sábado, 16 de junho de 2018

Só mesmo um lixo como o Observador para publicar isso!







No último número do Observador a matéria de abertura do jornal com uma fotografia do enterro de Portugal com o caixão sendo levado por espanholas e brasileiras, com a seguinte afirmação como manchete: "Porque tantos brasileiros torcem contra Portugal
As redes sociais encheram-se de manifestações contra a seleção portuguesa vindas do Brasil. De onde vem a rivalidade? De Neymar. E do alegado ouro roubado aos brasileiros."

Note que a frase em azul não é uma pergunta, eles pretendem explicar algo que põem como fato: "Os brasileiros torcem contra Portugal." Além de com isso prestarem um péssimo serviço a Portugal que deve ter as melhores relações internacionais, sobretudo com seu filho dilecto, o Brasil, e instigarem ódios, semearem desavenças, plantarem, com intriga e falsidades, um afastamento que não é desejável, nem desejado por nenhuma das partes. Para entenderem a razão de minha revolta com esse tipo de pseudo-jornalismo opinativo e maledicente que só tem vazão para ódios e complexos, vou dar um cunho pessoal, pois quero que saibam que o brasileiro aqui se esfolou a torcer pela vitória portuguesa, adorou a excelência do melhor jogador do mundo, o português Cristiano Ronaldo, essa força da natureza em forma de futebolista. Publiquei isso ontem, portanto não estou inventando nada. E me indignei com o gol roubado a Portugal pela malandrice de Diego Costa depois de três vezes ter tentando chegar a posição de chutar à gol, tendo se defrontado com Pepe que o impedia, agrediu-o para neutraliza-lo e poder chegar  a baliza, defraudando Portugal. Que para mim venceu o jogo! Mas mais defrauda quem semeia desavenças falaciosas mascaradas de jornalismo. Uma vergonha.

Apesar do texto ser muito mal escrito e não ser interrogativo, ainda que proponha algumas perguntas, as quais falsamente responde, e não ter tido a frontalidade de afirmar na capa o que na matéria faz, atribuindo três ("as três") razões para tantos brasileiros ... Uma robusta mentira, uma intriga, uma falsificação da realidade. Agora que há uma insatisfação dos filhos contra o pai em certos momentos em que os filhos queriam mais do pai, isso é um fato. E é assim em todas as famílias, o que não nega nem renega o amor forte entre pais e filhos. E a reportagem que não é coisa alguma, nem em termos desportivos, nem analíticos, nem sociológico, nem qualquer outra apreciação que se possa fazer. E ademais os exemplos de 'tweets' que mostra como supostas evidências da malquerença brasileira a Portugal, só demonstra a ignorância que têm do sentimento brasileiro, porque em todos os exemplos nada há para além da gozação (que é para com tudo e todos, até para com nós próprios) que é o cerne do espírito brasileiro, ou, como queria Nelson Rodrigues, que sintetizava essa picardia brasileira afirmando que nós vaiamos até minuto de silêncio, e somos mesmo assim.

Esses tontos do Observador, extrema direita mascarada de jornal, bando de intrigantes mal motivados, que numa matéria despropositada, como as razões ("as três) que apresentam para tentar justificar sentimentos que não existem, onde só existe implicância e gozação, duas das características mais marcantes do temperamento brasileiro. Viva Portugal! 
Como reforço do que afirmo acrescento hoje 20/6 a reportagem de capa da VEJA,  a mais importante revista semanal brasileira, sobre o desempenho de Portugal no Mundial.


 
 
  

quinta-feira, 14 de junho de 2018

13 DE JUNHO - DIA DE SÃO FERNANDO.





Sei que para a maioria das pessoas foi dia de Santo António(*), para as moças/raparigas casadouras, então, nem se fala, mas para nós, os poetas, todo 13 de Junho temos outro santo em nossos altares: São Fernando Pessoa, que este ano comemoramos 130 anos de seu natalício. Ainda que essas datas dos santos sejam mais ligadas às suas mortes, como associamos a beleza à vida, e a palavra de São Fernando é beleza pura, beleza em forma escrita, beleza sintetizada em versos, comemoramos o dia de seu nascimento.

Como também nos sentimos desamparados com sua morte (30/11) também a evocamos como dia de grande pesar, e de  infinda veneração. São Fernando segue com sua voz absoluta em aparições diversas, ora é o anjo anti-metafísico Alberto, entretanto pode materializar-se como o o divino Ricardo, que segue vivo, apesar de o terem querido morto em 36, bobagem, está vivíssimo, e de vez em quando aparece. Outras vezes é o futurista, e depois onomatopaico Álvaro, em que se materializa, sendo o outro, para poder ser ele mesmo. São Fernando é assim! Outras vezes é o desassossegado Bernardo Soares, que, na verdade, nos desassossega a nós na maravilha de seu questionamento. E segue por muitos caminhos, alguns menos angelicais, mas como é santo, tudo que faz é puro, e nesse caminhar acaba por materializar-se no suicidário Barão de Teive, que não teve outra escolha que se revelar sossegadamente em meio ao desassossego então reinante, quando o santo é pego em 'flagrante de litro' nunca mais se recompondo, pois que o que este continha lhe devorará o fígado, na mesma proporção que lhe desafogará a alma. E por fim São Fernando subiu aos céu, nesse em que vive como padroeiro-mor de sua pátria, a língua portuguesa.

http://hdocoutto.blogspot.com/2015/11/80-anos-sem-fernando-pessoa-podera.html



Ofídio, Ofélia, Orfeu.

                                                Solução de desamor/
                                              /Labirinto da alma.
                                                                                         A  FERNANDO PESSOA/
                                                                                          / BERNARDO SOARES.


Tem os venenos destilados todos
Em sua bolsa inoculadora, que só em si inoculava,
Rasteja por todos os inquinados lodos
Mutilado, sem raciocínio e afetividade, andava.

Expressão de covardia sem busca de mimos
Serpente exponencial sem harmonia
Dédalo em Knossos a procurar por Minos
Seu vazio pleno que ao vazio enchia.

Chamava-se Ofélia, Eurídice
E a matéria, quimera
Sossego é não como disse
É o que foi e o que era.

Da revista, o nome indicativo, és
Do que sempre quis ser
Com o corpo despedaçado em papéis 
Morre-vive em seu poder.

(*) Santo António também se chamava Fernando, ou Fernando Martins ou de Bulhões, perdeu-se no tempo o seu nome de família, e porque não Pessoa?

terça-feira, 12 de junho de 2018

Um bocado de nada a respeito de coisa alguma.




O Fronteiras XXI de 6/6/18 com o título" Em português nos entendemos" juntou gente inteligente, como quase sempre faz, Ivan Lins, Pedro Mexia e Germano Almeida para analisarem a força da língua portuguesa, e espremido, como gostava de perguntar minha avó, o que ficou ? A resposta está no título dessa crônica.

Eu até deixaria passar a discussão não atingir seu propósito, não fosse uma frase muito correta de Pedro Mexia que é contra muitos pontos do acordo ortográfico, que foi o substrato não declarado do debate, e a declaração de Luís Pedro Nunes, dias antes no Eixo do Mal, que juntas dão o retrato triste do que é a língua como patrimônio comum, e a estupidez que grassa é culpa dos governos, mas estimulada por afirmações tontas como se pode ver nos depoimentos no começo do programa em tela, onde perseguem a campanha contra o acordo ortográfico, acordo que se mostra uma evidente mais valia nas palavras lúcidas do escritor cabo-verdiano Germano Almeida, e que se contrapõe ao encontro de Luís Pedro Nunes no Brasil com algum desqualificado que lhe pôs questões sobre o idioma, sofismando, e o que ninguém disse é da importância dessa homogeneização da língua, a resposta à pergunta (que ficou sem resposta) do Ivan Lins, outro participante da discussão, ao referir-se aos mentores do acordo ortográfico: "Porque eles resolveram fazer isso?"

A tolice da oposição ao acordo, para ficar-me por uma qualificação branda, porque a campanha que tem sofrido o acordo em Portugal é algo inédito, à conta de estarem insatisfeitos por terem de modificar velhos hábitos de escrita reúnem uma meia dúzia de casos mais confusos para tentarem desmontar o acordo, bando de inconsequentes que são, e mais, porque estão desrespeitando a lei, o acordo é lei aprovada, se opor a ele é desrespeitar a lei, infelizmente nenhuma sanção está prevista, e o debate do Fronteiras XXI, foi desde o início um processo contra o acordo, e, salvo Ivan Lins e Pedro Mexia que vêm pontos  positivos e negativos no acordo, a grande maioria dos que se manifestam só vêm pontos maus, são sempre contra o acordo, não havendo quem o defenda, e suscitam um clima de beligerância que não pode, nem deve, existir contra a letra da lei, razão porque essa discussão nos leva, em outra perspectiva, novamente ao título desse artigo.

Pedro Mexia diz: "Não é uma relação normal" a que Portugal tem com o Brasil. Pois não é, e está se transformando em algo quase rancoroso, o que é uma lástima, promovida essa distorção por esses tolos de quem vos falei.  Depois Mexia lembrou o câmbio livreiro, os grandes autores brasileiros excluídos do ensino em Portugal, a não existência de livros brasileiros (com o português do Brasil) que sejam vendidos aqui, o menosprezo português ao cinema e à literatura brasileira. Concluindo com essas assertivas Mexia pede então a Portugal um décimo do interesse que o Brasil tem na literatura portuguesa, em reciprocidade. E é um português que está falando: "Portugal está de costas viradas ao Brasil." E esse desencontro histórico sobre o qual já escrevi, e que tem presentemente uma boa onda para uma aproximação, vai perdendo a oportunidade do encontro à conta desses tolos que se põem contra o acordo apenas na defesa de seus velhos hábitos de escrita. Os jornais portugueses estão cheios de avisos de gente que escreve desrespeitando o acordo, o que devia ser proibido. No Brasil, onde os portugueses entram com força, e em Portugal, onde há uma nova consciência em relação aos brasileiros, e onde se juntam o incômodo que o acordo tem causado, e que deve ser resolvido, com uma nova perspectiva sobre o Brasil atemporal, para além das momentâneas mazelas políticas, conformando um momento ótimo para uma aproximação definitiva, e toda essa vã discussão fútil  promove afastamento e leva-nos mais uma vez ao título dessa crônica.

A grafia comum num "português mais plástico" onde 'a língua é (sempre) uma possibilidade' em que a política da língua possa ter diferentes percepções e aplicações, é a única via para formarmos um bloco com força, para concertarmos um todo linguístico, com suas diferenças e colorações peculiares a cada povo usuário do idioma, claro, mas com uma unidade linguística que nos torne universais, que é o único caminho de existirmos como uma grande nação linguística, como uma presença forte e visível no cenário mundial, bem como formando um grande mercado comum, onde toda a produção literária, em qualquer país, possa ser visitada por outro qualquer país signatário do acordo, sem conflitos e sem dissensões, tornando todos e cada um mais forte por ter a mesma escrita, essa a razão do acordo, a resposta à pergunta do Ivan Lins, que deveria ser o interesse primeiro de todos, que foi o bom juízo dos autores do acordo, discutido por duas décadas, e, que depois de celebrado, uns quantos tolos descontentes, até por quererem visibilidade, e também por picuinha contra o novo, apegados que são a seus velhos hábitos, vêm fazer oposição. Não se dão conta que felizmente as engrenagens do acordo são imparáveis, e que a barulhenta ação que fazem, é apenas um bocado de nada a respeito de coisa alguma.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Além das medidas.




                             


                                                                 Tudo que é de mais paga o preço do excesso.



Tudo nesse mundo tem medida certa. Assim como os sapatos, se forem pequenos os pés não entram, se forem grandes saem dos pés. Assim como a roupa, pequena não se entra nela, grande fica-nos mal, e não só esteticamente. Assim como os alimentos que têm doses que não conseguiremos comer, e outras que nos deixarão com fome. Assim como os venenos, em que há doses que nos matarão, como também os remédios que nos curam, também têm doses que podem ser fatais, e ainda há outras que não fazem efeito em ambos os casos. Tudo nesse mundo tem medida certa.

A adição dos torcedores por seus clubes tem sido exploradas por tudo e por todos, desde os media na busca de audiência, leitores, ouvintes, até os próprios clubes na busca de rendas, lucros, poder, excederam todos os limites do admissível, do plausível, a palavra aqui tem de ser mais robusta, do racional, do lógico e do aceitável, mesmo do humano, transformando a adição na doença que é, quando excessiva, no desvio que assume quando é levada além da medida, e na medida se encontra toda a possibilidade da normalidade, e no excesso, toda  a manifestação do desvio, da loucura, da insânia.

Há culpados, e esses são todos que se excederam, e com isso roubaram o brilho da festa. Transformaram a alegria em angústia, a diversão em engano, a beleza em mentira, retirando toda a verdade do que é a competição, espalhando todo o horror que é a corrupção, afugentando a diversão para dar lugar à falsidade, à mentira, ao engodo. O futebol está morto para quem tem vergonha na cara, para quem ama a verdade, para quem quer conquistas, e não subornos. Desde a FIFA, ao clubezinho da esquina, está tudo podre, e para retomar o rumo, se algum dia o conseguir, vai levar tempo. Eu há duas décadas não vejo futebol, não me deixei enganar, escrevi sobre o assunto com o nojo indispensável, e me afastei da pocilga, pois até o cheiro me incomodava. Eu que sempre amei o passe de mestre, a bicicleta inesperada, o cabeceamento feliz. Tudo perdera a graça, imerso na pocilga.

Açulados pelos medias, excitados pelos números estapafúrdios dos traspasses de jogadores, onde só os  muitos ricos podem ter uma equipe vencedora, enganados pela (e vou usar um termo que me mete nojo) verdade desportiva, que nada mais era do que desportivamente MENTIRA! MENTIRA! E MAIS MENTIRA!

Quando se atua com excesso, seja no que for, o final é esse.