sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Espalhe a informação.

"Start spreading the news" "New York, New York"-Fred Ebb e John Kander. A maneira de haver êxito num processo qualquer, como por exemplo no funcionamento e no desenvolvimento de qualquer sistema, que se possa reproduzir, ou seja se repetir como resultado de seu desenvolvimento, é haver registro da informação. A ciência nunca teria evoluído, como evoluiu, se suas diversas pesquisas, como fases de tentativas diversas, não tivessem sido registradas para podermos saber qual resultado dera cada uma das 'tentativas', das experiências, e que pudessemos então buscar difrentes caminhos, não repetindo aqueles que já sabemos no que vão dar. Sem memória as coisas não existem. Esse também é um princípio natural - que ocorre na Natureza- do qual não nos demos conta até estudarmos seres de vida mais breve, com ciclos curtos, onde as informações fossem passadas tantas vezes de modo a que os diferentes caminhos fossem se tornando uma equação geral que revelasse a correspondência entre os diferentes processos em ação e em demamda, posto que tudo neste mundo está em permanente ação, mesmo as pedras do caminho. Nós não nos damos conta porque a maioria destas ações são invisíveis, assim como seus registros. Imprescindíveís, todas as ações de memória que nos formam ao longo de nossas vidas, não são nada se comparadas com as ações de registro invisível que ocorrem, e não sabemos bem como e de que maneira física e metafísica ficam guardadas, e também não sabemos bem onde. Sabemos entretanto que um determinado polímero, o ácido desoxirribonucleico, possui informações com diferentes características, usadas no funcionamento, desenvolvimento, crescimento e transmissão dessas próprias características, mor das vezes as recombinando, gerando uma cadeia infindável de variantes não replicáveis. Nos seres que estas se replicam, nos vírus usando as células hospedeiras, e nas bactérias por cisiparidade, sempre ocorrem variabilidade, gerando mutantes que serão variantes do ser, mas não o mesmo ser, possuindo caractrísticas diferenciais exclusivas. A geração expontânea e os enormes saltos quantitativos. Esta teoria, a Abiogênese, hipótese que concebia a formação de seres vivos a partir da matéria orgânica, se originou na ideia de que pudesse surgir vida pela condição desta se criar tão somente. A razão desta ideia é igual àquela que acreditava no geocentrismo, posto que a observação pura e simples, demonstra isso. Com a tecnologia disponivel, ou com os nossos olhos podíanos ver surgir num pedaço de carne muitas larvas, como se se tivessem criado, gerado espontaneamente, da matéria ogânica, no caso carne, e que era assim que a vida se gerava, o que explicava os enormes saltos quantitativos de muitas espécies na Narureza. Esse equívoco que perdurou por séculos, afirmava uma teoria que terá algum legado a nos conceder, tendo em vista que no metafísico essa ideia poderá colher, mesmo que só até dispormos de instrumentos que demonstrem o que realmente ocorre neste campo. A ponte entre a imaginação e a realidade. Esta cria-se na perspectiva de que se possa establecer em campos da memória, mas não só, posto que existirão outros campos que também são acionados no processo, outras áreas da percepção, como outras áreas de registro, ainda desconhecidas. Apesar da poderosa substancia da memória (em suas múltiplas manifestações: olfativa, gustativa, auditiva, visual e tática, as dos cinco sentidos, que funciona também combinada em grupos, ou até mesmo todas juntas) mas do processo também fica claro outras perspectivas. Sempre se admitiu poder existir um sexto sentido, uma capacidade de percepção transcendental, que ultrapasse a percepção material, a dos sentidos, essa que hoje pode-se entender como virtual, inconsciente, transcendental, ou trans-consciente, com funções cognitivas muitas vezes sobre coisas que não eram ainda conhecidas. Muitos cientistas afirmam que foi nesta situação que descobriram muitos dos avanços da ciência -intuitivamente, de modo paranormal. As nossas informações metacognitivas ainda não atingiram a metafísica, posto que restritas a métodos empírico-analíticos, mesmo em parapsicologia, mas provaram definitivamente que há informação espalhada em 'locais' que não conseguimos saber como foi lá ter. A força vital. Hoje entendida como coisa mística, foi, desde o tempo de Berzelius, sempre entendida como uma manifestação especial dos organismos vivos, que reunia capacidades muito particulares, com suas características próprias, impossíveis de serem sintetizadas, o que logo caiu por terra. Entretanto se o que então foi entendido como tal for outra coisa? Por exemplo aquilo a que os gregos entendiam como a 'alma em movimento', aquele quantum de energia não classificada que impulsiona os seres vivos. Como operamos num âmbito temporal bastante restrito e a maturação na maioria dos mamíferos, inclusive os seres humanos, também é demorada, não somos capazes de avaliar as diversas manifestações do energo vital (*) em nossa espécie, porque não conseguimos obter a perspectiva de sua ação. Entretanto como a ciência foi capaz de comprovar que existem formas de informação que são transmissíveis, como, quando, por exemplo, se faz um transplante de orgãos, e certas características do doador surgem na vida (hábitos, habilidades, sentimentos, pensamentos) daquele que recebe o órgão, podemos intuir que exista algo em nós, para além do ADN, que é capaz de recolher informação. (*) Energo vital - energia da vida, também entendido como essência da vida, chama da vida, vibração essencial, enfim força vital. O princípio ativo. Àquilo a que chamamos alma, corresponde ao princípio ativo de uma planta, fazendo uma comparação, uma vez que se isolarmos a essência do ser humano, teremos aquilo que será a alma. Mesmo que este conceito - alma - possa ser apenas isso, um conceito, ele expressa bem a ideia que aqui carecemos para individualizar as referências que qualificam o ser humano, seu eu mais profundo, posto que este existe seja lá o que for, ou como o chamemos. Assim, como o princípio ativo existe e pode ser identificado, assim como o eu-profundo existe, e tomamos noção dele ao lidarmos longamente com uma pessoa, assim como este permanece muito para além das inferências que se possa extrair de qualquer pessoa, ou das referências que estas representem, certamente haverá esse 'princípio ativo', 'soi-disant', que há muito chamamos de alma. Do improvável ao impossível, e o desígnio inteligente. Quando lidamos com uma propabilidade ínfima, tendendo a zero, que admitimos como zero, portanto improvável, do mesmo modo quando lidamos com a máxima improbabilidade tendendo ao infinito, o fato é que estas improbabilidades são arbitrárias, logo impossíveis, posto que não atinge nem o infinito nem o zero. Logo a vida, e sua existência, uma improbabilidade em princípio, não é uma impossibilidade posto que existe, e ademais existe, como verificamos cientificamente, com um desígnio inteligente. Logo o espalhar absoluto da informação cria essa inteligência designatória, no sentido daquilo que se combinou e obteve um resultado. Podemos mesmo dizer que há uma lógica inteligente em tudo que existe. A formação da consciência é indissociavel da memória? Sentimentos = Memória. Como fisicamente não sabemos o que seja o sentimento, sabemos o que percebemos pelos cincos sentidos, impressões, mas, como é evidente, existem muitas impressões que ultrapassam essa sensibilidade correlativa, transcendendo tudo o que podemos explicar no âmbito da física, e que consideramos para lá desta, metafísico portanto, e sabemos bem que a formação desta sensibilidade reúne, agrega, muitas outras sensibilidades que ultrapassam as dos cinco sentidos, quando temos referencias da memória, as que evocam um perfume, uma canção, por exemplo. Portanto como dsconhecemos essa componente metafísica que nos transporta a sentimentos múltiplos, não sabemos responder à pergunta que formula este subtítulo. ENTENDIMENTO. Entretanto sabemos que existe um registro, de alguma natureza a qual ainda desconhecemos, que guarda capacidades que possuímos, e que não são memória. Por exemplo, se temos manualidade, e sabemos, digamos, entalhar ou esculpir, estas capacidades habitam-nos de alguma maneira, como aquilo a que chamo entendimento (estams numa área inexplorada, desconhecida, temos de lhes atribuir nomes e significados) que registram guardam, como disse, essas capacidades. Há muitas provas que esses registros estão em nós, uma vez que quando umórgão é transplantado, costuma ocorrer que as habilidades do doador passem ao receptor juntamente com o órgão. stranho, mas há inúmeros casos registrados. A informação se espalha. No entanto sabemos, com certeza certa, que a informação existe para além da memória, como as muitas que se focam na percepção das coisas que não memorizamos, coisas tais como uma determinada roupa que foi usada numa determinada reunião em que participamos, da qual somos incapazes de lembrar, mas que existe na percepção como uma nota distante, e que a percepção certamente existiu claramente durante a reunião. Porque será que perdemos a memória, ou nunca a tivemos? E de outras coisas não perdemos, guardamos memórias banais. Das coisas que não tivemos percepção, não formaram memória, 0K, e muitas das quais advém de correlação que estabelecemos, indícios, como os caracteriza o Direito quanto as provas, e que constituem neste caso provas de sua existência para lá da memória, para lá da consciência, por isso dizemos que fizemos isso ou aquilo inconscientemente. Entretanto se tivemos, não consciência, mas memória - memória inconsciente, vamos classificá-la assim, será esta formadora da consciência, ou não se relaciona com ela? Voltamos ao parágrafo anterior. Espalhando. Fato é que a retenhamos na memória, ou não, estará lá a informação, esta da qual não nos lembramos, mas que ao existir, e seus indícios são clamorosos, codifica uma outra forma de percepção que é não memorialística, e é extrassensorial(um sexto, um sétimo, um oitavo sentido), mas que ao existir abre portas a mundos desconhecidos.

Receita de Sara Tavares.

Um bocado de Morna África no sangue Swing da Pop com Soul até o Gospel Quem sabe um tanto do Samba e da Bossa Requebros infinitos "Olhar de mel" Malemolência o quanto baste Tudo tão precoce Um vozeirão Uma enorme alma lusitana Sensibilidade e Sonho Já não estarei com minha vizinha Por detrás do Salesianos Em sua caminhada vespertina Até a igrejinha de Santo António Estoril de Sonho Já não haverá Música Para se mandar chamar Fica minha pasta de poesias Por musicar Fica tua presença congelada no tempo Que a doença má não deixou continuar Sara, Sentimento e Sonho.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Três histórias do Arlequim de Caiena.

Esse arlequin, de Caiena no nome, é de toda a parte Sul das Américas, começando lá no Sul do México, e seguindo por aí fora, ou abaixo, por todo o continente, só não ocorrendo em toda parte, apesar de ocorrer até em ilhas do Caribe, só não no Chile e Uruguai, as duas únicas exceções continentais. Arlequim sem colombina, uma vez que suas companheiras são também arlequins, e atendem pelo mesmo nome que o seu: Acrocinus longimanus de seu batismo definitivo, tendo abandonado o nome que Linnaeus lhe dera, Cerambyx, da honrrosa família a que pertence, a dos Cerambicydae, coleoptero que é. Tendo guardado o longimanus do feitio de suas 'mãos' e 'braços' dianteiros longos, com duas vezes o comprimento de seu corpo, que é recoberto com belíssima decoração multicolor, lembrando um desenho Maia, ou as pinturas corporais Maoris, ou mesmo os padrões de desenhos da Papuásia. Animal guerreiro, tem nos seus longos braços suas ferramentas de luta, mais que tudo com outros machos pelo território de acasalamemto, e possui ganchos próprios para agarrar a fêmea com quem copule, esta que tem os 'braços' menores, dispensada dessas lutas e bravatas masculinas, seu dismorfismo sexual mais visível. Suas enormes antenas, típicas dos besouros de sua família, dão-lhe um ar galante, e atingem cerca de duas vezes o tamanho de seu corpo que não ultrapassa os oito centímetros, podendo o conjunto das patas trazeiras, o corpo e as longimanus, atingirem 25 centímetros nos maiores espécimens. A decoração serve também para camuflagem nas cascas das árvores por onde se movimenta, misturando-se com o aspecto dos líquens e fungos que recobrem estas, esverdeados e alaranjados sob fundo negro, em muitos matizes que recobrem estas árvores onde suas larvas vivem dentro até os dois anos de sua maturação, quando irão sofrer a metamorfose, virando arlequim. História número 1. "Assombrava-me a perfeição dos insetos." diz Neruda no início do seu "Confesso que vivi" ao contar-nos da sua infância, e de sua paixão entomóloga, essa mesma que a mim levou à muitos pontos do globo, a começar pela Amazônia, paixão que me tornou inteiro, pois só na Natureza nos encontramos cokm nós mesmos, e assim, conosco, entramos no mais fundo de nossa alma que campeia por largos e inusitados prados, ou em umbrosas florestas tropicais, podendo revelar-se, e revelando-se. Na restinga de Maricá encontrei meu primeiro Arlequim, o apanhei com meu saco de caçar borboletas, posto que voava, e ao tentar retirá-lo agarrava-se ao filó do saco, e fazia tamanho escarcéu, que preferí deixa-lo ir-se, bravo combatente ao entomólogo aprendiz que eu era então. Anos depois iria topar com um outro Arlequim, mas que por seu tamanho e beleza, com enormes espinhos na ponta dos élitros, impressionou-me tanto, que o quis ter em minha coleção, medido, revelou mais de 24,5 centímetros, o que o inclui entre os maiores machos que há. Jamais esquecerei meu Arlequim vivo, asas abertas, em seu imponente vôo, uma da incontáveis maravilhas da Natureza, essa mestra de infinitos pincéis com os quais projeta e cria as mais diversas obras. História número 2 - Viva o Gordo. Jô Soares, o grande humorista que depois revelou-se fantástico entrevistador, com uma forma fidedigna de perguntar e criar um ambiente intenso que prendia o público e o fidelizava a seu programa de horas tardias, onde a chamada dizia: "Não vá pa cama sem ele." Programa onde eram entrevistados os mais diversos personagens, pelas mais diversas razões, tendo por lá passado os muitos nomes da cena brasileira, atores, músicos, escritores, etcetera, e alguns outros de ocasião, vale dizer, alguma figura que no momento se tornara digna de interesse por alguma razão. Foi ao programa desta feita que Vos conto, um homem que falava sobre insetos, por alguma razão que já não mais me lembro. Corre a entrevista e o tal senhor conta que certa feita encontrou um besouro dentro do seu próprio ouvido, também não mais me recordo o motivo. Recordo-me que o Jô perguntou o nome do besouro que lhe teria entrado no ouvido, e a resposta foi: Acrocinus longimanus. O que agora bem sabera o meu caro leitor ser tudo que não podia ser, uma mentira portanto, pela incontornável razão de que um Arlequim de Caiena não cabe dentro de um ouvido. Porque terá dito aquilo não faço ideia, se para enganar o Jô, se por desfaçatez, ou até mesmo por não se lembra do nome de outro besouro, não sei, o fato é que nomeou ao Arlequim, coisa que muito pouca gente terá notado, por desconhecer quem é o Acrocinus longimanus a que se referia o embusteiro. História número 3 - Chamem o Indiana Jones. No filme de há 40 anos atrás - 1984 - muita gente se vai dar conta que está ficando velho - INDIANA JONES E O TEMPLO PERDIDO, que se passa na Índia, versando sobre o retorno do culto Tugue a um imaginário Pankot Palace, apesar de haver um palácio e uma província com este nome ma Índia, os do filme são holliwoodianos, há uma cena em que estão numa câmara onde o chão esta coberto de insetos, baratas em sua maioria, entre os quais há um grande bicho-folha e besouros. Os bichos-folhas, que são da mesma ordem das cigarras, ortópteros portanto, também os há de outra ordem, os que imitam folhas mortas, vivas, bem verdinhas, velhas, morrendo, desbotadas, que chegam à perfeição de algumas mostrarem-se comidas e\ou impregnadas por fungos, num auge mimético admirável. O do filme imita uma folha morta, e é indiano, em pleno acordo com o local do fime, apesar destes bichos-folhas não andarem junto a outros insetos, mas isso passa. O que nos vai trazer uma surpresa inesperada é um Arlequim na Índia, onde, certamente por seu exotismo, foi convidado para ator coadjuvante.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

"ELES ESTÃO A MATAR-NOS"

Diz um cartaz. Tecnicamente não estão. A resposta climática da Natureza aos seus malfeitos, sim. Entretanto dizer desta maneira é mais direto e compreensível, uma vez que por si mesma a Natureza não faria a série de desastres, como ora acontecem, se não tivesse sido atacada, como foi. Portanto ELES, os que atacam diariamente a Natureza, ESTÃO A MATAR-NOS. E quem os pode impedir pouco faz. Os governos estão pensando em outras coisas.

A REAÇÃO e A leniência dos poderes.

Os governos estão protelando sem horizonte medidas que deviam ter sido implementadas há muitos anos, atuando na defesa de interesses que mascaram sob a capa das dificuldades administrativas, e nunca revelam o que pretendem com esses atrasos das medidas que clamam urgência. É um fenômeno mundial, assim como a natureza humana, sua ganância, seus desatinos. Os Acordos de Paris estão sendo descumpridos sistematicamente por ser implementados, os governos mantendo-se pouco operantes, como iriam admitir isto, se é de uma gravidade muito forte? Além do mais com as manifestações dos problemas ambientais ocorrendo em todo lado, sobremaneira as de cunho climático, violentas e assassinas como são, por isso os governos preferem falar de um alargamento dos prazos estabelecidos, de 2030 para 2035 por exemplo, para manterem os motores a combustão por mais meia década. As cinco irmãs petrolíferas, mais suas primas, como a ARAMCO, esse monstro com receita de mais de 535 bilhões de dólares ano passado, superior á receita da maioria dos Estados do planeta, não iriam ficar imóveis e verem seu negócio, o mais poluente do planeta, mas o mais lucrativo e poderoso também, ser diminuído, sem nada fazerem. Aí está sua resposta: mais cinco anos de poluição pro futuro. Porque este alargamento é sobre o prazo do fim da produção de motores a combustão, não sobre sua utilização. É uma VERGONHA a falta de responsabilidade dos governos face ao que já está acontecendo. A falta de consciência de governantes, com Rishi Sunak, em prorrogar este prazo revela uma total insensibilidade ao que se passa, e ao que virá muito em breve, ou uma imensa sensibilidade a outros apelos. Durante todos estes longos anos de minha luta ecológica, mais de cinquenta, tentei sempre convencer pela argumentação, com dados científicos. É facil para qualquer um defender o respeito à Lei e a Ordem, uma vez que ninguém gosta de violência. OK, mas eu estou defendendo meios de ação ativo para evitar a catástrofe que está a nossa frente; mesmo velho e desgastado como estou, ainda encontrarei forças para buscar outras vias. Dêem-me bolas de tinta!

Sem plano B.

Por isso os jovens, os que irão viver no futuro, reagem, manifestam-se, atiram tinta às paredes e às pessoas, procurando abrir as mentalidades, mas os interesses e o poder das pressões e do dinheiro mantêm o status-quo. Não importando os bilhões em prejuízo que causam, nada importa, nem as vidas humanas que a poluição que geram mata todos os dias. Parece que teremos que indagar ao mundo como Miranda n'A Tempestade de Shakespeare: "O brave New World-That has such people in't " Para querermos responder como Coriolano n'O Corilano, ao virar as costas para Roma: “Há um mundo noutro lugar”. Só que neste caso não há.

Não há opção. Não há mundo alem deste superaquecido que geramos. E enganam-se os climatologistas, o aquecimento da água dos oceanos não é conjuntural, é estrutural também, porque os oceanos estão tentando resolver o problema do aquecimento. ESTREMOS COMPOSTOS -

SECA NA AMAZÔNIA.

Quem conhece a Amazônia sabe que aquele ambiente da floresta superúmida é o mundo da água, a água que chove, a que corre nos rios, e alaga tudo, imensos e numerosos rios que estão em toda parte, e a água que está guardada, presa, na vegetação; assim ninguém pode imaginar que possa haver seca na Amazônia, seria o mesmo que nevar no Saara. Pois está acontecendo. Os níveis de desmatamento atingiram tal grau que a resposta ambiental aí está, SECA. O mais grave é que nada disso impedirá a loucura dos homens, que continuarão a desmatar e a poluir.

O TERCEIRO PODER.

Esgotadas as vias dos poderes sob a direta ação do(s) povo(s), estes povos que em Democracia são os Senhores de seus países, posto que apesar da vontade do povo, os seus prepostos dos legislativos são inoperantes em praticamente todos os países, e os Executivos são sensíveis a outros apelos que os têm mantidos reféns dos poderosos interesses que poluem o mundo, restou, no tripé institucional, o poder Judiciário, O TERCEIRO, que será posto à prova, por obra de seis jovens portugueses, uma vez que está agora a ser chamado ao terreno das decisões do futuro da Humanidade, por uma ação que estes impetraram, para decidir da responsabilidade dos governos nos diferentes países sobre as medidas a serem tomadas para prevenirmos os desastres climáticos que nos estão atingindo. Resta-nos esperar que haja uma decisão que obrigue aos países agirem, e rapidamente. Antes que as bolas de tinta lançadas em paredes e pessoas se transformem em bolas de chumbo, posto que, acuadas e sem outra opção, as populações, vendo descumprida suas vontades expressas eleitoralmente, se vejam obrigadas a agir com violência. Eu previ, quando participei da RIO-92, que, com os interesses em jogo, não se alcançaria impor as medidas misteres a evitar a catástrofe que se anunciava, e que agora, trinta anos depois, está aí a matar muita gente com água, vento, fogo, fome, frio e calor. Disseram-me então que ninguém, menos ainda os governantes, iam ser malucos de caminharem em direção ao precipício. Pois caminham inexoravelmente. É muito dinheiro que está em jogo. E, como disse uma vez um presidente do IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis: "O mundo vai ser uma enorme bola careca, como afirmam os cientistas, porque que eu vou me preocupar, se então já não estarei mais aqui?" Com essas mentalidades imperando, só nos resta dizer: ELES ESTÃO A MATAR-NOS. E vamos ter de lutar para não morrermos todos.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Neruda em Niterói.

Vivia na rua Britto num velho casarão de fazenda, que fora outrora sede das atividades de agricultura e pecuária que ali se desenvolveram pelo XVIII e XI; para lá da restinga que se derramava até a praia ao meio do Saco de São Francisco, onde, nos finais do XVI, o apóstolo do Brasil, hoje santo, construiu uma igrejinha ao Xavier, marca do tempo de Charitas, quando os Temiminós dominavam a região, e seu chefe guerreiro, assumiu a causa portuguesa contra os franceses invasores, tornando-se em Martim Afonso de Sousa ao cacique Ararigboia. Do 1567 da reconquista da Guanabara ao 1572, da fundação da pequenina igreja, então capela, por Anchieta, nos seus tempos fluminenses, é época de lutas com os Tamoios. Com Anchieta tendo instalado a capela no pequeno morro no caminho que segue para Jurujuba, sobranceira à planície conformada pelo imenso areal e vigilante ao mar, dá-se o povoamento da região. No outro extremo da planície fica a propriedade que eu frequentava quase diariamente em minha adolescência, o casarão de paredes de taipa, com seu chão de tábuas corridas, que rangiam ao pisarmos, tendo então entrada pelo vasto salão do fundo da habitação, posto que a principal havia perdido o acesso fácil pelas vendas sucessivas dos terrenos envolventes ao casarão, que com os valores obtidos é que se mantinham as entradas de dinheiro para fazer face às despesas da vida do Senhor da casa, Carlos Vasconcellos Rodrigues de Britto, meu saudoso Kalika, a quem devo uma das vias de minha formação intelectual. Nesta casa li os melhores romances, a melhor poesia, descuti a mais fina política, analisei as nuances históricas, e me empreguinei dos mais nobres valores. Viva Kalika Animi plenus. Foi nesse cenário que, justo no ano em que eu nasci, recebeu então o Kalika a visita de Pablo Neruda, num almoço do qual, quando já me entendia por gente e passei a frequantar a casa, ainda dele se comentava. Que fulgurante presença haveria de ter o imenso poeta chileno, para ser lembrado por todos, inclusive pelo António, o Jardineiro da propriedade, que até do cheiro do fumo do seu cachimbo se lembrava. Neruda leu nessa tarde a sua Oda a Rio de Janeiro, que compusera em sua primeira visita ao Rio, tendo voltado muitas vezes ao Brasil onde era amigo dos nossos maiores, ode da qual trago aqui uma de suas versões em Português: Ode ao Rio de Janeiro Rio de Janeiro, a água é a tua bandeira, agita as suas cores, sopra e soa no vento, cidade, náiade negra, de claridade sem fim, de fervente sombra, de pedra com espuma é o teu tecido, o lúcido balanço da tua rede marinha, o azul movimento dos teus pés arenosos, o aceso ramo dos teus olhos. Rio, Rio de Janeiro, os gigantes salpicaram a tua estátua com pontos de pimenta, deixaram na tua boca lombos do mar, nadadeiras pertubadoramente indolentes, promontórios da fertilidade,tetas da água, declives de granito, lábios de ouro, e entre a pedra quebrada o sol marinho iluminando espumas estreladas. O poeta mostrou grande interesse num Corrupião, tanto por sua beleza como por ficar impressionado que o pássaro cantasse o começo do Hino Nacional brasileiro, e se passeasse pelas costas dos visitantes. Esse corrupião, sofré em espanhol, era paixão do dono da casa, assim como fora o seu. Visto que lhe fora oferecido um idêntico dois anos antes em Goiás, onde há, havia, boa ocorrência da espécie. Chegou morto a Santiago, e motivou a Ode que se segue: Oda al pájaro sofré Te enterré en el jardin: una fosa minúscula como una mano abierta, tierra austral, tierra fría, fue cubriendo tu plumaje, los rayos amarillos, los relámpagos negros de tu cuerpo apagado. De la fértil Goiania, te enviaron encerrado. No podías. Te fuiste. En la jaula con las pequeñas patas tiesas, como agarradas a una rama invisible, muerto, un pobre atado de plumas extinguidas, lejos de los fuegos natales, de la madre espesura, en tierra fria lejos. Ave purísima, te conocí vivente, eléctrico, agitado, rumoroso, una flecha fragante era tu cuerpo, por mi brazo y mis hombros anduviste independiente, indómito, negro de piedra negra y polen amarillo. Oh salvaje hermosura, la dirección erguida de tus pasos, en tus ojos la chispa del desafío, pero así como una flor es desafiante, con la entereza de una terrestre integridad, colmado como un racimo, inquieto como un descubridor, seguro de su débil arrogancia. Hice mal, al otoño que comienza en mi patria, a las hojas que ahora desfallecen y se caen, al viento Sur, galvánico, a los árboles duros, a las hojas que tú no conocías, te traje, hice viajar tu orgullo a otro sol ceniciento lejos del tuyo quemante como cítara escarlata, y cuando al aeródromo metálico tu jaula descendió, ya no tenías la majestad del viento, ya estabas despojado de la luz cenital que te cubría, ya eras una pluma de la muerte, y luego, en mi casa, fue tu mirada última a mi rostro, el reproche de tu mirada indomable. Entonces, con las alas cerradas, regresaste a tu cielo, al corazón extenso, al fuego verde, a la tierra encendida, a las vertientes, a las enredaderas, a las frutas, al aire, a las estrellas, al sonido secreto de los desconocidos manantiales, a la humedad de las fecundaciones en la selva, regresaste a tu origen, al fulgor amarillo, al pecho oscuro, a la tierra y al cielo de tu patria. Neruda chorou na presença do nosso a perda do seu. Ninguém se esqueceria, nunca, das lágrimas do poeta. Irá ainda mais tarde o poeta se dizer um pássaro, nesta sua verve tão particular. Penso que gostava muito dos pássaros, sobretudo por sua liberdade, essa mesma pela qual ele lutou tanto para que seu povo a tivesse, e que, pela dilatada riqueza do Chile, irá ser sempre foco de cobiça desta e servilismo daquele. A sensibilidade de Neruda projetava o entendimento de coisas muito particulares, desde a diversidade da Natureza, que vem da infância, até a percepção dos outros, com seus universos de sensibilidade muito speciais, como também era o seu. Gostava de ler para os amigos, e recitava frequentemente poemas de outros autores. Dentre os que mais gostava encontra-se este, 'O Defunto', do médico mineiro Pedro Nava, que Neruda considerava o melhor poema da literatura brasileira. O Defunto A Afonso Arinos de Melo Franco Quando morto estiver meu corpo evitem os inúteis disfarces, os disfarces com que os vivos, só por piedade consigo, procuram apagar no Morto o grande castigo da Morte. Não quero caixão de verniz ou os ramalhetes distintos, os superfinos candelabros e as discretas decorações. Eu quero a morte com mau gosto! Dêem-me coroas de pano. Dêem-me as flores de roxo pano, angustiosas flores de pano, enormes coroas maciças, como enormes salva-vidas, com fitas negras pendentes. E descubram bem minha cara: que a vejam bem os amigos. Que a não esqueçam os amigos que ela perturbe os amigos e que lance nos seus espíritos a incerteza, o pavor, o pasmo... E a cada um leve bem nítida a idéia da própria morte. Descubram bem esta cara! Descubram bem estas mãos: Não se esqueçam destas mãos! — Meus amigos! Olhem as mãos! Onde andaram, que fizeram, em que sexos se demoraram seus lábios quirodáctilos? Foram nelas esboçados todos os gestos malditos: até furtos fracassados e interrompidos assassinatos... — Meus amigos! Olhem as mãos que mentiram às vossas mãos... Não se esqueçam: elas fugiram da suprema purificação dos possíveis suicídios... — Meus amigos! Olhem as mãos, as minhas e as vossas mãos! Descubram bem minhas mãos! Descubram todo o meu corpo. Exibam todo o meu corpo e até mesmo do meu corpo as partes excomungadas, as partes sujas sem perdão, que eu esmagava nos sábados e aos domingos renasciam! — Meus amigos! Olhem as partes... Fujam das partes... Das punitivas, malditas partes... — Meus amigos! Arranquem as suas... Esmaguem as suas... Amputem as suas... Eu quero a morte nua, crua, terrífica e habitual, com o seu velório habitual Ah, o seu velório habitual... Não me envolvam num lençol: a franciscana humildade, bem sabeis que não se casa com meu amor pela Carne com meu apego ao Mundo. Eu quero ir de casimira: calça listrada, plastron... com os mais altos colarinhos, com jaquetão com debrum... Dêem-me um terno de ministro ou roupa nova de noivo... E assim, solene e sinistro, quero ser um tal defunto, um morto tão acabado, tão aflitivo e pungente, que a sua lembrança envenene o que restar aos meus amigos de vida sem minha vida. — Meus amigos! Lembrem de mim. Se não de mim, deste morto, deste pobre terrível morto, que vai se deitar para sempre, calçando sapatos novos! Que se vai como se vão os penetras escorraçados, as prostitutas recusadas, os amantes despedidos, como os que saem enxotados e tornariam sem brio a qualquer gesto de chamada. Meus amigos! Tenham pena, senão do morto, ao menos dos dois sapatos do morto! Dos seus incríveis, patéticos sapatos pretos de verniz. Olhem bem estes sapatos, e olhai os vossos também... Rio de Janeiro, 23 julho de 1938. Publicado no livro O Defunto (1967). Esta visita que Vos conto foi a única vez, que se saiba, que Neruda esteve em Niterói, e faço por lembrar, com sua passagem pela cidade onde nasci, o grande poeta, neste 2023, quando em finais do próximo Setembro ir-se-ão completar cinquenta anos de sua morte. À seguir vale a pena ler Vinicius no poema dos três Pablos.

terça-feira, 25 de julho de 2023

Peabiru.

Trilha indígena de tempos imemoriais. Caminho da erva amassada, pisada, do relvado amassado, como o diz seu nome em Tupi. Caminho dos Incas, longo e custoso trilho percorrido do Atlântico ao Pacífico, 3.000 quilômetros com o subir dos Andes pelo meio, desde o Umbigo do Mundo, Cuzco, a São Vicente, a capitania hereditária no extremo Sul do que era o então Brasil-Colônia, colada ao Rio de Janeiro, São Paulo que virá a ser. A estrada atravessando por vales, rios, ravinas e desfiladeiros todo o Imperio dos adoradores do Sol - Inti -, o denominado império das das quatro partes juntas, como se dizia em Quechua - Tawantisuyu - hoje englobando partes de sete paises, a Estrada Inca era então o corredor principal da América do Sul, ponto nevrálgico do poder Inca, por onde corriam seus emissários, daí a erva amassada, uma vez que correr por terreno pedregoso é muito difícil.
E como tinham razão os Incas em suas escolhas, o local que ficou conhecido como São Vicente era por demais estratégico, e foi lá que o Brasil viu nascer sua primeira Vila em 1532, com o mesmo nome da capitania, nos tempos de D. João III, que por ter expulso os ciganos de Portugal em 26, manda-os para as colônias por decreto de 38. Será que foram? Já no outro extremo do trilho Inca ficava Quito, no Ecuador, alcançado desde Cuzco, a poderosa capital do Império Inca. Neste longo percurso toda a história dos tempos pre-colombianos, toda a noção de poder, posto que cada vez que surgia novo imperador, este deveria conquistar novas terras, uma vez que as de seu antecessor continuavam deste, mesmo tendo ele morrido. Forma do Império estar em expansão permanente, um curioso modelo governativo. Lá na que será a São Vicente, o extremo do 'recorrido' da Estrada Imperial, encontraram os índios cangangues, botocudos jês, que então dominavam a região, e que passaram a fazer parte do império Inca, conformando nova Huaca. Razão pela qual Martim Afonso de Sousa foi fundar a vila de São Vicente onde a fundou, já sonhando com as riquezas que ficavam na outra extremidade do trilho, como as de Potosi, descobertas treze anos mais tarde, e que quase destroem o Império Espanhol, pelo excesso de sua produção, era demasiada prata. Martim Afonso ainda um ano antes de fundar São Vicente, enviara uma expedição desde outro local lendário da região, Cananéia, em direção aos Andes, mas que não se fez acompanhar dos índios Guaranis, como havia feito Aleixo Garcia, sete anos antes, o que leva a expedição a ser chacinada pelos Guaranis que dominavam a região. Eixo central de uma rede de estradas, Peabiru, que hoje atravessaría sete países, será também o caminho das riquezas incas, que se construiram com o controle sobre muitos e variados povos, num império como o romano, só que um pouco menos brutal, apesar de muito mais primitivo. No Brasil é também chamado de Trilha dos Tupiniquins, a que os Tupis usavam para chegar ao rio Paraná, e que em sua diáspora os levou a muitos pontos do continente. Nome tupi muito antigo, que, creio, os incas aceitaram bem - peabiru - cruzava muitos locais estratégicos, como o vale do Anhangabaú, indo pelo coração do que é hoje a maior cidade da América do Sul. Mais abaixo em Meiembipe, hoje Forianópolis, onde os Guaranis-Carijós aceitaram a liderança de um náufrago português, como lhes falei, Aleixo Garcia, em 1524, para irem lutar pelo ouro inca, o que não resultou, e que os espanhóis em 33 irão conquistar, promovendo a destruição do maior império das américas, e fazendo esquecer Peabiru. Quando mais tarde essa região junto ao rio Paraná passa a ser Terra das Missões jesuíticas, o caminho é por estes frades batizado com o nome de São Tomé, tendo feito florescer ali uma civilização peculiar de aculturação dos índios, as 'reduções' que se tornaram prósperas, mas que não chegarão ao XVIII, só sobreviverão do XVI ao XVII, até quando, com a disseminação dos 'encomenderos', contratados para capturarem e escravizarem os índios, estes que nas missões havia muitos, e que já eram exímios escultores e lutiers, exportando para a Europa, até serem completamente destruídas as Missões por sucessivos ataques. Era o fim do sonho de Manoel da Nóbrega e tantos outros, e os índios não se deixando escravizar nunca foram integrados. Creio que muitos ficaram destes tempos incluídos no que se chama de civilização. Eu mesmo descendo de uma bugre pega à laço, que gerou muitos filhos a um ancestral meu, e que foi professora de piano. Outras se conhecem que foram médicas, enfermeiras, músicas. Desconhecem-se os detalhes de como se integraram, e foram absorvidas, desparecendo em meio a 'civilização'. Peabiru hoje é um sonho esquecido, cujos trechos que se podem ainda ver em certos pontos, muitos em meio à mata, são hoje chamados de 'trilho do índio'. De seu nome, apenas guarda-o um município no Paraná, como lembrança última de um império, como derradeira recordação de tempos de glória de uma civilização grandiosa, que foi a mais desenvolvida da América do Sul.

domingo, 4 de junho de 2023

Em busca da realidade paralela IV - διαλεκτικ.

Ao Caminho entre as ideia chamamos de DIALÉTICA. A estabelecida ideia de argumentação e contra-argumentação, que só tem interesse se com ela alcançarmos algum tipo de conclusão válida e universal, posto que se específica, poderá tratar-se de uma realidade eventual, que atenda só uma narrativa preconcebida, sem reflexo na realidade, aquela que se diz paralela, e que, cqd, sabemos não existir. TRIUVIUM Gramática, lógica e retórica, as três ferramentas da linguagem, as três disciplinas com as quais começava o ensino universitário medieval, constituindo sua primeira parte, e que eram a base de toda a formação nas artes liberais. Era seguido do Quadruvium, completando a forma das sete artes, mas que começava sempre pela palavra, como é normal. QUADRIVIUM Aritmética, geometria, astronomia e música, temos aí dois pares, são duas teorias e as suas respectivas aplicações, relativas à matéria e a quantidade, que conformavam a segunda parte do ensino superior, e que eram ensinadas originalmente na Antiguidade nas Escolas gregas como a base do conhecimento, e que na Idade Média passam a ser a segunda etapa da formação universitária, que, tendo partido da linguagem, assumia o mundo exterior à mente, propondo estes dois/quatro caminhos interpretativos. Hoje ver a música como um metodo de interpretação da realidade pode parcer estranho, porém esta é, em si, a aplicação da teoria dos números, da Aritmética portanto, mas para quem bem refletir, independentemente do conhecimento do que pensavam os antigos, poderá entretanto concluir que o método musical tem muito a acrescentar ao entendimento das coisas, sobretudo se o enetendermos como harmonia, já que tudo na matéria tem sua música, uma vez que tudo vibra, tudo o que existe vibra, inclusive as expressões de ordem metafísica, mas em nenhuma podemos incluir a mentira, que expressa uma coisa que não existe, logo não pode vibrar, assim como a dita realidade paralela que é uma forma sofisticada de mentira, não pode vibrar portanto, e daí podemos concluir que não há realidade paralela. DIÁLOGO Sendo metodologia didática de conversação alternada, com perguntas e respostas, visa encontrar um acordo, este que será a síntese, e a conclusão do diálogo. Todo o percurso do método é o de ir-se inferindo da melhor resposta, ou no plural também, para que expliquem o fenômeno em estudo. PROCESSO GENERATIVO Nos processos de tentativa e erro, perseguimos hipóteses que buscam ser comprovadas, no processo generativo, onde o desempenho dos resultados buscam logo atingir os objetivos pretendidos, ou então a posição mais próxima possível deles. Onde ou há um erro inicial, ou está-se a caminho da resposta pretendida. O mesmo se passa com as Inteligências artificiais, onde esse método é absoluto, ou, como se passará em nossa mente, mesmo quando a conclusão seja errada tentamos uma conclusão geral, global, e nunca os degraus sucessivos da tentativa e erro, mesmo quando a utilizemos na prática como método de pesquisa, mas ao nivel de nossas mentes já estarão traçados caminhos mais largos, o que diferencia a realidade prática da teoria. CAUSA E EFEITO Descobrindo a série infindável de possibilidades, as experimentamos no intúito de determinarmos as razões de um fenômeno, estas que perseguimos como geradoras de um determinado evento. Sabemos que de uma ação resulta um determinado efeito, o que o causa é nossa busca, uma vez que da compreensão de muitos pares de ações e respostas, causas e efeitos, obtenhamos uma perspectiva alargada do fenômeno, o que nos levará à sua total compreensão quase sempre. Só um engano desde o início, poderá nos fazer acreditar numa improbabilidade, assim age a narrativa paralela que nos procura levar a acreditar num fenômeno inesistente, para impôr sua tese. Esta que não poderá ser comprovada com a repetição da experiência mor das vezes, comprovação que daria admissibilidade à narativa, se a aceitarmos, com essa admissão estabelecer-se-á a pretensa realidade, dita paralela. TESE\ARGUMENTAÇÃO É a ideia lançada para entender-se determinado fenômeno, e que o tenta explicar. ANTÍTESE\CONTRA-ARGUMENTAÇÃO A ideia contrária, para refutar a tese, e não explicar o fenômoeno, estabelecendo um diálogo que deverá resultar na compreensão, ou não, do fenômeno. SINTESE\CONCLUSÃO-TEOREMA Debatida a tese, comtraposta sua antítese, avaliado todo o conjunto e seus resiltados, se estabelecerá uma síntese de causa e efeito, do simples das partes estudadas, para o todo mais complexo, e deverá daí emergir o teorema, esse que deve ser demonstrado para se tornar evidente a síntese, cqd, e poder assumir a sua posição de conclusão, o desfecho dialético. Todo esse processo visa só um propósito, o entendimento da verdade O QUE É A VERDADE? A verdade é a propriedade de estar de acordo com a realidade, de acordo com os factos, com tudo o que é, como são também as respostas lógicas que emergem da análise dos fatos. Conclusão baseada na evidência, essa que existe em nossa realidade, e não numa imaginária que possa atender fielmente aos factos, e só a eles, posto que inserido na 'realidade' há mais que factos, há também as suas circunstâncias, estas que não se incluem na realidade imaginada, uma vez que não inclue os imponderáveis do fenômeno. Propriedade que é uma qualidade inerente, inapartável, inarredável, que não se pode afastar ou substituir daquilo que é, ou seja da realidade, essa que há, e que aqui está, e que é só uma. O PROVÁVEL A Antropologia cultural e a filosofia qualificam o imaginário, a realidade e a ficção de forma bem vincada, distinguindo os valores que as diferenciam, não admitindo outra concepção que não a do real, e a do possivelmente real quanto ao imaginário, e ao irreal para a ficção, excluindo outras realidades como inexistentes e inadmissíveis, portanto não aceitam realidades paralelas. Conceito que não faz o menor sentido filosófico. "Multiverso". Palavra não dicionarizada e conceito pseudo-científico tenta descrever um conjunto de universos possíveis. Por serem possíveis não serão prováveis, menos ainda existentes. Como o conceito inclui no conjunto o nosso universo, dá, desse modo, azo a que se possa crer numa realidade paralela, o que é, no entanto, pura mistificação. LÓGICA Busca determinar o que é verdadeiro, e, como sabemos, numa realidade paralela, por mais lógica que possa parecer, nada tem de verdadeiro, logo conterá sempre algo de ilógico, por mais bem engendrada que seja. MANUTENÇÃO E SUPRESSÃO Dois conceitos que se assentam na nossa concessão aos efeitos da realidade estudada, e nenhum cabe em realidade que não seja objetiva. Apesar de a pretensa realidade paralela poder produzir efeitos, esses não se manterão suficientemente resistentes aos processos de checagem, vindo logo a diferir da realidade. SIGNIFICANTE E SIGNIFICADO Por mais que uma determinada realidade criada, posssivelmente real, paralela como chamam-na, se vá colar ao imaginário, inclusive o coletivo, sempre acabará por desviar-se da 'realidade-real' por falta de significante, por mais significado que possa aparentar ter. OBJETIVIDADE E SUBJETIVIDADE A realidade paralela é estruturalmente subjetiva. Logo uma construção deficiente, e que se decomporá face a luz da objetividade, pela inevitável falta de significante. PENSAMENTO CONTRAFACTUAL Atribuem a Frank Lloyd Wright a afirmação: "A verdade é mais importante que os factos." penso que o arquitecto estadunidense era muito inteligente para fazer tão tola afirmação, uma vez que os factos 'são' a verdade, ou seja tem de estar em acordo com a verdade. assim como a verdade é a propriedade de se harmonizar com os fatos, logo qualquer efeito dissonante, será incompatível, o que significa que não há gradação de importância possível entre coisas equivalentes. A não ser que ele quisesse dizer com verdade a implicação dos factos, que é mais abrangnte que só os factos em si. É facto que levou um tiro, e a verdade é que morreu, poderia não ter morrido, que seria um desfecho mais feliz. Pois bem, sem esquecer o ensinamento que nos foi dado pela Graça, de que Só a verdade liberta. "Conheça a verdade e ela vos libertará." João 8:32. Luz plena de entendimento, temos que toda narrativa que encobre a verdade, é sombra, é escuridão, é engano, é isso que é a dita realidade paralela, uma vez que esta não acontece ou aconteceu, sem ser apenas imaginário, e como tal demarcado, ou ficção, é falsidade, essa que nos aprisiona, como mentira que é. O pensamento contrafactual só é válido como hipótese, como elemento da antítese, mais nada, o resto é pura mentira, o que não é expressão de nada. Só o que existe expressa alguma coisa no mundo real, o mais é o vazio, por isso não existe realidade paralela.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Do am I welcome to Elsinore?

Nobody is. Everybody is. A lie A truth A faith Try, all can be made. There is no Elsimore. There is all at Elsimore. All is Elsinore. Nothing is Elsinore. Helsingor Hell sing or... A mirage? A found? A loss? No doubt here! Elsinore is nowhere. Elsinore is everything Elsinore does exist Elsinore it is an harbour Elsinore it is a city Elsinore it is a dream, a mirage A rest, A sureness, A truth, and happiness. And there are parties in Elsinore. Nothing is Elsinore, but Elsinore is true. Elsinore is everywhere. Elsinore is nothing Elsinore it is a bad dream May be not... A doubt, it's an how An address, a question A lie and a crowd. And there are holes in Elsinore Holes in the soul Full of nothing Full of everything In many empty places like Elsinore Everything is Elsinore, but it's all lie. Elsinore is elsewhere. Elsewise is here Elsinore is a possibility. Elsinore may be sure? And could be cure? When be mature. Elsinore is an action A quest, it is an answer A certitude, a conviction A play, an adiction. And not discover takes it over Elsinore does not exist, but it's real. Serei eu bem vindo a Elsinore? Ninguém é. Todo mundo é. Uma mentira Uma verdade Uma fé Tente, tudo pode ser feito. Não existe Elsimore. Há tudo em Elsimore. Tudo é Elsinore. Nada é Elsinore. Helsingor Sinal do inferno ou Ele vai cantar ou... Uma miragem? Um achado? Uma perda? Sem dúvidas aqui! Elsinore não está em lugar nenhum. Elsinore é tudo Elsinore existe Elsinore é um porto Elsinore é uma cidade Elsinore é um sonho, uma miragem Um descanso, Uma certeza, Uma verdade, e felicidade. E há festas em Elsinore. Nada é Elsinore, mas Elsinore é verdadeiro. Elsinore está em toda parte. Elsinore não é nada Elsinore é um pesadelo Talvez não... Uma dúvida, é um como Um endereço, uma pergunta Uma mentira e uma multidão. E há buracos em Elsinore Buracos na alma Cheios de nada Cheios de tudo... Em muitos lugares vazios como Elsinore Tudo é Elsinore, mas é tudo mentira. Elsinore está em outro lugar. Caso contrário está aqui Elsinore é uma possibilidade. Elsinore pode ter certeza? E poderia ser cura? Quando estiver maduro. Elsinore é uma ação Uma busca, é uma resposta Uma certeza, uma convicção Uma brincadeira, um vício. E não descobrir assume o controle Elsinore não existe, mas é real. Enviado p Rafy c esse prólogo: Fyi Rafy Ray and fy Little chit Little chat Little cheet, full of words Little cheat Little this Little of that Little bit Big bet A dog and a cat. Para sua informação Rafy raio e voo garotinha bate papo Peitozinho, cheio de palavras trapaceiro pouco isso pouco disso Um pouquinho grande aposta Um cão e um gato.

DE VIÉS.

DE VIÉS Que é como sempre me olhas Com medo de encarar a fera E encontras dificuldades zarolhas Que são ciladas, e espera De um tempo que já não tenho Em abismo que já não é Como vou, não venho Perdição, desengano, falta de fé Tolice e quimera Dessencontro que é O que não tem solução Solucionado está Diferentemente do que pensas Um cão nunca se vai Nem tem autocomiseração Estará sempre conosco Mesmo morto, segue cão Não creias que eu não estarei Sempre contigo, e convosco Ainda que penses que não.

NOTAS DIDASCÁLICAS

Por serem marginais, ou de pé de página, ao contrário do que possam pensar, não são de ter menoscabo por elas, são, outrossim, as mais importantes, e todo o desdém será punido. Sobre a guerra da Ucrânia. Como ficou visto, o guião de Putin, foi pro brejo. A guerra era para durar três a quatro semanas, alguns falam dias, mas isso é tolice, basta ver o tamanho da Ucrânia. Uma coisa que demonstra bem que era para ser de curta duração, é a data em que ela começou, a outra o número de veículos que fizeram a invasão, houve até engarrafamento por serem tantos. Então, em fevereiro, com os solos ainda endurecidos pelo frio do inverno, seria para terminar antes da Primavera, quando se iam transformar em imenso lamaçal, com o descongelamento. Entretano o crítico do que falhou no guião, o fator nã considerado, foi a força indômita do povo ucraniano, com que ninguém contava, muito menos o invasor. E já lá vão quinze longos meses... Sobre o "IMPACTO AMBIENTAL". Dizem os jornais, proclamam os comentadores, como se houvesse lógica nessa ideia: Impacto ambiental. Impacto? MAS QUAL IMPACTO? O ambiente é nossa vida. Certamente o que representa para um esquimó será muito diferente do que representa para um bosquímano, ou um berbere, mas todos estão adaptados ao ambiente em que vivem, não lhes causando o ambiente impacto algum. O que há são alterações do ambiente por nossa culpa, inabilitando aos povos a viverem sob a pressão que o ambiente agredido promove como resposta. Gerando um impacto indesejável para o habitante, para quem vive num ambiente que se tornou inóspito, devido a impacto humano no ambiente; e se faltar água, então: MÍSERO AMBIENTE, põem-se todos a gritar. Há um sem número de más utilizações das palavras, fruto da ignorância generalizada, mas essa de "impacto ambiental", é viciada, pois é proposta com a ideia subjacente de que o ambiente nos impacta por ser rude, e poderá ser verdade se você que viveu toda a vida na Sibéria se quiser mudar para o Cairo, ou se você agredir ao ambiente onde quer que seja onde viva, poderá receber uma má resposta ambiental, mas não culpe o ambiente por isso. A CULPA É SUA. SÓ SUA. Sobre os 'bolsonaristas' sem Bolsonaro. Vão se conhecendo os crimes do capitão Jair, seus roubos, dinheiro espalhado por toda parte, diamantes e mais diamantes, propriedades, mansão cinematográfica nos EUA, o conlúio dos filhos, etcetera, etcetera. E os fiéis, infiéis, vão se dando conta do quanto foram enganados, e fogem a sete pés das hostes 'bolsonaristas', com especial destaque para os políticos, essas enguias fugidias, escorregadias, que logo trocam de casaco, de roupa, de pele, mas sempre haverá no fim os estultos que se aferraram às propostas do capitão, digo propostas porque não são ideias, não são nada, e estes ligados a essas propostas, se irão manter, até para não darem o braço a torcer, conspícuos que são. Mas temos mui bem consagrada a expressão: Rei morto, reposto... E isso tudo ainda acaba em jaula para a maioria dos conspícuos. Sobre os bancos. Os de jardim, com alguns precisando de pintura ou alguma reparação, vão bem em sua maioria, obrigado. Já aqueles que guardam nosso dinheiro nunca se cansam de especular, na eterna jogatina financeira, e com isso se vão destruindo, tanto como destroem o dinheiro dos investidores, e, até mesmo dos depositantes, mas a tentação é grande, e o lucro fácil. Os bancos portugueses com lucros de perto de onze milhões todos os dias do ano, chova ou faça sol, seja dia útil, sábado, domingo ou feriado, o que acham pouco, e não se satisfazem, e arriscam tudo em negociatas. Recentemente, após as três enormes crises que ocorreram nas três décadas anteriores, foi a vez do Sillicon Valley, e do First Republic, nos EUA, e do Crédit Suisse, que, do dia para a noite, sem vigilância, revelaram-se inadimplentes. Rápida ação dos reguladores para estancar a miséria, e circunscrever a desgraça, talvez tenha parado a crise. Mas o fato, a nota dominante, é que os bancos, se não estiverem sob estreita vigilância, metem os pés pelas mãos. Quem os quer regular? Ninguém. O Sr. Obama falou disso, prometeu regulação, mas logo esqueceu, ou fizeram-no esquecer o assunto, assunto que não interessa regular. Como fazer afortuna de uns poucos sem a desgraça de muitos, se houver regulação bancária? Sobre os refugiados. Agora que os dias ficam cada vez mais quentes por toda Europa, vamos ver outra vez as mortes no Mediterrâneo, as imagens terríveis dos campos de concentração que estiveram fora das televisões, mas que continuaram durante o ano todo, esses anos todos, com gente a sofrer todo tipo de penúria, todo tipo de exclusão. Sendo a pior delas a de serem afastados das portas da Europa, inclusive criminosamente, como fazem os gregos, suprema vergonha humana. Assim em Samos, em Lesbos, em Souda, na ilha de Chios, em Exárchia, na Grande Synthe em França, em Idomani, em Lipe, na Bósnia, e na Turquia em dezenas de lugares, paga que é pelos europeus para reter os emigrantes em seu território, impedindo a travessia, e para onde são reencaminhados; e na Siria, na Líbia, etcetera, etcetera, etcetera... em campos onde morrem de fome, de frio, de doenças, ou se matam de desespero. E a isso, aos que se negam recebê-los, os que pagam para os reter, como também a esses países com essa gente que recolhe aos desgraçados em campos de concentração que criam, tudo junto, chamamos Humanidade. Sobre a água. Abundante, como é a vida no planeta, permitiu que essa se gerasse, permitiu tudo que há vivo na Terra, onde tudo vivo tem água. Desrespeitada, abusada e desperdiçada, vem sempre cobrar a fatura da estupidez em seu maneio. Nos próximos anos, e cada vez mais, o precioso líquido será a razão de nossas preocupações. Alterando estilos de vida, de cultivo, de hábitos alimentares e ainda outros, o que nos impedirá gosto e prazeres, das piscinas à mesa, dos campos de tênis às lavações dos automóveis, dos pátios, das casas etcetera, sobrará por cuidado a lavação do Bonfim na Bahia, que religiosa e imposta pela fé, continuará. As tropelias a que sempre sujeitamos a água, abundante e barata, acabaram. O respeito que merece, e que é devido ao líquido da vida, que esbanjamos, sujamos, malbaratamos, desperdiçamos, e menosprezamos durante toda nossa vida, vem agora apresentar a conta de nosso desatino. Pesada fatura. Quem viver, verá! Ficamos por aqui, são muitas notas, muita coisa que há que se registrar nesse mundo de meu Deus, tudo o que se passa e se diz, como há também muita coisa boa, feita por gente muito boa, não as anoto, porque isso devera ser a norma, o ponto em que deveríamos estar, mas falta muitíssima vergonha na cara para lá chegarmos.

Vejam os que têm olhos de ver.

Talvez viesse mais a propósito o anexim, 'Mais cego é aquele que não quer ver', mas preferi como em Ezequiel 12, ou Mateus 13, a expressão título, posto que de fato estamos cheios dessa gente cega por aí, gente de uma cegueira endógena, intrínseca e despropositada, que oblitera a realidade, mesmo quando esta entra-lhes pela porta a dentro, só por não terem olhos de ver o que agora está em todo lado: enchentes, secas, a época de rega começando cada vez mais cedo, tufões, ciclones, furacões, calores e frios extremos, neves e chuvadas em épocas incertas, bem como a falta delas nas épocas certas; as águas não mais estando onde costumavam estar - com rios secos, lagoas mortas, reservatórios insuficientes, o freático esvaziado, e a demanda e os custos aumentando vertiginosamente num mundo sedento, e as pessoas náo se tocam que a margem de manobra está cada vez menor para que possamos fazer algo efetivo a longo prazo, esse mesmo prazo que já se esgotou para muitas ações, como as que deveríamos ter atendido, tendo feito o que é mister há décadas. E seguimos escorregando pelo precipício abaixo. Um casal de putos arteiros. Onde o menino e a menina vêm tentando se afogar nas águas do Pacífico, obtendo cada vez mais êxito em suas tentativas, o que perturba e perturbará cada vez mais o clima em todo o mundo. Vejamos essas duas crianças em ação e seus resultados, e porque ficaram mais agressivas e desordenadas, com ocorrência, periodicidade e duração que são absolutamente irregulares. 'El niño' Primeiro o menino, esse que vem com o Natal, como notaram os pescadores do norte do Peru, que asssim o chamaram devido a época do ano em que surge. Com os Alísios soprando de Leste para Oeste, as águas da costa leste da Ásia e a Austrália sofrem uma levação de mais de meio metro tomadas as suas águas em relação à costa oeste da América do Sul, que com isso trazem para suprfície as águas profundas, mais frias, que contém os nutrientes que alimentam as populações marinhas, como os peixes que os pescadores peruanso buscavam, e não encontravam, com enormes populações, permitindo abundante captura como era o caso da anchoveta, que chegou a doze milhões de toneladas/ano, a maior pescaria do planeta. Com o fenõmeno do 'el niño' dá-se uma diminuição acentuada na ação dos Alísios, e até mesmo a inversão de sua direção, passando a ser de Oeste para Leste, evitando a ocorrência da convecção, uma vez que desse modo as águas superficiais estando mais frias, não mergulham como normalmente faziam, trazendo para cima as águas profundas cheias de nutrientes, interrompendo, desse modo, o ciclo de abundância. Esse fenômeno gera grandes massas de ar quente e úmidas que acompanham as águas, então, com isso mais quentes do Pacífico, e provocam um forte aumento na pluviosidade da costa da América do Sul, e secas na Indonésia e na Auatrália, modificando o clima em todo o planeta com a alteração da circulação geral da atmosfera, promovendo desde invernos mais quentes, mais chuvosos ou mais secos ao mesmo tempo em diferentes regiões, bem como verões muito mais quentes na Europa, e secas terríveis em África. 'La niña' É o arrefecimento das águas superficiais do Pacífico, em oposição ao 'el niño', com os Alísios soprando mais intensamente, o que resfria as águas superficiais, cria enormes distúrbios climáticos, e fomenta perturbações também a nível global, mudando a pluviosidade, as temperaturas, e a evaporação. 'La niña' provoca perturbação em todo o sistema climático mundial, numa contraposição tão indesejável quanto seu irmão. Antes não era assim. O aquecimento do planeta. Com o efeito estufa, resultante de enormes quantidades de carbono retido nos gases da atmosfera, que refletem o calor solar de volta para a terra, criando um ciclo de retenção do calor que se acelera. Não sabemos ainda se os meninos travessos influenciam o efeito estufa, mas sabemos bem que o efeito estufa exponencia as ações dos meninos. Vamos viver num Saara. A verdade é que todo o processo das alterações climáticas vão num crescendo pela falta de resposta global ao problema, esse que nos assola e que teimamos em não ver. Com a aceleração do ciclo da água - evaporação, chuva, retenção, e evaporação novamente - posto que a retenções passaram a ser mais breves, por memor tempo, as chuvas mais intensas e/ou menos frequentes, numa completa anomalia ajudada pela liberação de enormes quantidades de água que estavam retidas em vegetação, em glaciares e no freático, que entraram no sistema e passaram a circular, promovendo a seca, uma vez que a água não parando quieta, sendo evaporada e levada de um ponto a outro muito rapidamente tansportadas pelas nuvens, diminuindo assim os caudais, os mananciais, as reservas e mesmo o freático, numa dança insana e perigosa que nos empurra para que venhamos a ter um Saara por toda parte. Reflexão. Se o que vemos, ouvimos e sabemos pelos jornais, pelas televisões, em viagens, ou mesmo à porta de nossas casas, não nos basta para que entendâmos que a prioridade das prioridades é estancarmos o aquecimento, para que a água evapore mais devagar como antigamente, ou que permaneça quieta nos glaciares e no freático, e que também plantemos bosques, matas, e florestas, onde a água se movimente ainda mais lentamente, e que evitemos esse ciclo infernal que está criado, com a reposição das carruagens nos trilhos, o que demorará um século se começarmos a partir de agora, e essa constatação não nos basta, não é suficiente para que tomemos todos firmes medidas de resfriarmos o planeta que aquecemos com nossa irresponsabilidade e porcaria, então continuaremos a rolar precipício abaixo, sem termos onde agarrar-nos, desorientados, sem remédio outro que o de chafurdarmos em nossa cegueira.

terça-feira, 23 de maio de 2023

CENTENÁRIO DE EDUARDO LOURENÇO. 1923 - 2023.

Foi há cem anos Em São Pedro do Rio Seco Almeida, Guarda Nascia nesse 23 de Maio O menino Eduardo Aldeão da Beira interior, portanto Onde há 95% de granito por todo lado Na alma também... Pergunto como foi nascer lá menino tão doce? Homem tão sábio? Alma tão aberta ao entendimento? Entendeu tudo que há para entender E nos explicou como somos Sobretudo os portugueses. Num século de estupidez e pouco entendimento Vinha pensar a realidade Essa que tão fácil se vê E tão pouco se entende Por carecermos de perspectiva larga E por termos preconceitos Esses que corroem as almas. O filósofo Eduardo tinha as características misteres A paz necessária A ausencia de ódios Sem deixar que sua água cristalina se turvasse Fruto das circunstâncias Seu manancial corria límpido Puro e intenso E ademais belo Ouvi-lo era um prazer Lê-lo, uma descoberta Vê-lo, espanto Puro assombro da revelação.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

NUM INFINITO MUITO PARTICULAR.

A Antena 1 da Rádio Difusão Portuguesa, aos domingos, entrevista alguém do cenário sócio-cultural português, num programa que se intitula "Infinito Particular", que busca mostrar que a singulariedade de cada um tem alcance enorme, infinito mesmo, posto que somos todos muito semelhantes em sensibilidades, apesar de pessoal e individualmente sermos particulares. Portanto únicos em nossas respostas aos agentes causadores de qualquer alteração na tranquila linha que busca seguir nossa vida sempre que possível, gerando nela turbulências de vária ordem, aí somos muito diferenciados. Nesse 18 de Dezembro pp na Antena 1, foi a vez de Lídia Jorge, com sua centralidade, e firmeza suave, sua interpretação muito particular do mundo, sua ousadia invisível, que traduz-se numa interpretação resoluta de tudo que se passa, sem abrir mão da concórdia mister, o que leva a renomada autora muita vez a calar-se, por "pudor", ao colocar-se no lugar dos outros. Enxames de formigas, simpatia por empatia. Sensibilidade. Fraternidade. Compaixão. Misericórdia. Contando em seu livro histórias de um lar de uma Santa Casa da Misericórdia, Lídia Jorge nos leva a uma viagem interior, onde a realidade, no que é percebida, ultrapassa a própria percepção, uma vez que o que não é percebido é tão presente como se o tivéssemos ali à nossa frente a gritar: 'Olhem para mim, eu sou a realidade, tudo o mais é ilusão.' Uma bipolaridade angustiante. E, para além das semelhanças, como que saída de um preceito budista, essa percepção do imperceptível, revelasse sua verdade transcendental: TUDO RESIDE NA DIFERENÇA DAS SENSIBILIDADES, essas que nos levam muitas vezes a termos simpatia, para além da empatia, posto que uma vez assumida a identificação, o sentimento tende, por norma, a se aprofundar e criar raízes mais entranhadas na inequívoca identidade estabelecida. Porém outros sentimentos para além desta identidade que gera sentimento, atingem níveis mais subterrâneos, calcados numa identificação que se nos entrou por algo mais intenso que a própria identificação de per si. Aos que desse modo são mais superficiais, chamamos afeto, amizade, fraternidade, ao mais profundo, amor. Fraternitas est amor, lembro a conclusão dos antigos. Amor solidário é compaixão. Amor sublimado é misericórdia. É justamente este o título do último livro de Lídia, escrito a pedido da mãe, que estava a viver num Lar da entidade meio-milenar do terceiro setor que atende por essa designação, e que, portanto, guarda esse nome, tendo sido o que motivou o romance, e o titula. Na Antena 1 - afirmações de Lídia Jorge. Afirmações que nos levam à conclusão de que a relação de verdade, mais que transfiguração, exige transposição. " É mais do que verdade", "o melhor que sei, o melhor que posso" também disse a justificar sua escrita. Sendo que, pelo poder transformador de alguém sofrer com o outro, não pelo outro, em comunhão, a autora cria uma décima quinta obra de Misericórdia (1) com seu romance, uma obra de transposição, ou seja, concitando-nos a irmos além da relação, posto que a relação, seja qual for, é uma verdade estável, que nos exige uma face transfigurada para a convivência com ela. Porém Lídia compreende que nos é exigido mais para sermos misericordiosos, posto que para tal é necessário ultrapassar, transpor a realidade, para conseguir a comunhão que estará além, na alma podemos imaginar, e que "é mais do que verdade". Premonição. Enfeixando estas condições para transpor, ir além, está uma percepção supra-humana, a de pressentir verdades ocultas, a de perceber realidades que virão a se concretizar. Assim foi. O romance Misericórdia de Lídia Jorge relata uma invasão de formigas, e esta era como a que, pouco depois da publicação, viría mesmo a acontecer num lar da Misericórdia, tal e qual está relatado no livro. Prognóstico arrebatador. Premonição. Prova da sintonia perfeita alcançada pela autora com o objeto de seu relato ficcional. Como se enxergasse no tempo para além do momento. Que mais se pode esperar de um autor? 'Desdemocratização'. Sua percepção fina, remarcada na entrevista (disponível em podcast), nos fala de um terrível problema de nosso tempo, que todos já percebemos ser reincidente, e que cada vez mais se vai generalizando, o da 'desdemocratização' da sociedade (é de Lídia o neologismo), e que sua percepção arguta a percebe como uma progressão, não direi imparável, mas avassaladora em nosso tempo, e deixa o registro como alerta, sabedora do perigo que há quando uma sociedade deixa de ser democrática. A décima quinta obra. Com sua "mais do que verdade" a autora nos convida a reflexão de "o melhor que sei, o melhor que posso" que atribuindo a seu trabalho, transpõe à toda realidade, posto que é o que verdadeiramente a ocupa-preocupa, a compreensão da realidade, que sempre nos exigirá esta postura metafísica da transposição para lidarmos com ela, e que consequentemente vai muito além da sexta obra espiritual de misericórdia, que aí está ainda imersa em sua ação de resposta à realidade, uma vez que só com o auxílio de uma sensibilidade mais alargada e geral, para além da nossa exclusiva, e que nos liberte da prisão do entendimento pessoal, nos permitirá a compreensão do todo, sua identificação, e a percepção do que está oculto no imenso emaranhado da totalidade. Qual o tom? A missão de contar a 'Misericórdia', recebida de sua mãe, que cumpriu com o livro que tem esse nome, levou Lídia, a alquimista, a profundos questionamentos que a inquietam, e que a faziam buscar o tom certo, posto que só este permitiria contar a história, criá-la na verdade, sem se perder pelo pieguismo, e também sem se arrojar no universalismo, posto que pretendia escrever um romance, e não uma tese. Diz a dedicatória que me faz no meu exemplar do seu Misericórdia: "Para Helder Paraná Do Coutto, com o agradecimento por lhe dever parte da música deste livro. Abraços imensos da amiga Lídia, Lisboa, 21. out. 2022" era sua forma de me agradecer uma conversa que tivemos em agosto de 21 quando estava ensaiando o modo de escrever o livro, eu disse-lhe que era mister, antes de mais, o escrever ao som do Miserere mei, Deus, de Allegri, e do Miserere cantado por Zucchero e Pavaroti, o que ela regista à página 9 do romance. Pois ela seguiu o conselho, imaginem. Foi assim que terei eu de alguma forma ajudado à grande autora a engendrar essa sua obra. Não era preciso dizer nada, menos ainda pôr no livro. Só a honestidade, sobretudo a intelectual, torna os seres humanos maiores. Lídia é absolutamente honesta em cada gesto, eis onde reside sua extrardinária força, mas não só. A curiosidade da mãe. Neste agregado de verdades, das quais Lídia não deixa passar nenhuma, está a da curiosidade de sua mãe, que lhe estimula todos os arquétipos, modo pelo qual sabe exatamente de onde vem cada um de seus entendimentos, é impressionante! "Como um dia de domingo". A imensa sensibilidade da grande autora depreende-se de pequenas deixas, de esparsas anotações, que surgem de sua enorme capacidade de dizer, e quem ouvir a entrevista, ou ler o livro, perceberá que sua escrita, assim como o que diz, e faz, é como quem precisa de falar com o outro, e de "andar de encontro ao vento", para "encontrar de qualquer jeito" um modo de expressão, posto que está sempre a descobrir o que se passa, e os seus páthos (2), portanto, quando estes se querem ir embora, "faz de conta que ainda é cedo", sabe que "tudo vai ficar por conta da emoção", essa que põe no que escreve, seu muito particular e infinito poder de dizer. (1) São as 14 Obras da Misericórdia: Obras Corporais: 1ª Dar de comer a quem tem fome; 2ª Dar de beber a quem tem sede; 3ª Vestir os nús; 4ª Dar pousada aos peregrinos; 5ª Assistir aos enfermos; 6ª Visitar os presos; 7ª Enterrar os mortos. Obras Espirituais: 1ª Dar bons conselhos; 2ª Ensinar os ignorantes 3ª Corrigir os que erram; 4ª Consolar os tristes; 5ª Perdoar as injúrias; 6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos. (2) Refere-se à música deste nome, da autoria de Michael Sullivan e Paulo Massadas, imortalizada nas vozes de Gal Costa e Tim Maia. (3) Essa palavra grega πάθος que quer dizer sofrimento, paixão afeto - diversos tipos de emoção, e também qualidade que evoca tristeza, que depois alargou seu significado para expressar tudo que acontece, os incidentes, e que Aristóteles usou para designar um dos três meios de persuasão do discurso na Retórica; terá sua origem na antiga expressão frísia 'pad', que deu em inglês 'path' que antes de mais quer dizer caminho (de passo, ato de mover o pé, este que afinal cria o trilho), e em latim tem ambas as significações, a do caminho que confirma sua orígem frísia, e a da emoção. E que também está como prefixo em muitas palavras em diversos idiomas. Nietszche deu novo uso ao termo, sem abandonar de todo sua significação original.

OS INSTINTOS PRIMITIVOS.

Somos o que somos, e não podemos fugir a isso, por mais sessões de psicanálise que façamos para nos tentar convencer do contrário. Temos implantado três cérebros em nossas cabeças, cada um relativo a um animal que nos habita (*), e dos quais não conseguiremos fugir, por mais que nos esforcemos. Desde o bom e velho impiedoso assassino reptiliano, até o estratega hominídeo, passando pelos comportamentos aprendidos, característicos dos mamíferos. Somos tudo o que fomos e fomos tudo o que somos, tendo tudo isso colado à nós de maneira absoluta. Tudo o mais é como é, só porque pode ser assim. Com o advento do fogo, que nos permitiu aumentar imensamente o tamanho e as capacidades de nosso cérebro, ingerindo muito mais proteína assimilável, expansão que nos foi tornando em seres superiores, mais propriamente pela capacidade de elucubrar, muito para além da de pensar, desde os pensamentos simples, afetos a qualquer animal, como os de ir numa ou noutra direção, para os quais os nossos sentidos já nos orientavam da melhor e mais apurada forma. Impressões que, quando são bem respaldadas pelos órgãos que nos facultam as receber (impressões exteriores, refiro-me), nos permitem alcançar compreensão a vários níveis. Sendo evidente que se estes órgãos apresentarem alguma deficiência, nos incapacitarão proporcionalmente ao grau desta, por exemplo: alguém que tivesse dificuldades auditivas e não ouvisse para além dos vinte metros, estaria em pior circunstância (incapacitado parcialmente) do que quem apresentasse as mesmas dificuldades só para além dos cem metros, assim regressivamente até oo que fosse surdo. Como os cérebros dispõem, em todos os animais, só dos cinco sentidos para receberem as impressões do ambiente em que vivem, para as poderem analisar, nada os diferencia nesse âmbito, aliás os iguala, a grande diferença reside no registro das impressões acumuladas - memória e sinapses estabelecidas - que determinarão a análise, a capacidade de interpretar, a reação, e a resposta mais adequada em cada caso - etologicamente - sendo o único propósito dominante desses comportamentos: MANTER-NOS VIVOS. Assim medo, pavor, ou bravura são reações da coragem necessária em cada caso, disse bem: CORAGEM; da mesma forma que lutar ou fugir, são reações fruto de uma avaliação muito particular das possibilidades existentes em cada momento, estando estas em equilíbrio com as possibilidades em desenvolvimento do assunto que busca decisão, avaliadas em relação à esta situação particular, o que nos inclinará num ou noutro sentido, lutar ou fugir, nada tendo a ver com os mitos estabelecidos neste campo, desde os que conferem medalhas, até os que geram execuções, passando pela condenação ou glorificação públicas costumeiras, tudo por motivos fúteis. (O que não exclui as propensões, os caminhos das sinapses, ou as memórias que nos levarão a ir numa ou noutra direção.) OBJETIVO VERSUS SUBJETIVO Sob muitos aspectos sociais e sociológicos, os nossos instintos, moldados pela componente animal, são também determinados por influências exógenas, ensinamentos, perspectivas, crenças, etc..., que se chocam muita vez com nossas tendências primitivas instaladas, e numa discussão da conveniência de qual rumo seguir, então inclinar-se-ão num ou noutro sentido, atendendo ao animal ou ao espiritual, ou a uma combinação dos dois, segundo crenças e conveniências pertinentes. Nesse sentido inúmeras opiniões, e ideias absorvidas ao longo da formação do indivíduo, serão determinantes no processo de avaliação, e nessa contenda entre o animal,com suas impressões objetivas instaladas, nosso primeiro instinto de resposta, e o conceiptual, ou intelectual, ou mesmo espiritual, impressões subjetivas elaboradas, sempre numa possibilidade de resposta já num estágio fruto de entendimentos socio-culturais estabelecidos, mais elaborados portanto, que analisam outras implicações, muito para além do reativo básico, e neste campo temos desde as crenças e tradições sócio-culturais, até ao que é romantizado muitas vezes, destarte impregnando a avaliação final da resposta, com fatores de natureza religiosa, política, ambiental, familiar, cultural em lato e estricto senso, e até mesmo razões adventícias por quaisquer questões fortúitas ou alienígenas. Nunca esquecendoo que todo o processo se dá sempre num campo subjetivo, virtual ademais, nossa cabeça, na intenção de conseguir dar resposta a uma situação objetiva, real, que estivermos vivendo. Cada um desses fatores terá relevância relativa, dependendo do grau de permeabilidade do indivíduo às suas influências, bem como da força de suas implantações em cada um, o que não exclui, ao revés inclui, a valoração que represente cada uma dessas influências para cada indivíduo em particular, e a importância que este atribui a cada uma delas. Isso tudo vai se tornando cada vez mais complexo à medida que a sociedade evolui, para uma sociedade tribal serão muito menos as influências externas, do que a de uma sociedade medieval, que terá forçosamente mens influêncikas que a nossa, o que não exclui calores semelhantes enraizados. O que levará, por exemplo, pessoas muito crentes em Deus a sempre se sentirem inibidas em matar, de algum modo, as tomemos, pois, como exemplo. Já outras, mesmo crentes, no entanto, verão os preceitos religiosos como uma forma excessiva de influência em suas vidas, na vida individual de cada um, querendo determinar comportamentos e ditar valores, o que, entretanto, não limitará de todo sua crença. Como noutro exemplo, não limita o patriotismo o fato de um país ter num mau governo em dado tempo. Rejeitarão, em ambos os casos, o que lhes antagonize, sem perderem sua convicção matricial, continuando crentes e patriotas à vez. Ou seja alguém que crê em Deus e respeita os dez mandamentos(1), pode perfeitamente rejeitar os outros comportametos pregados pelas igrejas, como os aceitos em sua latitude por exemplo, sejam eles quais forem, aos quais ele não se adapte. Desse modo opiniões, não as de o uso de um lenço, mas sobre comportamentos e coisas mais profundas, como a prática da monogamia, ou da heterosexualidade, como as únicas aceitáveis, o que, da mesma forma quanto à legislação, ou às opiniões estabelecidas, em ambos os casos, podem variar com o quadrante onde estas imperem, sendo pecado, ou não, sendo crime, ou não, sendo aceitas socialmente, ou não, sendo motivo de exclusão, ou não. Vivemos num mundo muito diversificado, deveríamos aprender a sermos mais tolerantes. Desta diferença geralmente nasce o conflito, tanto o pessoal, como o comunitário, que promovem oposições e reações, tão mais conformes com nossos instintos primitivos, quanto forem mais básicos e desinformados os indivíduos susceptíveis a eles. Viu-se ao longo da história tantas vezes criarem-se ambientes de exclusão das regras que foram impostas nestas certas épocas e lugares(2), e ainda outras mais transversais, como as da avidez; de tal modo que podemos mesmo estabelecer um padrão comportamental para definir como prováveis as reações consoantes a satisfazer nossos instintos primitivos, reforçados por hábitos e ainda outros comportamentos que se foram estabelecendo em nossas vidas, desde os vícios aos prazeres, desde aos sacrifícios às penitência, desde as opções conscientes e às inconcientes que fazemos todos os dias, até as que não fazemos. Como cada um se mede é assim, dessa maneira, mas esta é também uma forma muito particular de medição, com resultados que quase nunca são tidos como fúteis, ou que não acreditamos de forma alguma que possam ser de qualquer modo. Perspectiva pessoal absoluta de auto-importância e/ou auto-presunção recorrente, que se repete infindavelmente nas nossas escolhas. Como não nos podemos nunca nos libertar de todo desta base instintiva animal primitiva, todo e qualquer rótulo, toda e qualquer determinação em desacordo com nossos instintos, primitivos que são antes de mais, e, como tal os primeiros que tivemos e temos; portanto hoje soem ser consideradas contra-naturam(3), contra o indivíduo portanto, uma vez que estão em dissenso com aquilo o que agora somos, depois que evoluímos em divergência absoluta com nossas próprias limitações originais. Apesar de detestadas por muitos que em seu puritanismo e preconceitos, vão estabelecendo valores particulares, bem como gerais, e desse modo moldando e restringindo naturezas que se não adaptam a essas restrições que reconhecendo, negando ou excluindo outros valores dividem águas de uma mesma bacia, indivizíveis que serão, criando anomalia que é dispensável. Por exemplo quanto a sexualidade, criaram barreiras que definem e propalam preconceitos, desde o fértil uso de palavras(4) preconceituosas, até a criminalização ou patologização de vertentes sexuais. Repudiando realidades que ocorrem no corpo social, bem com no indivíduo, e que já foram aceitas em outras épocas. Os egípcios procuraram interpretar isso atribuindo-nos dois tipos de alma, ba e ka. Ba e Ka, duas metades, uma só alma. O entendimento egípcio que se foi modificando com o tempo, três longos milênios, verificou sempre queexistem em nós características tão manifestas, qeu indissociáveis do indivíduo. Somos em verdade um espectro de manifestaçãoes que são de difícil classificação, uma vez que confundem-se. Direita e esquerda, positivo e negativo, supostamente certo e supostamente errado, e, evidentemente na formação destas manifestações Ba e ka, dis lados da alma, que para os egípcios eram duas. Ba era a manifestação metafísica do espiritual, não o espírito, mas a própria energia mística, divina portanto, que nos habita a cada um. E Ka é nossa energia metafísica em si mesms, logo expressão do nosso ser no mundo, que era, portanto, uma espécie de alma, mas não a alma cristã, e sim uma alma da Natureza. Desse modo os deuses tinha um só Ba, assim como nós, mas um Ba amplo, fruto do conhecimento das muitas energias, e muitos Kas, porque, como deuses, atuavam em várias esferas, impulsinados por muitos kas, que geravam os diversso trânsitos. PERSONALIDADE. Como ficou visto nossa capacidade de perceber o mundo traz em si diversas fontes de formação, desde a recolha da informação através dos sentidos, passando por vários filtros, que começam nos diferentes cérebros disponíveis, até a conjugação que estabelecem a diferentes níveis, conjurando uma interpretação, trama explicativa, que resultará naquilo que entendems como percepção - ou seja só percebemos o que somos capazes de interpretar, tudo o mais se perderá. Perder-se-á sempre, uma vez que nã existe o que não reconhecemos. Daí todas as verdades abslutas serem falsas, somos contraditórios, e toda crença em verdades absolutas, tolas. DE PRESUNÇÃO E ÁGUA BENTA... Como somos muito presumidos, somos facilmente enganados. Demasiadas são as ilusões e os enganos, posto que a interpretação que damos às coisas é sempre a conveniente, uma vez que resulta de nossa trama explicativa, e esta só é satisfatótia quando reune ou conjura, nossas referências, levando-nos ao que chamamos de mundo percebido, que é o único que existe para nós, foonte de tod nsso saber, e de todos nssos enganos. A Física Quântica foi um susto, porque nos mostrou que o que percebemos raramente é a realidade, e que esta raramente é perceptível. Vivemos, consequantmente, de presunção. Estimulados por inúmeros fatores: reais, alguns; hipotéticos, outros; sentimentais, endógenos, o que não excluirá influências exógenas; e ainda outros imaginários, mas todos balizados por noossa 'percepção'. ANALÍTICA E SELETIVA. É como aje a mente. Sendo tão analítica e seletiva ao ponto de ver o que que ver. Foca-se numa determinada coisa/ideia, e vai atrás dela, e em meio a infinitas coisas, encontra exatamente aquela em que se focou encontrar. Este é o princípio do Vision improvement, cujo método baseia-se nesta faculdade, de irmos ver o que esperamos encontrar, afastando sucessivamente para além de nossas capacidades visuais nas condições presentes, aquilo que inicialmente observamos de perto, focando nossa visão no que pretendemos ver, já para além de nosso campo visual restrito, limitado por alguma deficiência. Os olhos são como lunetas, como binóculo que se precisa ajustar. Desse modo a seletividade analítica de nossa mente vai buscar, faz o ajuste, e faz-nos ver o que pretendíamos. O que prova que não vemos com os olhos, mas com a mente. INFINITO AUTÔNOMO. A ganância, por outro lado, tem um fator estimulante muito particular, o de sua componente Matemática, porque sempre admite uma adição qualquer, posto que podemos sempre somar mais e mais a qualquer número, e, por outro lado, como sempre necessitamos acumular para enfrentar tempos menos favoráveis, os diversos cálculos nos permitem estabelecer prognósticos de valores para uma vida mais desejável, consoante a ambição de cada um, dependendo nesse sentido do que cada qual deseje, evidentemente. Poderá entã ser de feição a exigir muitas parcelas a somar, eis a ganancia em sua face mais perversa e pervertida - corrupção, ambição de poder, de estatuto scial, profissional, etcetera - posto que os instintos primitivos estimulados matematicamente não se contêm. Esta situação é presentemente o pior dos males da Humanidade, e não creio que vá passar facilmente, pois se exponenciou, e domina tudo, e quase todos, uma vez que se torna desmedida quase sempre, e é dissociada de nossa percepção. A subversão de valores reside primeiramente no afastamento de nossos instintos primitivos, formando um freio e um distancaiamento desses intintos primitivos uma vez que são resposta necessária para a vida em sociedade, posto que são violentos os instintos primitivos, e que dão respostas violentas quand estimulados; mas que nunca devem ser deixados de ter em consideração, posto que são parte de nossa natureza, portanto, como tal, devem, e têm de ser considerados, digo a nível consciente, para que, verificando em que medida, não para os satisfazer, ao menos integralmente, tendo-os em conta na avaliação geral, e no cômputo final de nossas opções, conscientemente, repito, porque inconscientemente sempre estarão lá, e não porque eles se venham a impor, mas porque os devemos considerar, uma vez que eles fazem parte, e são os nossos instintos primeiros, componente primitiva, antiga, rústica ademais, mas que estarã sempre a pulsar em nós, imperscrutável, indicando caminhos. (*) 'The animal within' O animal dentro, como foi percebidos por dezenas de autores em diversas formas de arte, que ampliaram emblematicamente os animais que nos 'habitam' para além desses três dos quais guardamos os cérebros. (1) Mandamentos, ou leis, ou normas, que sempre existiram em grande número; na bíblia tendo começado com estes dez do decálogo, chegaram aos 613 encontrados só no velho testamento, como foramm listados por Maimônides há oitocentos anos. (2) Para além de muitas atitudes, como acontece ainda hoje, serem criminalizadas num local e não noutro, desde tempos imemoriais, era muito comum um criminoso fugir da cidade onde cometeu o crime, para se ir pôr debaixo da proteção de uma outra cidade onde nada havia feito de mal, podendo lá viver em paz, sempr foi assim ao longo da História. Nesta paz se incluirá também a da consciência, como no caso recente de certas atitudes que no Bronx eram aceitas durante a Lei Seca, e que não eram nos outros bairros nova-iorquinos, isso há muitos poucos anos atrás. (3) Contra-naturam tembém é um conceito que 'se estabelece', é interpretativo portanto, mas o que quero dizer com a expressão, é que o que quer que genericamente seja contra a natureza dos indivíduos em geral, ou contra aquilo que sente cada um de per si, sendo aquele a excessão, deveria ser aceito pelo todo dentro de limites, modus in rebus. (4) Para apodar os homossexuais masculinos temos: larilas, panasca, bicha, viado, paneleiro, maricas, epiceno, invertido, virado, promíscuo, adamado, afeminado, efeminado,gay, rabicha, pederasta, bi, abichanado, panisgas, e também no singular, panisga, prostituto,finóquio, pinoio, puto, tia, panela, travesti, traveca, traveco, andaço, sacana, atracador, atraca dos dois lados, que corta para os dois lados, e outros que não listarei aqui por muito horríveis que são, bem como os mais os regionais, com menor amplitude de uso. São muitas dezenas, demasiada sinonímia para uma realidade que se deseja rejeitar.

A sutileza do rinoceronte a marrar.

O fator central da prática diplomática sempre foi a subtileza. Hoje, e cada vez mais, estão perdidas a diplomacia e sua subtileza, fruto da alteração da forma de se fazer política. Não sendo mais a mesa de negociação o locus diplomático, onde se poderão resolver os impasses e as divergências entre as nações? Fora da mesa de negociações só haverá o confronto, este que no extremo se traduz em guerra, a inevitável consequência da vontade de uma parte impor sua vontade sobre a outra, extinguindo toda a negociação. Hoje se acredita ser possível fazer diplomacia nas redes sociais, em declarações à imprensa, e em boletins de Estado. Quanto engano, e que cobrará um alto preço.

Ao longo da história, a Diplomacia sempre resultou de ações delicadas que buscavam atrair e envolver a parte discordante para o ponto que defendia a ex-adversa, buscando um consenso. Destas ações mansas e penetrantes destacaram-se muitos homens que desde a Antiguidade desempenharam papel nas negociações de Estado, que pela sua verve, habilidade, subtileza e boa forma em dizer, conseguiram levar adiante a sua tese, fazendo-a vencedora. Foi assim desde os negociadores do Tratado de Eannatum, até os milhares de negociadores atuais de tratados de toda a natureza , que fazem o dia-a-dia de diplomacia nos tempos que correm. Aliás os tratados são a alma do empenho diplomático, sua própria tradução, posto que o próprio nome do ofício, vem de diploma, que era o papel de se escrever o acordo, em grego antigo, e 'matos' que quer dizer objeto duplo, pois que haveriam sempre duas cópias do documento, cada uma cabendo a cada parte negociadora. Expressando maior ou menor destreza, muitos homens ficaram na História por sua capacidade de negociação, e habilidade para o feito. Assim desde os enviados da Antiguidade, passando pelos apocrisiários, pelos 'procuratores', quando a instituição diplomática começa a ganhar caráter permanente, até às Missões do Renascimento, para chegarmos aos corpos instituídos e continuamente estabelecidos modernamente, acreditados em missões permanentes, de caráter oficial, mantidas junto aos diversos países.

Com estes dispositivos instituídos, as queixas, reivindicações, os conflitos de várias ordens, as posições e ações dos governos dos diversos países, encontraram um canal permanente e revestido de muito tacto, que sempre visava estabelecer conversações frutíferas, fugindo a confrontos, retaliações, ou choques, tão comuns entre potentados, evitando por essa via as inconciliações resultantes do embate de princípios contrários. Por isso, desde muito cedo, a atividade diplomática recrutou homens com habilidade para nunca dar por finda a negociação, até que ambas as partes se encontrassem satisfeitas, ainda que precariamente ,ou em pequeno grau, em suas posições, estabelecendo acordo. Essa habilidade sempre se traduziu em subtilezas que mantêm a conversa a nível possível, não dizendo nada que impossibilitasse a continuação da conversa, nunca rompendo o processo de negociar.

Hoje em dia vemos um extremar de posições, numa miríade de conflitos resultantes de interesses muito diversos, em muitíssimas áreas, que sem a negociação soeriam descambar para outros caminhos mais severos, que normalmente nunca acabam de forma satisfatória para nenhum dos lados, ou evoluem para a beligerância, também conhecida como A Diplomacia da bala, juntando na expressão dois polos incompatíveis.

Deste extremar e desta radicalização tão pouco afeitos aos processos diplomáticos, costumam resultar irreconciliabilidades perigosas, que alimentam ódios e confrontos pouco úteis a ambas as partes, cujo único possível real propósito é sempre ver o conflito ultrapassado, que, mesmo com uma vitória no campo de batalha, não se verá dirimido, posto que, com o rescaldo remanente, poderá a qualquer momento atiçar o incêndio novamente. Só as conversações são efetivamente capazes de anular de modo terminante as divergências, com a satisfação das controvérsias, terminando, resolvendo a matéria em disputa.

Cada vez mais vamos vendo atualmente a perda dessa tão importante capacidade diplomática, com o surgimento de mediadores de toda ordem em contraponto com os defensores das partes em conflito, em ambos os lados da barricada, mediadores na sua maioria com incapacidades intrínsecas. Que vão desde não lhes reconhecerem uma neutralidade mister, passando pela falta de credibilidade, para ir culminar na absoluta falta de capacidades diplomáticas. Por outro lado os responsáveis das facções em contraposição que, ao queimarem pontes, ao esgrimirem razões com a sutileza de um rinoceronte a marrar, eliminam qualquer possibilidade da boa atuação da via diplomática, único caminho para a resolução efetiva de qualquer conflito.

Não havendo o reconhecimento do equívoco que há em trilhar essa vereda fora do diálogo, fora das negociações, strico sensu, e, por assumirem uma mudança de rumo aos esforços que deveriam estar concentrados na mesa de negociação, teremos com isso sempre respostas improdutivas, medidas inconsequentes e futuros reacendimentos da pendência não resolvida.

Com a falência dos canais tradicionais, desde, muitas vezes, os dos corpos diplomáticos dos dois lados em disputa, até à ONU, vão surgindo hodiernamente mediadores de toda a sorte, com maior ou menor legitimidade e habilidade para o serem, cheios de boa vontade, que, pisando em terreno minado, buscam outras formas de estabelecer princípios, e criar condições, sobretudo as de sinceridade, e boas intenções, que visam abrir portas ao compromisso e à confiança no processo negocial que desejam estabelecer.

Em muitas plagas hoje essa é a senda que se busca criar, para anular os rinocerontes que seguem a marrar.

O TEU PAÍS DOS OUTROS.

Sempre houve muitos políticos que fazem distinção vincada entre um seu país e sua população, dizendo que a população vai mal, mas o país vai bem. Em muitas ocasiões afirmavam que crescia o PIB, diminuía a dívida, o déficit não havia, ou era insignificante, cresciam as exportações, etcetera... etc... logo o país vai bem, não levando nunca em consideração os cidadãos que vão pessimamente. Para lá dessa ideia absurda de um país sem povo, ou de um povo sem país, excluídos ou desconsiderados os nacionais, à conta da análise pretendida, em que o que importava, e importa para esses políticos, era, é, o CRESCIMENTO ECONÔMICO, nunca tendo em consideração bons salários, preços baixos, ou seja um maior poder de compra para os seus cidadãos, com a possibilidade de obterem excelente alimentação, moradia boa, aquecida, bem conservada, a preços abaixo de um quinto dos salários tanto no que represente um aluguer, ou uma prestação de aquisição do imóvel, e também a de alimentação representar outro quinto dos ganhos. Todos esses ingredientes são os que formam uma classe média forte, que é a alma de um país rico. Não há países ricos com gente pobre, ainda que haja quem acredite que sim. Muito bem, com a ascensão imparável do dinheiro iniciada na segunda metade do XIX, verificamos que as pessoas foram ficando fora da equação, uma vez que o preço das coisas, todas elas, aumentou, e aumenta, sem que haja a devida reposição salarial, o que torna as pessoas pobres a vários níveis, uma vez que a maioría esmagadora das populações em todos os paíse vivem de seus salários. Baseados nas mais diversas razões, muitas delas verdadeiras, não aumentam os salários, por exemplo para não realimentar a inflação, ou seja o assalariado paga a expansão do dinheiro. E, desse modo, essa contínua subtração de poder aquisitivo tem progredido lenta mas insistente e continuamente, até que chegamos às impossibilidades ora consubstanciadas em realidades muitas, adversas todas elas, resultantes da perda do poder de compra que foi retirando muitas coisas do alcance das pessoas em geral. Desde certos alimentos, em Portugal o fiel amigo, passou a ser um ilustre convidado, e as centenas de receitas de bacalhau frequentes diariamente, ou quase, à mesa dos nacionais, foram dilatando os períodos de consumo, acabando por serem guardadas para dias festivos, até, noutro extremo, à possibilidade de aquisição de imóveis em muitos sítios, que deixaram de ser para os bolsos dos nacionais em geral, passando a ser só possíveis a bolsos estrangeiros capazes de responderem aos altos preços que foram sendo sucessivamente praticados. Desse modo o país vem progressivamente trocando de mãos, deixando de ser de uns para ser de outros, sendo os outros aqueles que podem pagar pelo privilégio, seja o de comer bacalhau frequentemente, ou o de morar com vista pro mar, ou mesmo morar em casa própria, ainda que estas sejam em mais de dois terços da banca, mas que pretençamente próprias, possam com o tempo, formar um pecúlio a deixar aos filhos. Resultando que o progressivo afastamento da sociedade, dos cidadãos, do poder de compra, poderá transformar a frase da última alternativa acima: 'ou mesmo morar em casa própria', noutra frase onde desapareceria o adjetivo. Por mais que não queiramos, por mais que o processo democrático idealmente deva se refletir em governos voltados para o bem estar, e bem estar é algo sempre ligado ao poder de compra, bons salários se preferirem, por mais que o Estado Social venha a colmatar as carências das populações, tendo vindo a se transformar num Estado Assistencial, assistencialista, poderá tudo isso deixar de existir, inclusive a ascensão imparável do dinheiro, se dividirmos o bolo. O bolo é a riqueza produzida num país, que é de todos, e só toca a alguns, poucoos, e, por outro lado, se não houvesse Estado Social, ou seja: saúde pública, escolas pública, habitação do Estado, transporte em empresas estatais, etcetera, e houvesse salários que permitissem às pessoas pagar por tudo isso ao preço do mercado, a equação estaría resolvida. Assim é que devera ser. Mas os sucessivos governos ao longo do tempo, foram pactuando com a concentração de riqueza, e, para diminuir as crateras que se abriram entre as possibilidades das pessoas, e o preço das coisas - voltamos a falar de poder de compra, foram criando o Estado Social, para, desse modo, dimnuir o buraco com a ação governamental. Todo o bem que advém das pessoas terem poder de compra, o que para a maioria das pessoas significa bons salários - desse modo não sendo mais necessária a interveniência estatal, tão clientelista devemos lembrar, nem mais assistência de nenhuma ordem. Quem tem condições não necessita de ajudas. E faço aqui notar que toda essa perversa situação de inversão do modo de ser, ou que deveria ser, das coisas, não é do sistema, mas resultante do sistema, e é muito mais difícil mudar uma resultante, que uma parte do sistema. Certa feita num debate acadêmico, me questionaram sobre as empresas públicas, e eu, socialista que sou, afirmei que o Estado não deveria ter empresas, que, se em determinado tempo essas foram necessárias à ação do estado, que criou uma empresa para impulsionar, ou mesmo iniciar as actividades em determinado sector, e, logo que, uma vez suprida e atendida a necessidade, essa devería passar às mãos privadas, e os recursos de sua venda serem empregados noutra empresa para impulsionar outro seector que necessitasse, para logo a seguir também ser privatizada, e assim por diante. Minha resposta, de socialista convicto que sou, assustou muito ao meu interlocutor, levando-o a afirmar, mas os socialistas não pensam assim. Ao que respondi: porque não acreditam na regulação, e preferem que o Estado faça por si mesmo as coisas que apenas deveria regular e fiscalizar seu bom funcionamento. Como assim? Questionou-me. Sabem esses socialistas que a fiscalização e a regulação são corruptas, sabem que as coisas acabam descambando para atender apenas a um lado, e que o Estado não exercendo o controle mister para que o empresário cresça, fique rico, por sua capacidade criativa, e não pela possibilidade que tenha de aumentar preços, por isso preferem que seja o Estado a empreender o negócio, para o poderem contolar diretamente, o que é um engano. Temos que quando a ideologia esbarra na lógica, esta última deve sempre prevalecer. Em países supostamente mais regulados, estabelecem-se, então, os lobbys, uma aberração democrática, também estabelecem-se organismos reguladores que mor das vezes não funcionam, criam-se ministérios para ações sectoriais, que se traduzem em verdadeiras bolsas de negócios, onde os ministros barganham, não o interesse público, o das pessoas, mas os seus, particulares. Suas anbições, sejam políticas, sejam financeiras, são as que prevalecem em detrimento do interesse público. Com salários justos, isso tudo acabaria. Ministérios como o da saúde, da educação, da economia, etcetera, perderiam sua utilidade, sua razão de existir, e apenas haveriam institutos para controlar as regras do Estado e sua aplicação consoante as leis que atenderiam ao interesse geral do país. Só isso. O verdadeiro socialismo é aquele onde as pessoas vêm atendidas suas necessidades, e vêm a riqueza distribuída de modo a que todos desfrutem dela, não é esse assistencialismo que se instalou para mitigar a miséria, que é muita, e que assim é pelos baixos salários. Numa sociedade rica, de altos salários, não há miséria, não há mendigos. Procurem um mendigo em Israel, ou um judeu mendigo em qualquer parte, por exemplo. Os governos criaram essa situação, entraram por este túnel, e não conseguem sair dele, todos os recursos do Estado acabarão por serem empregues no financiamento dos custos do Estado social, fomentando essa mentira que vem rebentando pelas costuras, e dão espaço a grupos contestatários para ascenderem num cenário mal resolvido, propício à reinvindicações, onde podem enganar à vontade. Não serão os políticos populistas, ou as atitudes extremistas, ou posições ultras, nem esse pseudo-socialismo, que trarão a solução, ou darão caminho a esses problemas velhos como a Humanidade. Este processo de inversão de valores da desejável realidade, quase como uma fala de um Trump, ou a de um Bolsonaro, onde reinam as mentiras e as narrativas paralelas, foi criando distorções que foram justificando as ações governamentais e essas enormes máquinas estatais com elevadíssimo custo ao contribuinte, quando os governos deveriam existir apenas para fiscalizar, estimular o desenvolvimento em sectores onde fossem necessários impulsos, até se estbilizarem como produtivos, e promoverem as leis e a defesa, cuidar do patrimônio comum, cultural, ambiental e histórico, e pouco mais. Então me perguntaram: Tudo o mais fica em mãos privadas? Sim, fica. Sob controle apertado dos governos, apertado porque a tendência dos homens para o erro e a desonestidade é grande, porque com bons salários, havendo leis e aplicação eficiente delas, pouco mais é necessário. Mas o que temos é o engano, o dinheiro a correr solto, criando miséria generalizada, desgoverno por todo lado, prevaricação em toda parte, peculato do enorme funcionalismo, a busca de vantagens por quem as possa conseguir, e a miséria se espalhando à conta de entendimentos que acreditam não poderem dar o justo às necessidades de cada um, pagando um salário que divida o bolo do país, calculado todos os anos, e de coonhecimento geral, é só fazer contas, no país onde se viva e trabalhe, permitindo desse modo, como sãoas coisas hoje, a manutenção da miséria geral, e que outros se apropriem da paiságem, por terem poder aquisitivo para isso, esse mesmo poder que falta aos nativos. Criando O TEU PAÍS DOS OUTROS.

Sempre houve muitos políticos que fazem distinção vincada entre um seu país e sua população, dizendo que a população vai mal, mas o país vai bem. Em muitas ocasiões afirmaram que crescia o PIB, diminuía a dívida, o déficit não havia, ou era insignificante, cresciam as exportações, etcetera… etc… logo o país vai bem, não levando nunca em consideração os cidadãos que vão pessimamente.

Para lá dessa ideia absurda de um país sem povo, ou de um povo sem país, excluídos ou desconsiderados os nacionais, à conta da análise pretendida, em que o que importava, e importa para esses políticos, era, é, o CRESCIMENTO ECONÔMICO, quase nunca tendo em consideração bons salários, preços baixos, ou seja um maior poder de compra para os seus cidadãos, com a possibilidade de obterem excelente alimentação, moradia boa, aquecida, bem conservada, a preços abaixo de um quinto dos salários, tanto no que represente um aluguer, ou uma prestação de aquisição do imóvel, e também a parte referente a alimentação representar outro quinto dos ganhos. Todos esses ingredientes são os que formam uma classe média forte, que é a alma de um país rico. Não há países ricos com gente pobre, ainda que haja quem acredite que sim.

Muito bem, com a ascensão imparável do dinheiro iniciada na segunda metade do XIX, verificamos que as pessoas foram ficando fora da equação, uma vez que o preço das coisas, todas elas, aumentou, e aumenta, sem que haja a devida reposição salarial, o que torna as pessoas pobres a vários níveis, uma vez que a maioria esmagadora das populações em todos os países vivem de seus salários. Baseados nas mais diversas razões, muitas delas verdadeiras, não aumentam os salários, por exemplo para não re-alimentar a inflação, ou seja o assalariado paga a expansão do dinheiro. E, desse modo, essa contínua subtração de poder aquisitivo tem progredido lenta mas insistente e continuamente, até que chegamos às impossibilidades ora consubstanciadas em realidades muitas, adversas todas elas, resultantes da perda do poder de compra que foi retirando muitas coisas do alcance das pessoas em geral. Desde certos alimentos, em Portugal o fiel amigo passou a ser um ilustre convidado, e as centenas de receitas de bacalhau frequentes diariamente, ou quase, à mesa dos nacionais, foram dilatando os períodos de consumo, acabando por serem guardadas para dias festivos, até, noutro extremo, à possibilidade de aquisição de imóveis em muitos sítios, que deixaram de ser para os bolsos dos nacionais em geral, passando a ser só possíveis a bolsos estrangeiros capazes de responderem aos altos preços que foram sendo sucessivamente praticados. Desse modo o país vem progressivamente trocando de mãos, deixando de ser de uns para ser de outros, sendo os outros aqueles que podem pagar pelo privilégio, seja o de comer bacalhau frequentemente, ou o de morar com vista pro mar, ou mesmo morar em casa própria, ainda que estas sejam em mais de dois terços da banca, mas que pretensamente próprias, possam, com o tempo, formar um pecúlio a deixar aos filhos. Resultando que o progressivo afastamento da sociedade, dos cidadãos, do poder de compra, poderá transformar a frase da última alternativa acima: 'ou mesmo morar em casa própria', noutra frase onde desapareceria o adjetivo.

Por mais que não queiramos, por mais que o processo democrático idealmente deva se refletir em governos voltados para o bem estar, e bem estar é algo sempre ligado ao poder de compra, bons salários se preferirem, por mais que o Estado Social venha a colmatar as carências das populações, tendo vindo mais a se transformar num Estado Assistencial, assistencialista, porém poderia tudo isso deixar de existir, inclusive a ascensão imparável do dinheiro, se dividíssemos o bolo. O bolo é a riqueza produzida num país, que é de todos, e só toca a alguns, poucos, e, por outro lado, se não houvesse Estado Social, ou seja: saúde pública, escolas pública, habitação do Estado, transporte em empresas estatais, etcetera, e houvesse salários que permitissem às pessoas pagar por tudo isso ao preço do mercado, então a equação estaria resolvida. Assim é que devera ser. Mas os sucessivos governos ao longo do tempo, foram pactuando com a concentração de riqueza, e, para diminuir as crateras que se abriram entre as possibilidades das pessoas, e o preço das coisas - voltamos a falar de poder de compra, foram criando o Estado Social, para, desse modo, diminuir o enorme buraco com ação governamental. Todo o bem que advém das pessoas terem poder de compra, o que para a maioria das pessoas significa bons salários - desse modo não sendo mais necessária a interveniência estatal, tão clientelista devemos lembrar, nem mais assistência de nenhuma ordem. Quem tem condições não necessita de ajudas. E faço aqui notar que toda essa perversa situação de inversão do modo de ser, ou que deveria ser, das coisas, não é do sistema, mas resultante do sistema, e é muito mais difícil mudar uma resultante, que uma parte do sistema.

Certa feita, num debate acadêmico, me questionaram sobre as empresas públicas, e eu, socialista que sou, afirmei que o Estado não deveria ter empresas, que, se em determinado tempo essas foram necessárias à ação do Estado, que criou uma determinada empresa para impulsionar, ou mesmo iniciar as actividades em determinado sector, e, logo que, uma vez suprida e atendida a necessidade, essa deveria passar às mãos privadas, e os recursos de sua venda serem empregados noutra empresa para impulsionar outro sector que necessitasse, para logo a seguir também ser privatizada, e assim por diante. Minha resposta, de socialista convicto que sou, assustou muito ao meu interlocutor, levando-o a afirmar, mas os socialistas não pensam assim. Ao que respondi: porque não acreditam na regulação, e preferem que o Estado faça por si mesmo as coisas que apenas deveria regular e fiscalizar seu bom funcionamento. Como assim? Questionou-me. Sabem esses socialistas que a fiscalização e a regulação são corruptas, sabem que as coisas acabam descambando para atender apenas a um lado, e que o Estado não exercendo o controle mister para que o empresário cresça, fique rico, por sua capacidade criativa, e não pela possibilidade que tenha de aumentar preços, por isso preferem que seja o Estado a empreender o negócio, para o poderem controlar diretamente, o que é um engano. Temos que quando a ideologia esbarra na lógica, esta última deve sempre prevalecer. Em países supostamente mais regulados, estabelecem-se, então, os lobbys, uma aberração democrática, também estabelecem-se organismos reguladores que mor das vezes não funcionam, criam-se ministérios para ações sectoriais, que se traduzem em verdadeiras bolsas de negócios, onde os ministros barganham, não o interesse público, o das pessoas, mas os seus, particulares. Suas ambições, sejam políticas, sejam financeiras, são as que prevalecem em detrimento do interesse público. Com salários justos, isso tudo acabaria. Ministérios como o da saúde, da educação, da economia, etcetera, perderiam sua utilidade, sua razão de existir, e apenas haveriam institutos para controlar as regras do Estado e sua aplicação consoante as leis que atenderiam ao interesse geral do país. E não haveria um sector empresarial do Estado. Só isso.

O verdadeiro socialismo é aquele onde as pessoas vêm atendidas suas necessidades, e vêm a riqueza distribuída de modo a que todos desfrutem dela, não é esse assistencialismo que se instalou para mitigar a miséria, que é muita, e que assim é pelos baixos salários. Numa sociedade rica, de altos salários, não há miséria, não há mendigos. Procurem um mendigo em Israel, ou um judeu mendigo em qualquer parte, por exemplo. Os governos criaram essa situação, entraram por este túnel, e não conseguem sair dele, todos os recursos do Estado acabarão por serem empregues no financiamento dos custos do Estado social, fomentando essa mentira que vem rebentando pelas costuras, e dão espaço a grupos contestatários para ascenderem num cenário mal resolvido, propício às reivindicações, onde podem enganar à vontade. Não serão os políticos populistas, ou as atitudes extremistas, ou posições ultras, nem esse pseudo-socialismo, que trarão a solução, ou darão caminho a esses problemas velhos como a Humanidade.

Este processo de inversão de valores da desejável realidade, são quase como a fala de um Trump, ou a de um Bolsonaro, onde reinam as mentiras e as narrativas paralelas, e foi criando distorções que foram justificando as ações governamentais e essas enormes máquinas estatais com elevadíssimo custo ao contribuinte, quando os governos deveriam existir apenas para fiscalizar, estimular o desenvolvimento em sectores onde fossem necessários impulsos, até se estabilizarem como produtivos, e promoverem as leis e a defesa, cuidarem do patrimônio comum, cultural, ambiental e histórico, e pouco mais. Então me perguntaram: Tudo o mais fica em mãos privadas? Sim, fica. Sob controle apertado dos governos, apertado porque a tendência dos homens para o erro e a desonestidade é grande, porque com bons salários, havendo leis e aplicação eficiente delas, pouco mais é necessário. Mas o que temos é o engano, o dinheiro a correr solto, criando miséria generalizada, desgoverno por todo lado, prevaricação em toda parte, peculato do enorme funcionalismo, a busca de vantagens por quem as possa conseguir, e a miséria se espalhando à conta de entendimentos que acreditam não poderem dar o justo às necessidades de cada um, pagando um salário que divida o bolo do país, calculado todos os anos, e de conhecimento geral, é só fazer contas, no país onde se viva e trabalhe, permitindo desse modo, como são as coisas hoje, a manutenção da miséria geral, e que outros se apropriem da paisagem, por terem poder aquisitivo para isso, esse mesmo poder que falta aos nativos. Criando O TEU PAÍS DOS OUTROS.