens', com seu outro significado métrico, mas não nos esqueçamos que Diógenes era um 'cínico' e dirigindo o gesto a Demóstenes, não se equivoca na sua significação, mais tarde Epitecto em seus "Discursos" interpreta o gesto de Diógenes como dirigido a qualquer um dos sofistas. Nenhuma de suas outras conotações lhe restringirá a intenção infame. Repetido pelos séculos fora, insinuando que o dedo se deva introduzir no ânus, muitas vezes sendo feito com o acréscimo da saliva para mais significar a intenção, generalizou-se com uma conotação mais branda, mas sempre ofensiva, pretendendo sempre a repulsão a quem se o dirija. Ainda que... Significando um ataque a quem é direcionado, que ficará desarvorado e baterá em retirada, ou ficará quedo, o gesto multi-milenar sempre que empregado tem efeito desconcertante, sendo o eleito pelas mulheres para demonstrar seu desinteresse num homem que as admire, ou se insinue, é sempre ação repulsiva a quem se dirije, e repele qualquer um quando direcionado para além das palavras. Com tudo isso não alcança justificar nada, nem propor o que seja, só destrói qualquer hipótese de diálogo, de aproximação ou harmonia entre os polos de execução e recepção da gestualidade do dedo impúdico. Ilustração: escultura de David Cerny.

Nós só pensamos com as palavras- III da Assimetria Assintótica.

Gostam muito de estabelecer a dicotomia: emoção/razão. É um grande equívoco. Razão e emoção não se opõem, se integram. Estabeleceu-se esta oposição devido a ideia que o emocional incapacita-nos para decidir. Ao contrário, a emoção estabelece conteúdos mentais que desencadeiam reações que se irão traduzir em compreeensão, inteligência do que se passa, logo, razão. O engano deve-se a crença de que não devemos estar sujeitos a influências do emocional para podermos ter coerência. Todas as funções funcionam autonomamente, e se integram no todo do pensamento. A lógica como maneira de raciocinar é, e será sempre, emocional, uma vez que o caminho das impressões seguem circuito emocional, como ficou claro no segundo artigo desta série, o anterior a esse, sobretudo devido a supremacia do entendimento emocional. Mesmo porque não existe entendimento fora do emocional, fora das emoções. Unidade de significação. As palavras codificam o entendimento, sintetizam pedaços lógicos do saber, tornando desnecessárias explicações para quem conhece a palavra. Eu digo água e você sente o potencial de ter sua sede saciada. Esse o fabuloso poder da palavra, a palavra é como uma sinapse que se estabeleça, mas que tem o dom de transmitir a informação, e não só memorizá-la. O processo é bi-unúvoco: O todo se encontra nas partes, e as partes dissolvem-se no todo. Como pensamos. Não existe pensamento sem a impressão exterior, se não a que o provoque de momento, a que formulou a sinapse que determina a memória que irá conformar o pensamento e que ficou registrada; ainda que esta se atualize, a origem da formulação será sempre exterior. Não há pensamento dentro da cabeça que não venha de fora, para dizermos isso de uma maneira bem simples.(1) Pensamos com as palavras. As palavras são atalhos, resumos, sínteses de ideias mais extensas, conclusões estabelecidas, sinapses extra-cerebrais autônomas, que trazem significado, significação e significância do que dizem. Portanto trazem consigo uma interpretação, uma escolha, uma preferência de entendimento; uma força expressiva particular, com um valor de sentido (2), uma acepção. Como ideia é um significante, que evolui em ter um significado, passando a ser uma palavra, uma síntese de ideias. Socialmente. Como diria o professor Heri Laborit: "Nous ne sommes pas plus rien que les autres." - os mamíferos têm o comportamento aprendido - e para o convívio é necessário um entendimento comum, e o primeiro entendimento é vernacular: são as palavras! Individualmente. Somos o resultado daquilo que recebemos. As informações, que traduzem os sentimentos, e mais que sua percepção seu entendimento, viajam com e como palavras. As palavras. Por isso com elas pensamos, com elas nos comunicamos, com elas sentimos, com elas expressamos o que é de nós e o que é em nós, na acepção comum. E é assim que todos os anos homenageamos no tempo do Verão mo hemisfério norte, e no de inverno, no sul; a dois grandes romanos, e mais uns quantos deuses da mitologia em outros meses (3), uma vez que trazemos nas palavras sempre um significado que se esconde por conta de sua orígem, uma vez que está tudo encadeado neste mundo, assim como milhares de outras palavras têm em si outras razões, outras histórias, outras orígens que as formaram. Assim são o que foram e não devemos nunca esquecer que é com as palavras que realizamos a maravilha da comunicação, e o sonho do entendimento, esse que se realiza na cabeça quando pensamos. (1) Desconsideremos a metafísica e as alucinações. (2) E sentido é sentir. Sentir o que? As emoções. (3) Julho de Júlio César, Agosto de Augustos, Janeiro de Janus, Março de Marte, etc...

segunda-feira, 22 de abril de 2024

NÓS SOMOS TERRA.

Nós somos terra. O pó ao qual voltaremos A água em que é o planeta O que alimenta a terra Esta Terra em que vivemos Absolutamente nada no Universo Terra que te quero água Terra que te quero terra Terra que é tudo Terra que é nada Parte de nós enquanto vida Somos parte tua enquanto morte Pertence-me inteira e desmedida Compromisso de toda vida e melhor sorte.

UNE SEM PRÉDIO - a caminho dos 50 anos - percuciência e destino.

UNE SEM PRÉDIO – a caminho dos 50 anos – percuciência e destino. Helder Paraná Do Coutto | Abril 7, 2024 Predio da UNE hoje. Salvador – Bahia – 30/5/1979: 31º Congresso Nacional da UNE. Foi aí a refundação da União Nacional dos Estudantes do Brasil – UNE – portanto era normal falarmos no Congresso, de que o prédio da Praia do Flamengo deveria ser retomado. Esta conversa, simples e ocasional, repercutiu fortemente nos estamentos do poder em Brasília. E, com medo do símbolo que o prédio representava, contrataram logo uma empresa de demolição para que pusesse abaixo o que restava da sede da União no Rio de Janeiro, o antigo Clube Germânia, confiscado na 2ª Guerra Mundial, após sua ocupação pelos estudantes em 1942, tendo sido entregue por Vargas à UNE, formada poucos anos antes, para ser sua sede. Rio de Janeiro – fins de 1979. Tentando evitar a demolição eminente, eu, o autor deste texto, tenho a ideia de que a Justiça poderia interferir, embargando a demolição. Movimento os alunos da Uni-Rio, que tiveram no prédio a sua escola. Transformamos a Casa do Estudante em Botafogo em Quartel General da resistência, e onde todos nos reuníamos para decidir das ações. Encontro no advogado Matta Machado o bravo que aceita patrocinar a causa. A ação é contra a União, e sorteada no âmbito das Varas Federais do Rio de Janeiro, cai na 3ª Vara Federal 2, cujo Juiz era o Dr. Carlos David dos Santos Aarão Reis, outro que põe sua vida em risco em meio a essa tragédia que foi a Ação Popular que encabecei na Justiça para paralisar a demolição do prédio. Os dados estavam lançados. (*) Rio e Brasília – 10/6/1980. Após meses de luta Judiciária, com grande movimentação popular e imprensa todo dia, o movimento que criei acabou por levar ao Juiz Aarão Reis, de arma em punho, a ir à demolição que prosseguia contra a suspensão que decretara, dando ordem de prisão aos 13 funcionários da empresa de demolição, vi então que era necessário introduzir a componente política, e para tal era necessária uma ida a Brasília. Forneceu o bilhete o deputado companheiro da Branca Moreira Alves, que não me lembro o nome. Chegado ao DF a 9, tinha agenda cheia para o 10. Todos sabiam em Brasília que o autor da ação contra a derrubada do prédio viera pedir ajuda. E enquanto a UNE em peso, os estudantes cariocas, e não só, sofriam os horrores da água de comichão, do gaz lacrimogênio, e da porrada da polícia na manifestação do flamengo, uns 100.000, com agressões e prisões. Em Brasília eu tive desmarcada quase todas as audiências. Por fim fui informado que o Dr. Ulisses Guimarães queria falar comigo. Fui ao gabinete da presidência do MDB, me informaram que o Dr. Ulisses estava no seu carro me esperando. Fui levado ao carro que estava na praça dos 3 poderes, foi posto logo em marcha começando um passeio pelas quadras de Brasília. Então o Dr. Ulisses me disse que era escusado eu pedir ajuda, porque o prédio tinha de ir ao chão. Porque? Era a ordem do Golbery. Não haveria abertura com o prédio de pé. Era um preço a pagar. O processo que lá estava em andamento, com enorme expectativa dos políticos, começara com o novo ditador que tinha cara para as mudanças: o General João Baptista de Oliveira Figueiredo, ex-chefe do SNI, que já promulgara, logo no começo de seu período, a Lei 6683, de 28/8/1979, que dava anistia geral – lei contra a qual eu era – e sou – uma Renovação da farsa da legalidade. – Eu disse ao dr. Ulisses que entendia que minha luta ia ser inglória, mas que eu ia até o final. Assim também fez o Juiz da causa. A resposta da ditadura foi pronta, reuniu numa noite pela madrugada dentro, os ministros do Superior Tribunal de Justiça para caçarem as decisões e extinguir a ação, e o castigo ao Dr. Aarão Reis, foi pô-lo em disponibilidade proporcional remunerada, o que, como juiz muito novo então, com o que passou a receber não dava para pagar suas contas. A falsa abertura. Sabedores os militares que viria uma terrível crise financeira internacional, entendiam que esta combinada com a ditadura era uma matéria muito explosiva, e que era melhor afrouxar para evitar a convulsão. E assim foi. Como era este o único intento da abertura, todo o processo de repressão, raptos, tortura, assassinatos, e intimidação montado era para manter, e assim foi. E, como antes, como se havia passado com o deputado Engenheiro Rubens Paiva, 22/1/1971, com a Zuzu Angel, 4/4/1976, para citar apenas dois exemplos, tudo ia continuar como dantes, que não duvidassem. Assim foi com a carta-bomba enviada ao presidente da OAB, dr. Seabra Fagundes, que explodiu nas mãos de sua secretária, D. Lyda Monteiro, 27/8/1980, matando-a. Ou como a bomba do Riocentro, 1/5/1981. Bombas em bancas de jornal, para intimidar e coibir a venda dos alternativos, o que foi conseguido. E neste 1980 houve dezenas de bombas, duas especialmente foram explodidas na sede do Jornal onde eu era diretor, uma mesmo embaixo da minha mesa de trabalho no Hora do Povo. O processo de abertura programado pela ditadura, especialmente coordenado pelo gal. Golbery, deveria ser lento e gradual. Teríamos ainda o homem do PDS, já no PMDB, presidente por mais cinco anos, um civil, é verdade, mas que civil mais reaça. A história continua – o 132 da Praia do Flamengo é apenas um terreno já há 20 anos, mas tem dono. 1996- Terreno devolvido, mas com um estacionamento lá dentro. FHC. 2000- Tentativa de retomada administrativa do terreno. Pres. da UNE: Wadson Ribeiro. 2001- 2º projeto Niemeyer apresentado na 2ª Bienal da UNE. (**) 2007- Tomada na marra do terreno pelos estudantes – posse efetiva. Pres. da UNE: Gustavo Pitta. Depois de 11 anos de luta na Justiça o terreno continuava na mão do estacionamento. 3º Projeto Niemeyer. 2008- É atribuída pelo Presidente Lula verba de 30 milhões para a construção do prédio – Lei 3931/08. Fui contra, preferia que o governo contratasse a obra. 2010- Lançamento da pedra fundamental com a presença de Niemeyer e Lula. Pres. da UNE: Augusto Chagas. 2012- Início das obras. 2016- O prédio devia estar acabado com 13 andares. 2024- Lá está o esqueleto se degradando com apenas seis. “Casa dos sonhos invencíveis.” Passado quase meio século, o prédio da UNE não existe, existe um esqueleto. O Golbery, já falecido na época dos últimos acontecimentos que ocorreram na história do prédio (morreu em 1987) ainda deve estar a rir-se hoje lá do inferno onde habita, pois grande conhecedor da alma brasileira e dotado de um fino humor, antevia que, uma vez derrubado, a reconstrução iria enfrentar inúmeros percalços, porque a índole brasileira não é de atingir resultados como meta. Por isso só permitia a abertura política com o prédio no chão. Foi assim com a situação dos desaparecidos, que nunca foi explicada, foi assim com os que a justiça excluiu, e com os administrativamente excluídos pela ditadura, todos mantidos no limbo, o conveniente limbo de existirem, mas permanecerem punidos sem terem regularizada sua situação. Assim é com o prédio, permanece punido sem ver regularizada sua situação. Golbery vence. (*) Coincidentemente Advogado e Juiz com familiares presos, torturados e assassinados pela Ditadura Militar. (**) O primeiro projeto de Niemeyer era de depois da demolição, eu tinha falado com ele, levado pela Ana Maria, e vira na oportunidade o 1º projeto que se perdeu. Em 2001 foi feito um segundo, o apresentado em maquete da 2ª Bienal da UNE. Em 2007 Niemeyer faz um 3º projeto para o prédio. Créditos das fotos: Lúcia Helena Velloso dos Reis e UNE.

sexta-feira, 29 de março de 2024

Inesquecível e Imperdoável - Unforgettable and Unforgivable,

No dia da mentira.

Dia em que a mentira foi tanta, que inclusive mudaram o dia do golpe. O golpe militar contra a democracia e o governo progressista do Brasil dado em 1964, se deu no dia 1º de Abril, com o conluio das altas patentes, valendo-se das estruturas militares brasileiras, lideradas pelo exército, que dispõe das tropas necessárias para impor um regime ditatorial.

D I T A D U R A.

Tomado o controle do país, instala-se uma ditadura militar que promove valores, posições institucionais e de pessoas, que consolidaram as ideias fascistas que norteavam muitos movimentos que se difundiram pelo Brasil, e que são as raízes e geratrizes de todo esse processo que perdura até hoje. Foram 21 anos de perseguição, tortura, mortes, censura, extermínios e implantação de ideias e 'ideais que favoreciam e favorecem grupos que se beneficiam economicamente das riquezas do país, desde os tostões dos bons salários, até aos bilhões de empresas como a Petrobrás ou as dos minérios e das terras onde se desenvolve o agro-negócio, griladas em grande parte.

Para impor as injustiças, as benesses e as perversões, buscaram apoio exterior, entregando as riquezas do país em grandes negócios e vendas de matérias primas, 'comodities' em vez de venderem produtos industrializados, hematita, magnetita, bauxita, que estão nas mãos dos interesses estrangeiros que controlam os negócios das 'comodities'. Façam uma pesquisa rápida e vejam na mão de quem estão os negócios dos minérios brasileiros, em vez de haverem mais CVRDs, Companhia Do Vale do Rio Doce.

A resistência esteve sempre ativa. Para impedir sua ação, quase cinco anos depois lançaram um após outro atos coercitivos, o ato institucional (atenção ao nome) de número 5 (fins de 68) foi o mais restritivo das 17 medidas lançadas para dar foros de legalidade às suas ações anti-democráticas. Não podemos esquecer o que foi feito e continua sendo feito (Atenção!!!) como uma jogada internacional, não esqueçam a refinaria que Bolsonaro vendeu recentemente ao desbarato, uma vez que o GOLPE DE 64 tem sua gênese e gestação voltadas para atender aos interesses estrangeiros.

T O R T U R A.

Do outro lado da História houve gente que pondo suas próprias vidas na balança, resistiu. Combateram, se opuseram a esse processo de entrega das riquezas da nação, e lutando de todas as maneiras possíveis para evitar o descalabro, e levantar as massas, uma vez que o mais poderoso elemento a dar um basta e a estabelecer bloqueio às ações danosas é a OPINIÃO PÚBLICA, essa que demora muito a reagir, mas que acaba por ser despertada. Para bloquear toda a ação de resistência, prendiam e torturavam aos que ousavam se manifestar, ou trabalhar contra as ações de disporem das nossas riquezas contrariamente aos interesses do Brasil e lutar pela liberdade. Pau-de-arara, afogamentos, porrada, privação do sono, enfiar fósforos debaixo da unhas e acendê-los, etc… etc.. eram as especialidades destas criaturas que se dispuseram a amedrontar, torturando aos infelizes que caiam em suas mãos. De um e de outro lado da trincheira estava gente que podemos sintetizar em dois nomes: Dilma Rousseff e Brilhante Ustra, a torturada e o torturador. A História que prossegue traz luz aos interesses de uma e de outro. Não é preciso dizer mais.

A vontade e o agrupamento dessa gente continua.

Em 1982 eu estava em cima de um caminhão na Baixada fluminense na campanha do Brizola, quando vejo que minha presença incomodava um grupo de pessoas que estava junto as caixas de som, presas a um poste - não revelarei nomes. Mais tarde vim a saber que eram os matadores que não conseguiram cumprir o contrato de me eliminarem. E foi por puro acaso. Como tinha escapado por pouco a duas bombas, havia logo depois desaparecido, o que não lhes permitiu terminar o contrato. Às bombas também foi por pura sorte: A primeira foi no show a que me levaram para falar sobre a Ação Popular que eu estava fazendo contra a derrubada do Prédio da UNE (União Nacional dos Estudantes). Estava em palco, e logo após a apresentação do Chico Buarque, eu falei; e como morava em Niterói fui logo embora, não vendo o resto do show. Da Barra da Tijuca até Icaraí de ônibus e barca, leva tempo. Só soube no dia seguinte que tinham explodido uma bomba no Riocentro. A outra foi pouco depois, na sede do HORA DO POVO, jornal onde era diretor, e puseram uma bomba debaixo da minha secretária. No dia anterior a explosão da bomba, que matou muitos companheiros meus de redação, uma gatinha em que andava de olho há muito tempo, deu sinal verde, resolveu jantar comigo, e ficamos até altas horas da noite. Acordei muito tarde, e não fui para a redação como fazia todos os dias. Salvei-me da segunda bomba e não quiz experimentar a hipótese de uma terceira.

Senti na própria pele todo esse processo da Ditadura Militar no Brasil. E bem sei que nunca se dispersaram. Passaram a atender a outros interesses, como milícias e assassinatos a soldo. E no primeiro momento que puderam atuar, o fizeram, e andam por aí fermentando mais outras coisas. Por isso fui contra a Anistia, queria pagar pelo que dizem ter sido nossos crimes, e ver também na cadeia os outros, que sob o abrigo das estruturas do Estado, prendiam, raptavam, torturavam e matavam.

Como sabemos isso não acabou. E temos que lembrar de tudo, para que nunca esqueçamos, e que esta memória seja o alerta mister para que a História não se repita. DITADURA NUNCA MAIS.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Constatação simplória (*)

"Pau que nasce torto, morre torto." -dito popular. Para entendimento dos infiéis há leis divinas que explicitam o funcionamento do Astral, ou seja da superior relação de causa e consequência que há em tudo, sem sombras ou miragens, na clareza da constatação de que tudo que fazemos tem efeito sobre nós mesmos, obedecendo a uma norma Superior, uma vez que esta atua como um boomerang, onde terminada a ação da força propulsora, este volta, lei do retorno, trazendo consigo as consequências de nosso feito. Muitas vezes não nos damos conta do processo por causa da velocidade de efeito da ação, com a qual prossegue a impulsão, e, só quando, batendo no infinito das possibilidades, volta. Outras vezes há em que a velocidade de ação é maior, e seus efeitos sendo maiores, mais rapidamente podemos observar que o retorno se verifica. Não nos permitindo enganarmos-nos de que algo fique impune. "Olho por olho, dente por dente." tal qual queria Hamurabi. No Brasil de hoje podemos observar que os malfeitos que se fizeram para a tomada do poder pela direita em prejuízo de milhões que tiveram suas conquistas, no atendimento a suas necessidades, mais prementes subtraídas, e os passos de progresso embaraçados, voltaram rapidamente e caíram sobre aqueles que os ocasionaram, cobrando o justo preço da malfeitoria que causaram. Popularmente diz-se: "Aqui se faz, aqui se paga." Assim temos que quem fraudou, seja defraudado, quem mentiu veja a verdade, e seja desmascarado, quem enganou seja desenganado, quem trapaceou seja exposto à luz da Justiça, e quem fez o mal, veja mal idêntico recair sobre si. Acusaram injustamente um homem que só tinha feito o bem para os mais necessitados, mudando a velha praxe de atender só aos interesses dos poderosos na ideia de fazer crescer o bolo antes de reparti-lo, divisão que nunca chegava, forjando sucessivas gerações de desfavorecidos, gente a qual nem as migalhas do bolo atingia. Depois acusaram uma mulher na mesma medida. As mentiras voltam agora como verdades. Onde não havia roubo, passou a haver grande roubo, desde negócios fraudulentos, a objetos, jóias e dinheiro roubado. Onde não havia corrupção e acusaram de haver, verificou-se grande corrupção. Onde não havia falsificação e adulteração das coisas, comprovado está que os que acusaram sem provas, agora são acusados com fartas provas de iguais crimes. Aqueles inexistentes e inventados, estes claros e comprovados. Imaginem o que brada aos céus condenar falsamente alguém para dar curso a seus intereses e ambições. Os juízes que criaram mentiras para condenar, estão sendo condenados por outras e novas mentiras que criaram para si mesmos, porque àquele a quem apraz a mentira, cedo ou tarde vê suas mentiras reveladas, umas e outras, transformando o que fizeram para seu benefício, em grande malefício que os condenará. "Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo." E nesse caso foi mesmo depressa, porque logo voltou sobre eles o mal que haviam feito, na forma de mal igual para que dúvidas não hovessem de que se trata da Justiça divina, esta à qual nenhum de nós escapará. A esses igninimiosos que só à conta de suas ambições pessoais procuraram desvirtuar a verdade, conspiraram e agiram na medida de enganar, falsear, criar crimes para poderem condenar, no mais amplo conlúio que pela fraude redundou na condenação de inocente, só para o impedir e afastar, fica o alerta da terceira Lei de Newton, de que toda ação provoca reação igual e contrária - sempre a lei do retorno. Porém, num crescendo, suas malfeitorias levaram à PRETENDIDA ASCENSÃO de forças que iriam praticar os atos dos quais foram acusados falsamente os inocentes que foram afastados e condenados injustamente. Retorno de Talião, tão à medida do Velho Testamento, medida em que "seus dias estão contados", "puseste limite além dos quais não passará" - Jó:5 - mas também nos critérios do Novo, "Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados" - Mateus 7:2 - prova de que a Lei do Retorno sempre vigeu, e não está revogada. Suas inquietações e temores presentes são fruto de suas ações passadas, vivem as angustias e as apreensões À ESPERA DA CONDENAÇÃO, culpados que são. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido." o provérbio que advirá de Mateus 26:52, ou ao revés advirá Mateus do provérbio, no entanto é a advertência de Jesus a Pedro e a todos nós. Aqueles que, cegos pela ambição, esquecerem o ensinamento, colocar-se-ão na senda da Justiça, e "a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim e não falhará" - Habacuque 2:3 - o que diz-se corriqueiramente: "A Justiça tarda mas não falha." (*) Como em Mateus 5:3-12.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Do mimetismo - simétrico e infinito - V da Assimetria Assintótica.

Ressalva: Assimptótico é aquilo que não se toca, como duas paralelas, mas que se encontrarão, ou pelo menos tendem para isso à medida que progridem assimptóticas. Por isso por oposição a assimptótico resolvi designar essa característica do mimetismo como infinita, dimensão que ganha mesmo ao se tornar transmissível. Essa capacidade de tornar-se semelhante, adaptando-se para parecer com o meio em que viva, ou com espécies mais poderosas que ocorram neste ambiente, ou com as espécies em que se instalam e habitam, que, para a designarmos, fomos buscar o termo grego crítico e filosófico - mimesis - a arte da imitação e emulação, que Platão e Aristóteles consolidaram na análise aos valores da Arte, criando o termo mimetismo. Há uma família em lepdóptera, discoberta no Brasil pela expedição do explorador e depois embaixador russo no Brasil - Georg von Langsdorff - no princípio do XIX, que guarda seu nome. Com asas quase transparentes, habitam as zonas umbrosas da floresta, ambiente de pouca luz, permitindo se confundirem, por seu aspecto e coloração, com a sombra ali reinante, fazendo um mimetismo ambiental, o mais efetivo mimetismo. Ver com a pele e o Polimorfismo de nucleotídeo único. Temos outras borboletas que imitam quando pousadas, asas fechadas, a flor ou ramos da planta que frequentam, e ainda outras que com as asas abertas parecem o lugar onde costumam pousar, e ainda há uma família - as Caligos - que, em que muitos de seu membros, têm olhos de coruja 'pintados' por debaixo das asas, e, quando atacadas por algum pássaro, esvoaçam tornando a coruja - que come pássaros - bem visível, desse modo espantando o inimigo, evitando destarte ser comida pelo pássaro, que foge com medo da imaginária coruja. Assim há muitos insetos que imitam outros insetos, por exemplo borboletas, vespas, besouros, que imitam outras vespas agressivas e venenosas para manterem seus predadores afastados. O desejo de confundirem-se com o ambiente é sempre muito forte. Na segunda metade do século XIX em Manchester tivemos o caso da mariposa Biston betularia, uma geometridae quase branca que pousada nos troncos brancos dos vidoeiros ficavam invisíveis. Com a fuligem causada pela revolução industrial, tudo, inclusive as bétulas, tornou-se escuro. Então as betularias também ficaram escuras, enegreceram com o ambiente em meio século, passando a ser 98% da população escura. O mundo animal está cheio de mimetismo; no ar, na terra, nas águas, doces e salgadas, onde quer que vivam, os miméticos procuram disfarçar-se. Sempre intrigou aos cientistas como adquiriam estas capacidades de imitar, como 'viam' o que perceberam ser defensivo para sua sobrevivência, hoje sabemos que é o nucleotídeo, íntrons, que resultam numa abundância do transcrito do cortex. Tomemos o exemplo das Caligos. Certa feita estando sendo perseguida por um pássaro, e as Caligos são borboletas fortes e robustas, com grande inpulsão de vôo, passou perto de uma coruja que pegou e comeu o pássaro que a perseguia. A próxima geração de Caligo nasceu com a coruja estampada nas asas, para quando em situação semelhante a da ancestral, pudesse se valer da coruja para espantar o pássaro. É uma história incrível, mas é assim que a Natureza evolui, com registros em seu DNA. O que nos leva a percepção, essa informação invisível que por fim registramos. O que confirma que é a inconsciência que escolhe as informações que serão memorizadas. Tudo que acontece é registrado, não só na mente, como também nos genes. Hoje os cientistas, no caso das Biston betularias, sabem que suas lagartas são capazes de 'ver' com a pele, sentem a pigmentação dos troncos e se adaptam, regulando sua pigmentação, que quando se metamorfoseiam, passa a ser a do insecto adulto. - Nada que um camaleão não faça muitas e muitas vezes quando muda de ambiente. Ratos que não comem amendoas. Experiências no KMPC da Universidade de Seoul, e as da Dra. Bianca Marlin, da Universidade de Columbia, provam que as alterações genéticas transmitidas para as gerações sucessivas são fruto das experiências traumáticas de seus ancestrais que foram registradas aumentando a quantidade de receptores da informação traumatizante para prevenir sua ocorrência. Assim como no extremo temos nas Caligos, a coruja como resposta à experiência traumatizante de quase ser comida por um pássaro. A experi|encia da Dra. Marlin com ratos que eram atacados por uma corrente elétrica toda vez que comiam amêndoas, tendo transmitido a seus descendentes a informação, aumentando o número de células receptoras do odor da amêndoa em seus filhos e netos, ficando registrado que comer amêndoa era traumatizante. Essa experiência meio pavloviana é muito esclarecedora de como se formam os mimetismos, solução maxime ao problema causado pelo trauma. Regras de interação e sincronização. Tendo em vista que o cérebro, em absoluta consonância com a Natureza, ela mesma, é um hedonista oportunista que não perde a chance de afastar tudo que lhe possa ser importuno, e agregar tudo que possa ser proveitoso, fica claro que o cérebro, este assimétrico assimptótico, vai a estremos na busca de suas coveniências, e que as traduz em registros genáticos que transmite à descendência. Processo que confirma toda a análise que estamos fazendo nessa série.