O blog O Olho do Ogre é composto de artigos de opinião sobre economia, política e cidadania, artigos de interesse sobre assuntos diversos com uma visão sociológica, e poesia, posto que a vida se não for cantada, não presta pra nada. O autor. Após algum tempo muitas dessas crônicas passaram a ser publicadas em jornais e revistas portugueses e brasileiros, esporadicamente.
domingo, 26 de julho de 2026
24.000 idiotas.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
'Por todos nós.'
sábado, 9 de maio de 2026
"Agora ele vai rir sempre."
"É melhor ser alegre
Que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe..."
"Samba da benção" Vinicius de Moraes
O vatícinio de Lula em relação a Trump, que serve de título a esta crônica, tem um certo ar sarcástico que se contrapõe ao blasé estrutural de Trump com o qual Lula teve de lidar por horas na reunião fechada que manteve com o homem que se julga o mais poderosos do mundo, metido de momento num beco amarrado com nó górdio, ou talvez fosse mais apropriado dizer que se meteu num estreito do qual não consegue sair, que devido ao outro, o de seu intelecto, ficará lá metido sem encontrar saída, razão do acréscimo de mau humor da criatura presentemente, a quem Lula certamente terá recomendado alegria, mesmo sabendo não ser essa possível, porém como solução desazada para um inapto, fica consumada quando diz: "Trump rindo é melhor do que de cara feia" não sei, mas afirma-se na conclusão (do título aqui) que é deboche, porque diz "agora" e "sempre", amarrando absolutamente a visão da impossibilidade, que, com sua vivacidade, Lula afirma. Que restará a Trump?
Tudo que ficou dito lembrou-me o Samba da benção, do imenso poeta Vinicius de Moraes, que se Trump sentisse e entendesse que está sendo gozado por Lula, como foi, mas que só brasileiro entende, a diplomacia poderia usar como escusa a letra do samba de Vinicius, posto que ela serve como profissão de fé de meu povo, pois nós achamos mesmo que a alegria é a melhor coisa que existe, e cujas palavras do samba são uma reafirmação de fé de uma criatura iluminada, com emoção e respeito, pedindo que o abençoe aos grandes sambistas, e expondo sua filosofia de vida, coisa que Trump, para entender, mesmo que todos os 'brazilianists' lhe explicassem, necessitaria morrer e nascer dez mil vezes. "A vida é a arte do encontro…"
Essa lembrança do samba, trouxe-me a presença muito viva das crônicas de Lídia Jorge que acabei de ler, Lídia é portuguesa, e mesmo assim terá a perfeita compreensão do que aqui digo, e refletindo mais, a mãe da minha flha portuguesa compreenderia, lembrei-me de tantos outros portugueses, e angolanos, e moçambicanos e ingleses, e ucranianos, etcetera, etcetera, todos capazes de entenderem perfeitamente a gozação do Lula; o que me obriga a correção do que afirmei que só brasileiro entende, não é isso. entendem aqueles que têm "luz no coração" como diz Vinicius, coisa que essa gente que anda por aí agora mandando no mundo desconhece.
Sugiro-vos antes de concluirem a leitura aqui, que ouçam o "Samba da benção", de preferência na voz do Vinicius, para compreenderem o alcance desse universo próprio de meu país, com sua sensibilidade muito particular, e com a abertura para o entendimento e a aceitação do próximo, essa qualidade magistral, e que infelizmente vem diminuindo na população brasileira à conta de uns quantos miseráveis que ganharam preeminência espalhando ódio: misóginos, homofóbicos, transfóbicos, mentirosos, racistas, autoritários, xenofóbicos, incitadores malévolos, que são. Mas vai passar, como tudo nesta vida. Resta-nos estarmos "atentos e fortes" para combatermos os malfeitos que estes fazem contra a sociedade, sua estrutura, seu progresso, e sua capacidade humana de aceitação, que está afeta à gente com capacidade de amar, porque só aqueles que amam são capazes da boa-vontade com o próximo. Vibração muito especial de entendimento e proximidade, posto que sem amor não temos o juizo, tolda-se-nos o entendimento fino, e estamos só. Não encontramos beleza, nada nos cativa, não sentimos alegria.
Na incompreensão do humano, esta única verdade de nossa espécie, essa mesma que nos diferencia com a marca superior, incompreensão em que vivem quantos cultivam o ódio e a superioridade, ilusões que nos corroem na ideia de repudiar os outros, onde só o humano na inteireza do que é humano, e que poderá mesmo ser divina se fizermos as escolhas certas, as que nos permite abraçar o mundo, nos permite deixar a malenconia e encontrarmos a alegria, que vive nas coisas simples, e nos abre a dimensão divina, o encontro com o outro, únicos momentos em que somos sublimes, na singular ambição humana, repito, que é a única pela qual vale a pena viver.
Não lhe restando outro remédio ele vai rir sempre, compreender é que não.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Da universalidade, entre o antropológico e o tecnológico, em 30 crônicas e 1 Discurso - pressentimentos de Lídia Jorge.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Da trilateralidade.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Complexo de Napoleão.
Macas ou mocas?
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Ano Novo, quem sabe, feliz?
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Os meandros do casamento - Leopoldina e Pedro.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Da irresponsabilidade civil virtual, à peta da IA.
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
O pior de todos é o ignorante.
domingo, 28 de setembro de 2025
Caetaneando-nos.
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
Afélio e Periélio
Ministério do Vício e da Virtude - um roteiro..
"Há que dizer-se das coisas" e das pessoas.
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
TER DÓ NO CORAÇÃO - "SECUNDUM MAGNAM MISERICORDIAM TUAN".
quinta-feira, 7 de agosto de 2025
Partir qualquer coisa - Lídia Jorge.
Ninguém gosta de partir nada, mas às vezes é necessário, ninguém não é bem o caso, não nos esqueçamos dos psicopatas, mas não iremos falar deles. Contudo para falar seja o que for, carecemos de palavras, estas que são nada, e que são tudo - nada a nos ferir fisicamente, tudo a nos conspurcar, inevitáveis presenças aterrorizantes quando trazem verdade reveladora. Algumas das palavras geratrizes desta reflexão, que nem será preciso dizê-las em contexto, posto que só sua enunciação, suas presenças reveladoras, rasgam o duplo véu de equívocos e hipocrisia, fruto de um tempo de enganos: diversidade - "um é alto, outro é baixo, outro é gordo", Camões - 500 anos, cemitério - Lagos, animar - "o futuro está cheio de passado", discurso - ler "uma coisa íntima", divisão - apupos e palmas, controvérsia - "o que está visível", denúncia - "o mar é azul e tem ondas", símbolo - qualquer coisa pode ser, realidade - qualquer coisa pode ser, patriota - "os seres humanos são seres com ambiguidades", nacionalista - chantagem, agressões, insultos, sociedade - minar, esperança - "atravessar a lama". A palavra atravessar traz consigo, em contradição com seu sentido original, a ideia de ultrapassar, vale dizer: deixar para trás o obstáculo, logo quem visa atravessar, tem esperança forte num futuro melhor. E quem não tem esperança não pode viver.
Contudo sempre há escolhas: Respeito ou desrespeito, qualificação ou desqualificação, equilíbrio ou desequilíbrio, prisão ou liberdade, ordem ou desordem, bom ou mal, narrativa ou realidade, amor ou ódio, dizer ou calar. E neste processo de eleição só nos vale nosso íntimo, as verdades que fomos acumulando e que nos moldam. Fora isto, sem interiorização, somos levados pelo 'l'air du temp', tão propício a enganos, e há tantos enganados hoje, mas não deixam de ser nossos irmãos, que devem ser esclarecidos, devem ter informação crítica que os elucide. Todo silêncio é cúmplice. Ser-se menos do que se é, é pactuar nestes tempos em que a bomba, que é já octogenária, mas sempre presente, fala sem nada dizer, fala de nós, tempos esses onde ressurgem os falsos profetas. Só em nossa inteireza de tudo que foi avaliado e acumulado em nosso interno, temos verdade, e a devemos expor. Infinitos precursores de possibilidades positivas. Tudo mais é desgraça, tudo mais é minoritário, afastando-nos do infinito da percepção, gerando atropelo por faltar coragem em mandar calçar as galochas para evitarmos a lama, uma vez que isto denuncia a lama. Uma pessoa ATENTA E INFORMADA, PATRIOTA, PREOCUPADA, SINCERA (Como bem notou a Sra. Margarida Devim em relação a Lídia Jorge) não se pode furtar a dizer a VERDADE em sua INTEIREZA, e apontar a lama, correndo todos os riscos que isto representa, desassombradamente, porque seus valores são os dos que têm esta característica extraordinária de sentir "dor pela dor dos outros" um factor agravante da dimensão da verdade interior em toda sua plenitude. Se isso nos tornar impopular, se isso antagonizar muita gente, aqueles que são movidos pelo 'l'air du temp', pois que seja. Não há como ser menos!
Da infinitude.
Muitos não compreendem a extensão que tem a condição de disponibilidade, a imensidão do possível, pelo que representa de amor, porque a maior forma de amor é doar-se, comungando com o outro, esta condição maravilhosa de pertença, de ser parte, de ter parte, de participar, que é o processo mágico de criar, mudar e construir o mundo.
Infinito só Deus, mas fazermos a transposição, para irmos além das nossas limitações mesmo não tendo o entendimento pleno do universal, cingidos por não tentarmos contemplar além, se formos assim, restringimo-nos ao circunstante e ao ego, esquecendo do que está além, e do outro que está connosco. A mais perfeita condição de ser, é ver o próximo e comungar com ele, profissão de fé absoluta. A bem da verdade temos que reconhecer que criamos uma sociedade de ilusões e meias verdades e mentiras, e também falsas realidades, que no dia a dia alimentam e re-alimentam condições destorcidas. Encontrar a maravilha que nos rodeia, abrirmo-nos para o transcendente, requer o interminável exercício de busca da compreensão. O que nos exige sempre constante esforço a alma.
Quem conhece Lídia Jorge, ao menos que seja por seus escritos, terá noção da dimensão de seu entendimento do mundo, e de sua capacidade de exoneração, livre que é, mas como isso é tão raro infelizmente, ao mesmo tempo assusta, como gera incompreensão. Toda verdade transcende por ser universal na expressão, mas é também de todos na percepção, e, como tal, ultrapassa os liames das restrições da sociedade, os das meias verdade e das ilusões, sendo o que é: completa verdade, e evidentemente partindo sempre qualquer coisa.







