O blog O Olho do Ogre é composto de artigos de opinião sobre economia, política e cidadania, artigos de interesse sobre assuntos diversos com uma visão sociológica, e poesia, posto que a vida se não for cantada, não presta pra nada. O autor. Após algum tempo muitas dessas crônicas passaram a ser publicadas em jornais e revistas portugueses e brasileiros, esporadicamente.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Beba Coca-Cola!
RM
E venceu a mediocridade! Mas a América é mediocre. Em contraste com uma sociedade brilhante, rica, culta, ativa, em cujas franjas se produzem os Trumps dessa vida, USA tem sua outra face, que é a que paga os Trumps dessa vida. E porque não há uma revolução? Porque não há constante instabilidade como na Europa? Porque nos USA eles acreditam numa coisa inexistente, mas sempre possível a que chamam "The American dream", e na expectativa desse sonho americano soerão acontecer muitas coisas, e a principal delas será manter a maioria silenciosa bem silenciosa!
E foi exatamente essa maioria, que inclusive tinha vergonha de se declarar por Trump, que o elegeu. O elegeu porque acreditará firmemente que ele é um deles, "one of them'. . . Quão distantes estarão da verdade? Não importa nada, importa que se creia, e Bebam Coca-Cola.
E é isto que nos leva ao 'hard core' do artigo. Venceu uma marca, exactamente como ele geriu seus negócios desde quando se apercebeu que a marca Trump era mais importante que as empresas Trump, que aliás naquele momento estavam tecnicamente falidas, mas a marca, algo imaterial, uma ideia, um emblema, ex-libris que valia muito, e os bancos entenderam que sim, que deviam dar uma chance para que a marca salvasse as empresas e pagasse as dívidas, foi o que aconteceu. Agora a marca põe o seu proprietário no mais alto posto da nação, por vender a ideia de que qualquer um pode se alçar, que a sua raiva, o seu rosnar, como o de Trump, será ouvido, e por essa razão ele obteve os seus votos.
Venceu a falácia, não a diminuo por ser medíocre, de modo algum, pois ela é e será tão inútil e inoperante como a idêntica falácia do Sr. Obama, recheada dos mais lindos discursos que já se viram ser pronunciados por um homem a caminho, e na Casa Branca. (56% de popularidade ao término do mandato.) Num ou noutro sentido, por falta de palavras, ou por excesso delas, temos a mesma falácia.
É claro que a beleza de um discurso bem construído e a projeção (espargimento) de esperanças, aquece mais o coração do que o rosnar rancoroso de um cão raivoso, mas, agora sabemos, ambos asfaltam o caminho ao salão oval. Por acender esperanças, ou por concitar ódios, pode-se ascender.
Por fim as minhas previsões feitas no artigo 'Bush feriu o elefante, Trump o vai enterrar', link no final do artigo, mais se confirmaram com sua vitória, porque como homem de fora do sistema, ainda que tenha carreado os Republicanos para uma estrondosa vitória eleitoral a todos os níveis, perdeu muitas cadeiras e destruiu tudo aquilo que simbolizava o partido republicano, porque ele não representa a marca republicana, ele representa a marca Trump, e é disso que se trata aqui.
No mais, à cubana, segue o chachachá: "Toma Coca-Cola! Y Paga lo que debes!"
http://hdocoutto.blogspot.pt/2016/07/bush-feriu-o-elefante-trump-o-vai.html
P.S. * Inclua-se notícia de 10/11, O Kremlim confirma contactos de Donald Trump com Putin -mentiu aos eleitores.
** A vitória de Trump desacredita os midia, os artistas, as sondagens e o sistema. E o Papa Francisco que o excomungou declarando que não era cristão. É obra!
OUTRA VERSÃO:
E venceu a mediocridade! Mas a América é mediocre. Em contraste com uma sociedade brilhante, rica, culta, ativa, em cujas franjas se produzem os Trumps dessa vida, os USA têm sua outra face, que é a que paga os Trumps dessa vida. E aí sua raiva e sua mediocridade. E porque não há uma revolução? Ou porque não há constante instabilidade, como na Europa? Porque nos USA eles acreditam numa coisa inexistente, mas sempre possível, a que chamam "The American dream", e na expectativa desse sonho americano soerão acontecer muitas coisas, e a principal delas será manter a maioria silenciosa, bem silenciosa!
E foi exatamente essa maioria, que inclusive tinha vergonha de se declarar por Trump, que o elegeu. O elegeu porque acreditará firmemente que ele é um deles, "one of them'. . . Quão distantes estarão da verdade? Não importa nada, importa que se creia, e Bebam Coca-Cola.
E é isto que nos leva ao 'hard core' do artigo. Venceu uma marca, exactamente como ele geriu seus negócios, desde quando se apercebeu que a marca Trump era mais importante que as empresas Trump, que, aliás, naquele momento, estavam tecnicamente falidas, mas a marca, algo imaterial, uma ideia, um emblema, um ex-libris, era o que valia muito, e os bancos entenderam que sim, que deviam dar uma chance para que a marca salvasse as empresas, e pagasse as dívidas. E foi o que aconteceu. Agora a marca põe o seu proprietário no mais alto posto da nação, por vender a ideia de que qualquer um pode se alçar, que a sua raiva, o seu rosnar, como o de Trump, será ouvido, e, por essa razão, ele obteve os seus votos.
Venceu a falácia, não a diminuo por ser medíocre, de modo algum, pois ela é e será tão inútil e inoperante como a idêntica falácia do Sr. Obama, recheada dos mais lindos discursos que já se viu serem pronunciados por um homem a caminho, e na Casa Branca. (56% de popularidade ao término do mandato.) Num ou noutro sentido, por falta de palavras de futuro, ou por excesso delas, temos a mesma falácia. É claro que a beleza de um discurso bem construído, e a projeção (espargimento) de esperanças, aquece mais o coração do que o rosnar rancoroso de um cão raivoso, mas, agora sabemos, ambos asfaltam o caminho ao salão oval. Por acender esperanças, ou por concitar ódios, pode-se ascender. Hitler já o tinha comprovado.
Por fim as minhas previsões feitas no artigo 'Bush feriu o elefante, Trump o vai enterrar', mais que se confirmaram com sua vitória, porque, como homem de fora do sistema, ainda que tenha carreado os Republicanos para uma estrondosa vitória eleitoral a todos os níveis, perdeu muitas cadeiras e destruiu tudo aquilo que simbolizava o partido republicano, porque ele não representa a marca republicana, ele representa a marca Trump, e é disso que se trata aqui. Mas os congressistas republicanos eleitos, temem verdadeiramente se indisporem, por qualquer forma, com o seu eleitorado, e o seu eleitorado está cheio de gente cheia de ódio, que vai empurrando a realidade na esperança de atingir o The American dream, e, como muitos finalmente o atingem, continuam a remar. Quando aparece alguém que lhes diz que sua revolta é justa, que seu ódio é certo, o adotam, e como filho dilecto.
Quando o Kremlim confirmou os contactos de Donald Trump com Putin, ficamos a saber que havia mentido aos eleitores, mas ninguém fará nada, faz parte do jogo eleitoral aceito por todos, complacentemente. E, com essa aceitação, revela-se toda a podridão de um sistema podre, que um espertalhão out-sider soube manipular, e com a exitosa manipulação é aceito e admirado, realizou o sonho americano ao mais alto nível, não importa se mentindo, enganando, falseando, corrompendo, o que importa é ter ganho. A vitória de Trump desacredita os media, os políticos, os artistas, as sondagens e o sistema. É a corrupção no ponto mais alto do que pode ser corrupção. Sem sentimentos, sem dignidade, sem compromissos com os eleitores, sem qualquer responsabilidade, sem vínculos, diz uma coisa e à seguir o seu contrário, é sem ideias e sem ideal. Até o Papa Francisco o excomungou, declarando que não era cristão.
O poder é para si e seu grupo, para os demais, à cubana, segue o chachachá: "Toma Coca-Cola! Y Paga lo que debes!"
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Parece que vem mesmo por aí, e não é o diabo.
O diabo é que nunca vem!
Além do frio, que virá, inevitavelmente por esses dias, a recuperação econômica que, dentro da senóide do capitalismo, sendo a parte da curva que sobe, dessa vez tendo tardado mais de década e meia para tornar a subir a linha da sua manifestação, é que agora volta. E se vem vindo como parece Portugal será arrastado para cima, porque há muita lenha ainda para queimar na economia portuguesa por suas características peculiares, suas diferenças e aspectos exclusivos, podendo se aguardar mesmo uma evolução mais que positiva dos indicadores como vem acontecendo com a confiança dos consumidores e o emprego, duas evoluções que mostram mesmo que o diabo passou longe. Outras potências têm estado mais refratárias a cavalgar a onda. O Brasil por exemplo já deveria estar em franca recuperação, e ainda nada.
O fato é que naquele eterno sobe e desce da economia mundial, que, após os seus piques, sofre quedas continuadas até atingir mínimos que, após seu declínio máximo, retoma a subida, ainda que os períodos de tempo para essa repetição constante da evolução econômica variarem, bem como sejam muito diferentes, dependendo da crise que ocasionou a descida, como dos fatores que ocasionem a retomada, embora sua evolução seja sempre assim: desce e sobe. Por outro lado temos que foi particularmente demorado esse ciclo até que a evolução positiva se iniciasse, tendo sido uma senóide alongada pela força avassaladora da crise de 2002/8.
Crise que, em sendo duas se juntou numa pelo encadeamento maligno de suas duas componentes, a das violentas explosões de imparidades no sistema financeiro e a das dívidas soberanas por arrasto seis anos depois. O fato é que foi uma associação destruidora, e que o processo de recuperação está sendo muito lento e demorado, e que se irá arrastar, porque a ferida causada foi muito profunda e as repercussões políticas atingiram proporções inimagináveis, roubando a confiança dos eleitores, gerando uma crise política como sua derivação mais forte, que transformou e transformará a relação político-partidária de forma tão intensa que ainda ninguém sabe onde irá parar.
Por isso o diabo é a expectativa insolente, que causando confusão e medo, reporia tudo como dantes no quartel de Abrantes, o que parece que por toda parte não se irá verificar, logo resta a adaptação, a evolução, a reestruturação, essas mudanças a que se obrigam os organismos vivos face a todas as alterações que o ambiente onde vivem sofre. Desse modo a política que tem estado mais viva que nunca, com o estabelecimento de impasses, novas ordens, e invisibilidades, sendo que nessa última componente ainda se terá de esperar anos para se poder entrever bem como tudo evoluirá, logo vive-se um momento de muita instabilidade e expectativas, que ainda guarda uma desorientação e desentendimento de como jogar o seu novo jogo, esse que se estabeleceu de forma diferente, com diferentes respostas nos diversos países, nos quais o diabo daria uma mãozinha por espalhar o medo, valorizando a velha ordem, para que todos a desejassem restabelecida, logo aguarda esclarecimento e renovação, ou não.
Como não é assim, em retrações, que as coisas se configuram, mas é seguindo seu curso e inaugurando novos equilíbrios, temos que todos aqueles que não se adaptarem rapidamente à nova ordem das coisas, serão engolidos por ela, porque seu fiel da balança, aquele fator que determina se a sociedade segue em frente, ou não, e que com esse prosseguir da vida tudo o mais terá que a ela se adaptar, pois, ultrapassado o compasso de espera, a realidade seguiu, é esse fator que o determina claramente, é a economia, que prosseguindo e se adaptando, obriga a tudo o mais a fazer o mesmo, porque as coisas já são outras e há que se viver com elas, e não haverá aí diabo que mude isso.
domingo, 30 de outubro de 2016
A aceitação do outro: Os Yazidis de Ana Gomes.
Ama o próximo como a ti mesmo. O próximo, foi só ao próximo que Ele sugeriu. Mas há os longe, os outros, que mesmo não sendo próximos, a quem devemos amar e que merecem ser amados, porque amar é dar-se, e quem se dá cumpre um desígnio divino.
A compreensão do outro é um sentimento especial, porque aceitar as diferenças, compreende-las, integra-las, é uma postura cada vez mais rara nesse mundo onde a globalização nos torna cada vez mais iguais e indiferentes, e, ao mesmo tempo mais desiguais e diferentes dos demais, essa contradição em termos, esse paradoxo, é a forte realidade de nossos dias, para que fosse absoluta a contradição era necessário que fossemos preocupados e compassivos, mas até aí não chegamos todos.
Essa ação de igualdade que a globalização nos trouxe lembra-me um pouco os tempos da inquisição, onde os judeus eram obrigados, para poderem continuar vivos, para poderem continuar vivendo em seus países de nascimento, a se converter a fé católica, mas guardavam secretamente suas crenças e ritos, continuavam a comer casher, e penduravam alheiras para o fumeiro, essa criação sem carne de porco, continuavam a ler e a oralizar a Tora e o Talmud, mas iam a missa, continuavam a praticar o Tanakh e a Shivá, mas não deixavam ninguém saber. Porque não se arranca a alma de ninguém, não se lhes rouba a identidade com um batismo, ou com a afirmação do que ele agora passa a ser. As pessoas são o que são, e os Yazidis são uma gente diferente, e têm o Direito de o ser.
Quem os aceitará? Quem amará ao diferente? Quem suportará gente que segue um anjo que alguns dizem ser o demônio? Quem quererá junto de si uma gente pobre, simples, sem muito futuro, sem garbo, sem brilho, sem produtividade, sem mediatização?
A Dra. Ana Gomes viu de que aos Yazidis, como a todos os refugiados, roubavam-lhes o país, suas casas, seu futuro, e era necessário lhes dar casa, lhes dar um país para onde pudessem ir viver, oferecer-lhes um futuro, é isso que é o acolhimento, mas junto a isto lhes haviam roubado também as identidades, e com elas sua esperança de viver, e só a repondo temos outra vez seres humanos, mas com os Yazidis, por roubar-lhes a identidade, como aos demais refugiados, passava-se ainda algo pior, porque como sua identidade é gregária, assim roubavam-lhes também sua alma, que só se manifesta quando estão todos juntos, separados eles deixariam de entender-se no mundo como gente, e isso é o pior que se pode fazer a um ser humano, roubar suas referências. Por isso na esperança de preservar-lhes a alma, mantê-los todos juntos, a Dra. Ana Gomes viu a necessidade de lhes dar à todos um mesmo local, uma mesma vila, um mesmo chão.
Uma alma solitária a Dra. Ana Gomes, mas Deus as faz para todas as ocasiões, e uma alma solidária a Dra. Ana Gomes, e para os Yazidis calhou a eurodeputada assim como é.
Seguindo seu exemplo peroremos todos o mesmo remédio, que esse grupo Yazidi seja trazido para Portugal, e recebido e mantido junto, para que preserve sua esperança, suas referências, sua alma.
Aceitar o próximo como é, aceitar sua maneira de ser, respeitar suas diferenças é a nova Lei, esta que Jesus Cristo nos legou: "Amar ao próximo como a ti mesmo", essa que em todos os Seus exemplos, desde quando desafia para atirar a primeira pedra aquele que não tiver pecado, Sabedor da condição humana, até quando diz para nos perdoarmos. É sempre a mesma lição: Amar ao próximo!
Os Yazidis não nos são próximos, próximos são os nossos vizinhos, são aqueles que nos dizem respeito diretamente, são os com quem lidamos. Quem já lidou com um Yazidi? Entretanto esse mundo globalizado nos tornou a todos próximos, aumentando nossa responsabilidade, responsabilidade que ninguém vê, mas que é tão mais imperiosa quando vivemos tempos conturbados, quando a exepcionalidade das circunstâncias nos antepõe desafios, alguns dos quais desafiam mesmo a nossa própria capacidade de sermos humanos, e a resposta nem sempre é satisfatória, é, às vezes, má resposta que condena povos inteiros, como se passou com os búlgaros e húngaros que não souberam exercer sua humanidade com a efetividade mister quando confrontados com a necessidade em fazê-lo, e aí eram mesmo os próximos, pois os refugiados batiam-lhes às portas. Mas é esta falta de proximidade real que a globalização colmata, e torna mais importante ainda amar ao próximo.
Há muitos meses nessa luta em busca de compreensão, esses Yazidis seguem esperando aceitação!
sábado, 29 de outubro de 2016
Bicentenário de D. Fernando II de Portugal.
Criou um sonho. Soube seu lugar. Respeitou a pátria que o acolheu. Teve noção de muitos valores antes que qualquer outra pessoa a tivesse. Salvou muito do patrimônio português. Portugal deve-lhe muito. Soube amar. Soube respeitar. Soube ser pai, marido, Rei. Foi grande D. Fernando II.
Fernando Augusto Francisco António Saxe-Coburgo-Gotha Coháry, tinha imensa sensibilidade artística, que o atraía para esse universo desde menino. Já em Portugal procurava estar envolvido com as artes, sendo protetor da Academia de Belas Artes que então se formava, e buscando conhecer tudo que fosse expressão artística existente no país. Assim descobriu que a Custódia de Belém estava recolhida aos cofres do Reino pelo material de que é feita: ouro, e que, como tal, poderia ser derretida para ser amoedada, dando-se conta desse absurdo, logo a faz recolher pelo seu valor artístico, reconhecendo a importância dessa obra-prima de Gil Vicente que a época já caminhava para quatro séculos de existência. Salvou-a. Para mim isso bastava para ser glorificado.
Porém D. Fernando com sua inclinação viveu um sonho romântico, adquiriu um velho convento para salvar o esplêndido retábulo de Nicolau de Chanterrenne em seu altar mor que o fascinava. Este irá acabar envolvido num palácio de sonho e fantasia no alto da Pena de Sintra, assumindo esse o nome do antigo convento, o do local nas alturas das penedias onde se encontra. Indiscritível legado de maravilha que ficou como símbolo da sensibilidade desse rei.
Rei regente por morte de D.Maria II no trono de seu filho Pedro, foi dos mais serenos governantes que conheceu Portugal, estrangeiro, as cortes temiam que se apoderasse do trono português, foram-lhe depois oferecidos dois tronos, o da poderosa Espanha, e o da Grécia, que recusou ambos, por não ter ambições, e não se querer afastar de seus filhos e do país que o acolhera, como se enganaram as cortes.
No vinte e nove de Outubro de 2016 completaram-se dois séculos de seu nascimento, nenhuma comemoração se fez, nenhum registro o demarcou, nenhuma lembrança se manifestou para louvar esse grande homem que reinou em Portugal. Eu, não podendo deixar passar em branco essa data, rendo-lhe daqui as minhas homenagens a um homem que soube amar, respeitar, criar, zelar, realizar, governar e proteger o patrimônio que teve sob sua esfera de influência, dando contas de valores que como ninguém sabia apreciar, não vendendo sua alma, e deixando precioso legado. Seu palácio ainda é o mais visitado do país, marca de sua vontade, de sua fértil imaginação. Salve D. Fernando II!
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
COMO LER A ARTE - CONVERSA 2.
Seguindo a ideia apresentada na CONVERSA 1, (local e época) e ao percebermos numa obra o seu contesto espaço-temporal, aquele em que foi criada, mesmo que ela se refira a algo muito distante, tanto física como temporalmente da realidade que retrata, temos aí o ponto de partida para seu entendimento, no mais outra informação que quase sempre nos é facultada é ao que esta se refere, quer pelo nome que lhe foi dado, como pela referência a ela atribuída, que nos dá já uma razoável ideia daquilo com que somos confrontados, para podermos ter dela uma ideia inicial do que ela nos quer dizer (*), ou seja para que a possamos começar a ler. É como o que se passa com um livro. Ao lhe vermos a capa sabemos, mor das vezes, seu título, do qual buscamos inferir de que assunto trata o livro, bem como seu autor, sobre quem logo saberemos na orelha de que país é, e em que época viveu, ou vive, etc... etc... Assim poderemos começar a ler o livro inferindo do que trata (ainda que possam haver grandes equívocos) mas em geral um livro que se intitule História das Descobertas Portuguesas, trata das descobertas dos portugueses, contando-nos sua história, porém outro que se intitule 'O morro dos ventos uivantes' (O monte dos vendavais) pode tratar de meteorologia, de orografia, de filosofia, de política, ou ser um romance como, nesse caso, realmente é. Portanto a primeira coisa a estudar é se o que lhe sugere o título diz mesmo da natureza da obra.
Outra coisa imprescindível é ter a noção de que aquilo que se vê na obra, é, ou não, realmente uma referência direta à mensagem que ela quer passar. Temos aí um grande divisor de águas:
1. "Nihil volitum quid praecognitum" - Ninguém deseja, ou identifica o que desconhece.
Ora, a mensagem que pode conter a obra, seja ela qual for, depende intrinsecamente de seus signos serem identificáveis, reconhecíveis. (O que dividirá as obras em dois grandes grupos: 1- Naturalistas e 2- Simbólicas.)
1.1- Tanto o autor necessita uma linguagem que saiba que os outros irão perceber, como
1.2 - O observador (aquele que vê a obra) só reconhece aquilo que lhe é afeto, o que faz parte de seu universo de referências, logo as obras de uma determinada cultura só podem ser interpretadas segundo os padrões desta cultura.
2. Mesmo que a obra seja apenas imagética e não figurativa, ou seja, apenas represente algo que ele viu, e não uma alegoria do que viu, não um símbolo que queira expressar uma mensagem, há um código oculto, porque a realidade (chamemos-lhe assim) traduzida em obra de arte, é a realidade mais o filtro de seu autor.
Logo temos um grande problema desde logo, porque também nossos filtros estarão ativos quando observamos seja o que for, por isso há que:
a) Não fazer nenhum juízo à princípio.
b) Obter a máxima informação possível sobre o autor e sua intenção.
c) Na posse desta informação, tentar compreender como o autor filtrou o que viu (a realidade) e com isso criou o que estamos vendo (realidade+filtro do autor = obra).
d) De posse da informação do que está representado e como foi representado, poderemos começar então a desdobrar a informação que ali está.
Não se intimidem! Iremos ver passo a passo tudo o que está contido numa obra de arte.
Bom será voltar a arte em seu estado mais singelo, nas figuras rupestres, nas pintura e incisos pré-históricos, para vermos que em tudo há uma mensagem codificada, porque o filtro do autor deixa para além do que se, vê sua presença, a presença criadora, por mais realista que ele tente ser.
Por hoje ficamos por aqui, até para a semana.
(*) 'nos quer dizer' este o segredo para interpreta-la bem, para a podermos ler.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Enfrentar a morte!
É o que 'peshmergas' quer dizer, eles, os curdos, que se disponibilizaram para derrotar o Estado Islâmico, o Daesh, que, aqui em sua capital, Mossul, é ainda mais perigoso, no reduto mais crucial, onde dizem jogar tudo, jogar seu futuro, e onde esperamos se jogue mesmo a cartada final.
Estão entre quatro e oito mil homens entrincheirados nesta cidade à beira do Tigre, em sua margem oeste. A Nínive bíblica assíria, a cidade da rebeldia eterna, má marca para um lugar tão importante, capital daquele império, onde Ishtar dominava. Mepsila de que nos fala Xenofonte, depois capital da província de Ninawa no Iraque, onde era a terceira maior cidade, e é a atual capital de algo que se criou por vontade própria, e, contra todas as possibilidades, fruto de uma estupidez ocidental, que deu vaza à toda rebeldia sufocada secularmente.
Hoje a arruinada capital do Estado Islâmico joga a supremacia dessa ideia baseada no terror, sob muitas formas, sendo a mais desgraçada a do terrorismo internacional, e que com a ação de conquista territorial, como outrora, como desde os tempos medievais em que era esse o jogo do poder. Após as últimas tentativas alemãs na segunda grande guerra, essa tendência havia parado, para recomeçar com essa gente atrasada que emerge de uma época antiga em que vivem, para levar sua ideia de conquista territorial a efeito, sendo esta sua única possibilidade de existência. Tive já ocasião de dizer em outra crônica que as diversas regiões do globo guardam estágios de desenvolvimento diferentes, referentes à sua evolução histórica, estando umas numa antiguidade confusa, outras ainda na idade média, outras estagnados na idade moderna , outras na dita contemporânea, e ainda outras numa que se intitule pós contemporânea, havendo, dessa maneira, enorme variedade de desenvolvimento, e, como é claro, conflito entre os diversos estágios.
Essa insurgência autodenominada islâmica, que pretende ser um califado expansionista, solução tida como retrógrada pelo progresso de uns, e avançada pelo atraso de outros Estados, origem de todos os conflitos, porque ninguém quer abrir mão de qualquer parte de seu território, está hoje no cerne dos problemas do mundo, porque sua existência nesses moldes pretende, fora do tempo, contrapor uma realidade impossível, vinda de um estágio da evolução ultrapassado, que foi muito conveniente aos poderosos em seu tempo, permitindo-lhes conquistas territoriais que a história consolidou, ou não, porque logo a seguir perderam-nas, ou foram ultrapassados pelo momento seguinte de outros que os avassalaram ou se independentizaram.
O fato é que tendo encontrado o mundo com as fronteiras que tinham, o Estado Islâmico quis demarcar as suas, conflagrando guerras em que os poderosos, devido a más experiências anteriores, com altos custos em vidas humanas para as suas hostes, não quiseram empreender no terreno, optando pela ação aérea, indiscriminada ação com numerosos danos colaterais em vidas de civis, crianças e adultos que nada tinham diretamente com o conflito, e com destruição brutal das cidades, da qual Aleppo é o mais eloquente exemplo, promovendo um inusitado número de refugiados que fogem dessa guerra com todos os meios que encontram, gerando enormes pressões em outras zonas do globo para onde se deslocam.
Em meio a esse inferno generalizado, os 'peshmergas', cumprindo seu desígnio nominal, irão enfrentar a morte com renovada convicção de vitória, para reconquistar Mossul, retirando ao Estado Islâmico sua capital.
Quem viver verá!
sábado, 15 de outubro de 2016
Liberté, Fraternité, Égalité
"À toutes les gloires de la France!"
Allez a Calais, allez
Voir le mur, le blocage
Pleine exemple de liberté et égalité
Fraternité de eternelle dommage.
link recomendado: http://hdocoutto.blogspot.pt/2016/02/je-ne-serais-pas-plus-france.html
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