domingo, 26 de julho de 2026

24.000 idiotas.

Nos encontramos no início de uma das piores crises que jamais atravessou a Humanidade. Os que anteviram isto passaram anos, décadas mesmo, a avisar para prevenir. Não funcionou posto que a estupidez somada à incúria administrativa levou-nos à presente situação, onde milhares são afetados ou mortos à vez, pela desordem climática. Se fosse só isso alguns, séculos de horror hão de repor a estabilidade pré-industrial, nem que seja matando muitos milhões que habitam a crosta terrestre, onde as misérias se irão manifestar cada vez mais intensamente. Entretanto o que nos espera é bem mais grave, porque outros fatores começam a atuar em diferentes setores da estrutura ambiental, poluindo, matando, envenenando, destruindo, impossibilitando que vivamos em harmonia ambiental, que é a primeira necessidade humana. Campos para plantar, agua limpa para beber, um lugar onde dormir sem medo de não existir mais no dia seguinte. Mas a inconsequência que cada vez mais se generaliza, com os cidadãos que elegemos cada vez mais afastados da realidade, e entrincheirados em seus interesses políticos e econômicos, mesmo aí incluídos os ilegítimos. Já ingerimos entre meio e um cartão, como estes de bancos, de crédito, por mês em micro-partículas escondidas nos alimentos. É o plástico que está em tudo, que corrompe tudo, polui tudo, neste modelo de sociedade que criamos, sem nos darmos conta de que ela pode ser mortífera para todos nós. Não adianta afirmarmos convictamente que algo precisa ser feito já. Os interesses econômicos das industrias do plástico e petroquímicas, conjugados com a maleabilidade e baixos custos em transformar essa matéria nos mais variados tipos de embalagens, determina a continuidade da desgraça que espalhamos pelo mundo, já existindo mesmo ilhas de plástico espalhadas pelos oceanos, numa ação que vai nos empurrar cada vez mais para fora do planeta, e a única maneira de sairmos, como sabemos, é em espírito, porque nossa matéria, nossos corpos, sempre irão demandar espaço, este que vamos destruindo cada vez mais, dia a dia. Muito bem, também muito tem sido feito para evitar ou atrasar essa catástrofe, muitas iniciativas que vão desde reciclar o lixo até alterar a origem deste, usando materiais bio-degradáveis, vão caminhando. Há mesmo muita gente empenhada em resolver essa terrível encruzilhada em que nos encontramos, buscando fórmulas e soluções para alterar o panorama destrutivo que é a vida em imensos aglomerados humanos produtores de lixo em proporções inimagináveis. E vão surgindo medidas, que se vão juntando, com a intenção de diminuir de algum modo esta situação catastrófica que vivemos. Entáo, uns quantos países, penso que 19, implantaram um sistema de re-esmbolso pelas garrafas plásticas devolvidas: VOLTA, que em Portugal teve início no dia 10 de abril próximo passado, pagando por cada embalagem retornada. Amplamente divulgado, mas ainda pouco, é minha opinião, resultou na recolha de 100 milhões de embalagens nestes primeiros três meses do sistema. É promissor, e é mais uma medida para contornarmos a terrível catástrofe que se avizinha. Quem ganha monetariamente com isso? Não sei e não me importa saber. Importa que o meio-ambiente é preservado, e alguma coisa no sentido certo está sendo feita. Pois eis que surgiu um abaixo assinado contra o sistema de recolha. O iniciador disso não sabe bem explicar contra o que é o abaixo assinado. Não importa, é contra. E como todas as tolices sempre encontram muitos tolos que as acompanhem, já há 24 mil idiotas que assinaram a petição. Espero que haja uma crise de consciência em que se disacuta o que se passa. Se há gente desempregada que recolhe as embalagens, tanto melhor, passam a ter o que fazer e ganham dinheiro. Além disso ninguém tem nada a ver com o que faz cada um para ganhar a vida, não sendo isso contra a Lei. No mais tudo que se diga é só tolice e má vontade. Aproveito estar a tratar do assunto, para apontar que há uma má vontade para com o sistema. No Continente do Cascais Shopping puseram a máquina de recolha no meio do pátio de estacionamento superior, um andar acima do supermercado. O que é de todo inconveniente. O que leva a quem queira depositar suas embalagens a ter de atravessar o supermercado, pegar um elevador, subir ao pátio de estacionamento e então poder chegar à máquina de recolha. Quando chegarem as chuvas de inverno, ninguém depositará suas embalagens sem tomar uma boa chuvada. Parece de propósito.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

'Por todos nós.'

Uma ópera, forma músico-teatral rica e rara, pelas condicionantes para a emersão conjuminada de letra e música, quase sempre por autores que se juntam para o feito, que mantendo o mérito absoluto da criação, mor das vezes não justifica os interesses materiais (comerciais) que é um dos aspectos de levar a palco seja o que seja. A obra de Lídia Jorge, por seu mérito, inspirou a coragem e força dos autores da ópera, que a realizaram e a encenaram no Teatro Aberto nestes dias finais de maio de 26. A primeira terça parte da obra é excessivamente solene, pesada mesmo, demasiado wagneriana, mas pode ser uma avaliação indiossincrásica minha, que detesto Wagner e amo Pucini. Depois a melodia encontra um registro mais suave que sustenta o texto mais acordemente. O feito conseguido por João Lourenço e Vera San Payo de Lemos, autores do libreto é notável, uma vez que não é fácil resumir um texto de 342 páginas em cerca de quarenta. Mas lá está, escolheram as palavras certas, resumiram o texto não perdendo nada do enredo, nem da sensação de abandono e crítica das palavas da autora do original que lhes conduzia. Já a música de Eurico Carrapatoso demora um pouquinho a se encontrar, a tomar o rumo da sensibilidade original d'Os Memoráveis, mas esta é a sensação com que fiquei, o que não impediu o aplauso entusiasta do público à Ópera concebida. No entanto o que era voz e sentimento geral é que a obra é longa demais, o que também é minha sensação, entretanto este é o drama de todo autor de trabalho sobre obra consagrada, como é o texto de Lídia Jorge; Onde cortar? Que passagem suprimir? Uma vez que sabem que a maior parte do público que virá, apesar do nome ser outro, virá pelo texto original que conhecem. Deixá-los lesados ou carentes de determinada passagem é sempre um dilema, que os autores do libreto aqui preferiram solucionxr fazendo uma obra mais extensa. O que não lhes rouba em nada o mérito da brilhante interpretação que criaram. Só um reparo, a roupa do embaixador que devera ser de seda, e a falta do copo de uísque em suas mãos. Brilhante e difícil, uma vez que a ironia, mesmo sátira que também é Os memoráveis, desde o título escolhido pela autora, está toda na ópera 'Por todos nós', qual seja contraponto desta sensibilidade original de gozar com todos nós, nos transformando em Anas Marias Machados, um pouco órfãos, um pouco conflitantes com o pai que, com brio e dificuldade, luta por manter seus princípios, custe o que custar - NADA MAIS PORTUGUÊS - orgulhosamente sós como nos queria l'ancient regime em seu "requinte nacional". No programa da ópera falam todos de sua razão, canté de cada um dos envolvidos, inclusive a primitiva autora que revela de sua inspiração, sua medida desmedida de tudo dizer sem nunca etiquetar, nada mais louvável, e fica também aí consignado algo admirável, e ademais imensamente português, o silêncio, que é tantas vezes mais eloquente que a mais efusiva cantata. Uma vez encontrados os caminhos de música e letra, como uma pintura que encontra o caminho da luz, faltava-lhe a moldura, aquela que iria compor a obra para que esta fosse apresentada em sua integralidade e beleza, não roubando nada do relato episódico de uma trama que é matriz da recriação de um povo e país que se reinauguraram com esses acontecimentos. A moldura deveria ser de tal modo neutra, que não conflitasse com a obra que enquadra, por um lado, e necessariamente dinâmica, por outro, para acompanhar sua sequência. E devera ser simples para não obstar a fluidez dos acontecimentos que se sucedem em diversos ambientes. A solução encontrada permite infinitas cenas num único ato, permite contar a história onde quer que ela aconteça sem interferir no contesto narrativo, nem lhe impor quebras. Admirável solução de engenharia cênica que ademais se vale das cores para sugerir os diferentes universos de que trata, mantendo a ação de per si, em si e consigo, se me permitem a aliteração, desbobinando a história, melhor será pluralizar, as histórias que se entrelaçam numa única, que ademais é a de todos nós. Pura magia cênica cujo ritmo define tudo o que a música canta. Não se esqueçam é uma ópera. 22 personagens em cena, mais o coro com 28 em cena, temos meia centena; mais a orquestra sinfônica portuguesa no fosso, maestros e dirigentes do coro, e 45 técnicos no backstage, e temos uma superprodução, coisa rara em Portugal, onde os ditâmes economicistas do público influenciam para realizações o mais superficiais possível. Dói-me saber que terá um número de apresentações inferior ao dos dias da semana, quando em Londres há peças a décadas em cartaz; destino cruel que mais valoriza a coragem da produção desta ópera que não vai enriquecer ninguém, mas cuja existência enriquece a cultura e a própria identidade portuguesa, que só nos resta agradecer que exista Por todos nós.

sábado, 9 de maio de 2026

"Agora ele vai rir sempre."

"É melhor ser alegre Que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe..." "Samba da benção" Vinicius de Moraes

O vatícinio de Lula em relação a Trump, que serve de título a esta crônica, tem um certo ar sarcástico que se contrapõe ao blasé estrutural de Trump com o qual Lula teve de lidar por horas na reunião fechada que manteve com o homem que se julga o mais poderosos do mundo, metido de momento num beco amarrado com nó górdio, ou talvez fosse mais apropriado dizer que se meteu num estreito do qual não consegue sair, que devido ao outro, o de seu intelecto, ficará lá metido sem encontrar saída, razão do acréscimo de mau humor da criatura presentemente, a quem Lula certamente terá recomendado alegria, mesmo sabendo não ser essa possível, porém como solução desazada para um inapto, fica consumada quando diz: "Trump rindo é melhor do que de cara feia" não sei, mas afirma-se na conclusão (do título aqui) que é deboche, porque diz "agora" e "sempre", amarrando absolutamente a visão da impossibilidade, que, com sua vivacidade, Lula afirma. Que restará a Trump?

Tudo que ficou dito lembrou-me o Samba da benção, do imenso poeta Vinicius de Moraes, que se Trump sentisse e entendesse que está sendo gozado por Lula, como foi, mas que só brasileiro entende, a diplomacia poderia usar como escusa a letra do samba de Vinicius, posto que ela serve como profissão de fé de meu povo, pois nós achamos mesmo que a alegria é a melhor coisa que existe, e cujas palavras do samba são uma reafirmação de fé de uma criatura iluminada, com emoção e respeito, pedindo que o abençoe aos grandes sambistas, e expondo sua filosofia de vida, coisa que Trump, para entender, mesmo que todos os 'brazilianists' lhe explicassem, necessitaria morrer e nascer dez mil vezes. "A vida é a arte do encontro…"

Essa lembrança do samba, trouxe-me a presença muito viva das crônicas de Lídia Jorge que acabei de ler, Lídia é portuguesa, e mesmo assim terá a perfeita compreensão do que aqui digo, e refletindo mais, a mãe da minha flha portuguesa compreenderia, lembrei-me de tantos outros portugueses, e angolanos, e moçambicanos e ingleses, e ucranianos, etcetera, etcetera, todos capazes de entenderem perfeitamente a gozação do Lula; o que me obriga a correção do que afirmei que só brasileiro entende, não é isso. entendem aqueles que têm "luz no coração" como diz Vinicius, coisa que essa gente que anda por aí agora mandando no mundo desconhece.

Sugiro-vos antes de concluirem a leitura aqui, que ouçam o "Samba da benção", de preferência na voz do Vinicius, para compreenderem o alcance desse universo próprio de meu país, com sua sensibilidade muito particular, e com a abertura para o entendimento e a aceitação do próximo, essa qualidade magistral, e que infelizmente vem diminuindo na população brasileira à conta de uns quantos miseráveis que ganharam preeminência espalhando ódio: misóginos, homofóbicos, transfóbicos, mentirosos, racistas, autoritários, xenofóbicos, incitadores malévolos, que são. Mas vai passar, como tudo nesta vida. Resta-nos estarmos "atentos e fortes" para combatermos os malfeitos que estes fazem contra a sociedade, sua estrutura, seu progresso, e sua capacidade humana de aceitação, que está afeta à gente com capacidade de amar, porque só aqueles que amam são capazes da boa-vontade com o próximo. Vibração muito especial de entendimento e proximidade, posto que sem amor não temos o juizo, tolda-se-nos o entendimento fino, e estamos só. Não encontramos beleza, nada nos cativa, não sentimos alegria.

Na incompreensão do humano, esta única verdade de nossa espécie, essa mesma que nos diferencia com a marca superior, incompreensão em que vivem quantos cultivam o ódio e a superioridade, ilusões que nos corroem na ideia de repudiar os outros, onde só o humano na inteireza do que é humano, e que poderá mesmo ser divina se fizermos as escolhas certas, as que nos permite abraçar o mundo, nos permite deixar a malenconia e encontrarmos a alegria, que vive nas coisas simples, e nos abre a dimensão divina, o encontro com o outro, únicos momentos em que somos sublimes, na singular ambição humana, repito, que é a única pela qual vale a pena viver.

Não lhe restando outro remédio ele vai rir sempre, compreender é que não.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Da universalidade, entre o antropológico e o tecnológico, em 30 crônicas e 1 Discurso - pressentimentos de Lídia Jorge.

Entre libelos e louvores. Esta dicotomia existencial que é afeta a nosso entendimento para parametrizar nossa visão da realidade, não é inocente, culpa ou absolve tudo que há, e ao fazer estas escolhas antagoniza os universos que critica, sabendo que isso representa gerar, não digamos inimigos, mas menosprezo de todos aqueles que estão no polo censurado. E assim fez-se o mundo, pois é da natureza das coisas que assim sejam, entretanto quem tem dignidade não se escusa à escolha, uma vez que devemos sempre expressar nossa concordância ou discordância face aos valores em presença, inevitável postulação do intelecto que requer certa coragem. Lídia não foge a nada. O céu certamente cairá sobre nós à conta de nossas más escolhas, posto que o que resta vive no coração, esta forma equivocada de dizermos amor, este mesmo que não temos com a abrangência mister e na amplitude requerida, perene libelo em nossa mediocridade, posto que não podemos negar que perdemos nossos valores deontológicos em troca da matéria, sempre só a matéria, esquecendo que foi o humano gerou este mundo que criamos com suas infinitas possibilidades, e que quando retiramos o humano do centro de nossos propósitos, para permitir que qualquer outro valor prevaleça, cometemos suicídio, porque matamos nossos valores primeiros, fundacionais, e sem eles estamos mortos. A incompreensão do sentimento universal, como quer a filosofia que seja sentido por todos, foi hoje substituído pelos ilusórios valores da matéria, esses que regem o mundo em nossos dias, impulsionados pelo tecnológico que tudo reduz a seus fins materiais e comerciais, sob o signo do dinheiro, traduzível em conforto, luxo e bem estar, sem nenhuma paginação humana, espiritual, na desordem do existir egoísta, pequeno, intramuros, nos muitíssimos labirintos tribalizados que criamos, no paradigma do possuir contra tudo e contra todos, na faina infinita de ter, ao invés de buscar a alegria e a plenitude, essas duas possibilidades existenciais que tanto nos redime, e que todos pretendemos alcançar, mesmo sem conhecer o caminho, e, apesar de termos esquecido que faina originalmente significava cortesia, jungindo essas características humanas tão redentoras que se consubstanciam em felicidade, denominador comum do humano. 30 cartas contra a História, e o perceber por antecipação. A História é toda a história, a narrativa, mesmo podendo ser verdade, é o que alguém quis contar da história, geralmente uma parte selecionada pelo narrador, que não é a História, pelo menos não toda. Do que há de "factos, opinião e verdade" no que nos é contado, tem como maestro o "lastro filosófico" que, para além do que antevira Nietzsche, faz uma amputação precisa, deixando o que devera ser verdade, por isto a crônica é contra a História, a oficial, pode-se dizer, aquela que pretensamente permanecerá como verdade ao gosto do narrador, uma vez que esta seja a que se propala, ocultando o mais que lhe interessa ocultar. Sabemos bem a resposta de Jesus a Tomé quando este Lhe perguntou sobre o caminho, teria sido a mesma se Lhe perguntasse sobre a verdade, posto que sem o Humano, esta fórmula que nos foi legada, esse modo de sentir verdadeiro, não somos nada: Oxigênio, Carbono, Hidrogênio, e mais uma dúzia de elementos combinados em carne e ossos, eis tudo. Os bichos também são assim, e não têm filosofia, ainda que tenham memória, sentimento e ética, e nós nem isso às vezes temos. Essas 30 crônicas dizem tudo, porque Lídia é tangível como o mais fino instrumento que só toque a música da verdade, essa música rara que nos encanta quando ouvida, porque cala no mais fundo do entendimento, traduzindo-se em compreensão. Com a visão de "antena" e uma "sabedoria de natureza indefinida" perscruta o mundo antevendo futuros equívocos, e prevenindo o indecifrável como método. Pa rum pum pum pum… A sexta crônica começa trazendo o The little drummer boy como presença fortúita nao texto, mas na verdade a determina. Um ritmo, sempre um ritmo, que é bem mais que as palavras, uma vez que elas se expressam nos ritmos, nas cadências com que são ditas ou escritas, definição absoluta de seu ser, de sua lógica, de sua própria existência. São como as dizemos, e revolucionam por onde passam. As palavras plasmam! E Lídia evoca Amos Oz querendo a absoluta dissociação das palavras, da música e do ritmo, com uma realidade maniqueísta da canção que escolhe, inevitável pela desarmonia fomentada pelos líderes mundiais promotores da violência, anti-antropológicos que são, e cuja única receita para nos curar de seus males, ou evitá-los, nos é dada nas conferências de Oz como que a concitar, com as batidas do tambor, uma cadência para substituir o matraquear das armas assassinas que mantêm-se, e contra o qual se insurge Lídia Jorge. Magistral a sonhar um mundo melhor, este que nós evitamos e duvidamos, a autora não evita nada, crê, é é quanto lhe basta. Onde está tudo lá. "Sharia, Chega, o judiciário, golpes de comédia, os poemas, o movimento anti-democratização, a Revolição, Grândola, Vila Morena, Bella Ciao, a ONU, a incompletude, manhosos, o instante oscilante em que tudo ainda está por acontecer, as distopias, o Pacto para as Migração e Asilo, o ímpeto do pensamento defensivo, grupos organizados, 'fake news', notícias, medo, mentiras, os messias, os meliantes, as cercas nacionalistas, as escadas de emergências …até ver, a ideia de paz, os indivíduos, as nações, cores vivas, o movimento retrógrado, o grande mercado, a honra, a escalada bélica, a máquina da produção, o oprimido e o opressor, a bondade e a compaixão, a sobrevivência da espécie, a verdade científica, a beleza, a essência da democracia, liberdade, o ensaísmo acadêmico, a dor sentida nas ruas, estereótipos de papéis de gênero, identidades culturais e raciais, imagens sexuais degradantes, assimetrias, alguma coisa caótica, furiosa, fratricida, interesse geoestratégico, sentimento de irrealidade, verdugos da humanidade, as democracias mais consolidadas podem cair e por si mesmas apodrecer, dança histérica, deriva para o caos, votos, a vergonha coabita com a verdade, humilhação vergonhosa, escalada, nem liberdade nem pão, mecanismos, consumo, divertimento, ligeireza, ansiedade, ruído e lixo, relações humanas, intolerância, caricaturas, 'cartoons', nada para dizer, a música, o triunfo que ignora a lei, ninguém se salvou, comédia trágica, Ainda Estou Aqui, a profundidade da vida, a Inteligência Artificial, a estupidez natural, manipulação da verdade, as dores da humanidade, 'selfies', terror, mitologia pessoal, ecrãs, ameaças, nem únicos nem perdidos, a Literatura que em geral pressente o que a História depois confirma, domesticar, desinteligência grosseira, descomando, desequilíbrio, desarmonização, violência, racismo, NATO, a síndrome da imortalidade, reduzidos à condição de animais, há tentativas de rima que ameaçam matar o próprio poema, mundos prodigiosos, antecipar", tudo lá está, só esqueceu José Carlos Ary dos Santos. E termina 2025 na trigésima crônica, evocando a força das palavras profanas, ensejando que sejam mais fortes do que os mísseis. Aí vemos a palavra que a autora busca, poética e messiânica, que seja proferida pelas figuras costumeiras formadoras de opinião, palavra denunciadora, altiva, fiel e corajosa. E de súbito nos apercebemos que caberá à Literatura proferi-la, e Vos pergunto: Quem melhor que Lídia Jorge para usar da palavra? Lagos, 10/6/2025. O Discurso, e que discurso! Já o apreciei em 'Partir qualquer coisa', discurso onde todo o espírito português é exposto sem medo de patologias, posto que a verdade não se infecciona, é asséptica, pura, além do Bem e do Mal, manifestação imperiosa, não contaminável. Poderá ser falseada, mas aí não mais é a verdade. O discurso de Lagos no final da Primavera de 25, fica na História desse país para redimi-la. Quem não teme falsos fantasmas arroja-se intrépido no Absoluto, e com ele cria nova dimensão que liberta e engrandece a todos. João 8:32. Aqueles que tiveram conhecimento prévio de todos os assuntos levantados nestas 30 Crônicas e no Discurso, quedar-se-ão instigados pelos não cogitados ângulos de interpretação dado pela autora, pelo muito que é revelado à conta de sua apreciação atenta, e concluirão que não foram suficientemente espertos para reparar nessa enorme mudança de nosso tempo em seus detalhes, e que nem bem souberam avaliar em que mundo se encontram. E mais, ficarão a saber que há várias Lídias, que são uma em sendo muitas, sempre a mesma com diversas temperaturas e amplexo multiforme, que não deixa escapar nada, e que com calma e sabedoria avalia os mais diferentes eventos e realidades, sucessos esquivos que encontram todos, disse bem, todos, espaço na sua capacidade analítica de sentir e mais ainda de pressentir tudo que há.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Da trilateralidade.

"Alguma coisa está fora da Ordem, da Nova Ordem Mundial." Caetano Veloso. Meu avô materno, que era militar, costumava dizer: Manda quem pode, obedece quem tem juízo! E assim é, por maioria de razão, em espaços sem o império das leis, quando países deixam o Estado Democrático de Direito para assumirem posições em que fiquem sob o poder da força, vale dizer sob o Império da força, rejeitando os outros meios de expressão existentes na relação entre os Estados: o Direito (nesse caso o público internacional) a Diplomacia e o diálogo, institucional ou não, fazendo perecer estes meios, dando espaço somente ao poder da força — que muito pode, é verdade, mas não pode tudo, porque no processo atuam também outras componentes, que sendo de pequena e relativa força, mesmo assim podem modificar cenários que o poder entendem como certos. Foi assim durante toda a idade média, durante o período napoleônico, e mais, porque aquilo que se imaginava seguro, subitamente tomou outro rumo, alterando toda a situação — Vejam por exemplo o poder napoleônico, pensava que dominaria Portugal, o pequenino Portugal, facilmente, e não conseguiu. Por três vezes tentou, e por três vezes perdeu. Hoje temos dada a incúria europeia, por um lado, e o psicopata que ocupa a casa branca, por outro, (pedra que eu havia cantado na primeira campanha para sua indicação pelo partido republicano - podem verificar, está na net) a condição que está permitindo que o mundo tenha se rachado em três blocos, sem melhor proveito para nenhum, no entando permite a todos, e a cada um deles, impor políticas e ações militares absolutamente perversas, desrespeitando tudo que estava consaagrado como ordem mundial, rasgando a Carta da ONU, a da OEA, rasgando os compêndios de Direito Internacional, e destruindo relações diplomáticas, políticas e militares, e suas instituições, que levaram décadas (algumas séculos) a se consolidarem. Com isso ruiu a ordem, a antiga ordem multilateral, e surge uma nova, novíssima, que, por enquanto, é trilateral. A Alemanha foi a primeira a perceber isso, e a começar a se preparar para lidar com a Nova Ordem, e tentar estabelecer um quarto factor, um quarto lado (muito certamente dentro do todo da União Europeia da qual faz parte) mas isto demora. São preciso armas, exércitos treinados, indústria bélica e apoio popular (no caso das democracias). É preciso tomar boa nota que o tempo é um factor crucial, porque todo o espaço (político, militar, institucional, que não é ocupado, é um flanco aberto a movimentações, nada podendo embotá-las, que não o exercício efetivo do poder). Os que crêem em acordos (tinta sobre papel) como se deu com a Ucrânia, que entregou seu arsenal atômico em troca de um acordo de defesa — sabemos o que foi feito de tal acordo. Pobre Ucrânia. Sem Ordem, visto os poderes proeminentes só entenderem a linguagem da força, essa que só pode ser exercida militar ou/e economicamente, do vazio existente, muitas movimentações ocorreram no intúito de demarcar territórios, e estabelecer zonas de domínio. A Rússia de Putin começa sua expansão territorial no sentido de recompor a velha União Soviética (que nunca teve nada de União, mas sim de jugo soviético). Os Estados Unidos começam a peleja pelo domínio do Indo-Pacífico, levando a China a demonstrar todo o poderio que vinha, e vem, consolidando durante décadas, como é seu modo de atuar (devagar e sempre, ou melhor: continuamente ativa sem despertar barulho e atenções) e um pouco por toda parte, na Europa, em África, por toda Ásia, na América, nos próprios Estados Unidos, comprando sua brutal e impagável dívida; e por toda parte comprando empresas, portos, companhias de transporte, etcetera (tudo sem guerra, pela foça e poder do dinheiro que deixará de ser o dólar). Desse modo a Rússia que só é poder pela força das armas, tendo uma economia bem menos pujante que os outros dois lados — Os Estados Unidos e a China, os atuais maiores PIBs do planeta, muito distantes dos que vem depois, e, como sabemos, tudo, desde o desenvolvimento às guerras, custa dinheiro, e muito dinheiro, este que só pode ser obtido pelo desenvolvimento econômico e pela exploração das riquezas naturais, próprias ou alheias, para que haja uma máquina poderosa que sustente as pretensões de poder que alguém possa ter. Hoje estamos nisso, três poderes tentando aumentar seu efetivo poder e sua área de influência, melhor dizer domínio, por isso a Rússia do Coronel Putin invadiu vários Estados sem declarar guerra, através de "operações especiais", a China e os Estados Unidos fizeram o mesmo, coagindo outros países, sendo que os EUA têm como justificação, o entendimento absurdo da extra-territorialidade, e agora as três, para demarcar território, buscam acordos secretos ou não, como o de Putin-Trump em Anchorage, os de Xi nos BRICS+, e o de Trump-Xi na Venezuela (onde nem uma gota do petróleo que vai para a China será tocada). Manda quem pode, obedece quem tem juízo, 'tout court'.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Complexo de Napoleão.

Napoleão era baixinho.
O Sr. José Paulo Fafe escreveu no seu 24 horas, às vezes são só 23 e meia, um artigo de opinião intitulado O ERRO FATAL DE MARCOS MENDES. Ora não há erro nenhum, é como é. Erro é aquilo que resulta de uma má compreensão, ou de análise deficiente, o que nesse caso não se verifica. Sendo o erro apontado "assentar sua campanha na seriedade, na questão da ética e da experiência.". Não há erro nenhum nisso, e na verdade o mínimo expectável é que todos os candidatos o fizessem.O que não ficou dito é que para o fazer é preciso não ter telhado de vidro, o que certamente o sr. José Paulo Fafe evitou mencionar, para não responder a um processo do Dr. Marcos Mendes, agora dizem Marcos Mentes... Sei lá! O facto é que essa coisa de se apresentar higiênico, é necessária higidez, ou seja sua boa saúde no sentido da limpeza, ou seja não estar conspurcado por nenhuma sujeira que se lhe possam apontar. O paladino dos comentários de domingo, que, tendo sucedido a Marcelo na tv, não o sucederá em Belém, por falta de cabedal, os sobejos recursos que tinha Marcelo candidato, que pôs-se em rumo batido na sua candidatura inexorável a dez anos no Palácio de Belém, salvo sua mordacidade, não puderam apontar nada a Marcelo. Já o caso do Sr. Mendes é bem diverso. Não se tratando de erro algum, posto que só erra quem foge a sua essência, e Marcos Mendes manteve, e mantém sua essência, essa que é forjada na puquenez de seus dias, o tampinha que sempre foi, e é, porque é baixote, poucos esuqecer-se-ão das blagues dos bonecos da Contra-Informação, onde o sr. Mendes era retratado naquela versão abstrusa de comportar-se, um sorriso falso, uma pose estudada, uma postura premeditada, e nada para destruir uma pessoa do que passar a sensação de ilusionismo. E a postulação do Sr. Marcos Mendes não aguentou uma campanha, sem erro, mas com sua natureza, napoleônica que é, o complexo,mas sem nenhuma genialidade como tinha o que denominou o complexo, o 'petit caporal'. O complexo de Napoleão, que atinge primordialmente às pessoas de baixa estatura que gostariam de ver sua figura em posição cimeira, ultrapassando todos os demais mais altos fisicamente que eles, tendo destarte o desejado destaque, aquele que se lhe foi roubado pela Natureza ao fazêlo pequeno fisicamente, mas que seus magníficos dotes intelectuais o lançaram muito para além dos outros, oa mais altos. O erro, que aqui neste caso é do Sr. José Paulo, foi esquecer-se que ninguém foge a sua própria natureza, sendo como é, nesse caso um pretencioso, que só sem máculas, como se verificou na candidatura de Marcelo Rebelo de Souza, poderia prosseguir num diapasão de ética, cuja conduta fosse, não digo irrepreensível, mas com falhas aceitáveis, e que não levassem ao que as apresenta a postura temerosa e apoucada para um gigante-anão que tenha a maior pretensão política que há em Portugal. "Ganda noia."

Macas ou mocas?

Devido à minha proverbial estupidez, promovo soluções óbvias aos problemas que se me aparecem. Por exemplo: acaba-se-me o pão lá em casa, eu sem exitar saio e compro pão - pondo fim ao problema - e me considero muito engenhoso por isso! Só uma mente brilhante alcançaría tão pronta solução. Deste modo quando sabe-se que o problema do INEM reside no sequestro, melhor será dizer não liberação, das ambulâncias que não podem seguir seu rumo sem as macas, este utencílio indispensável para o transporte de doentes, uma vez que os doentes sem macas teriam um transporte ao mesmo tempo difícil e perigoso, pensei, dentro dos meus limitadíssimos recursos mentais: Porque não suprir a falta de macas, e com isso libertar as ambulâncias prontamente, vale dizer libertar o INEM para continuar a fazer seu serviço indispensável e insubstituível? Desse modo, dentro de minha fraquíssima capacidade de entendimento, imaginei que se houvessem macas sobressalentes, o problema prontamente resolver-se-ia, evitando toda essa convulsão que assola o país há anos. Fiquei mesmo muito abespinhado que saísse essa ideia de minha limitadíssima cabeça, quando os cérebros privilegiados que dirigem a nação portuguesa, não concatenaram essa prodigiosa ideia, advinda de minhas parcas faculdades. Seria algo assim: No lugar de adquirir mais ambulância, equipamentos, treinar pessoal para-médico e de suporte, etcetera e tal, bastaria comprar bom número de macas e distribuí-las pelos hospitais. Desse modo quando uma ambulância chegasse a um hospital, em lugar de aguardar a devolução da maca em que entregaram o doente, apanhariam outra, e seguiam seu mui meritório trabalho de salvar vidas. Sinto-me amedrontado em propor solução tão simples, que só poderia vir de uma mente tão simplória quanto a minha, e deste modo estar metendo a pata na poça, revelando todas as minhas limitações de raciocínio, mostrando quão medíocre eu sou. Vencendo este medo por amor à causa, e na expectativa de salvar vidas, lanço aqui minha sugestão: PONHAM MACAS SOBRESSALENTES EM CADA HOSPITAL. COM POSSIBILIDADE DE ACESSO SÓ POR PARTE DOS PARAMÉDICOS DAS AMBULÂNCIAS. Dito isso peço a Deus que me perdoe na minha ousadia simplória, e que ilumine as mentes brilhantes que nos governam para encontrarem a solução mais adequada a tão complexo problema. Que Deus nos ajude.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Ano Novo, quem sabe, feliz?

1. Da condição. Toda surpresa do entendimento é tão plena como a da incompreensão, esta mesma que não existe, assim como o frio não existe, e que como a física nos ensina, há apenas falta de calor, este que efetivamente existe, e que sentimos igualmente ao frio, por presença ou por ausência as coisas se fazem notar. Temos incompreensão quando não compreendemos aquilo que notamos, entretanto ela não se faz presente, por isso a notamos, e é sua ausência que nos vem ensinar, porque não está lá, e nós que lutamos pelo entendimento com a cabeça de quem sempre busca perceber as coisas, não entendemos o que se passa quando este (que se passa) são o vazio ou a ausência, porque não colecionamos ausências, estas que costumam ser mais eloquentes e instrutivas que a maioria das presenças, dispensando as palavras como nas trilhas sonoras de Morricone, que nos faz cantar suas músicas ainda que sem palavras, como nas telas do Bosch, ou então com palavras, como na poesia de Vinicius, onde só o sentimento prevalece; e, com ou sem palavras, dispensando também as demonstrações, porque tudo já foi entendido com a plena incompreensão manifesta. O sentimento tem forças telúricas, oníricas e mágicas, como poemas soprados ao vento, que ficam impregnados nas almas, arrancados à vida, esta particularidade que não podemos evitar. 2. Do estado. Já não somos mais. Já não estamos mais. Já não pertencemos mais. E a sensação não nos abandona. A impossível compreensão perde-se na surpresa sem entendimento, mas é tão forte, tão presente, como se existisse, e nós, que a sabemos não existir, mesmo assim não conseguimos nos livrar dela, a ausente mais presente em nossas vidas. Dialética do absurdo, gramática da estupidez em sua mais absoluta retórica, de tudo o que entendemos, por não entendermos. 3. Da ocorrência. Encontro desesperado do desencontro, essa arte tão subtil quanto brutal, sem humana compreensão, desumana que é, também torpe e fidedigna, retrato perfeito do que não existe, senda sem rumo de caminhos incertos, posto que nada restará. Tudo passa por nós e nós passamos por tudo, incólumes e devastados, nesta dupla sensação que como tintas primárias se fundem gerando uma nova cor, que não sabemos designar, que macula nosso pensamento e alma, na impossível certeza de nos fazer duvidar, porque não há nada para se crer neste mundo de meu Deus. Só a inteireza, a boa vontade e o amor, poderão transformar esta incredulidade. 4. Do ser. Depois de alguma estrada, múltiplos e desencantados voltamos sem surpresa a entendimentos fatídicos sem passado, sem futuro, na presença exclusiva da memória, esta maldição incruenta que nos conforta e aterroriza, que, sendo nossa única tábua de salvação, é ao mesmo tempo o precipício em que nos lançamos por falta de melhor opção, já que habitamos e somos habitados por todos os fantasmas baldios, como um espaço que sendo de todos, é de ninguém. Em nós e fora de nós. - Ali vivia d. Fulana, onde andará? Aqui não era uma pracinha? Essa era a casa da menina, minha primeira namorada, nunca mais soube dela. - Toda a roda de coisas que nos habitam desajeitadas e desajustadas para além da nossa vontade, e que seguem imparáveis e sem eixo, desabaladas e estáticas, dupla e exclusiva condição, em coisas impensáveis, para almas insaciáveis, em presenças muito vívidas, como só soem ser as que não mais existem, apartadas definitivamente da decrepitude dissolvente que tudo esmaece, descolorindo a felicidade, esta cuja cor desconhecemos, no entanto a cremos pintalgada como canteiro de múltiplas flores. Será? Pouco custa desejar. E tendo girado a roda, melhor ou insensatamente impelida, sucederam-se estações, anos, talvez mais, posto que o tempo, esse senhor absoluto da vida (e da morte) implacável como é, tudo vence, exceto ao amor, à bondade, e à inteireza; tudo mais ele faz fenecer com sua passagem (e nós, tolos, festejamos), ou, então, faz ressuscitar na sequência daquilo a que chamamos existência, inarredável condição em nós, e que, quando se torna extrema, nós, ignorantes, prestos em seu derradeiro requisito, diletantes, devemos desejá-la feliz.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Os meandros do casamento - Leopoldina e Pedro.

1. O mundo deixava de ser clássico para ser romântico, o que era mais-que-tudo uma mudança na forma de sentir, penso não poder haver maior mudança, ao mudar a forma de sentir de uma pessoa muda-se tudo: seu pensamento, sua lógica, sua sensibilidade, seus gostos, seus hábitos, enfim sua forma de ser. Peço-Vos que não busquem nesse livro objetividade histórica, uma vez que vejo as coisas desde outra perspectiva, posto que não acredito na filosofia histórica, porque não vejo perfeição no mundo, nem em mim. Agora que se passaram quatrocentos e cinquenta anos de que este Rio de Janeiro se fundou na contingência de defender esta baía de águas tão calmas, onde os franceses se haviam instalado, promovendo a preocupação portuguesa de que o imenso território que tinha nas mãos teria de ser ocupado rapidamente se o queriam manter, e que passados duzentos e cinquenta anos daquela sua fundação, o vamos encontrar aqui como capital do Império, com o seu Rei morando nele, coisa nunca vista entre os Impérios europeus, tendo deixado Portugal, portanto a capital do Reino do Brasil, que no final deste ano se iria constituir, assumindo uma posição de destaque no cenário mundial, concernente à sua pujança, e as suas riquezas, que deixaram de circular já há sete anos por intermédio de interpostos negociadores residentes em Lisboa, para passarem a ser diretamente negociadas pelos próprios ‘brasileiros’, começando o Brasil a assumir a posição de destaque que lhe é devida, e, que, com este casamento, do qual lhes conto sua gênese até a faustosíssima festa que se realizou em Viena para celebrá-lo, mais longe irá, e em maiores alturas ousará planar, na consequência de um brilho e poder que não se poderia mais tentar ocultar e tentar constranger, e a ação de Marialva em Viena muito ajudará ao processo, como se verá. Alteração que mudando as relações da metrópole com a colônia, passando mesmo a colônia a ser metrópole, na inversão desta lógica colonial com a qual se passou a dizer, porque rima em português e irritava solenemente aos portugueses: ‘Encomenda sem dinheiro fica no Rio de Janeiro’. 2. Os anos se vão somando, e os séculos se completam, agora dois, sobre este casamento que mudou Portugal e o Brasil para sempre, duas centenas de anos que iremos reviver, porque a memória é vida, e tenho esta gente bem viva porque deve ser lembrada e relembrada pelo que fez, e quero que as personagens saltem do papel e venham dançar à sua frente, com suas qualidades e defeitos, com suas vontades e desleixos, com suas verdades e segredos, mostrando e demonstrando tudo o que se passou. Trazendo-vos o gosto das coisas, não mortas nem vivas, mas eternas, como são as coisas do passado, que como fatos imutáveis conquistaram este estatuto, e que devem ser apresentados em sua plena extensão para fazerem-nos viver com eles e com as personagens que os protagonizaram, com tudo aquilo que representam e que, chegados até nós, dizem-nos do rumo de nossas vidas, rumo que estas personagens traçaram com suas ações e omissões, e que foram estas mesmas ações e omissões, hoje eternas, que moldaram tudo que aí está, e a que chamamos ‘status quo’, ou realidade presente, e que é a materialização em somatório, como consequência, de todos os atos que se fizeram antes. E alguns se nos vão revelando por seus testemunhos, os quais vamos ocasionalmente encontrando e descobrindo. Aqui também assim foi. 3. Foi preciso sorte, disposição, ganas, perseverança, paciência, tempo e disponibilidade! Os pré-requisitos necessários, indispensáveis mesmo, para produzir uma obra como essa. Onde teremos que retirar do Danúbio suas ninfas, suas ondinas e todos os espíritos fantásticos que o habitam, para que venham prestar reverência a esta festa plena de maravilhas, assim como Strauss o fez com sua música no tempo da festa, quero eu fazer com meu pálido verbo ao relatá-la, quero dar vida ao ter memória. Náiades venham dançar! E como o Danúbio, também a Guanabara e seu perdido Janeiro, e também o Tejo, o Moldava, o Sena, o Lago di Lèsina, ou o di Varano, e ainda outras muitas hidrografias com suas entidades mitológicas, tágides, melíades, multíplices potâmides, e também venham seus fantasmas, seus espíritos benfazejos ou maléficos, para além de outras entidades manifestas que conformam a paisagem histórica, sem nada esconder, que estes são o invisível, o impalpável, mesmo o imponderável, sua alma, suas gentes e paisagens diversas, que sendo o que se pode ver e perceber de suas ações, pois tudo se combina. E que como ao sátiro de Bouguereau elas me conduzam a banho lustral, ou batismo, minhas noivas que são, e destarte ao destino revelador dos mistérios, pois os trazendo à memória, revelo-lhes a presença, personagens que estão conosco vivas, vivas na vida que nos legaram, na forma como as coisas se passaram e chegaram até nós. Vivas! Já que só vivem os que se fazem lembrar. Partindo desses três focos, o do contexto, o da materialização, e o da factualaidade, dediquei-me 25 anos a estudar esse assunto do elo entre o Brasil e a Áustria, que levou a Independência do Brasil, tendo como geratriz o casamento de D. Pedro e D. Leopoldina, que desaguaram numa série de acontecimentos que determinam a enorme mudança mundial do XIX, com a instituição da liberdade e voz dos povos, antes sujeitos ao silêncio do poder absoluto. Vos trago a reflexão toda a teia de interesses que eclodiram nesta época como nova realidade inesperada à conta de ideias novas que se espalharam pelo mundo, criando entendimentos, sentimentos e organização tão diversa da vigente até então. Com esses dados escrevi esse livro que Vos apresento como ferramenta para a compreensão da realidade a partir dos fatos que a moldaram com as sucessivas mudanças que foram ocorrendo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Da irresponsabilidade civil virtual, à peta da IA.

Salvo os filósofos, as pessoas não pensam nos arquétipos das coisas, e só vêem as coisas ou como absolutas, ou como arquétipos de outras coisas. Entretanto toda a Natureza serviu de modelo para a tecnologia humana - as aves e insetos aos aviões e mísseis, por exemplo, os cetáceos aos submarinos, o mimetismo à camuflagem, a pedra que se atira de várias formas, às balas e projéteis. No entanto as coisas não são absolutas! Como postulou Platão, as idéias são os arquétipos das coisas, logo as coisas não são manifestação de si mesmas, sendo fruto das ideias. Porém para quem olhe para as coisas, estabelece o senso comum, interpreta a realidade de modo a ver nas coisas a expressão absoluta do que existe, nelas mesmas, esquecendo-se do arquétipo que as gerou, a verdadeira fonte, ficando-se pela visão do mundo. Qualquer biólogo sabe que a intenção que rege a forma como a Natureza cria as coisas, traz consigo um método estruturado num modelo ideal que forja repetidamente este mesmo modelo, o reproduzindo inúmeras vezes com muitíssimas variações formais, e o faz matematicamente. Em química sabemos à exaustão das leis que permitem, ou não, as combinações das diferentes substâncias segundo as possibilidades de sua natureza, arquétipo criador de tudo que há. Ilimitada e ilimitável, a realidade das coisas se foi verificando regrada por modelos intrínsecos de sua natureza, modo pelo qual a ciência foi revelando o que já afirmava a filosofia, o arquétipo das coisas reside nas ideias, e, se as revelarmos, teremos desvendado o mistério, teremos decifrado o código, e faz-se a maravilha do entendimento, unica matriz das infinitas possibilidades a nível humano, posto que tudo mais é escuridão e apalpadelas metafísicas, até que consigamos entender e interpretar a realidade que observamos e as manifestações empíricas de tudo com o quanto lidamos, permanecemos no escuro. E se é assim a essência das coisas além do mundo sensível, uma vez que fixemos o olhar para além da ilusão da aparência das coisas, como, por exemplo, ao observarmos o percurso solar, a primeira ideia é que o Sol roda ao redor da Terra, quando sabemos que é extamente o contrário que ocorre, e ela só nos revelará a verdade, esta tão desejada luz que só se acende na dialética, permitindo libertarmo-nos da visão fragmentária superficial, para atingirmos o 'toú agothoú idéa', a ideia do Bem, abandonando a 'eikasia e pistis' para entrar na 'dianoia e noesis', exatamente como a neurociência veio a confirmar milênios depois, a concluão de Platão, rejeitando o acaso pela assunção da causalidade, como a Natureza há muito nos indicava, pois é fonte de toda ciência. Logicamente se tudo tem sua causa, não podemos deixar ao acaso a regência da realidade das coisas, muito menos as virtuais, uma vez que estas são as potenciais realidades susceptíveis de se materializarem por um lado, e por outro muito mais afetas a 'dianoia', ou seja às ideias que nos governam, constituindo imenso perigo porque o futuro é feito de ideias que, como fantasmas, abentesmas assustadoras, são os espectros voando como avejões na direção de suas aparições constantes, que, se toleradas, irão se materializar como imagens no espelho diáfano do entendimento, sendo depois aceitas por todos como verdades tegumentosas. Portanto devemos ter em atenção: 1. A responsabilidade civil na net só existe se for denunciada uma transgressão, e esta obtiver decisão judicial que a reconheça, diferentemente da vida civil onde qualquer transgressão denunciada (à polícia) obtém imediata resposta. Se alguém proferir injúrias contra você, é imediatamente silenciado, se o atacar, é primeiro detido e depois levado a Juizo pelo crime de agressão. Essa inversão da lógica da resposta à criminalidade, permite, no mundo virtual, ao criminoso praticar o crime impunemente e repetidamente por largo período de tempo, de tal sorte que se o ofendido vier, quando vier, obter as restrições misteres a serem imputadas a quem o ofende, o malfeito já estará consumado, e a injustiça consolidada, uma vez que ficou espalhada a ofensa, mor das vezes baseada em falsidade, e se viralizar poderá mesmo atingir níveis planetários, com milhões a ver, sem saneamento possível. Esta condição de impossível defesa, e falta de pronta punição, é a porta aberta a todos que com más intenções, pelas mais variadas razões, queiram prejudicar quem quer que seja. 2. A demanda pessoal de milhões (fofoqueiros, paparazis, mentirosos, mal-intencionados ou não, e seus seguidores) tem a capacidade de gerar correntes inteiras, de proporções industriais, não só contra indivíduos, mas como ação de desarmonia em velocidade inimaginável na oralidade, ou na escrita não tecnológica, prejudicando tanto pela intenção do falsificador, como pela ação disseminatória do consumidor que reproduz a desinformação ao consumi-la, tanto por sua própria ação, como pela ação multiplicadora dos algoritmos. 3. A multiplicidade de usos, bem como das diferentes intenções de uso, deste meio tecnológico para os mais inqualificáveis fins, permite a corrupção generalizada dos valores sociais, uma vez que o próprio consumidor não se alarma com as diatribes e absurdos que encontra nas redes sociais, as achando circunstanciais, ou serem restritos os desaforos e as invenções propaladas, portanto não serão graves, uma vez que no universo virtual não existe ação, assim como na guerra fria, que não deixa de ser guerra a conta disso. Deste modo o racismo, a violência contra as mulheres, os impulsos pedófilos, os descréditos políticos, religiosos e éticos, etc... etc... são difundidos sem que sofram nenhuma coibição. 4. A verdade subjacente às atitudes anti-democráticas, e criminosas permitidas na internet, é que há uma intencionalidade, muitas vezes perversa, nestas propagações de notícias falsas, posto que direcionam suas ideias a partir de um foco de onde dimanam a maioria das detrações de relevo difundidas, é a intencionalidade política. Já a razão das empresas servidoras permitiren isso, é econômica, não se importando com as consequências sociais, muitas delas criminosas. Não refrear essa difusão à cabeça, permite que se forme um ambiente de desinformação propício aos interesses mais esdrúxulos, propagando ideias intencionadas que servem a grupos políticos que desejam ver inculcadas estas ideias, as fazendo ser aceitas por número sempre crescente de desavisados. 5. A Inteligência artificial, fruto do adestramento político-social da máquina em sucessivos ângulos, conferindo-lhe hipotética lucidez em meio a escuridão geral, e conexões lógicas pelo nexo que apresenta onde há falta de tanto entendimento, permitindo, pelas imensas associações, simular pensamentos e inteligência, portanto assim se intitulando apesar de faltar-lhe sempre muito de imaginação, algo de concepção e um raciocínio verdadeiro, posto não ter espírito, e ser instrumento indissociável de quem a criou, nunca uma inteligência. Mas a ideia de inteligência é engraçada e encobre a autoria, por isto largamente aceita. Voltando à Caverna de Platão do preâmbulo, temos que as imagens refletidas, que só as podemos observar na parede (ecran) imobilizados pela forma como nos é apresentada a pretensa realidade em seu jogo de sombras, condiçção impossível à época da ideia da caverna, mas que hoje existe e chama-se computador, com a mesma iluminação às nossas costas, traz toda uma realidade, do mesmo modo que a parede da caverna, diria Glauco concordando, que contém os mesmos modos de distorção, gerando os mesmos 'prisioneiros crédulos' da única realidade que passam a conhecer, impossível à época de Platão que perspectivou toda esta situação, impossível no seu tempo, e que hoje, sem prospectiva, grassa, desinformando e alucinando aos usuários das redes, pleiteando por ser aceita cada vez mais, posto que só existe em potencial e não em ação, alega, por virtual que é, sendo para os que a controlem, poderosíssimo instrumento de ação, uma vez que "a essência das coisas está para além do mundo visível", como constatou Orwel, e este 'potencial' é capaz de tudo, impedindo inclusive a ascensão da alma para o mundo intelegível, fazendo com que permaneça na lógica do reflexo que lhe apresentarem. Não esquecendo que a ideia do Bem é a última a ser aprendida, e com grande dificuldade, toda e qualquer substituição desta ideia, proposta como verdade, tem a capacidade de engendrar as almas e o entendimento, logo também no mundo intelegível. Assim a dita IA, inteligência artificial, é o meio mais efetivo de incutir as convenientes informações de uma realidade que se deseje fazer crível, ainda que seja falsa, ademais supostamente sem autoria. Neste enorme perigo a que estamos sujeitos, nossa única esperança, essa qualidade nossa, exclusivamente humana, é a de que a 'ideia do Bem', arquétipo original, em sendo soberana, dispensa a inteligência, e mesmo a verdade, venha por fim prevalecer, posto que só ela engendra as almas efetivamente. Por agora devemos entender que estamos todos em perigo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

O pior de todos é o ignorante.

Desde muito cedo compreendi os perigos deste mundo, fui sempre uma criança e um jovem muito pensador, e os adultos notavam isso, e me faziam perguntas, algumas estranhas, outras profundas, ainda outras impossíveis, perguntavam num diapasão de "Licenciado Vidreira" como o engendrou Cervantes na sua novela deste nome. E entre as coisas que me costumavam perguntar, sobretudo quando sabiam que eu afirmava costumeiramente que o medo é uma perda de tempo, o que era o que eu mais temia (?). Minha resposta pronta era: Gente burra. E os leões? As serpentes? Os cataclismos? Eu respondia que os animais não se metem com a gente se não nos metermos com eles, e os cataclismos são raros e eventuais, agora gente burra há em demasia em toda parte, sendo difícil evitá-la, e devíamos nos precaver quanto a elas, e exemplificava com uma história de um assalto que corra mal. Se o bandido com a arma na mão não for estúpido, e mesmo que entenda usar a arma, dará o tiro numa perna, num braço; se acaso for um dos muitos imbecís que por aí andam, acertará em cheio na cabeça. Ação insensata e inútil à conta de uns trocos. E quem não for mesmo nada estúpido não praticará assaltos. Logo o mais temível no mundo é gente burra: Os muitos ignorantes de tudo, que por aí andam, cuja extensão de pensamento só dá para pensar burrices, e logo pô-las em prática, é que são o perigo. O estado mental deste tipo de gente é deturpado, representando um perigo ambulante para todos, inclusive para si mesmos. A ignorância, mãe da estupidez, gera ousadia inconsequente, impossibilitando qualquer forma de argumentação. E são um perigo, contra e a favor, já veremos. Vejam os políticos de extrema direita A VOLTA COM OS TRIBUNAIS, que ofendem os juízes, de Bolsonaro a Le Pen, que os ameaçam de morte, e mesmo condenados insistem. Este destemor e sensação de impunidade que têm, os leva a não terem limites, a não perceberem que as leis e as decisões judiciais são para cumprir. A sensação de poder ilimitado do - Kiss my ass- beija-me o rabo, expressa na mais vulgar e xula maneira, é a suprema expressão da burrice, porque todo poder é limitado, e estas posturas de superioridade não levam a lugar nenhum. A ilusão de que tudo podem, e muitas vezes podem por um período de tempo, é a expressão máxima da incompreensão do mundo. Posto que ignoram que tudo funciona como as ondas, batem e voltam, porque tudo que flui, reflui, na inafastável realidade boomerang que rege o mundo, a lei do retorno. Eu só temo aos burros, porque estes são cegos e sem reflexão, sendo capazes das coisas mais absurdas. A burrice em grau elevado chamamos psicopatia, porque o alto grau de descontrole destes pode atingir indiscriminadamente qualquer um, sem critérios e sem excessões. Um inequívoco perigo. Eu que não sou de vídro, mas, frágil como toda gente, mesmo os que não se crêem, como todos estou sujeito a ação violenta destes burros, que sem a menor razão nos podem atacar e mutilar de forma absoluta no descontrole psicopático de sua burrice. Os burros inteligentes. O critério avassalador do burro-inteligente é sua esperteza e sagacidade para certas coisas, em confronto com sua estupidez pegada, muitas vezes imitada, formando falanges de estúpidos seguidores do burro-mestre, que tem esse enorme poder de conformar séquitos, uma vez que a burrice-inteligente é contagiante a partir do ponto que se faz crer como uma realidade, ou narrativa, como muitos hoje preferem, forte e plausível, uma vez que expressa entendimento, na maioria das vezes empírico, perceptível, visível, que só o intelecto superior pode contestar. Desse modo por milênios acreditaram que a Terra ficava no centro de tudo, como se pode ver ao observar que o Sol anda à volta da Terra, assim como as estrelas, a Lua e tudo mais. As aparências enganam, como sabemos, mas não aos burros, que têm as profundas certezas de seu entendimento. Por isso os temo muitíssimo.

domingo, 28 de setembro de 2025

Caetaneando-nos.

A vitalidade da MPB está nas ruas, nós, os insubmissos O verso do Brasil não se cala Nossos poetas estão nas praças "Esse cálice de vinho tinto de sangue" não precisará ser derramado" Nossos heróis nos vieram salvar "Sem lenço e sem documento" "O sanatório geral vai passar" Seu roteiro está nas letras Vamos Djavanear, Gilbertear, Buarquear, Paulinear, AlceuValencear, IvanLinsar Leninear, Frejatizar Tomar o "pileque homérico" Em todo o Brasil: "Atenção! É preciso estar atento e forte Não temos tempo de temer a morte." "Além do céu de Brasíia" "Aquele abraço" "Só vou caetanear o que é de bom" "Meu destino eu mesmo traço" "Enfrentou a tempestade" "Quero a louca liberdade" "Estamos marcados pra sobreviver" "Nossos inimigos estão no poder" A resposta é "Cresça e desapareça" "Ideologia ... pra viver" É termos cheiro de povo Milhões nas redes Milhões nas ruas A resposta está dada "Não passarão!"
Lista dos artistas nos atos: Simone – Maceió, Chico César – Brasília, Silva – Vitória, Bel Bertinelli – Dj Pítty Latuffe – Fernanda Takai – Júlia Rocha – Mc Mika – Rafa Ventura – e Renegado – Belo Horizonte, Aíla – Carimbó Selvagem - Gang do Eletro – Jeff Moraes – Joelma Klaudia – Júlia Passos – e Raidol – Belém, Caetano Veloso – Djavan - Gilberto Gil - Chico Buarque – Paulinho da Viola - Ivan Lins - Lenine e Frejat - Rio de Janeiro, em Copacabana para a expurgar de presenças anteriores. Camarada Janderson – Curumim – João Suplicy – Leoni – Luiz Thunderbird - Marina Lima – Otto – Rap Plus Size – Salgadinho – Sophia Chablau – e Thalma de Freitas - São Paulo, e mais vinte capitais, e mais não sei quantas cidades com o povo na rua. "Baste a quem baste o que Ihe basta O bastante de Ihe bastar" Eis nossa revolução!

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Afélio e Periélio

Duas palavras conhecidas e que quase nunca as utilizamos,e que em sua sucessiva ocorrência nos trazem as quatro estaçãoes, assim como a rotação da Terra nos traz os dias e as noites; ações que combinadas permitem aquilo a que chamamos VIDA esse bem tão precioso que contraditoriamente preservamos e desrrespeitamos ou atacamos à vez, na insania humana de gerar e matar, todos os dias, todas as horas, como se num determinado ângulo, o equívoco que encerra fosse natural, e só o é na medida em que carecemos de vida para mantermos vida, e aínão é equívoco. Assim quando o leão caça e devora a gazela, tira uma vida para manter outra, muito bem, é assim. No entanto quando matamos para que o outro não exista apenas, sem o propósito de manter a vida, abandonamos a faixa do normal, para ingressarmos na do injustificável, porque essa relação de vida e morte, permanente ação no Universo, foi quebrada no que ela tem de tangível, uma vez que abandona o natural, e torna-se abominação. Nos ciclos de vida e morte que gerem o planeta numa sucesssão infinda, tudo se manifesta à vez, gerando as possibilidades, mesmo quando esta possibilidade é a morte. Perguntem às flores de cada estação, aos frutos em cada época, aos bichos que comem outros bichos, inclusive nós que também somos bichos, e teremos as diversas possibilidades. A das flores tornarem-se frutos, estes que são alimentos, como os bichos devorados, e que mantém vida com a sua, e que manterá o equilíbrio das coisas, o da própria vida que desse modo estará mantida pela limitação gerada, uma vez que tudo tem limite. Assim pois, quando o Sol se afasta a caminho do afélio, leva seu calor consigo, nossa fonte de vida, ou o fruto devorado deixa sua semente algures, ou o animal, mantendo uma população possível aos que devora em seu espaço de existência, tudo opera para justificar que estes enormes contrários realizem esta maravilha tão banal e tão rara da Vida, vida que queremos plena, de tal modo poderosa manifestação, que justifica todas as mortes que gera. Temos em seu contrário que uma morte que não mantém ou gera vida, é absolutamente irrazoável, posto que inaceitável, como toda a estupidez o é. O despropósito recusa nada, inadmissível que é. E se assim é, porque a banalizamos em desrespeito ao que há de mais precioso? Assim parece. As guerras, do mesmo modo como o Sol, vêm e vão, só que o que deixam não representa nada além do grande fruto de nossa estupidez: mortes injustificadas. Passos sucessivos da inconsequência e irreflexão, resultantes de um menor descortino, os atos guerreiros que têm sido a História da Humanidade, são também a maior confissão de sua falta de entendimento, da manifestação dos impulsos precários que regem a violência, esta manifestação pronta da falta de entendimento verdadeiro, falta de questionamento e introspecção, cujo maior exemplo é a afirmação superior e determinante que é feita ante um grupo de homens irrefletidos. Conhecem a história. Trouxeram-lhe uma mulher sob a acusação de adultera, que, pela lei mosaica era passível de lapidação. Tinha já o grupo as pedras na mão, eram fariseus e doutores da lei que buscavam incriminá-Lo, e queriam por outro lado matar a mulher a pedradas. Envolvendo-O, incriminá-Lo-iam, porque sabiam que em hipótese alguma Ele aceitaria a lapidação, logo seria contrário a lei, portanto culpado, no entanto questionavam-no, insistindo: E Tu que dizes? Sua resposta dá-se colocando-se entre os agressores e a acusada, incitando-os: ⁷ Aquele que de entre vós está sem pecado, que atire a primeira pedra (*). Todos se foram, ninguém atirou pedra alguma das que tinham já na mão. Deixando de lado a autoridade de quem falou, ainda que seja quase impossível ignorar, o que a história nos diz, é que se abandonarmos os preconceitos, os maus intentos e as ambições, e refletirmos, abandonaremos nossos piores propósitos, entregando-nos à verdade que nos liberta de todo sentimento injusto. Como o Sol que faz seu percurso iluminando todas as veredas, nossos sentimentos e entendimento também se iluminam ante a luz da verdade, como indefectível resposta aos sentimentos mais negros, tão só à custa de alguma reflexão. (*)João 8:7

Ministério do Vício e da Virtude - um roteiro..

Na interpretação religiosa de 'cura das almas', ou na essencial de 'execução de uma função', o ministério visa um trabalho, um ofício de resolução de problema que exista no seio social, com a a necesária atuação de força que aja com esse propósito, e destarte consiga sucessos promotores da paz e bem-estar social. Além dessa função, ou melhor, emerge desta função o שפיר - shefer, o benigno, uma vez que todo processo de realização do Bem traz consigo em paralelo todo o terreno místico, o universo das razões incompreensíveis, coisas imperscrutáveis que se manifestam pela simples presença do ofício, este que deverá ter função clara e determinada, o que quer dizer que tem propósito e intenção, ou seja existe como razão, como causa, e não como resposta. Eis o ministério. Por isso temos os problemas carecendo de resolução, que são muitos, havendo ministérios específicos para cada yn deles. De modo que temos em sociedades diversas, diversos ministérios dedicados a múltiplos problemas, muitos são os mesmos, posto que os seres humanos por toda parte carecem das mesmas coisas, entretanto há especificidades locais que requerem outros ministérios para enfrentá-las.
No Afeganistão criaram o Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício, cuja finalidade última é implementar as regras islâmicas por toda sociedade, sendo uma agência estatal para a implementação da lei islâmica, conforme determinado pelo Talibã,temos portanto o religioso, que entendem esse ofício como o de cura das almas, por ministrarem o credo, um santo ofício que ao longo dos tempos sempre cuidou de impor suas regras comportamentis a toda sociedade.Ministerium, ministerii, a palavra ficou por significar as ocupações, os cargos, as funções e o serviço profissional do corpo de auxiliares neste mister. Este ministério afegão visa a fiscalização das mulheres, tidas como um mal, agente de corrupção, que devem obedecer a estrictas regras, desde suas indumentárias, aos seus comportamentos, para tanto havendofiscalização de suas vestimentas, , bem como de seus modos.. O outrongrande mal está na música, que deve ser proibida por seu caráter libertador, que abre janelas, às vezes portões, para a sensibilidade humana, retirando-a da prisãodo comportamento - a própriapalavra comportamento vem de colocar portas, ou seja trancafiar as emoções e os sentimentos, prevenindo sua expansão.Na Arábia dos Sauds, a família que domina e governa o país, há o "Mutaween", uma comissão com a mesma finalidade (Comissão para a Promoção da Virtude, e Prevenção do Vícioo E o vício e a virtude? A quem cabe decidir o que é vicio e o que é virtude? Estes que se alteram com o tempo, numa mesma sociedade de um determinado país, houve tempo que um certo comportamento era considerado vicio, e evoluiu para virtude, mas mesmo não escoljendo o exemplo estremo, este de um vicio passar a ser virtude, mas quanta coisa que era má e passou a ser boa e vice-versa. É certo que está em ós esta noção de bem e mal, do bem e do mal, como dizem como se fossem entidades absolutas, todavia seu entendimento evolui, e que a noção mais profunda que temos mantem-se, e revalida-se, como bem mostrou Machado de Assis em seu adorável conto "A Igreja do diabo." Mais além do entendimento médio do que seja virtuoso e vicioso, podemos sempre aquilatar que defeitos e imperfeições fazem parte da natureza humana, e os devemos compreender, disse compreender, que não é aceitar e muito menos legitimar, e aqui temos o magnífico exemplo que nos deixou Jesus, como nos relata João, no início do capítulo oitavo de seu evangelho apresentando um caso de depravação e libertinagem (que quer dizer vicio) o da mulher adúltera. E quantas vezes lapidamos pessoas com palavras e atitudes, julgando-a despresivelmente, quando já nos foi dada a lição: "Atire a primeira pedra..." Erro de ofício, defeito, imperfeição, perversão, pecado,mau-hábito, tudo que é apontado como vício, quantas vezes não é, antes de mais, um pedido de socorro. Induz ao bem e a evitar o mal, boas quaidades morais, pudicícia, castidade, eficácia, validade, força, vigor, tudo que é apontado como virtude, quantas vezes não é, é máscara. A cada expressão tanto do vício, como da virtude, podemos descreditá-la como taal. Comecemos pelas virtudes que são mais difíceis de se ver como não podenso ser, o que se acredite que sejam. Das várias dezenas de virtudes classificadas, mais de 50, uma das menos evidentes de que possa resultar no oposto, é assim por exemplo com a fraternidade e o companherismo, duas virtudes muito favoráveis, mor das vezes. Mas quanta fraternidade levou a mortes? Quanto companherismo é mal interpretado? Dir-me-ão: mas a culpa não é da virtude! Decerto, taanto quanto não é da arma o feito de matar, mas de quem lhe puxa o galiho, certamente, mas se não houvesse a arma, não haveria gatilho a se puxar. Muito bem, então escolhamos outras: A amabilidde e o comedimento, ambas mal interpretadas dão em desgraça muitas vezes, como o comedimento que interpretado em fraqueza faz escalar a situação em desgraça, para não irmos mais longe. Com as mais exaltadas, as teologais e as acrdeis, dá-se o mesmo. Não culpemos as vitudes, mas elas são muitas vezes degraus, caminhos, instrumentos para o pior. Com os vícios dá-se o mesmo, sendo bem mais evidente que sempre se pode extrair o bem do próprio mal, considerando os vícios um mal.

"Há que dizer-se das coisas" e das pessoas.

Poucas coisas serão mais legítimas, verdadeiras, absolutas, quanto a integridade, essa condição de inteiro, onde não falta nada, onde nada está alterado, posto que as coisas só são o que são em sua totalidade e em sua inteireza, toda outra condição ou circunstância é uma forma de lesão, onde a pureza primitiva foi subtraída, e a intenção original terá sido retirada, roubando-lhe, de certa maneira sua integridade, essa que não admite rupturas, ou desagregação. E me vêm as palavras do grande poeta Carlos Ary dos Santos, imenso poeta, em seu poema "O Objeto" onde diz: "Há que dizer-se das coisas o somenos que elas são." e fazendo muitos questionamentos nos lembra que algo que se parte transforma-se em caco, parte desintegrada do original, perdendo sua pureza primitiva, que, não mais intacta, passa a ser outra coisa, deixando de ser o que era, condição diversa, nem melhor nem pior, podendo vir a ter qualquer uma destas novas condições, mas ainda que ficando na mesma, passa a ser outra coisa. O artista prima pela materialidade de sua obra, uma vez que entende que a concatenação das partes só é perfeita no todo original, aquele que motivou sua realização, sem tirar nem pôr, o impulso original deve perpassar inalterado toda a obra, preservando a mensagem, para que nenhum caco sobrevenha. É curioso notar que as falas introduzidas pelos atores num texto original no teatro, chame-se justamente caco, uma vez que são pedaços outros, não a matéria original com que se fez a obra. Deste modo a luta principal de um autor é conservar sua inteireza original, que tantas vezes é alterada em virtude de um entendimento mais fácil, de uma simplificação de natureza vária, até mesmo comercial, uma vez que nossa obra não é nossa, assim como os filhos, quando tomam corpo assumem a autonomia própria de todas as coisas, e aqui outro imenso poeta, libanês este, Kalil de seu nome, que nos lembra que a ânsia da vida tem seu papel, e que esta afasta de nós nossa obra, nossos filhos. Muitas vezes lutamos para que não seja assim, pretendendo reter a originalidade, que nos será sempre roubada em sua relação com o mundo, este que tudo altera e corrompe. A razão desta minha reflexão reside nos ventos originados duma conversa que tive com a Lídia Jorge, por quem já confessei minha admoiração e meu apreço profundos, em que eu perguntava dos livros que saíram no Brasil, e ela disse-me que "O vale da Paixão", de 1998, foi a segunda escolha, já tendo sido publicado o "Misericórdia", mas que ela exigiu que se repusesse no 'Vale' seu título original: "Diante da manta do soldado" que evidentemente tinha sido alterado por razão que ignoro. Não tive coragem de perguntar a razão, poderia ser uma, não direi imposição, mas uma sugestão insistente da editora, que tem todo o direito de ver o lado comercial da coisa, e que aceitamos, devido a tudo que envolve a publicação de um livro. Calei-me. Entretanto fermentou em minh'alma esse detalhe. E deu-se aquilo a que os franceses muito sensivelmente chamam de 'clocherie', torre sineira, lembrando que sempre algo badala para nos lembrar uma coisa que nos tenha escapado, Lídia Jorge quiz restaurar a pureza original de sua obra "Diante da manta do soldado" preterindo o título "O vale da paixão" já com tanto sucesso editorial. A isso chama-se INTEGRIDADE, fidelodade às coisas e a si mesma, talvez por isso, e só por isso, mais que todo o resto, Lídia é o que é, tem o sucesso que tem, e revela uma grandeza nas pequeninas coisas oriunda desse caráter, tenho vontade de dizer canino, desta natureza que tanto apreciamos e respeitamos nos nossos aigos de quatro patas, e que muitas vezes subalternizamos nos humanos como nós, esquecendo que "Há que dizer-se das coisas o somenos que elas são" pois só se é grande quando se é inteiro.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

TER DÓ NO CORAÇÃO - "SECUNDUM MAGNAM MISERICORDIAM TUAN".

A Natureza Humana desde sempre demonstrou compaixão, pondo-se no lugar do outro que está em sofrimento, tendo piedade, sentindo pena, tendo dó. Essa sensação empática e solidária que nos toca a todos, expresando-se em grande compaixão. Podendo ser incondicional como a 'Kuan Yin', a deusa, bodhisatva, A Senhora da Misericórdia, Domina Misericordiae. Porém ser misericordioso, perdoar, aceitar o erro de alguém, não significa compactuar com ele, "Ama o pecador e odeia o pecado.", nos indica a reflexão teológica. A ação simbólica de expulsar os vendilhões do templo deixa ver claramente a mensagem, o Ser mais misericordioso que passou por este planeta não tolerou a ação de desrespeito e ultraje de transformarem a Casa de Seu Pai num negócio, e os expulsou violentamente sem hesitar um só momento, deixando-nos a lição. A frágil relação entre esses dois procedimentos, o de entender o erro, sem compactuar com ele, é a terrível corda bamba, na qual se encontrará todo aquele que quiser ser misericordioso sem tolerar o pecado. Este romance de Lídia Jorge transita nas esferas antagâonicas destes dois valores, sem perder a noção nem de um nem de outro, na conformidade da indulgência com o pecador, e na intolerância com o pecado. Longe de ser um romance religioso, é um romance humano, no que a Humanidade tem de melhor e de pior, na sua condição contraditória de dor e alegria a um só tempo, "Misero me. Però brindo a la vita.", ou, melhor, em dois tempos tão próximos que se confundem. Em realidades tão antagônicas que se igualam e homogenizam, uma vez que os extremos se tocam. Só lendo. As catorze ações misericordiosas, muito bem conhecidas e documentadas, as ditas obras de misericórdia, que são sete ao nível do corpo e sete ao nível do espírito. As corporais: dar de beber a quem tem sede, dar de comer a quente fome, vestir os nus, albergar quem não tem teto, visitar os doentes, visitar os presos (visitar=consolar) e enterrar os mortos. As espirituais: Aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência aos desagradáveis e orar pelos vivos e pelos mortos. SEREMOS ETERNAMENTE CARECENTES QUE ESSAS OBRAS SE REALIZEM EM NÓS! DECLARAÇÃO DE INTERESSE. Meu envolvimento com o romance acontece desde logo por uma correspondência que troquei com a autora, sugerindo procedimentos emocionais para a escrita de semelhante enormidade, para que escrevesse sem tentar conciliar ou expor as desproporções inerentes à temática, e aceitar sua adversidade como moto e razão de existência, uma vez ultrapassada pelo tema. Assim aconselhava à autora, presunção a minha, ainda mais neste âmbito incomponível, que só um sentido e um sentimento do universal permitiria abordar tema com propriedade, nada há que dizer ou fazer, onde só a sensibilidade conta, e Lídia a tem com louvor, é mesmo incrível ver sua percepção e entendimento! Naquela correspondência lhe sugeria então que ouvisse o 'Miserere' cantado por Zucchero e Pavarotti, em sua confissão de nossa condição de miséria, pequenez na qual, perdidos na carne, falseamos, mentimos, com dúvida e desorientação, espanto sem humildade, perturbados, pecamos. "Ma che mistero." E mais sugeria o 'Miserere mei, Deus', de Allegri, invocando mesmo: "Incerta et oculta sapientiae tuae manifestate mihi." E Dona Lídia foi plenamente atendida. "Ancora non che" "Stabat mater Alegri." Ou ao reverso: Como um ocaso, assim se pôs ela, a mãe, como não pode deixar de ser na imagem de lidarmos com o incognoscível, e Lídia o sabia desde sempre. - Ao declarar logo no início de que valeu-se da melopeia-guia sugerida, faz-me tornar substância intrusa neste contexto, e dá noção da intensidade e verdade da autora em cada palavra, a nada menosprezando, nada excluindo. Alcançando seu intento: MISERICÓRDIA.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Partir qualquer coisa - Lídia Jorge.

Ninguém gosta de partir nada, mas às vezes é necessário, ninguém não é bem o caso, não nos esqueçamos dos psicopatas, mas não iremos falar deles. Contudo para falar seja o que for, carecemos de palavras, estas que são nada, e que são tudo - nada a nos ferir fisicamente, tudo a nos conspurcar, inevitáveis presenças aterrorizantes quando trazem verdade reveladora. Algumas das palavras geratrizes desta reflexão, que nem será preciso dizê-las em contexto, posto que só sua enunciação, suas presenças reveladoras, rasgam o duplo véu de equívocos e hipocrisia, fruto de um tempo de enganos: diversidade - "um é alto, outro é baixo, outro é gordo", Camões - 500 anos, cemitério - Lagos, animar - "o futuro está cheio de passado", discurso - ler "uma coisa íntima", divisão - apupos e palmas, controvérsia - "o que está visível", denúncia - "o mar é azul e tem ondas", símbolo - qualquer coisa pode ser, realidade - qualquer coisa pode ser, patriota - "os seres humanos são seres com ambiguidades", nacionalista - chantagem, agressões, insultos, sociedade - minar, esperança - "atravessar a lama". A palavra atravessar traz consigo, em contradição com seu sentido original, a ideia de ultrapassar, vale dizer: deixar para trás o obstáculo, logo quem visa atravessar, tem esperança forte num futuro melhor. E quem não tem esperança não pode viver.

Contudo sempre há escolhas: Respeito ou desrespeito, qualificação ou desqualificação, equilíbrio ou desequilíbrio, prisão ou liberdade, ordem ou desordem, bom ou mal, narrativa ou realidade, amor ou ódio, dizer ou calar. E neste processo de eleição só nos vale nosso íntimo, as verdades que fomos acumulando e que nos moldam. Fora isto, sem interiorização, somos levados pelo 'l'air du temp', tão propício a enganos, e há tantos enganados hoje, mas não deixam de ser nossos irmãos, que devem ser esclarecidos, devem ter informação crítica que os elucide. Todo silêncio é cúmplice. Ser-se menos do que se é, é pactuar nestes tempos em que a bomba, que é já octogenária, mas sempre presente, fala sem nada dizer, fala de nós, tempos esses onde ressurgem os falsos profetas. Só em nossa inteireza de tudo que foi avaliado e acumulado em nosso interno, temos verdade, e a devemos expor. Infinitos precursores de possibilidades positivas. Tudo mais é desgraça, tudo mais é minoritário, afastando-nos do infinito da percepção, gerando atropelo por faltar coragem em mandar calçar as galochas para evitarmos a lama, uma vez que isto denuncia a lama. Uma pessoa ATENTA E INFORMADA, PATRIOTA, PREOCUPADA, SINCERA (Como bem notou a Sra. Margarida Devim em relação a Lídia Jorge) não se pode furtar a dizer a VERDADE em sua INTEIREZA, e apontar a lama, correndo todos os riscos que isto representa, desassombradamente, porque seus valores são os dos que têm esta característica extraordinária de sentir "dor pela dor dos outros" um factor agravante da dimensão da verdade interior em toda sua plenitude. Se isso nos tornar impopular, se isso antagonizar muita gente, aqueles que são movidos pelo 'l'air du temp', pois que seja. Não há como ser menos!

Da infinitude.

Muitos não compreendem a extensão que tem a condição de disponibilidade, a imensidão do possível, pelo que representa de amor, porque a maior forma de amor é doar-se, comungando com o outro, esta condição maravilhosa de pertença, de ser parte, de ter parte, de participar, que é o processo mágico de criar, mudar e construir o mundo.

Infinito só Deus, mas fazermos a transposição, para irmos além das nossas limitações mesmo não tendo o entendimento pleno do universal, cingidos por não tentarmos contemplar além, se formos assim, restringimo-nos ao circunstante e ao ego, esquecendo do que está além, e do outro que está connosco. A mais perfeita condição de ser, é ver o próximo e comungar com ele, profissão de fé absoluta. A bem da verdade temos que reconhecer que criamos uma sociedade de ilusões e meias verdades e mentiras, e também falsas realidades, que no dia a dia alimentam e re-alimentam condições destorcidas. Encontrar a maravilha que nos rodeia, abrirmo-nos para o transcendente, requer o interminável exercício de busca da compreensão. O que nos exige sempre constante esforço a alma.

Quem conhece Lídia Jorge, ao menos que seja por seus escritos, terá noção da dimensão de seu entendimento do mundo, e de sua capacidade de exoneração, livre que é, mas como isso é tão raro infelizmente, ao mesmo tempo assusta, como gera incompreensão. Toda verdade transcende por ser universal na expressão, mas é também de todos na percepção, e, como tal, ultrapassa os liames das restrições da sociedade, os das meias verdade e das ilusões, sendo o que é: completa verdade, e evidentemente partindo sempre qualquer coisa.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Shiva

Como crê o hinduísmo: "É preciso haver destruição para haver renovação." entretanto o desempenho desse papel de destruidor, quando não é feito por um deus, tem consequências graves devido ao retorno. As reações expectáveis ao processo de destruição que ninguém deseja, processo que só mais tarde revelar-se-á útil, talvez até mesmo necessário, mas como é doloroso, é indesejado e indesejável, e causa enorme sofrimento, suscitando fortes reações contra. Nesta perspectiva, Donald Trump, o nosso Shiva de plantão, presta enorme favor ao mundo com sua imensurável estupidez, papel que desempenha brilhantemente por sua cegueira quase absoluta, total falta de empatia, fruto da ignorância e do narcisismo, onde nada mais vê do que a si mesmo: Herói do universo, posto que o mundo será pouco certamente para tanta presunção. Cabe aqui lembrar Eclesiastes 1:2, 'Vanitas vanitatun et omnia vanitas', tendo em vista que de sua presença, como de sua passagem, resultará a vacuidade de sua existência oca, esta mesma que o obriga a marchar. Criar delírio, irritação, demonstrar contradição, bizarria, excentricidade, fraquesa psíquica, como método, ser agressívo, provocatório, torcido e retorcido, cabuloso, discricionário e ofensivo, para gerar irritação e constrangimento generalizado, e mentir, mentir, mentir, gerando suspeitas e instabilidade até atingir o estágio dito de podridão cerebral, onde o indivíduo perde os critérios de análise, sendo este o modo de instaurar o caos. Entretanto a destruição. Como eu havia assinalado ainda durante a primeira campanha eleitoral (2016), trata-se de um psicopata perigoso (título mesmo do artigo disponível na net). Durante seu primeiro mandato não conseguiu, graças à forte estrutura do poder executivo americano, criar o caos, sua constante intenção. Porém agora retornou preparado, industriado, com companhia adequada, lançado em 'Ordens Executivas' às centenas, que vão desregulando, desfazendo, destruindo. Desregulando porque toda ordem é contra o caos, portanto é preciso atacar a ordem, o que faz com essas 'ordens' executivas, um recurso extraordinário da presidência dos EEUU, em caso de crise. Desfazendo, posto que o grande edifício da Democracia necessita ser partido aos pedaços, desfeito aos bcados, para que o caos sobrevenha. É pois a obra de Shiva, só que o deus indu tem uma intenção que, apesar de destrutiva, é renovadora, como quando se derruba um edifício para construir outro. Trump só deseja os escombros. Em todo o caso, em defesa de Trump. De facto o que parece estar por detrás das ações de Trump, é a falta de dinheiro da administração central americana que, como sabemos, desde há muito é deficitária, se financiando ora com a emissão de papel moeda, ora com o aumento da dívida pública, que há muito atingiu valores impagáveis, e que tem a China como maior detentora dos valores em débito. Trump como comeriante-merceeiro, viu que não é nada bom esse endividamento, e a constante derrapagem da dívida pública com aumentos anuais do déficit resultando em mais dívida, vendo uma incontornável tragédia no horizonte, patrocinada por uma dívida impagável. Desde há muito que a China, do enorme estoque da dívida americana que detém, só recebe pagamentos em Yens, ou em ações de empresas sólidas americanas, o que evidencia o nível de descrédito a que chegou o débito e seu meio de pagamento, o dolar (Com o Euro a situação piorou muito, se os BRICS lançarem sua moeda, será ruinoso para os EEUU.). Se a situação chegou ao ponto de não haver voltas a dar, e ele está cortando em tudo, está certo, se o faz preventivamente, está certo. Se o faz por qualquer outra razão, como por exemplo atender os interesses dos milionários que o elegeram, com diminuição de seus impostos, terá de arranjar a falta, o buraco que vai gerar no orçamento, em algum lugar. Se o faz por boas razões, seu único erro verificável é a violência com que o faz, como mereceiro insandecido. Lembra-me uma história do interior de Minas Gerais, onde um merceeiro de nome João, sem recursos para pagar suas dívidas, resolveu dobrar os preços de toda a mercadoria de sua mercearia, em cidade pequena, muita da freguezia não teve outro remédio se não pagar, por não haver lá outra mercearia. Mas um belo dia, quando ele chegou a loja, havia um rato pendurado à porta com um cartaz que dizia: "Chamaram João de rato, João não importou-se. Chamaram o rato de João, o rato suicidou-se." Para além do divertido da história, ela revela a reação que provocam as decisões unilaterais, e que elas não são solução para os problemas. É assim como alterar os nomes das coisas, não muda nada, só causa desorientação. Faz porque faz, e porque faz. Milhares de despedimentos, o fim de muitas agências, o corte em muitíssimos subsídios, e as absurdas tarifas, evidenciam algum problema grave de caixa. Para além de Trump ser um psicopata, que o é, não é estúpido o bastante para promover o caos que promoveu sem que algo efetivo o afligisse, e menos ainda a administração norte americana o permitiria se não houvesse um efetivo problema a os atingir. O enorme mistério, como sempre, acabará por ser sabido, entretanto o caos disseminado terá destruido a força da sociedade norte-americana, tanto mais quanto mais Trump atuar nesse sentido. Ao espelho. Uma pessoa que não fez curso superior não tem nem respeito, nem tem estima, pelas Universidades, pela Academia, pelos elementos do saber e da cultura, há nobres excessões, é verdade. Uma pessoa que não tem formação não tem respeito pelas instituições, sem excessão, aqueles que não atendem às ordens judiciais, aos conselhos de Estado, às sugestões e evidências técnicas e científicas, pensam que tudo se reconstrói, não importa o tempo, os custos humanos e as vidas destruídas. É Shiva que dissemina o caos sem renovação. Ser que só valoriza os elogios. Ignora as críticas. Não tem noção da realidade. O MEDO COMO ARMA. A arte do medo, de seu emprego como instrumento de coerção social, desde as mais remotas épocas, traz resultados imediatos, ao mesmo tempo que gera um altíssimo poder de reação, pressão que se vai acumulando, que uma hora certamente arrebentará. Desconhecendo outro meio mais refletido, e despido da camisa de força que lhe impôs a primeira administração, grande embusteiro, age indiscriminadamente com as armas mais eficazes que conhece, sendo o causar medo e espanto a todos, a mais efectiva. Megalomania pre-ditatorial. Só os reis comemoram nacionalmente seus aniversários. Os faraós queriam ser deuses, e se proclamavam. Esse desejo incontrolável de se ver reconhecido leva o senhor Trump a cometer os maiores despautérios, mas poderemos delinear uma intencionalidade dictatorial nessas atitudes, que veremos se agravar com o desenrolar do mandato. A autocracia. Tivemos o 'Shiva' francês do princípio do XIX, depois no princípio do XX, o da Alemanha, instrumentos encarnados do mal, agora o 'Shiva' do princípio do XXI, americano, irá também deixar um mundo diferente, e também pelas piores razões, sendo o traço comum, o desejo de poder absoluto, poderes como aqueles que tiveram outrora os reis, e que só a componente bélica o permite. A tentativa feita no Capitólio é o mais rematado exemplo de suas intenções. Posto que o princípio desestabilizador é o veículo para sua deflagração, só o efetivo poder das armas permite que se instaure e permaneça enquanto durar esse poder. O triste fim. Disseminar o pânico. Reindustrializar o país, quando este período já foi ultrapassado, apesar de ainda possa ser possível repetir, são retrocesssos para o "again", trazer de novo o passado para evocar o futuro, quando sabemos que a realidade é e será sempre outra. O poder de destruir as instituições, que é um poder avassalador, configura uma capacidade de realizações, que primeiro o que subjuga é a alma de quem a tem, de quem tem essa capacidade, tornando a alma do poderoso priioneira deste poder, corrompe-a de tal modo que Shiva nada mais vê que seus feitos destrutivos, sempre mais, até quando for muito tarde para qualquer ação de renovar, refazer, restando escombros por toda parte.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

CUIDADO: A verdade é que Não há farsa que não termine em tragédia.

Todas as vezes que a impostura prevalece, que um ato ridículo se difunde, o final é trágico. Resultante da assertiva de Karl Marx quanto ao processo histórico e sua ocorrência, ao complementar a ideia de Heguel, forjando a frase tantas vezes mal repetida, que aqui damos em sua formulação original traduzida: "A História repete-se sempre, pelo menos duas vezes..." "a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa", temos aí a conjugação de dois polos opostos das possíveis consequências do processo histórico que se verifica sempre como solução de sua ocorrência, sendo esta repetida, como podemos verificar, mas não da mesma maneira. Uma vez que todo ato ridículo atinge e ofende a quem ridiculariza, tanto como a quem a ele exposto sente o absurdo do ridicularizar. Se o processo for deixado livre, se irá espalhar ofendendo, agredindo aos que tomarem parte, e por oposição reagindo de forma grave, muitas vezes perigosa, e às vezes funesta. Sói também dar-se o inverso, a brutalidade da consequência grave ou mesmo funesta, degenera na sua repetição em ridicularia, tornando-se farsa. Entretanto cada vez mais temos processos falsos, onde sua ocorrência foi premeditadamente programada para o ridículo, este que no todo, em seu conjunto, não passou de farsa encenada, esta mesma que irá provocar reação muito intensa da parte dos afetados por ela, uma vez que ninguém aceita ser ridicularizado, ou ver sua posição ridicularizada impunemente, sem reagir. O RESULTADO costuma ser, em maior ou menor grau uma tragédia, como resposta, uma vez que reagem violentamente na maioria das vezes. Se o farsante for expressivo, e a farsa bem encenada, temos que a audiência, as testemunhas, poderá ser enganada pela situação, ou até mesmo envolvida nesta. Cada vez mais temos farsantes em toda parte encenando seus dramas, políticos, pessoais, familiares, institucionais, etcetera, com o fito de envolver os pacientes, obtendo deles apoio, dinheiro, trabalho ou coisa semelhante que lhes renda proveitos de formas várias. Cabe aqui muito bem agora a frase difundida por John Fitzgerald Kenedy, de autor desconhecido, adaptação de uma frase de Jacques Abade atribuída a Abrahan Lincoln: "Você pode enganar uma pessoa por muito tempo, algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo." Com isso os logros sempre terminam, mais cedo ou mais tarde, e quando terminam revelam sempre seu aspecto trágico, sua face devastadora, uma vez que os dois polos tendem a se confrontar, razão do consequente desaparecimento, em quase todos os casos, do farsante. Essa ideia cômica da farsa, geralmente representada em um só ato (por razões óbvias), uma impostura encenada teatralmente com o intúito de divertir, logo se gneralizou a denominar o ato ridículo como zombaria, onde a intrujice ganhava o contorno de gozação para além da pantomima sendo que seu ponto nevrálgico era esse mesmo; apesar de que nunca iremos saber o que nasceu primeiro, se a farsa como encenação teatral, ou se a farsa como logro, inspirando-se mutuamente, um no outro certamente, sem podermos determinar qual a fonte, a ordem da ocorrência, a precedência. Fato é que ao longo dos milênios de vida em comunidade, os homens sempre instituíram, estabeleceram farsas, enganado ao amigo, ao vizinho, à família, aos seus eleitores, às autoridades, numa sucessiva pantomima indecente que vem se alargando com o decorrer do tempo. Hoje temos farsas universais, com amior ou menor calibre de engano, abandonando o caráter bulesco e popular, e mantendo o caricatural pouco visível, para uma dimensão de sucessivas narrativas políticas pretensamente credíveis, visando enganar cada vez mais gente, e se institucionalizando quando o farsante consegue atingir o poder, tendo como substrato a operacionalidade da farsa que, instituída, torna-se corpo de ideias, possibilidade angular, permitindo o desenvolvimento da mentira falseada - a farsa em si - para dar asas a sua intenção de controle da credulidade, visando sempre o lucro, para tal promovendo as narrativas misteres, alguns farsantes com grande poder para as legitimar. Eis pois o cerne de toda revolução e/ou golpe, de toda ascensão de forças oponentes ao poder a que se opõem, tomando-lhes o lugar; e de toda verdade propalada, ou de toda mentira afirmada como verdade, enquanto durar sua crença, e sua difusão. Porém, como tudo nesta vida, passa, e ao passar trará consigo a tragédia, desde a colectiva, expressa em banho de sangue, em sua versão mais abrupta e intensa; até a individual, tantas vezes ocultada, para evitar a chacota geral, até de outros que também caíramm no logro e não o irão revelar. A tragédia do engano é indissolúvel, e perdurará contra todas as desinfecções. Por outro lado "A Igreja do diabo" como no conto Machadiano, criará raízes por seu turno, reafirmo, sanitárias, que curarão, por quanto tempo forem lembradas, os logrados - tragédia íntima, pessoal, quase sempre ocultadas , mas não menos trágicas. Assim tivemos as concepções mitológicas de milhões de deuses ou das sirenes; as peças de Aristófanes, Terêncio e Plauto, depois as de Sheakespeare, Molière, Dancourt, Lesage, e as do próprio Gil Vicente; bem como, abandonando o terreno literário, temos os grandes embustes do Gigante de Cardif, da Sereia de Barnum ou do Museu Nacional da Dinamarca, do Homem de Piltdown, do big foot, muitos com identidade científica: SEMPRE A MENTIRA E O DINHEIRO. Agora, o relativismo do falso 'ministério da palavra', o do embuste, difunde-se cada vez mais, mas como todas as ondas sobre a praia, acabará por se recolher, e a tragédia sobrevirá. Quanto aos grandes engodos realisados na apostasia da verdade, que tendem a se materializar nas grandes tragédias de nosso tempo que abre cada vez mais espaço a farsantes de toda laia, pelo apoucado senso crítico das massas, que com isso comungam com os impostores, sendo igualmente culpadas. Deixo-Vos por fim para reflexão, a colocação daquele que foi "sígno de contradição", como queria o velho Simeão, "Luz dos homens" Jó 1: 4-5; aquele que veio para dar "testemunho da verdade" Jó 8:32, e poucos o ouviram, e não esqueçamos o alerta na primeira carta a Timóteo, 2-5, que ensina que Deus quer que conheçamos a verdade, quando diz: "Ai de vós, fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes a túmulos brumados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos, e de toda a imundície. Assim também vós por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade." (Mateus 23: 27 e 28.). Ninguém engana ninguém por qualquer justa razão.