sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Morreu a noiva do cowboy.




                                                                                                                  28/12/2018

A miúda Miucha não mais vai cantar, e foi-se o dia
Em que a gente ia levando, apesar de andarmos "falando de lado e olhando pro chão"
Esperando nós todos, muito espertos,  pela "enorme euforia"
Sabendo ser certo que tudo passa e que ia passar, mas ainda não

E "a luz dos olhos meus", dos nossos olhos, tinha encontro marcado
Com um Brasil melhor que queríamos construir
Este era, mais que tudo, nosso sonho sonhado
Que não podíamos deixar fugir.

"Não fuja não, ...era fatal que o faz-de-conta terminasse assim"
Parte do legado dos Buarque e Holanda ao Brasil, esse enorme legado
De que somos todos devedores. Foi assim meus senhores, e seguiu, sim
Terminou neste 27 uma vida que se fez coroar para além de seu próprio estado
"A gente agora já não tinha medo" mas, como tudo, tinha fim.


Dr. Rui Rio, que assim seja.









Declaração de interesse contrário: NUNCA VOTAREI NO PSD. Discordo de todas as suas ideias e do estilo de sua governação, mas o Dr. Rui Rio é algo novo que merece atenção e reparo.



Agrada-me a frontalidade de Rui Rio. Não que ele não saiba fazer o jogo escondido para continuar a liderar um saco de gatos como o PSD. É necessário todo um jogo invisível e miserável para se manter a liderança de um partido, sobretudo sem o poder, essa flor entorpecente que suaviza todos os ânimos, e aparta todas as contestações internas. Ele tem se esforçado para evidenciar um novo estilo de fazer política, sem aquelas práticas torpes de sempre, sem aquelas mentiras, sem aqueles enormes enganos usuais para manter acesa a chama, tanto do público interno como do esterno ao partido. E ele tem pago um certo efetivo preço por isso. É evidente que tem de contornar e engolir as diatribes dos seus opositores internos, e as fraquezas, erros e inconsequência de seus apoiantes, mas vai se havendo bem.

Escrevo essa crônica como uma profissão de fé ou uma confissão, porque sempre se deve dizer a verdade e fazer coro, quando vê-se alguém a pregar no deserto, esse imenso deserto de homens e ideias que é a política, homens no sentido que meu avô sempre exigiu que eu fosse: Verdadeiro, franco, firme, seguindo uma linha bem traçada, e incorrupto. Será talvez pretender muito da natureza humana, mas há muita gente assim, e eu tenho tido o imenso gosto de privar com muitos, gente que tem acesso a quantias avultadas, a poderes fortes e efetivos, que cuidam de coisas muito importantes, e não se valem dessa condição para nenhum proveito pessoal, e, creio mesmo, que são maioria. O que nos dá esperança no futuro da Humanidade, não muito forte é verdade, porque a ganância, a ambição, o desejo de desfrutar, medram  por toda parte, roubando almas e corrompendo consciências, entretanto sempre devemos esperar o melhor. Mas voltemos a Rui Rio.

Esse senhor que eu não conheço de parte alguma, com quem nunca troquei uma palavra, tem se mostrado firme, bem intencionado e verdadeiro na medida do possível, o que já é muito para um político, e um político na luta pelo poder.  Temos que admirar e louvar essa atitude, que junto com tudo o mais que se passa em Portugal, e com o excelente Presidente da República que temos, tem gerado um clima onde os cães que ladram e querem derribar a caravana, não consigam eco e força para o efeito, ainda que sempre criem mal-estar aqui e ali.

Digo tudo isso ciente que vivemos um tempo de populistas, e que em Portugal no vazio que se criou, o espaço é para uma direita populista e enganosa, demagógica mesmo, que prometa menos impostos, melhores salários, que prometa ao mesmo tempo todo um leque de soluções impossíveis, porque é assim que conseguirá alcançar o poder. As pessoas desejosas da esperança que se apresenta, não se darão conta da impossibilidade por não haver recursos para realizar seus sonhos. E esta direita está presentemente se organizando, e, certamente não é o PSD de Rui Rio.  O que mais me intriga é que certamente o Dr. Rui Rio vê isso, dá-se conta de tudo isso, mas mantém-se em sua meta, querendo dar a política o que ela cada vez quer menos: Verdade e honestidade. Os novos tempos políticos estimam os mentirosos e/ou os salvadores da pátria, e cada vez mais esses se apresentam numa direita extremada, que sabe que é preciso o caos para tomar poder, que é preciso enganar para se assenhorar da cadeira do mando, lembrem Berlim em 1933. 

O Dr. Rui Rio com sua forma de estar (E mesmo de ser, acredito.) tem revogado esta baixa prática política, se contrapondo com franqueza e verticalidade às tolices esporádicas e desnecessárias que o Costa  e sua caravana cometem com uma frequência dispensável. Mas, sabemos que o poder ilude, e cria antolhos, e lá estão eles às quintas-feiras, como cavalos suados após uma sôfrega cavalgada, sentados à beira da mesa do conselho de ministros, muitas vezes a olharem só para seus umbigos, mas, e muito com a ajuda e o peso do PCP e do BE (pesos e contrapesos, nos ensina a política dos EEUU) repito o porém, têm alterado bastante o estado de pressão e opressão que se vivia até bem pouco tempo, criando novas expectativas, e mesmo perspectivas, que penso que é para continuar, e, espero verdadeiramente, que a oposição que exista na nova legislatura, seja limpa e clara como tem sido a do Dr. Rui Rio. Necessitamos de pedagogia e não de demagogia. Esperemos que assim seja!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

NOSSA VERGONHA COLETIVA.





O número diz tudo, é um número de guerra: 60.000 refugiados mortos desde que começou o milênio pela incúria e menosprezo que lhes votaram as grandes nações europeias.




E baseado na intolerância a esses ultrajantes procedimentos, invocando o artigo 2º da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, como cidadão deste mundo, porque não há outro, pugnando pela Liberdade e Direitos que esta proclama, afirmo a VIOLAÇÃO DOS DIREITOS DOS REFUGIADOS EM TODA A EXTENSÃO DESTA DECLARAÇÃO UNIVERSAL, como se de outro mundo eles fizessem parte:

VIOLAÇÃO DE TODOS OS CONSIDERANDOS.

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 1º: Pergunto onde está o espírito de fraternidade proclamado?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 3º: Que Direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, foi reconhecido aos refugiados?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 4º: Que mais são que escravos, refugiados mantidos retidos (PRESOS) em alguns países como a Turquia, a Grécia ou a Itália, porque os outros se recusam a recebe-los?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 5º: Que mais é que tratamento cruel, desumano e degradante o tratamento que é dispensado aos refugiados todos os dias?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 6º: Que personalidade jurídica é reconhecida aos refugiados?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 7º: Sob que lei estão as centenas de milhares de refugiados onde quer que eles estejam?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 8º: Que qualquer Direito de recorrer aos tribunais tem um refugiado?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 9º: Já não estão eles presos, detidos e exilados?

VIOLAÇÃO ARTIGO 10º: Que igualdade e justiça recebem ou a qual estejam sujeitos?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 11º: Que presunção de inocência ou de ação ou omissão de Direitos terá quem está fora da lei por princípio, por estar em terra estranha?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 12º: De que vida privada dispõe para a não ter sob intromissão ou violação nos campos de refugiados para onde foram banidos?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 13º - 1 - Que Direito de ir e vir têm, confinados que estão?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 13º - 2 -  ESTE É O  ARTIGO DOS REFUGIADOS, QUE LHES DEVERIA GARANTIR, NESSA CONDIÇÃO, TODOS OS OUTROS QUE LHES SÃO RECUSADOS (LOGO VIOLADOS CONSOANTE ESSA DECLARAÇÃO) TODOS OS DIAS POR CADA UM DE NÓS E POR TODOS ATRAVÉS DOS GOVERNOS QUE NOS REPRESENTAM.

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 14º - 1 - Que Direito de asilo se manifesta com esse asilo que lhes é dispensado desrespeitando todos os seus Direitos como pessoa.

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 14º - 2 -  POIS É COMO SE OS REFUGIADOS FOSSEM TODOS CRIMINOSOS . NADA PODEM INVOCAR COMO DIREITO.

VIOLAÇÃO DO ARTIGO 15º - 1 e 2 _ Que nacionalidade será a de um refugiado que, ao fugir da sua, está privado de qualquer outra?

VIOLAÇÃO DO ARTIGO... Não lhes canso mais, todos os 30 artigos da declaração são violados todos os dias pelas grandes nações civilizadas da Europa, mais os EEUU, no caso dos refugiados, lhes sugiro a leitura integral da Declaração, e vossa reflexão sobre ela quanto aos Direitos que consagra, está disponível na net, leiam-na, mas a declaração conclui com essa pérola:

Artigo 30:
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

Será que já leram o nossos governantes alguma vez essa Declaração? Como?
Se as violam todas e cada uma delas, já não são Estados, nem mais somos indivíduos, perdemos todos nossa cidadania e individualidade ao recusarmos acolhimento aos refugiados, violando os termos dessa Declaração. Não houve Direito digno desse nome que lhes fosse assegurado, perante o Direito dos homens a acolhida aos refugiados é a falência total do que seja Direito. Perante o Direito de Deus vos convido a leitura do capítulo 19º do Genesis, ou seja está na origem da Humanidade como tal, esse princípio que Deus defende. Lá está a história de Deus ter destruído Sodoma e Gomorra, por que essas cidades descumpriram o princípio básico da hospitalidade. Quanto mais seremos responsáveis por excluir, afastar, restringir, aprisionar, retirar-les (aos refugiados) todos os Direitos que moldam a condição humana,a os escravizar, a essas populações inteiras que solicitam refúgio e acolhimento? Deus destruirá nossas cidades? Deus nos imputará terrível castigo? Entre estes, há muitos que deram acolhida,  forneceram e fornecem alimentos, dividindo assim a população em duas, umas serão responsabilizadas e outras não, umas que repudiam esses miseráveis que recorrem a acolhimento e hospitalidade, porque suas terras, suas casas, suas vidas foram destruídas, por guerras, desgraças, catástrofes, os querem expulsar e banir, outras os querem acolher. Porém todos não os acolhermos é, como disse o António Guterres, "fonte de NOSSA VERGONHA COLETIVA".  



No N Y Times de 27/12/2018 pode se ler:


Europe Edition
Your Thursday Briefing
By ALISHA HARIDASANI GUPTA
Good morning. 

An inflatable boat from a search-and-rescue ship operated by Sea-Watch, a German humanitarian organization.An inflatable boat from a search-and-rescue ship operated by Sea-Watch, a German humanitarian organization.
Darrin Zammit Lupi/Reuters
Europe’s migrant crisis: ‘It’s an act of murder’
In November of last year, 20 people drowned while trying to get to Europe from Libya. Forty-seven others were captured by the Libyan Coast Guard and bought back to suffer abuse, including rape and torture. 
A nearby ship that belonged to a German humanitarian organization, Sea-Watch, wasn’t able to intervene and rescue them. A French vessel in the vicinity refrained from responding. 
Our journalists produced a minute-by-minute reconstruction of the incident, working with two research groups and combining videos, radio recordings, vessel tracking data and witness testimony. 
Why it matters: This case reflects a new policy in Europe — particularly in Italy — that has effectively outsourced migrant rescue operations to the Libyan Coast Guard, which often violates human rights.

JÁ COMEÇOU.






 
 

domingo, 9 de dezembro de 2018

Não importem a estupidez.







Há tantas causas nesse mundo porque lutar, e há rebeldes sem acusa que insatisfeitos com o bom país que têm querem importar a estupidez, querem difundir o caos.

Tipos como o português residente em Paris que disse que faltava coragem aos portugueses para fazerem o mesmo que em França. Esse, que devia ser preso por incitação à violência, se esquece de quem são os portugueses, a quem não falta coragem nenhuma, sobra-lhes, como sobra-lhes juízo para saberem que a situação portuguesa nada tem de comparável com a francesa, e que importar a estupidez não é solução para nada.

Mas já chegou por cá essa ideia esdrúxula e despropositada, e já enviam convites como esse que recebi, e que reproduzo abaixo.
Gisele Silva convidou-te para o evento de Tiago Nunes
Vamos Parar Portugal Como Forma De Protesto
Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2018 às 07:00
Portugal inteiro

E a minhas primeiras questões são a seguinte:

        1. Revolta contra que?
        2. O que representam?
        3. O que pretendem individualmente? e
        4. Onde pretendem chegar em conjunto?

Sem essas respostas, que cada um deve fazer a si mesmo, não adianta querer organizar nada!

Como há partidos, como vivemos a mas perfeita paz democrática,  e todos podemos nos manifestar,  e propormos soluções e caminhos, e como temos o presidente com mais bonomia que se possa sonhar, e temos um primeiro ministro que escolheu um ministério que atende aos que querem lhes falar, ainda que nem sempre atendam e compreendam as reivindicações colocadas, mas, como sabemos, antes de tomarmos qualquer atitude, antes de nos revoltarmos, devemos esgotar os meios pacíficos de sermos ouvidos.

NADA, MAS NADA JUSTIFICA EM PORTUGAL UMA REVOLTA, VÁ LÁ, USEMOS-LHE O TERMO, NA MEDIDA QUE HÁ CAMINHOS DE PROTESTO E LIDERANÇAS, ALIÁS BEM ATIVAS, NESTE METIÉR.

Por isso na esperança de que criem juízo deixo a crônica que fiz sobre Paris aqui nesse blog: 
https://hdocoutto.blogspot.com/2018/12/toda-estupidez-de-paris.html, se o link não funcionar, como é hábito, o título é Toda a estupidez de Paris, está aqui no O Olho do Ogre, é só colocar no motor de busca.


PUBLICAÇÃO DO ANTOLÓGICAS.




Foi lançada uma recolha de 100 poemas feita em muitos dos livros temáticos, em diversas vertentes, que criei ao longo de minha vida, que resultou nesse curioso ANTOLÓGICAS, que agora vê a luz
e que, promete-me o distribuidor que estará em todas as livrarias portuguesas, excessão feita a Bertrand, cujas margens afastam-na da distribuição, bem como tem fechada suas aquisições esse ano.



Estará também disponível para venda on-line com 10% de desconto na Promobooks.

Na contracapa traz uma opiniões valiosas sobre a obra, onde diz:

Este livro é uma seleção de poemas de diversos livros de Helder Paraná Do Coutto sobre temáticas variadas, e apresenta o interesse do autor pelas múltiplas áreas que a poesia canta, representando a sensibilidade de um alma atenta, ou melhor, como diz Lídia Jorge sobre o autor, mesmo quando esse escreve prosa, vê-se: “ Que tem alma de poeta.” Porque só o poeta tem a dimensão da universalidade do sentimento e a consegue transformar em palavras.

Maria Teresa Horta diz de Helder: “ É uma sensibilidade rara.”
E o autor diz de si mesmo:

Eu sou uma casa escura, vazia
Em que o poema vem ter comigo
Enche-me de luz
E eu sendo assim como abrigo

Acolho-o, e ele faz-se, se traduz.  

Passada a informação, só me resta esperar que meus leitores portugueses os vá adquirir nas livrarias, ou, se preferirem receber em casa sem custos de envio seu exemplar, podem recorrer a https://promobooks.net no motor de buscas aqui no seu computador, basta pôr promobooks. 

Desejo-lhes a todos um Feliz Natal. 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018




O Alfaiate de Lanhoso. (*)

                                                                                                         Um pinga-amor.



Temos um alfaiate apaixonado
E vários objetos de seu amor
Na verdade um pouco desesperado
Com grande expansão e furor

Não atendido zangava-se
Com quem seu amor recusou
E assim logo passava-se
Mas foi ele quem, afinal, apanhou

Detido, se encontra trancado
Por todo amor que derramou
Já que puseram-no de lado
E sua paixão não resultou.



(*) Poesia-boutade.