O blog O Olho do Ogre é composto de artigos de opinião sobre economia, política e cidadania, artigos de interesse sobre assuntos diversos com uma visão sociológica, e poesia, posto que a vida se não for cantada, não presta pra nada. O autor. Após algum tempo muitas dessas crônicas passaram a ser publicadas em jornais e revistas portugueses e brasileiros, esporadicamente.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
550.
Cinco séculos e meio são passados que morreu esse senhor deixando a maior de todas as heranças sem ser o maior bilionário, seu legado é o mais importante e consistente sem que deixe milhões em numerário. O que realmente tem valor não pode ser contado como o dinheiro o é, onde a cada nota ou a cada moeda somamos um tanto, aumentando o que se tem em mãos. O que Johanes Gutemberg nos deixou é o eterno tesouro.
A imprensa de tipos móveis foi o instrumento mecânico que permitiu que o saber se disseminasse, foi a macieira a produzir todas as maças não proibidas, e a replicar a experiência de Adão e Eva em todos os Paraísos do entendimento: TER UM LIVRO ABERTO ENTRE MÃOS!
O infinito benefício de seu legado foi a possibilidade de se possuir um manancial de informação que afinal se podia adquirir sem ser um homem rico que pudesse mandar copiar um livro, e haver cada vez mais livros e mais acessíveis, é a obra de maravilha de Gutemberg, que nesse três de Fevereiro completou mais cinquenta anos além do meio milênio de sua morte. Sem grandes festas, sem grande lembranças.
Gutemberg é merecedor de todos os festejos e homenagens. É uma figura para ser lembrada e relembrada por tudo que fez para a Humanidade com seu invento simples e despretensioso, mas que tendo provocado uma revolução na mecânica provocou a maior de todas as revoluções, A DA FORMA DA DIFUSÃO DO SABER, esse que era acessível a muito poucos, e que, com o tempo, passou a ser acessível à generalidade das pessoas.
Pode haver obra de amor maravilha? Mais permanente? Mais duradoura? Mais atual? E nem uma comemoração houve? Deixei passar meio mês, quinze dias para me perguntar: PODERÁ HAVER MAIOR INGRATIDÃO?
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Quanto vale uma Bitcoin? A estupidez no seu auge!
Quanto vale uma coisa que não existe?
Uma bitcoin não vale nada. O dinheiro da maioria dos países não valem nada também, porque não têm lastro de espécie alguma, mas refletem o que todo mundo pode ver, ou seja a pujança econômica do país que o imprime, por isso o dólar, a maior das mentiras, tem resistido tanto, e tem 'valor' amplamente aceito, e esses diferentes dinheiros, com sua aceitação, têm a conversibilidade que os vai mantendo, mas as moedas dos países são hoje todas ficção, assim como o valor que lhes é atribuído, então, se essas são ficção, quanto mais uma moeda que além de tudo, de não ter lastro, de não ter curso, não circula restritamente sequer, não tem existência física, muitas vezes não são conversíveis ou aceitas, NÃO TENDO PORTABILIDADE, NADA GARANTE SUA EXISTÊNCIA E SEU VALOR. É incrível! Só mesmo um sistema financeiro estúpido como o que há, para permitir que exista uma bobagem dessas, para permitir que alguém se aventure numa ideia desta. E MAIS ESTÚPIDO SÃO OS PRETENSOS INVESTIDORES.
Não posso dizer criação, porque a bitcoin não existe, existirá como ideia imaginária enquanto alguns queiram que exista, enquanto houver estúpidos em número suficiente para insuflar sua existência, mas o lançamento da Bitcoin, como das outras moedas virtuais, obedece a uma lógica especulativa pura. Só loucos se metem com isso. Elas são como o sub-prime, e como certas obrigações e títulos, muitas das debêntures, e ainda mais as apólices e muitas das ações de lançamento de empresas, que existem como promessa apenas, mas não têm garantia real que as legitime. Se em alguns países mesmo as poupanças não puderam ser devolvidas, ou foram confiscadas, como então atribuir garantias e valor a uma coisa virtual? E, supostamente, as poupanças eram dinheiro guardado, essas moedas virtuais são o que? Quando do dia para a noite deixaram de valer diversos bilhetes de supostos Tesouros Nacionais, letras de muitos tipos, algumas de câmbio, e ainda outras formas de 'investimento', como ações de companhias que num dia valiam bilhões e no outro nada, pois as companhias estavam falidas. E nesses casos tinham muitos ativos essas empresas, e mesmo assim evaporaram-se, então, como pode alguém acreditar em algo que sequer existe? Em muitos casos os investidores procuram, e sempre procuraram, distribuir o risco por diferentes aplicações, sozinhos ou, depois, constituindo fundos e clubes com diversos desses papéis e muitos investidores agrupados, para diminuir ainda mais o risco, que parece que, no entanto, aumentou. E aplicaram em papéis de muitas formas de investimento, que depois de não valerem nada podiam emoldurar para os ter como evidência do quanto são estúpidos, com essas "moedas" nem isso. SERÃO SÓ UMA LEMBRANÇA DOLOROSA.
1. Da sua portabilidade.
Como não existem, só podem ser movidas virtualmente, para as plataformas que as recebam.
2. Da sua regulação.
Não têm registro de espécie alguma, logo não há proteção para o 'investidor', podendo ter qualquer resultado, que ninguém tem de responder pelo que for que acontecer.
3. Da sua volatilidade.
Como há extrema variação em seu mercado, e os valores atribuídos mudam constantemente, manifesta-se enorme volatilidade como ativo, havendo tendência para gerar bolhas, ou uma grande bolha total.
4. Da incerteza.
A volatilidade gera uma permanente incerteza, transformando as moedas virtuais num ativo no qual não se pode investir a longo prazo, e como tudo que mexe no curto prazo, é um toma lá dá cá, um processo de quem fôr mais rápido no gatilho, generalizando a incerteza.
5. Da convertibilidade.
Há reconhecidos graves problemas na operação das plataformas, com falhas de toda ordem, que são o único meio operacional para essas moedas, pois como não existem fisicamente, não são portáveis, não se as pode comprar, vender, ou trocar por outro meio que não através das plataformas , e, se essas falham, tornam sua convertibilidade impossível.
6. Do aprisionamento.
Este sistema de plataformas gera um bloqueio à livre movimentação dos ativos, uma vez que não existem opções de saída e não é garantida a conversão, promovendo um aprisionamento dos investimentos nesse ativo.
7. Da opacidade.
O regime de preços para compra e venda tem se mantido opaco, o que cria janelas de oportunidade, pelas quais o investidor realizará suas transações, realizando no caso da compra uma aquisição pelos valores das ofertas de venda, NÃO CONSTITUINDO ESSES UM VALOR DE MERCADO, mas um valor atribuído pelo vendedor arbitrariamente, e no caso da venda, essa se dará pelo valor de aceitação encontrado, que será exatamente aquele (para o vendedor) o que o comprador aceitar pagar, como foi para o comprador aquele valor pelo qual o vendedor aceitou vender, até parece similar a todos os outros mercados, só que na quase totalidade dos outros mercados há referências, há valores de referências, há referências históricas das transações, o que não impede igualmente um colapso nos preços, mas retira a opacidade absoluta à transação, o que não se dá com as virtuais, onde a opacidade é quase total.
8. Do engano.
Num mercado não regulamentado a informação enganosa prolifera, não que não exista informação enganosa nos mercados regulamentados, existe, e até muita, mas essa constitui crime, e os enganados podem recorrer e serem indenizados, nesse mercado das moedas virtuais, como não há regulamentação, não constitui crime, e se mesmo sendo crime os promotores de venda, onde há regulamentação, se sentem tentados a enganar, a mentir, muito mais nesse mercado no qual não estarão sujeitos a qualquer sanção, nem terão de devolver os lucros auferidos, por isto, em todos as ofertas de virtuais, o que se vê são dados, detalhes, informações para esclarecer, inexistentes, falsas, ou escritas de forma a enganar.
\ E ainda há estúpidos o bastante para porem suas economias nestes ativos.PAGAM MILHARES DE EUROS POR UMA MOEDA QUE NÃO EXISTE. > A ganância é um desvario!
19/2 New York Times: A última notícia é a de "abduções" das aplicações, com pagamento de resgates para tê-las de volta, ou seja estão sendo sequestradas as bitcoins e pedem resgate para as devolver. Imagine isso acontecer com sua conta bancária!!!
Anúncio recebido em 14/3/2018:

sábado, 10 de fevereiro de 2018
Quiproquó carnavalesco-judicial.
"Angústia, solidão, um triste adeus em cada mão, la vai meu bloco vai, só desse jeito é que ele sai." Bloco da Solidão - Jair Amorim e Edvado Gouveia.
A proibição do bloco carnavalesco 'Porão do DOPS' revela uma total falta de humor, bem como a sua anterior liberação também revelava essa falta de humor pelas razões atribuídas em o ter liberado. Vamos primeiro aos fatos:
1. Liberação -
A Juíza da 39ª Vara Cível de São Paulo, a Dra. Daniela Pazzeto Meneghine Conceição, havia liberado o bloco alegando que a Lei da Anistia havia perdoado aos torturadores, bem como que não havería crime em questão, nem apologia do crime de tortura, porque estavam todos perdoados.
2. Proibição -
O Desembargador José Rubens Queiroz Gomes da 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, deu liminar proibindo o bloco desfilar por ver que ele faz a Apologia do Crime de Tortura. Pediram a condenação Edson Salomão e Reis Douglas Garcia Bispo dos Santos.
3. Torturadores -
Entre os evocados pelo bloco encontram-se duas figuras muito conhecidas, Carlos Alberto Brilhante Ustra e Sérgio Paranhos Fleury, que os que são contra o bloco desfilar consideram torturadores, e os que são a favor de que o bloco saia, não consideram.
4. Tortura Nunca Mais -
A entidade defensora dos Direitos humanos assim intitulada sentiu-se indignada com a autorização para o bloco desfilar, e entende que as figuras evocadas pelo bloco são torturadores.
5. Ministério Público -
Foi o Ministério Público quem apresentou recurso conta a decisão da Juíza da 39ª VC em liberar o bloco
6. Anistia -
Fui contra a Anistia que o Sr. José Sarney promulgou, acho que todos devem responder pelos seus crimes, tanto os que foram torturados como os torturadores, naquilo que praticaram contra outros seres humanos.
7. Discussão -
A discussão judicial centra-se na dicotomia entre desfilar porque não faz a apologia do crime de tortura, e não desfilar porque faz a apologia do crime de tortura, contraposição mais estúpida não pode haver.

Como muitos sabem eu fui torturado por estes senhores do PORÃO DO DOPS e do DOI CODI, e acho imensa piada no bloco, sejam lá os seus participantes a favor da tortura ou contra. Sua apologia, como defesa ou como elogio, é estúpida consideração, posto que ninguém em seu estado mental perfeito pode defender ou elogiar, ou seja fazer a apologia de semelhante instrumento de suplício, que mesmo contra-natura, contra os sentimentos humanos que professam e partilham a maioria da Humanidade, sendo exceção somente os torturadores e seus mandantes, é uma degenerescência .
Do porão do DOPS, e de ainda outros porões, surgem, e sempre surgirão, ensinamentos que devem ser recordados, e o mal que evocam são sua própria tragédia, para o ridículo de quem os apreciar, e para a justiça de quem os rejeitar. A didática sempre se fará porque as pessoas têm capacidades críticas e de avaliação, que bem dispensam a interferência do judiciário e de seus ilustres representantes, havendo já uma excessiva judicialização da vida brasileira, mas este é um assunto menos carnavalesco.
Portanto, pelas razões que evoquei, sou totalmente a favor do bloco desfilar, o PORÃO DO DOPS terá sempre muito a nos contar, e a revelar sua idiossincrasia, e a demarcar sua estupidez, filha de um tempo que demonstra o quanto nos podemos afastar da civilidade e do humanismo, o que é o mesmo que dizer que podemos perder nossa humanidade e civilização ao cedermos a barbárie, ao pactuarmos com o suplício e com o tormento. E bem me lembro que poucas foram as vozes que se ergueram contra a tortura enquanto ela era praticada. Quanto aos senhores mencionados como sendo ou não torturadores, não há a menor dúvida para ninguém que são, e mesmo aos que possam querer dissimular essa sua condição, só resta a esse alguém que tem plena consciência da prática da tortura por essas figuras, ser a favor ou contra a tortura como procedimento, sem apologia possível, no mais tudo é conhecido, apesar de anistiado.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Os plásticos são uma presença do passado, são fantasmas bem presentes.
Não se degradam, se pulverizam muito lentamente, demoram séculos, alguns mais de meio milênio. Um jornal demora entre duas e seis semanas. Os plásticos por definição não são biodegradáveis, são entretanto bio-pulverisáveis, o que significa que as ações dos elementos naturais conjugadas os vão partido em partículas cada vez menores até que não são mais perceptíveis no ambiente, entretanto estão lá, aos pedacinhos, em porções tão pequeninas que parecem não poderem fazer nada de mal, mas não é bem assim.
O título de nosso artigo indicía porque é perigosa a presença dos plásticos. E o maior perigo está que como eles estão presentes nos alimentos, nossos e dos bichos, sobretudo naqueles bichos que comemos, os plásticos se acumulam ao longo da cadeia alimentar havendo concentrações sempre maiores daquelas partículas em animais com alimentação mais diversificada, mais velhos e nos que comem outros animais, como é o nosso caso, e uma vez impregnado em nosso corpo não é eliminado, haverá certamente um efeito nocivo de uma presença alienígena, exógena em nossos tecidos e órgãos, porém como ainda não se verificou nada de extraordinário, e como essa dispersão ainda não tem a distância temporal necessária para podermos avaliar bem qual poderá ser sua nocividade, e para que os efeitos se manifestem, nada sabemos ainda.
Os plásticos são um derivado do petróleo, muito bem, até aí todo mundo sabe; mas o que é o petróleo? É a matéria orgânica inorganicamente estruturada por centenas de milênios de evolução lenta. São os materiais que a natureza criou como folhas, ramos, frutos, sementes, troncos de diferentes tipos, e os muitos animais, que viraram pasta num dado momento, por conta do passado geológico do planeta, talvez quando acabaram-se os dinossauros, ou talvez quando houve um fenômeno que prendeu suas carcaças num ambiente sem oxigênio. Ou seja aquelas cadeias químicas longas formadas pela natureza, como são a da flora e da fauna, a partir dos minerais em combinações complexas, com milhões de anos da ação de outros agentes naturais, e sob condições especialíssimas, porque ficaram retidos em grandes áreas subterrâneas, que formaram os lençóis de petróleo que estão nas áreas onde hoje se abrem os poços para bombea-lo e darem as utilidades que modernamente encontraram para ele, fracionando o óleo em vários e diversos produtos, como os muitos combustíveis que dele são produzidos, diesel, gasolina, os muitos querosenes, óleos lubrificantes, os mais diversos subprodutos, etc.. até o isopor, que em Portugal chama-se esferovite, que é como uma sua espuma solidificada, passando por inúmeros tipos de plásticos e similares que podem ser dele extraídos. Como vêm o petróleo é uma matéria muito complexa que se subdivide, logo seus elementos de formação eram também muito complexos, e tudo demandou uma porção imensa de tempo para acontecer, não se pode esperar que vá 'des-acontecer' em pouco tempo, e nós que habitamos presentemente o planeta não dispomos do tempo necessário para esperar que tudo se reverta, se é que essa reversão é possível. Logo o petróleo é um fantasma que por aí anda, e da mesma maneira que os materiais radioativos deveríamos ter muito cuidado ao lidar com ele.
A segunda metade do século XX vai ficar na história como o período do plástico, quando sua utilização e consumo subiu em flecha sempre e sempre, até que tornou-se uma desgraça ambiental, não se degradando e se acumulando, estando em todo o lugar, poluindo tudo, sobretudo os oceanos, com os mais diversos tipos de poluição, inclusive a visual. São dezoito milhões de toneladas todos os anos que os europeus jogam no ambiente onde permanecem, pois há outros oito milhões de toneladas que são recicladas anualmente na Europa, posto que o total dos refugos nos diversos países da União atinge os vinte e seis milhões de toneladas, é uma enormidade. Essa medida que a União Europeia agora toma em proibir o uso do plástico em embalagens, como o seus outros usos em que possa ser descartado, marcando como data para seu fim o ano de 2030, é a medida mais sábia e meritória dentre todas as que a União tomou a nível comunitário, co-obrigando a todos os seus membros. As pessoas e as empresas encontraram no plástico um elemento de comodidade e facilidade, por exemplo quando dão uma festa e não usam a louça, os talheres e os copos, que depois têm de ser lavados e guardados, não, preferem usar tudo em plástico que depois jogam fora sem terem mais nenhum trabalho que o de porem tudo na lixeira - ponto de entrada - porém todo esse 'conforto' do dono da festa vai ser a trabalheira da municipalidade, dos governos e de outras populações, pois esses plástico acaba num grande lixão, ou local de despejo - ponto de saída - e lá se acumula, e se acumula, porque não se degradam, tornando-se uma presença incômoda, alto preço pago pela comodidade de não terem de lavar uns quantos pratos e copos, e a indústria fez o mesmo quando acabou com as embalagens de vidro em muitos produtos, optando pelo plástico. Lembram-se os mais velhos do leite ser comercializado em vidro, muitas outras bebidas também deixaram o vidro migrando para o plástico, como muitos líquidos que se comercializam agora em plástico, eram comercializadas em vidro, e a manteiga deixou o papel para o plástico, e muitos lacto-derivados da mesma forma, não todos, porque a sua preparação exige no processo de fabricação, temperaturas que deformam o plástico, mantendo-se o vidro portanto, ou passando-se ao alumínio. A segunda metade do século passado foi a de uma migração para o plástico como nunca se viu, por suas qualidades higiênicas, sua maior leveza, sua fácil manipulação e preço barato, seduzindo os mais diversos setores a optar pelo plástico como embalagem.
MICROPLÁTICOS
Quando você lava sua roupa, ou freia se automóvel, está liberando microplásticos. A abrasão no pneu libera partículas invisíveis que irão se juntar à poeira urbana, que acaba toda no mar. As fibras sintéticas das roupas soltam-se com a lavagem e seguem com sua água, e vão acabar também nos oceanos. A poluição do microplástico traz consigo uma desgraça acrescida, é invisível, e só os pesquisadores podem nos dar conta de sua grandeza. Quem ler o relatório da IUCN - International Union for Conservation of Nature -ficará aterrado, pois passará a saber que já um terço das milhões de toneladas que poluem os oceanos são microplásticos, e nós não as/os vemos, e fizeram todo um trajeto que não podemos impedir. Foram pelo ar, ninguém pode parar os ventos, foram pela água driblando os filtros mais apertados que usamos para as águas residuais, pois são minúsculos. Porém o número que nos assusta é que essa quantidade é tão grande, a invisível, que equivale a uma bolsa de plástico jogada nos oceanos todas as semanas por cada um dos oito bilhões de seres que habitam o planeta, é uma enormidade, e continua a se acumular, de tal forma que em três décadas poderemos ter mais plástico que peixes no mar. Portanto como nada pode ser feito no ponto de saída, porque essas partículas são tão pequeninas que não as podemos manipular, temos que fazer algo no ponto de entrada, ou seja evitando que elas entrem, e para isso é necessário que elas não existam. Essa primeira barreira que a UE põe restringindo o uso de microplásticos é um começo absolutamente necessário, mas insuficiente, porque com sua acumulação primária nos oceanos e a sucessiva na cadeia alimentar, não sabemos ainda que perigos esconde, podendo alterar o metabolismo dos animais, atuando em seus sistemas digestivo e reprodutor. E há nos plásticos muitas outras substâncias perigosas, como o Bisfenol A.
Reciclável e reutilizável
Como há toda uma indústria com numerosas fábricas de plásticos, sendo este um setor importante da economia, sua eliminação acarretaria sérios problemas laborais e econômicos, porém o maior problema é que a quase totalidade dos alimentos são embalados em plástico, ou têm uma sua participação mais ou menos expressiva no processo, sendo necessário bom tempo para a reversão dos meios de embalagem empregados, o vidro, o papel, o cartão, o alumínio, são as outras opções a serem introduzidas, ou re-introduzidas. A outra solução é que as embalagens sejam reutilizáveis, em alguns casos, poucos, podendo voltar ao fabricante do produto adquirido, na maioria terão outras utilidades domésticas, não sendo desta forma jogadas no lixo. Por fim a mais difícil das soluções, a da recuperabilidade, onde o material da embalagem plástica poderá ser reciclado em novo plástico, evitando sua dejeção, dando-lhe um novo ciclo de vida. E é pela positiva que a UE está planeando sua interferência nessa vertente, aumentando o lucro dos que reciclam, com maior preço na tonelada reciclada, ao mesmo tempo que pretende aumentar a eficiência da reciclagem, pretendendo impulsionar a pesquisa com a destinação de 100 milhões de euros para que se procure encontrar plásticos mais inteligentes e recicláveis.
Bisfenol A
É cancerígeno, reduz a fertilidade humana, gera problemas cardíacos, está presente em mais de três quartos dos plásticos produzidos, os ingleses têm 90% de seus adolescentes contaminados com o bisfenol A.
Finalmente depois de décadas de alerta dos ambientalistas, e de muitas atividades que visam aumentar a consciência ecológica e denunciar a inconveniência do plástico no ambiente, essa ressurreição maligna de uma matéria em aparição fantasmagórica de estruturas que o tempo havia transformado em petróleo, e que o homem transformou em muitas coisas diferentes, inclusive nessa perigosa aventesma que assume muitas formas 'plásticas'.
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Como vampiros.
Zeca Afonso compôs e cantava uma canção chamada Os Vampiros que dizia: "Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada."e só ela me vem a cabeça quando vou analisar os números que Davos explicita com grande veemência.
Dezoito por cento para 99%, e 82% para um porcento, esses são os números, Davos os exalta, essa distorção absurda, essa contorção da realidade, essa violência ignominiosa feita a toda a Humanidade, onde 1% dela tem o controle absoluto de quase tudo que existe, onde essa absoluta minoria de 1% domina 82% de tudo que existe, de toda a riqueza, de tudo que é produzido, desde o leite que sai das vacas, até os mais complexos computadores que saem das fábricas, passando evidentemente por todos os materiais, produtos, dinheiros e alimentos que faltam á imensa maioria das pessoas, 99% delas, que só têm acesso aos restantes 18% de toda a riqueza, para gáudio, para a pândega desta concreta minoria que controla todo o resto - são 82% de tudo nas mãos de 1%, excluindo os outros 99%.
"Eles comem tudo e não deixam nada" é o única raciocínio que pode resultar ao refletirmos sobre a incongruência dessa desproporção resultante de uma lógica da própria natureza do sistema, que é preciso contrariar. Como nada se faz sem capital, e esse, por sua própria natureza, se acumula cada vez mais nas mãos de uns poucos, devido a quem tem capital, serem os que tem capital, e, evidentemente, são sempre os mesmos, aqueles que lucraram com seus investimentos anteriores, aumentando o seu bolo, e como o rio sempre corre para o mar, eles irão repetir a façanha gerando sempre maior concentração de capital. Os investidores não têm culpa, pelo contrário, até fazem muito bem em investir, pois criam riqueza e empregos, e sempre essa riqueza é taxada produzindo mais escolas, mais hospitais, melhores condições sociais, longe de mim criticar de que maneira for aos investimentos, e também compreendo perfeitamente essa tendência para concentração que o dinheiro tem, pois como tudo se faz com dinheiro, só quem o tem o investirá, gerando mais dinheiro e passando a abarcar também aquela nova área de investimento, numa sucessão infinda de negócios. Então que fazer?
Antigamente como rareava capital, exatamente ao contrário de hoje, em que há capital a mais, para se fazer uma empresa eram lançadas vendas de debêntures, de ações, de títulos que permitiam a subscrição pública a muitos pequeninos aforradores para formar um grande bolo, uma grande quantia, dispersando o capital do empreendimento que começava por muitos pequenos investidores. Em Inglaterra milhões de pequeninos investidores eram donos de empreendimentos em locais longínquos do mundo, desde plantações de chá no Himalaia aos canais no Egito e no Panamá, razão de haver tanta gente com recursos na Inglaterra, porque a riqueza se espalhou em muitas mãos, e foi assim que se consolidou uma classe média com capital investido, com rendas e com boa situação financeira, muito para além da que lhes poderia proporcionar suas reformas, por isso podiam cuidar de seus jardins, fazer colecionismo das mais variadas coisas, ler e escrever livros, viajar por todo o mundo entre outras coisas.
Deveria ser lei que as empresas tivessem disperso um percentual alto de seu capital em bolsa, o que em nada impediria aos seus criadores de controlarem as 'suas' empresas, posto que mesmo com o capital muito disperso se pode controlar uma empresa. Basta apenas com um quarto dele nas mãos de um grupo para esse a poder controlar. Se obrigássemos a que 75% do capital de todas as empresas fosse disperso por pequenos investidores, onde cada um não pudesse adquirir mais de meio por cento de seu capital, e que todos tivessem parte de seus fundos de pensões constituídos dessa maneira, e assim como há taxações altíssimas do capital, que desestimulam os investidores, porque metade, às vezes mais, de sua riqueza vai para impostos, com o suposto intuito de promover justiça social, com as altas dispersões à cabeça, aquando da criação das empresas, essas dispersões sim criariam verdadeira justiça social, e os impostos poderiam baixar, desse modo, inclusive, as pessoas precisariam menos do Estado, como se passa ainda hoje em Inglaterra, como referimos, porque há mais riqueza nas mãos de cada cidadão. Também com essa medida as bolsas de valores deixariam de ser os casinos que são hoje para cumprirem a missão para que foram criadas, realizar capital, distribuir riqueza.
Essa a única maneira de contrariar a tendência natural do dinheiro (do capital) de se condensar, de se multiplicar sempre nas mesmas mãos, dando oportunidade para todos de fazerem sua poupança-reforma, de irem a pouco e pouco construindo sua velhice, ou sua riqueza, dependendo do grau de investimento de cada um, promovendo justiça social desde a multiplicação original do capital, diferentemente do que se passa hoje onde há cada vez maior concentração, maior injustiça, maior descontentamento: com os pobres a criticarem os ricos por serem ricos, e os ricos a criticarem os governos por morderem-nos muito forte, com os governos a criticarem toda gente por quererem fugir aos impostos. Então sem que apenas uns poucos viessem "chupar o sangue fresco da manada" poderia haver melhor futuro.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
SALDO DE DAVOS: Estão instaladas as condições para outra crise.
O que isso quer dizer é que há a liquidez necessária para que os mercados se aventurem em qualquer nova loucura. NÃO REGULADOS têm as mãos livres para lançarem-se num novo embuste, numa nova peta que se lhes venham oferecer como extremamente lucrativa, permitindo que se criem outra vez as condições de insolvência peculiares das crises, condições necessárias ao desbarate de todo o trabalho de recuperação econômica, de toda a poupança acumulada com essa década de padecimentos, e mesmo das fortunas que se criaram com as crises anteriores. E os governos serão chamados outra vez a sanear os mercados. COMO NADA FOI FEITO o campo está aberto à repetição das loucuras e engodos de que o mercado gosta tanto, ou poderemos dizer de que é useiro e vezeiro, práticas que sempre se instalam no mercado como uma moda ou como uma característica, uma praxe de sua existência como ambiente de lançamento de novos produtos que é, etiqueta da relação do investidor com as multíplices ofertas de aplicação.
Este é o saldo de Davos deste início de 2018, com a ponta de lança situada mais uma vez nos EUA, que tem agora a agravante de ter um ultra-liberal, não político, nem legislador, como cabeça de seu governo, ou desgoverno, se preferirem, podemos mesmo dizer que estão criadas as condições para a tempestade perfeita (a crise perfeita) que não sabemos quando virá, mas sabemos efetivamente que virá, porque quando você tem ovos batidos com pedaços de presunto à meio, postos numa frigideira ao lume, é evidente que em breve vai ter omelete, se mais cedo ou se mais tarde, tudo depende do fogo, se é com mais ou menos calor.
Uma ação excitante dessa conjugação de fatores é a participação cada vez mais presente da China sempre em ascensão nos mercados mundiais, desde seu ingresso na Organização Mundial do Comércio em 2001, em contraste com a pouca liberalização que se verifica desde então para novos agentes, diminuindo o mar para as pescarias, e a sede de água onde se possa pescar é cada vez maior, teoricamente infinita, mas deve se conter até que hajam peixes bastantes para a nova rede que irão lançar, e COMO NÃO HÁ REGRAS a malha da rede poderá ser tão fina que arranque até os grãos de areia do fundo do oceano. Porque a riqueza que a China vem criando com trabalho e inovação o que aumenta a base da pirâmide do dinheiro, riqueza chinesa que é colocada no mercado abocanhando boa fatia, cria por outro lado desequilíbrio às ganâncias por gordas fatos de outros que não trabalham tanto como os chineses, essa a razão de queixa do Sr. Trump em relação à China como grande centro catalisador de investimentos de toda a ordem, por isso agora não tem mais América a preeminência da atração desses investimentos. Isso lembra uma releitura do que possa significar para ele 'América first'.
O que isso quer dizer é que se está iniciando um novo ciclo econômico, onde imbecilidades como a Bitcoin imperam, ou seja onde ha cada vez mais espaço para a especulação, e nós bem sabemos onde isso geralmente nos leva. A opinião dos banqueiros se dividiu em Davos, desde os cínicos que só querem ver a boa maré (Sem ver que essa maré é de recuperação de uma horrível tragédia.) posto que são guerreiros muito acostumados com mortes e decapitações esses banqueiros que regozijam com seus momentos de boa onda, sabendo bem que com ela estão criadas outra vez as condições para novo maremoto, porém hoje é mais 'in' usar termo nipônico e dizer-se tsunami.
Não sabemos quando, não sabemos de que lado, não sabemos nem mesmo sob que forma, só sabemos que virá, e pode ser tanto mais devastadora a crise quanto forem os fatores que a criem, ou seja quão maior for a permissividade num MERCADO TOTALMENTE DESREGULADO. Tendo isso em mente só me ocorre cantar como Caetano no seu 'Um índio': Virá que eu vi!
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Feliz Ano Novo de incerteza crescente - Feliz 2018.
Poderá existir um suficientemente louco, é certo, mas mesmo os loucos têm medo da retaliação, da resposta à sua ação inconsequente, e consequentemente não tomam a iniciativa. Nem a besta do Kim Jong-un creio que será capaz, seria necessário um Hitler, um obsessivo-compulsivo fora de si para deflagrar uma guerra nuclear.
Então para que servem essas ogivas todas? Tantos mísseis? Todo este arsenal? Para que? Bem para usar neste planeta é que não é, pois ao fazê-lo a área atingida ficará comprometida por séculos, sem possibilidade de haver vida, as respostas efetivas riscariam os países da face da Terra, e arrasariam populações, ainda que o louco se possa pôr num bunker, não quererá ser regente de um país sem população, não é fato? Por causa disto já passados 70 anos ainda ninguém se atreveu a usar a bomba desse dito clube atômico, do qual fazem parte sócios cada vez mais incômodos, onde os estatutos previam restringir o número de sócios, mas para o qual, com o avanço tecnológico, sempre entram novos sócios, posto que dominar a tecnologia necessária à carteirinha do clube, cada vez é mais fácil, parece que a Asia vai cada vez mais se atemorizando, e é a região mais populosa do globo, mas o fato é que ainda o clube não recebeu como sócio um louco suficientemente louco para arrebentar com a sua relativa 'tranquilidade'.
Mas para que serve então fazer parte do Clube, cujos membros são 9, e as ogivas 14.500? A única utilidade dos mísseis nucleares é para nos defender dos ETs. Os meus amigos abduzidos já sentem comichões, mas não usei a afirmação para reforçar a ideia de uma guerra nas estrelas, tão em moda novamente nas telas, não, foi para marcar uma semântica do impossível, talvez também do absurdo, mas certa e primeiramente do desnecessário.
Esse 2017 que agora terminou, pejado de sua estupidez como todos os anos, (E isso só me faz lembrar o Christmas Carol, grande Dickens, que percepção, como via longe!) mais um ano com suas contradições e absurdos, repito, como todos os outros anos, mas que entre as muitas que se tiram da cartola, e os muitos que aparecem sem ser os coelhos do mágico, posto que a magia, enganosa como todas, é, ademais, trágica, e a deste ano foi a de dois idiotas a frente de arsenais nucleares se desafiando. Coisa demasiado perigosa para ser contemplada sem apreensão, porque afinal sempre os idiotas podem passar das palavras aos atos, porque dos atos, as palavras que os prenunciam estão recheadas de uma inconsequência fecunda que poder-se-á subitamente materializar, nunca é bom pagar para ver. Entretanto toda a diplomacia, toda a sensatez, todos os homens ajuizados que há, nada podem contra um psicopata com poder.
Perguntemo-nos se haverá uma guerra oculta, nem tão silenciosa, pois manifesta-se em alguns gritos esquizofrênicos esporádicos, mas que envolve outros interesses, onde diferentes atores movem-se no palco da desestabilização social e da propaganda, havendo hoje muitos espaços em que se movimentar, desde o ciberespaço, até o da implantação de notícias falsas alarmantes, ou mesmo ataques cibernética às redes e centros de poder causando um ambiente cada vez mais instável, onde devemos incluir a instabilidade econômica, onde subitamente uns países mergulham na perda de valor de seu produto, esse 2017 foram 20% dos países emergentes que foram estrangulados para que outros acumulassem riqueza noutros pontos do planeta, e apesar disso o crescimento econômico está em expansão, e é revisto com maior expansão ainda para 2018, devemos incluir também os terroristas, as guerras e as lutas para não perder, de uns, e para ganhar proeminência, de outros, cuja inevitável consequência é uma escalada na agressividade das confrontações, gerando maiores arsenais, cujos 'líderes' agem como crianças afirmando que seus brinquedos são maiores e mais numerosos que os do vizinho.
Temos portanto que, enquanto os ETs não vêm, já contamos sete décadas de inutilidade atômica, que, infelizmente, mesmo assim vem se multiplicando com capacidade para destruir todo o planeta várias vezes, e, com a crescente participação de variados esquizofrênicos, dando-nos só uma certeza, a incerteza crescente. Mas é sempre tempo para dizer: Feliz 2018. (Pelo seu Janeiro já podemos quase dizer que passamos, falta só uma semana.)
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