segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Mundo está prestes a entrar em guerra fria.









A condição da mudança estratégica das relações econômicas, e com elas as políticas e militares, está alterando completamente o legado Gorbachov. A criação do grande bloco da União europeia, mais a dissolução da pequena estabilidade asiática, inclusive fundindo muitos países, bem como ao fundo da Ásia o enorme poder, a todos os níveis, que é a emergência da China como primeira potência, e ainda alguma resistência das três Américas, excetuando-se os Estados Unidos que nunca pagam a fatura, pode-se dizer atualmente que é mesmo relutância das três Américas, em pagar esta enorme conta que se apresentou, e pagá-la com seu empobrecimento outra vez; tem, que pela soma de todos estes desequilíbrios instalados, criado esta distorção na correlação de forças que existia, e que se rompeu sem saber no que se irá transformar.

Ao custo de perder todo seu poder e de ser humilhado por Iéltsin que lhe toma este poder, tendo com sua glasnost e sua perestróica, já lá vão trinta anos, Gorbachov, mudado a face do mundo, uma vez que com sua "reconstrução" econômica da União Soviética, que iria se tornar Rússia novamente, caindo o muro, e alterando a correlação de forças do mundo com aquilo que Churchill habilmente designara por cortina de ferro, alterara as regras da economia mundial introduzindo novos agentes e novas sinergias. Foi exatamente uma alteração econômica que propiciou toda esta reviravolta, e levou a muitas outras, porque sem forte estrutura econômica não se mantêm posições, e é por isto que há guerras, há conflitos, há poder militar, para manter, conquistar ou apoiar um poder econômico operante. Quando este enfraquece ou decai, logo outro toma seu lugar, apoiando-se também numa estrutura militar que o legitime (No caso do Japão as armas eram de outros, mas lá estavam.).

Hoje impossibilitados de fazerem a guerra, os senhores do mundo encaram este inconveniente atômico com a placidez de uma necessidade mal atendida, e confrontados com a mudança praticamente total de suas relações, não conseguem estabelecer novas fórmulas de diálogo, e o diálogo nesta matéria sempre foi estabelecido junto de uma balança, onde são pesadas as capacidades econômicas e bélicas dos dialogantes, à vez, estabelecendo o diálogo do poder. Alterados os intervenientes, mudada a correlação de forças, desconhecidas as pretensões dos novos agentes (O que realmente pretende a China, por exemplo?) retraídos muitos dos poderosos agentes por uma muito má onda econômica (leia-se Europa e Estados Unidos), e encurralados outros por total falta de perspectiva face das alterações, e ainda há outros que anulam suas posições (O que se sabe do que verdadeiramente deseja a Alemanha?) com esta indefinição e confusão, com tudo isto ao mesmo tempo, estabelece-se um novo e grande buraco no diálogo que os intervenientes não sabem como ultrapassar, ou não sabem se devem, ou se é conveniente ultrapassar.

Tudo isto está jogando o mundo numa nova guerra fria! Há que se ter enorme cuidado com esta situação, porque entrar nas guerras, sejam elas quentes ou frias, é muito fácil, difícil é sair delas.

sábado, 27 de dezembro de 2014

O enunciado que faz acontecer.







Há um programa na SIC Notícias chamado Sociedade das Nações, que tinha dois apresentadores e passou a ter um. Um equivocado apresentador que através de sucessivas tolices vai ganhando a sua vida, e também vai trazendo com seu conhecimento e interesse muita informação útil, inclusive a que emerge da fala de seus entrevistados. Tendo melhorado muito a sua postura tola e presunçosa, falta agora melhorar a qualidade da informação que passa, sobretudo aquela que depende exclusivamente de se preparar para fazer uso da palavra. A palavra que é sua arma, a palavra que é  seu veículo, a palavra que é seu bastião.

Num programa em que entrevistava o Prof. Watanabe, discutindo basicamente os dois gigantes orientais, interessante entrevista, termina com a recomendação de uns quantos livros, como habitualmente faz, e para dar uma nota interessante, válida, direi mesmo valiosa, inclui um CD nas recomendações, procurando que este seja relacionado com o assunto tratado no programa. Até aí tudo bem. Porém neste programa por não encontrar CD que se alinhasse, ou que referisse o assunto do programa, inventou.

Escolheu o adorável CD do saxofonista Ernie Watts, que, com Gilberto Gil cantando, o produziu, e entre as músicas que lá se encontram, está uma composição de Gilberto Gil que cresci ouvindo, intitulada Oriente, onde  referindo-se  ao Japão (verbis) : « Considere rapaz a possibilidade de ir pro Japão / Num cargueiro do Lloyd lavando o porão» cuja estrofe inicial é : « Se oriente rapaz pela constelação do Cruzeiro do Sul » enseja que o "rapaz", a quem apela na música, oriente-se, já que  toda a letra pede que o “rapaz” se oriente, que tome rumo, que saiba o que está a fazer, e o que deve fazer. Senti-me bem tentado a dar esta recomendação como título deste texto, mas como não quero dirigir-me diretamente a este apresentador, se não comentar as circunstâncias da ignorância de assuntos de que tratam muitos, que tendo a missão de informar, são rapazes que desorientam-se, escolhi outro título, que vinculado à segunda gafe, tem este caráter mais abrangente.

A palavra oriente que não é empregada absolutamente, aqui na música, portanto seria com minúscula, o que poderia ter causado confusão, mas que é empregada em tempo verbal, como é evidente, então vale dizer que é conjugação do verbo orientar, que, aliás, no Brasil é mais utilizado em sua forma pronominal. Desorientadamente afirma o apresentador sobre Gilberto Gil (verbis): «…que nesta composição fala essencialmente sobre a necessidade de chegar ao Japão. » uma terrível ignorância do que propõe a música, enfatizada pelo ar pomposo, que teima em manter, tendo melhorado nisto conforme afirmei, e pela expressão «essencialmente», uma lástima.

Não satisfeito com tal engano lê o título do CD, afoxé, com uma pronúncia descabida , de quem não conhece mesmo do que fala. E eu acredito que uma pessoa só deva falar do que conhece. Diz afoksé, por afoxé (pronuncia-se afoché) o que evidencia que não fez seu trabalho de casa, passando péssima informação ao público português, que não tem porque conhecer as palavras afro-brasileiras, no entanto um jornalista, que as queira usar, sim, as deve conhecer.

Poderia ter registrado na apresentação do CD, ótima recomendação mesmo não tendo nada a ver com o Oriente, que os afoxés são um ritmo musical, cujo nome deriva de um instrumento de mesmo nome, sendo termo de origem Yorubá, significando depois o candomblé de rua, que é como um bloco carnavalesco que sai, em geral com os membros do terreiro onde se origina, como quer meu amigo o Professor Raul Lody. Poderia ter dito que o primeiro afoxé que saiu no ano de 1885, chamava-se Embaixada de África, seguido pelos Pândegos de África no ano seguinte, tendo começado por Salvador da Bahia  e que tem, desde então, se espalhado por vários locais do Brasil,  sendo o último de que tive notícia, a cidade de Macaé, o T’Ogun laxe (diz-se laché). Deveria ter conhecimento, e poderia dar notícias, dos famosos, e cantados em prosa e verso, Filhos de Gandhy, e Olorum Baba Mi, poderia ter dito muitas coisas, menos afoksé.









sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

54 meses de estupidez, Wikileaks, we cam lead this? How can we deal with?










O mundo está globalizado, sua estupidez também, mas sua justiça não. Deveria existir um Tribunal que estivesse acima dos homens, das corporações, dos governos e das nações. Não falo do tribunal divino, nem de Haia que não tem poder algum, falo de um Tribunal que pudesse impor suas decisões de Justiça a tudo e a todos, um Tribunal a que pudéssemos recorrer mesmo quando o mundo todo estivesse contra nós, e sabermos que ali encontraríamos Justiça afinal.

O Sr. Julian Assange na sequência dos vazamentos (leaks) no seu website aberto (wiki) de informações que desagradaram as mais altas fontes de poder existentes no planeta, por se referirem ao lado negro deste poder, lado este que é mantido oculto, mas que revela, quando entrevisto, quantos abusos pode fazer para manter efetivamente seus interesses operacionais, por deixar vislumbrar um rasgo da face corrupta deste poder que atua acima dos Direitos das pessoas. E a partir daí o Sr. Assange tem sido perseguido por todos os meios e modos, que não encontrando neste âmbito algo que o pudesse atingir diretamente, passou ao campo pessoal, acusando-o de um assalto sexual, fórmula infalível, porque fácil de se assacar e dificílima de se contestar. 

Diferentemente de Cuba o tempo do Sr. Assange é restrito. Cuba pode aguentar um bloqueio que já dura 54 anos, com o Sr. Assange já ultrapassaram os cinquenta e quatro meses, dos quais trinta em reclusão, na pior de todas as prisões, pior, porque numa prisão formal estaria sob o escrutínio das Leis, e nesta não está, numa prisão formal ele teria territorialidade definida, e nesta não tem, e numa prisão formal teria uma sentença decretada e conheceria o tempo de sua condenação, assim é como se estivesse em Guantânamo, como se encontra, e nisto as semelhanças com a questão cubana, por isto referenciada, sua situação de bloqueio não tem prazo para acabar, estando sujeita somente ao escrutínio de seus perseguidores, só terminando a critério destes, ou por terminar seu tempo de existência neste planeta com a sua morte. Nada mais injusto e conveniente, já sabemos para quem a injustiça e para quem a conveniência.

Neste momento em que se apela à paz e à fraternidade entre os homens, e na falta total de haver recurso da condenação existencial em que se encontra o Sr. Assange, resta-nos apelar para a única condição que poderia retirar o Sr. Assange desta situação miserável, sem rei nem roque, vale dizer sem lugar neste mundo, sem critério ou jurisdição, fora da lei, fora da terra, e por tempo indeterminado, apelar à misericórdia, à complacência,  à compaixão dos que possam retirá-lo desta situação inconcebível, porém sabemos quão impiedosos estes senhores podem ser.




em 4/2/16 no face disse:Como publiquei já há muito tempo no blog O Olho do Ogre o texto: 54 meses de estupidez, Wikileaks, - agora volvidos mais um ano e um mês parece haverá novidades pela positiva, mas fica o cerne do que analisava então!


















terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Disse-lhes na cara.








Não era de se esperar outra coisa de Francisco. Não seria ele. Entretanto não é fácil dizer na cara das pessoas coisas desagradáveis, e demarcar comportamentos para que estes se modifiquem. É uma cobrança do Papa a sua gente, e ninguém gosta de ser cobrado, muito menos quando se é um príncipe e se tem este estatuto porque se foi escolhido dentre milhares, e se enfeuda na posição que conquistou e se a quer levar segundo seu modo e sua visão, sem que ninguém meta o bedelho. Cada qual criando seu núcleo, seu feudo, todos indispensáveis a administração da Igreja, e sendo com os que se pode contar, Francisco não tem outros homens, tem estes, pode substituir alguns, mas não pode mudar tudo e todos, tem de mudar as mentalidades. E como fazer isto? Francisco diagnosticou doenças. Quais serão os remédios?

O ambiente ficou pesado, de cortar a faca. Mesmo os que se congratulavam com a análise, que tentaram aplaudir, logo retraíram-se com o peso do sentimento dos demais, devidamente arranhados e incomodados pelo discurso. Uma mensagem de Natal que afirma um modo de estar, que é, como é mesmo natural, devo dizer seria, como seria mesmo natural num ambiente cristão. Um ambiente de alegria, de fraternidade, de camaradagem, de mútua ajuda, de proximidade e atenção, e de profunda paz e contentamento por estarem realizando a obra de Deus na Terra, pode haver maior felicidade? Como não é este o ambiente, Francisco, sem fugir a nenhuma palavra necessária, ainda que incômoda, apontando o caminho, determinando procedimentos e comportamentos sem rodeios, enumera as quinze doenças de que padece a cúria romana (que são muitas dezenas).

Vejam as palavras e julguem o acerto e a coragem delas: Terrorismo da má-língua, presos a burocracia,  ganância, se julgarem essenciais, se considerarem indispensáveis, viverem dependentes de suas paixões, caprichos e obsessões, vítimas do carreirismo e oportunismo, círculo fechado,  vazio espiritual, falta de auto crítica, falta de atualidade, narcisismo patológico, poder, excesso de trabalho, má colaboração, tornarem-se máquinas rotineiras, endurecimento mental e espiritual,  excessiva planificação, esquizofrenia espiritual, martismo, má coordenação, rivalidade, vanglória, formalismo, stress, falta de serenidade, vivacidade e audácia, falso misticismo, falso quietismo, dependência de seus pontos de vista, abandonar o serviço pastoral, cara de enterro, indiferença em relação aos outros, perda de sensibilidade e calor nas relações pessoais, acumulação, círculo fechado, exibicionismo, murmurações, boatos que são uma doença das pessoas covardes que, não tendo a coragem de falar diretamente, falam pelas costas, divinizar os chefes, rigidez, dureza e arrogância, sobretudo aos considerados inferiores, transformar o serviço em poder.


Francisco disse tudo. E porque disse? O que está por trás de tudo isto, que é verdade, e é um mal, e como tal deve ser combatido, porém há um ponto essencial nisto tudo que é o que Francisco tem e quer combater antes de mais nada, talvez mesmo antes que seja tarde, como ele lembra, é que a oposição ás mudanças, direi mesmo ao saneamento, que promove na cúria, encontrou uma oposição muda,silenciosa mas eficaz, que finge concordar e não faz mudança alguma. E Francisco quer as mudanças e vai fazê-las, e fazê-las já. E com estas palavras, com esta mensagem fica o aviso: Tudo isto é uma doença, estou procurando tratá-las com os remédios necessários, se eles não surtirem efeito, o passo seguinte, clinicamente recomendado, é a cirurgia. E Francisco deixa claro que não terá nenhuma dúvida em fazê-la. 

Os senhores todo poderosos do Vaticano, os homens da lavagem de dinheiro, do desvio de verbas, do enriquecimento ilícito, da contravenção, da pedofilia, do homossexualismo, da corrupção, do favorecimento, do luxo, da riqueza, da vida faustosa, do encobrimento, foram todos confrontados. Francisco disse-lhes  na cara que não mais vai tolerar estas práticas, e que elas são doenças, e que como tal têm de ser tratadas, e que ele vai proceder a administração do remédio, já que eles não aceitam tomar o remédio por si mesmos, que foi a primeira fase, e que esta acabou, tendo iniciado a segunda e anunciado a terceira, a cirurgia, que não teme utilizar.

Atendendo mesmo a um pedido seu, consciente dos riscos que corre: Oremos por Francisco!







segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

FAZEDORES DE OPINIÃO








A expressão é inglesa - opinion makers - e é utilizada para designar aqueles que influenciam as opiniões de outros com as opiniões que expressam. Está dicionarizada e está direcionada à designar todos aqueles que de qualquer forma opinem, analisando qualquer assunto de seu ponto de vista. Uns quantos dicionários incluem os jornalistas nesta categoria, o que nos leva a colocar duas questões: 1ª Quando é que os jornalistas fazem opinião? e a 2ª Como fazem? É evidente que quando analisam para seus leitores ou ouvintes um determinado assunto estão a fazer opinião, porém quando reportam a notícia, um determinado fato que ocorreu, estarão eles a fazer opinião? Esta situação nos leva à segunda questão: o como. Mesmo quando só noticiam algum fato, têm de descrevê-lo, e a forma como relatam o ocorrido, o ângulo segundo o qual redigem o relato da notícia, já é tomar partido, já é assumir uma posição, e posição é opinião, mas como poderá alguém descrever o que quer que seja se não for sob a sua ótica, como poderá alguém dizer o que se passou se não for segundo o que viu, ou seja logicamente segundo seu entendimento, logo, está visto, que é quase humanamente impossível não expressar opinião de alguma forma, e, consequentemente, influenciar, fazer, a opinião dos outros. 

Esta situação indissociável da condição de relatar, de descrever, seja o que for, é uma condição humana, que muitas vezes é esquecida pelo leitor, ouvinte, telespectador, quando recebe uma notícia, imaginando que os fatos relatados estarão, segundo seu critério, e apenas segundo ele, sujeitos a uma interpretação. Não é  verdade! Um dos relatos difíceis de fazer e que é recorrente na vida humana, é o informar a alguém que um ente querido daquela pessoa morreu. Como isto ocorre muitas vezes, nas mais diversas circunstâncias (acidentes, vítimas de guerras, vítimas de violência urbana de todas as ordens, um paciente que não resistiu a uma operação, etc...) sempre há alguém com a incômoda tarefa de 'dar a notícia' a outrem numa ocasião que se ofereça, e, nesta, a regra é amenizar o  relato no sentido de diminuir o impacto da informação dolorosa que lhes cumpre passar. Uso este exemplo para que tenhamos nítida ideia de que há toda uma arquitetura na forma, que dizendo o mesmo, dando a mesma notícia, altera significativamente a notícia, ou o impacto que esta tem, teve ou terá.

O espaço mediático está cheio de 'opinion makers' para todos os gostos, inclusive este que você está lendo que com um área de atuação menor do que os opinantes de uma televisão por exemplo, terá uma forma muito mais livre, um descompromisso com diversos fatores, um destemor bem maior, que os que dirigem-se a um público mais extenso e determinado. Só o fato de o meio de difusão da opinião ser a palavra escrita, já liberta o opinante para expressar-se, como descaracteriza o público alvo, porque ninguém sabe quem vai lê-lo, e esta situação exponencia -se  num blog, posto que não se tem a mínima ideia de quem nos irá ler. Maior ainda são as restrições daqueles que o fazendo exposta e publicamente, estão sujeitos, por mais que reafirmem independência, às pressões incontornáveis dos diversos agentes a quem essa crítica desfavorece, incomoda ou desalenta de qualquer forma. E sabedores que assim é, todos sem exceção, tentam afirmar uma independência que não têm. Por conta do seu carisma, empatia, da forma, das informações de que dispõe, da identidade ideológica e até da qualidade da sua análise, cada um escolhe seu 'opinion maker', transformando-o no 'magister dixit'  de suas vidas.

O esforço mister a interpretar uma informação, e até mesmo a necessidade de uma segunda opinião para que confrontemos a nossa, para fortificá-la, ou questioná-la, a reafirmando ou a reformulando, é um ato de desbravamento exigente, que exige energias que ficam em muito facilitadas em atuar quando colocadas já sobre uma análise prévia, e encontram perfeita solução quando esta análise coincide com a nossa, evitando-nos qualquer esforço extra, todos sabemos o poder da inércia. Com estas condicionantes que aqui expus existem, no quadro de todos os países, pessoas que, por força das suas análises, influenciam enormemente o cenário nestes países.

O busílis será sempre saber com que grau de independência manifestar-se-ão estas pessoas, ou seja até que ponto elas não existem mesmo para conformar opiniões favoráveis e desfavoráveis, à vez, que sirvam a interesses que os sustentam ou os utilizam, eventualmente os financiam ou os favorecem, ou até mesmo lhes dão emprego para esta finalidade específica. Alguns lembram um pouco aqueles que têm de dar a notícia de morte, e para o feito escolhem tanto as palavras, que antes que dêem-na, ela já está dada. É curioso notar que esta dependência pode ser apenas de cariz ideológico, apresentando uma distorção na análise a conta da postura de alinhamento de ideias do opinante, corrompendo sua opinião, envenenando sua isenção, não por conta de qualquer influência de interesses escusos a qualquer nível, ou por haver uma ação política intencional com a finalidade de influenciar mesmo, o que não será digno por princípio, mas que contém um caráter ideológico, logo político, indissociável por conta de ser como é o opinante, não conseguindo estabelecer uma distância que transforme em neutral sua análise, e até sendo essa bem aceita por todos por saberem que é assim, que é uma análise comprometida, e que estabelece, quando há outra no extremo oposto, o contraditório, esta fórmula preciosa da visão de um determinado assunto, tão cara à Justiça, e tão interessante para se poder formar opinião sobre assuntos complexos, fazendo-nos aperceber das opiniões dos dois lados.

Por último lembrar que o acesso a este contraditório é um Direito de todas as pessoas que se vejam envolvidas em situações em que as opiniões que se façam sobre a matéria que as envolve, possam comprometer suas vidas, suas posições na sociedade em qualquer momento e sob qualquer circunstância, possam comprometer seu bom nome, sua credibilidade, sua forma de estar, limitando de que maneira for seu Direito a ser compreendido. Para o bem e para o mal este Direito deve ser preservado, posto que para o bom e para o mau se houver exposição ampla, geral e irrestrita das posições, num e noutro sentido, por mais opostas que possam ser, o Direito a um julgamento justo estará assegurado, cabendo a cada um fazê-lo em consciência, e, deste, ao ser maioritário em um determinado sentido, daí advirá a opinião pública, que não pode, de modo algum, estar condicionada em razão da opinião publicada ser seletiva em que sentido for. Quando não é assim podemos afirmar que quem esteja sujeito a uma parcialidade de opiniões selecionadas, estará sofrendo enorme constrangimento em seus Direitos fundamentais.

Por isto toda a vez que há uma opinião sem uma análise equidistante dos fatos, suscetível de gerar distorções na análise, e, convenhamos, o que nos motiva escrever é exatamente a emoção que sentimos por causa de qualquer informação que nos chegue, e que esteja prenhe de injustiça ou de razão, nos levando imediatamente a tomar partido, e com isto pegar da pena, por tanto a isenção é uma quimera, mas deve ser uma quimera razoável, pondo quem escreve a uma distância suficiente para ter lucidez ao comentar, e poder ser credível estabelecendo uma justificada lógica em sua análise, percebendo que em todas as coisas há dois lados, já que vivemos num mudo tridimensional, o mínimo que se espera é a visão de dois lados opostos, evidentemente sem a exclusão, mesmo que parcial, de nenhum deles, o que nem sempre acontece, para permitir que estes dois lados contraditórios possam coexistir na análise, isto para que esta seja minimamente digna de credibilidade.












quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

54 anos de estupidez, e ainda não acabou.









Obama que é a maior desilusão, para usar uma expressão, porque iludir-me, eu nunca iludi-me, até não pelo homem em si que até parece bem intencionado, mas pela cadeira, sim, a cadeira em que ele se senta dá muito pouca margem de manobra, por isto eu penso que os meandros do poder não se incomodam mesmo com quem vá sentar-se nela, seja branco, preto ou mulato, só não seja um puro como o Carter*, que isto sempre acaba mal, porque alguém com intenções e posições muito fortes é sempre inconveniente, já que quando há vontade... e o Sr.Obama tem tido pouca, muito pouca vontade como se pode comprovar, mas agora terá tido uma, ou o 'establishment' acabou por se convencer que o cerco a Cuba é inútil?

Não importando a resposta à pergunta que tem difíceis contornos a esclarecer, sempre fica bem para o historial da presidência norte americana que o primeiro presidente afro, ainda mais um sujeito laureado com um prêmio Nobel "de expectativas", satisfaça alguma delas.

Independentemente das circunstâncias, das possibilidades, e das intenções, fica o que está feito: Os Estados Unidos da América reataram relações diplomáticas com Cuba, ainda terá de haver a troca de embaixadores, e a formalização de uma relação que deixou de existir até os cumprimentos pessoais trocados entre Obama e Raul Castro nos funerais de Mandela, aquilo era a formalização de relações, falaram-se! Porém este começo agora irá se consubstanciar em algo muito mais importante, o fim do embargo, já que não havendo mais a oposição norte americana, irá aliviar-se a pressão com que Cuba vive há mais de  meio século.

Espero que este seja um ato de sincera abertura, sem que se espere nada em contrapartida. A mão invisível de Francisco que operou reforça esta esperança, mas com os norte-americanos nunca se sabe.

Comemorar-se-ão, ou melhor deplorar-se-ão, lastimar-se-ão em Janeiro do próximo ano, cinquenta e quatro anos que esta estupidez começou, e, como todas as coisas estúpidas são muito fáceis de serem deflagradas e muito difíceis de serem eliminadas, esta demorou a bagatela de cinco décadas à mais do que seria normal demorar para terminar, e ainda não acabou.

A lição que fica de tudo isto é que não se deve começar nada que seja confrangedor a quem quer que seja, porque aquilo que humilha o próximo nos humilha mais a nós mesmos, nos obrigando para manter a face, a manter a situação, para parecer sempre que afinal tínhamos razão, e o intervalo de tempo mister para esta sensação se dissipar é de tal forma longo e miserável, que não vale a pena. 


* O Sr. Carter, apesar de tudo que foi, não teve coragem de num primeiro mandato restabelecer relações com Cuba, reservou-se para o segundo, que não chegou a ter.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A deputada Catarina Soares Martins.








                                                                               É necessário que hajam obstinados,
                                                                               é necessário que hajam combatentes; mas
                                                                               são indispensáveis os que não nos deixam esquecer.



                                                                          "... antes a raiz das coisas que a aparência das coisas."
                                                                                                             Raul Brandão, El-Rei Junot.


A pequenina Catarina Martins, a gigante Catarina Martins...  Muitos dizem que ela representa um papel, boa atriz é ela. ........ Mas eu sinceramente acredito que sua obstinação é por ter profunda ideologia, e que sua emoção é sincera. 

Houve um episódio na Câmara do deputados no Brasil, em que um deputado combativo que fizera fama entre a população, sendo um implacável debatedor, destroçando seus opositores  com sua verve muito vivaz, com sua fluência muito intensa, com sua lógica de difícil contraposição, chamava-se Carlos Lacerda, de impressionante memória este episódio que, certa feita, tendo, Carlos Lacerda, entalado um determinado deputado quanto a uma matéria, na qual quando não lhe deixando espaço para contestação, o tal deputado, num momento de desespero, nada mais tendo a dizer, acusa Carlos Lacerda, dizendo ser ele o purgante nacional, motivando uma prontidão de resposta avassaladora, que ficou para a história, ao ser contestado: "E Vossa Excelência é o efeito!"

Sempre tive gosto nos debates parlamentares que pugnam por idéias e que evidenciam uma capacidade oratória forte, uma firmeza de convicção, uma desabrida postulação de ideais, uma desassombrada qualidade em contestar, assim, por isto, costumo acompanhar os debates na Assembléia da República Portuguesa, onde o combate de ideias é forte, pelas posições ideológicas vincadas dos debateedores. Mesmo que saibamos que depois hajam entendimentos tão afastados destas posições, que até parecem sobre outra coisa. 

A deputada do Bloco de esquerda, líder deste Bloco, ainda que lhe queiram negar esta liderança e lhe imputar outra condição que não é a sua, a atriz Catarina Martins, dona de uma técnica oratória exemplar, e de uma capacidade de gestão, na formulação de ideias, que lhe permite uma clareza quase literária, é, certamente, incômoda aos demais deputados e debatedores que por lá passam, naquela assembleia, pelo fato de não se encontrarem a altura para contestá-la, para debaterem com ela, para enfrentarem tamanha obstinação.

Pode-se dizer dela, como foi dito de Carlos Lacerda, que é o purgante nacional, neste caso purgante português; arranhando quer pelo seu timbre e insistência,  que têm o dom de irritar-me, não devo negar, e entretanto também que às vezes não posso nem vê-la pela insistência, assim é, é que não gosto muito de purgantes, como possam imaginar.

A deputada pela força, às vezes extrema, extremada sempre, de suas postulações, irrita sem dúvida, impõe-se pela incomodidade que provoca, e sabe disto, e nada faz para angariar simpatia alguma,  levando a que seja, entre todos os deputados e deputadas, a com maior rejeição popular, algo como menos nove por cento, olhem que é obra,.

Porém isto tudo posto, devo  também confessar com a mesma franqueza que confessei as indisposições e incomodidades que me causa a Sra. deputada, que desejo vê-la reeleita, e o desejo exatamente por essas capacidades que salientei, que me incomodam, mas que são importantes. Se, por acaso, faltar na Assembleia da República Portuguesa a deputada Catarina Martins, será grande perda, porque perde-se o contraponto. Pontos há muitos, todos prontos a contemporizar, porém alguém que exacerbe as suas posições a extremos tão afastasdos, não da realidade, mas do consenso, que talvez, por isto mesmo, seja o extremo do senso, da pureza original das ideias, da posição radical do entendimento das razões, consequentemente da oposição radical a qualquer entendimento fácil ou banal, e radical, quer aqui dizer aquilo que se apanha pela raiz,  não se ficando pela rama, pela superfície, mas indo-se ao âmago das coisas, ao fundo, à raiz de sua formação, deputados assim há poucos, ou talvez só haja a deputada Catarina Martins, nosso contraponto, nossa conexão profunda com a essência dos temas, essência tantas vezes condicionada, tantas vezes AFASTADA PARA QUE HAJAM ENTENDIMENTOS, é bom, e é até mesmo necessário que haja um contraponto para que o entendimento se faça, mas se faça ainda sob a sombra do que ocasionou a polarização.

Fica ainda essa quadra:
                                        É a vez de Catarina
                                        É a voz da mulher
                                        O Bloco desbloqueou-se
                                        Diga lá o que quiser. . .



domingo, 7 de dezembro de 2014

Parabéns!






Parabéns Dr. Mário Alberto Nobre Lopes Soares -. 7 / 12 / 1924  -  7 / 12 /2014  -  nos seus 90 anos!










Neguem-lhe tudo, menos coragem e carisma, sempre em cena, o eterno Dr. Mário Soares.

O grande "impasto".






Este termo do universo das Belas Artes, que designa uma técnica de pintura que promove a homogeneização de todo o quadro, e onde não se pode perceber os detalhes, tornando tudo igual, sempre com a intenção futura de destacar as diferenças, de dar-lhes luz e escuridão, e tudo o que há pelo meio, sempre na promessa de esbater a cena esborratada, para clarificar a igualdade reinante.

A ultraliberalidade emersa com as forças do  mercado, às quais se foram fazendo concessões sucessivas, pode entretanto se alastrar e infiltrar-se em todos os aspectos da vida civil, de tal ordem que acabou por esborratar toda a imagem, empastando diferenças que, pela força desta presença dominadora, perderam toda e qualquer expressão, transformando a cena  numa coisa homogênea e indefinida, em que ninguém mais sabe o que é o que, e quem é quem, salvo os destaques visíveis pela força do dinheiro, que é a única que o ultraliberalismo reconhece.

Neste quadro sem vida, confuso, sem definição de linhas e contornos, onde toda a massa cromática se confunde, restaram, para continuar um arremedo de política, zonas cromáticas com alguma distinção, não muito demarcadas, que isto não serve, algumas distinções ligeiras sim, mas todas sujeitas ao comando forte e pleno da força unificadora e mentora do grande "impasto" em que nos encontramos.

Esta ação que é política, porque tudo que se manifesta, em qualquer plano que seja, traz consigo uma realidade política, realidade que se manifesta em uma ação, que, por  sua natureza e definição, também é política, pois esta ação política, repito, fez-se geratriz de tudo o mais que existe presentemente no mundo, do teu sorriso ou choro, até se os aviões terem cem ou mil lugares, colocando na dependência do primado de sua ação, e de seus interesses e vontades, tudo o mais, distorcendo de tal forma a realidade, que perco a capacidade de avaliar no que vai terminar tudo isto.

E a prática ultraliberal postulou equívocos e meias verdades,  transformou os poderes que existiam em apêndices para limpar as sujeiras que as suas crises de autofagia e sua marcha de aniquilação costumam deixar pelo caminho, prejudicando todos, e, para que ela possa continuar sua caminhada triunfal, tem de haver alguém que lhes limpe o caminho, retire a caca dos cavalos do cortejo e os corpos dos que vão tombando face da sua ação devastadora, e que são muito numerosos, e requerem que alguém cumpra esta tarefa higiênica. Os governos aceitaram de bom grado este papel de lixeiros e cangalheiros deste sistema que domina o mundo, agindo de per si como a face opressora do verdadeiro opressor que comanda o mundo, pondo a seu serviço entidades que deviam existir com a finalidade primeira de nos defender da sanha destes interesses avassaladores.

Em sua prática utilizam-se de muitos artifícios, os mais diversos, para iludir e poder continuar sua ação, forçando a todos aqueles que têm de lidar com as suas atuações nos diferentes âmbitos da vida, desta forma aniquilando qualquer oposição, cooptando, destruindo, desmoralizando, enganando, iludindo. Vejamos como exemplo máximo, uma prática que se transformou em usual, e que é uma demonstração das atitudes que se generalizaram, para não antagonizarem diretamente os polos de negociação, e para iludir os proprietários, quase sempre acionistas de empresas, o que dissolve a oposição que se lhes poderiam fazer, para, como se faz com as crianças, mostrarem um doce que lhes irá ser dado depois, se elas se portarem bem, e que o critério discricionário de o fazer é sempre  destes que estabeleceram, a pouco e pouco, este sistema que se tornou universal, o liberalismo econômico,  pois o exemplo máximo da desfaçatez negocial do ultra-liberalismo, são as contrapartidas. Hoje vemos em quase todas as negociações, para não dizer em todas, a introdução de contrapartidas, que justificam acentuada diminuição do preço, posto que existem muitas coisas que se irão fazer, que, como têm custo, justificam uma redução do preço transacionado, porque.... Ora bem sabemos que estas ditas contrapartidas que inicialmente estavam nos cadernos de encargos, eram cumpridas a trouxe-moche, quando eram cumpridas, e, na mor das vezes, eram esquecidas, e descumpridas simplesmente. Depois evoluíram para serem cláusulas não contratuais para poderem ser mais facilmente descumpridas, sem depois terem de gastar dinheiro com advogados. É como se vocês comprassem um apartamento com vaga de garagem, mas esta não constasse da escritura. Sabem o que lhes iria acontecer quando fossem estacionar o veículo?

O grande "impasto", o empastamento geral, o empastado total, transformou a tudo e todos em sombras pervagantes, poderá decerto haver vozes discordantes que se façam ouvir, mas elas só servem para reafirmar a situação, criando arremedo de democracia institucional e de Estado de Direito, posto que estes só existem de fato quando há a mais profunda das justiças, que é a Democracia Econômica. Como está, somos todos escravozinhos de senhores invisíveis, que, escudados nesta invisibilidade, vão perpetuando a manifestação de seu poder real, escondidos sob as máscaras que estes poderes fantoches envergam, e lhes servem de anteparo. 





quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O BCE é o único culpado.









Paz Ferreira* tem deixado muito claro qual é o resultado da sua análise: " as políticas que se têm aproveitado da crise económica para imporem uma crise social estão a comprometer a viabilidade do país, a destruir o ideal de Europa e a contaminar o mundo em volta."

*O Professor Paz Ferreira ensina Finanças Públicas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O prof..Paz Ferreira sabe bem do que fala...
     
                      * Ler mais: http://expresso.sapo.pt/do-optimismo-ignorante-ao-realismo-esperancoso=f891895#ixzz3F1MWhICI

Eu não quero pagar, afirma Thiago Betencour na sua deliciosa canção, e nós que pensávamos  que as cantigas de protesto haviam passado de moda, não as imaginávamos tão atuais.

Não o prazer, não a glória, não o poder, a liberdade, unicamente a liberdade, foi o que me guiou toda vida para chegar aqui, e ver subtraído meu futuro como o de muitos, quase todos, pela ganância de alguns e pela tolerância de outros, ritmados pela fraqueza das instituições, e só tem liberdade quem dispõe dos meios para ser livre. Não poder se deslocar a muita distância, não poder comer o que deseja, não poder ir ver a peça, a exposição, ou ouvir a música que se deseja, e que se podia, porque se foi amputado dos meios para isto pelos erros dos outros, cantemos todos como o Thiago: Eu não quero pagar, eu quero ser livre desta conta que não é minha, por isto sempre busquei a liberdade como único bem tangível numa existência remediada, o único que valia a pena ter, pois tudo o mais se remediava, tudo o mais se obtinha como fruto do trabalho, e sempre soube que a liberdade passava pela estabilidade de possuir recursos que me dessem esta liberdade :de ir e vir, de me alimentar da forma que me apetece, de me vestir, de dar boa escola a meus filhos, de sonhar com os que ouviam a música que se ouve junto com quem a canta. Liberdades que me foram roubadas à conta de uma má gestão dos recursos de todos. E de quem é a culpa? Minha não é de certeza!

As políticas econômicas para terem substância, e alcançarem seus propósitos, atingirem seus objetivos, exigem mais que qualquer outra coisa, dentro de parâmetros, continuidade. Não se pode dizer num dado momento : Vamos todos, para a esquerda, e logo à seguir, é para a direita, ou vamos todos em frente. Esta incerteza, esta falta de políticas continuadas, e a falta de solidariedade com aqueles que tendo seguido suas políticas, se afundaram com elas, esgotando os recursos na sua execução, que não atingido os fins, foram logo alteradas, não se provendo os recursos, como fez os USA, para que elas fossem mais longe na primeira direção indicada, que perseguissem até o fim o caminho que se havia proposto primeiramente como solução. É bem verdade que é preciso coragem para perseguir, neste caso, a via de injeção de dinheiro na economia, como fez os USA que torraram milhares e milhares de milhões até aplacarem a sanha devoradora dos mercado, sanha bem funesta é verdade, implacável e gananciosa, que nunca devera ter sido aplacada a poder de injeção de dinheiro, mas, que uma vez escolhido este caminho, deve-se perseguí-lo até o fim, caminho que, em Portugal, começa com os muitos bilhões gastos no BPN, e, que tendo esgotado as reservas do governo, foi de desastre em desastre até jogar o país na bancarrota, por orientação do Banco Central Europeu de que se devia ir neste caminho, depois nada fazendo para cobrir a retaguarda dos envolvidos, levando aos mais fracos à implosão.

Agora, que já haverá se dado conta dos estragos que provocou, e na situação de escombros em que colocou muitos países, resgatados ou não, agora que sabe que a retomada do desenvolvimento econômico é a única saída para repor a Europa no caminho da prosperidade, sem que devam passar décadas até que este caminho possa ser retomado, e que espero tenham se tenham conscientizado daquilo que todos sabemos, que sem trabalho não há pão, e que para promover a retomada do crescimento econômico custa dinheiro, dinheiro que tão avidamente têm sabido guardar, e que esta solução é a única para tentar equilibrar as diferenças acentuadas dentro da Europa, que a faz mover-se a duas velocidades, uma a velocidade daqueles para quem a moeda forte é um fator de prosperidade, permitindo acumular, os que, com esta riqueza, mesmo que deem, como têm dado, descontos em seus bens de exportação, e ainda assim fazem bom negócio, porque garantem riqueza e prosperidade interna, mantendo postos de trabalho com excelentes salários, e vão acumulando prosperidade e recursos com isto; outra Europa com a velocidade daqueles que a moeda forte torna não competitiva, porque competem com produtos cujas margens não permitem descontos, porque sua única condição, para os tornar competitivos, é a baixa de salários, porém estes situam-se já numa faixa que, baixá-los, é levar a miséria a quem os recebe, assim configurando-se um beco sem saída, ou a saída é uma mudança de políticas, BCE incluído.

Daquilo que se passou fica a lição que a quem dá uma orientação incumbe a obrigação de sustentá-la, não, certamente, com resgates que levem à falência os resgatados, mas sobretudo com a sua participação até o final do processo, e não retirando-se a meio, quando aperceberam-se da magnitude do rombo que este irá causar. Ficam os escombros. Fica a necessidade de sustentabilidade nas políticas econômicas, e fica a culpa disto tudo, que nos diz, para além de qualquer dúvida, a afirmação título deste artigo, que para além da crise em si mesma, que é filha da ganância e da desregulamentação, o BCE é o único culpado.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

... E se a moda pega???





Que estamos a viver dias muitos inesperados neste pequeno país chamado Portugal, já ninguém no mundo tem dúvidas, as dúvidas que certamente perduram são as que existem sobre o que realmente está por detrás de tudo isto. É claro que todas as pessoas nem acreditam no que se está a passar, e não têm a menor ideia de como vai acabar tudo isto. No Brasil se diz quando as coisas ao fim não dão em nada, que tudo acabou em pizza. Bem, se isto não terminar tudo em pizza, e houver, como todos esperamos, inequívoca aplicação da justiça, vendo seus indícios justificados, porque quando se tomam medidas, que mais do que os efeitos jurídicos e jurisdicionais, causam, efeitos políticos, e mais que estes causam efeitos de dano irreparável  ao bom nome e a reputação do indiciado, espera-se que se saiba bem o que se está fazendo em face de todas as implicações daí  advindas.

Independentemente da culpabilidade ou não de qualquer pessoa, de sua  presunção de inocência até que esta decai com a acusação, que o presume culpado, e depois com a condenação, que o afirma culpado, além do Direito da investigação ser feita  sem qualquer tipo de interferência, além da situação de que sempre o segredo de justiça protege o indiciado, quando é praticado e respeitado , evidentemente, coisa rara, infelizmente, e protege-o mantendo o indiciado afastado do julgamento público, porque, se não houver elementos para a acusação, nenhuma das presunções que formavam os indícios, depois não comprovadas, poderão ser assacadas contra o bom nome dos indiciados, independentemente disto tudo, ninguém deveria ser preso para investigação em meu entendimento, porque esta pessoa ficará marcada para o resto de sua vida desnecessariamente, se inocente, ainda mais quando muitas destas premissas não são respeitadas.

E em não sendo respeitadas, como reiteradamente tem ocorrido, causam dano irreparável a honorabilidade de cada um envolvido nesta vergonha. A justiça, aquela entidade teórica, que é cega para não ver diferenças entre ninguém, devia perceber que para além de sua cegueira, está a natureza humana, que com olhos bem vivos, e bem abertos controla cada movimento, cada oscilação, cada alteração da paisagem social e humana, emitindo julgamentos e fazendo avaliações que são muito custosas de se alterarem, assim sendo deveria para além de sua cegueira, e no interesse de seu bom nome, um nome que a demonstrasse eficiente, prudente, eficaz, ponderada, previdente, e, sobretudo justa, e, mais ainda, que não permitiria a injustiça de julgamentos em praça pública e não permitiria revelar detalhes que criminalizam pessoas, antes de que estes detalhes estivessem devidamente comprovados, para que estas pessoas não fossem enxovalhadas e, ela própria, a Justiça, desacreditada.

Porém, como sabemos, a Justiça real, é feita por Homens, e os Homens são falíveis, por isto a Justiça atribui-se, vários graus de jurisprudência, e recursais, para que ela mesma possa corrigir seus erros, tentando evitar, destarte, que as consequências destes causem danos irreparáveis aos a ela submetidos, que somos todos nós, coisa que nem sempre consegue, mas assim é a natureza humana, nada se podendo fazer. O que se pode fazer é evitar que estes erros injustificáveis se alastrem  em pessoas que sendo iguais, são diferentes, pela sanha da mediatização a que estão sujeitas.

Assim nos recentes casos onde há indícios de corrupção, como se sabe pelas acusações indicatórias alegadas, e não digo alegações indicatórias propositadamente, visto que face ao mediatismo no qual incorrem nestes casos, as simples alegações indicatórias já são uma acusação como se sabe, entretanto, se não se verificarem  matéria para uma efetiva acusação processual, com tudo que já foi revelado, a pecha não largará mais o indiciado, condenado que está na opinião pública. Coisa estranha por tantas frivolidades que têm acompanhado as diversas imputações que têm vindo a público, que uma imensa quantidade de roupa suja que não poderia ter sido consentido lavar-se em praça pública,  acabasse sendo. Fatal como a morte: UMA VEZ FEITO O MAL, NÃO HÁ REPARAÇÃO POSSÍVEL!

Por outro lado, entendendo ser bem possível que muitos dos acusados nos diversos casos ultimamente em inquérito, terão rastros que justifiquem todas as medidas prolatadas, uma vez que com muito do segredo bancário podendo ser mais facilmente conhecido pelos meios investigatórios, sobretudo na Suíça, que flexibilizou seu empedernido segredo bancário, seja admissível que muita coisa esteja agora acessível, podendo a justiça mostrar uma eficiência inaudita. O que não pode mostrar é sua face mais perversa de permitir que elementos da investigação venham a lume, antes de que, com as investigações conclusas, estes elementos sejam absolutas provas acusatórias, fazendo parecer até que a Justiça possa ter algum interesse nesta fuga de informações, até que, para quanto mais não seja, servir ao progresso da própria investigação.

Na verdade o fator inusitado que agora se verifica, de reunirem-se provas contra os elementos mais poderosos da sociedade, em diversos planos e setores, o que diferencia as antigas investigações das atuais, pode levar a que muitos mais casos venham a se verificar, passando a ser necessários, não um, um e meio Juízes de instrução criminal, mas dúzias deles, não meia dúzia de Juízes e Procuradores especializados, mas centenas deles, não de dezenas de celas e de pulseiras eletrônicas, mas milhares delas, criando um aumento considerável do Sistema Judicial, e dos meios necessários à consecução de seu bom, regular, e eficiente funcionamento, permitindo desvendar uma muito antiga e intrincada teia de cumplicidades, que todos queremos ver revelada, será caso para dizer... E se a moda pega?



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dia internacional do homem.



                                                               





                                                                                       19/11/1999-19/11/2014 - nos 15 anos deste dia.


No Brasil é uma invenção da Ordem dos escritores.




O dia internacional do homem que se comemora no Brasil desde 19 de Novembro de 1999, é uma ideia esdruxula . Esta iniciativa extemporânea da Ordem dos escritores é no entanto anterior, datando de 1992 quando em Trinidad Tobago propuseram esta ideia em 1999, ela já existia no Brasil, mas tanto cá como lá é uma rematada tolice, o das mulheres ainda aceito face do longo historial de exclusão que elas carregam, mas os homens? Tenham lá a santa paciencia! 

4 min · Gosto Aproveito para lembrar à professoras que Marte é o deus da guerra, talvez ser masculino seja, como tem sido, matar, oprimir, digladiarem-se. Por isto, e bem por isto, é que esta ideia é tola. Leia no meu blog O Olho do Ogre dois artigos: Genericídio e Mulher sempre a vítima preferencial. Atentamente, H.
Publicado no 'facebook'  em 19/11/2014. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O Nobel das crianças.





                                                                                                                          Um livro e uma caneta...
                                                                                                                                        e uma vontade.


Depois de ter ano passado apostado na interdição das armas químicas, este ano o Comité Norueguês veio apostar no Direito das Crianças, estas indefesas criaturas que são tantas vezes, abusadas, exploradas, escravizadas e excluídas, que têm surgido na atenção mediática deste terceiro milênio pelas piores razões.


Malala uma criança que pagou o preço da exclusão e soube pela força das suas palavras fazer-se incluir ao mais alto nível. Malala que ao saber falar, prova a força das suas ideias e prova que a caneta é mais poderosa que a espada, confirmando o velho aforismo. Malala que por ter o pai que tem, saiu inteira de um  episódio que costuma amputar a alma, quando não retira a vida de quem é exposto a ele. A força moral hoje no Paquistão conquistou um aliado fantasma poderosíssimo: A força de uma vontade, uma vontade que não se cala.

Kailash que na mesma ideia de que criança deve estudar, opondo-se ao trabalho infantil, tem denunciado esta exploração por todo o mundo, tendo retirado milhares de crianças desta triste condição. Com o seu BBA,  o movimento de salvação das crianças por ele criado, começou uma luta árdua e difícil, que requer uma paciência imensa, e uma persistência ainda maior. Também amanhã terá ainda mais autoridade moral para este rude combate. 

No Nobel que pela primeira vez foi atribuído a uma criança, o comité reúne também, pela força do destino, dois países que já foram um, e que a incompreensão separou, ritualizando assim inesperadamente a voz de mais de um quinto da população do planeta ali reunidos, representados por uma menina e um sexagenário. É um pouco como se Gandhi revivesse nessas duas almas.


Este Nobel da Paz de 2014 que para sempre ficará recordado como o Nobel das  crianças, estas mesmas crianças que o Papa Francisco chamava ontem a si no mais puro critério cristão, estas mesmas de todo o mundo, como o líder dos guarda-chuvas de Hong Kong, Joshua Wong, da mesma idade que Malala, traz-me uma inquietação e uma esperança, que em sendo dois sentimentos opostos, neste caso são um, e uma mesma coisa : A inquietação de ver que quase sem mais remédio, este Direito tão menosprezado tenha de ser ainda clamado e reclamado, até pelo próprio agente passivo de sua violação. E a esperança é ver que, mesmo na condição de excluídas, as vozes que não se calam vão vendo seus Direitos reconhecidos e afirmados contra a sanha da estupidez dos que as querem suprimir.


É com Democracia que se alimentam os filhos, mais do que com pão.






                                                                                                                           Democracia / Dinheiro


Ouvi a declaração esta semana repetida várias vezes de que NÃO É A DEMOCRACIA QUE ALIMENTA OS FILHOS, dita de maneiras diversas, mas todas querendo expressar a mesma ideia. Regimes como o da Coreia do Norte, da China, de Uganda, da Síria, do Estado Islâmico, do Zinbabwe, é muito longa a lista, é que pensam desta maneira para justificar seus atos e declaram-no; outros como Angola ou Iraque, ou Rússia preferem fingir à democracia. 

Tendo absoluta consciência de que este regime depende, como quase tudo neste planeta, de que não hajam os que se impõem pela força do dinheiro contra os que, necessitados, deixam-se dominar, ou como queria Rousseau, tendo visto com perfeição como é que o regime funcionava e funcionaria, já que Rousseau quase teve uma premunição da história que vem desde aquela segunda metade do século dezoito até nossos dias, podendo ser classificado como o iluminista iluminado, tendo afirmado: «Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que não possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém.» portanto não tenho ilusões, ou inocência, e depois foi um social-democrata que postulou a ideia que uma democracia existe não só por causa da prática política, mas pela prática econômica, social e cultural prioritariamente, maior das verdades, alegada por ninguém menos que Francisco Sá Carneiro.

Porém como em tudo há as proporções, vale dizer o quanto de cada coisa entra na composição do resultado final obtido ou desejado, conforme a verificação das suas possibilidades. E a proporcionalidade entre dinheiro e democracia tem como resultante direta de que o primeiro podendo corromper a segunda na proporção da sua concentração, e que a segunda pode inibir o primeiro na razão direta da sua plenitude. Ou seja: Quanto mais Democracia houver, menos importância e menos influência tem o dinheiro e este passa evidentemente a se concentrar menos, porque os foros da Democracia implicam em justiça social e, como é óbvio, em distribuição de renda.

Como sei isto desde sempre porque no país onde nasci esta realidade nos é exposta desde criancinhas, porque sendo um país riquíssimo foi explorado, corrompido e desvirtuado de todas as maneiras e para que estas injustiças e misérias fossem removidas do dia a dia, para que houvesse menos exploração, para que houvesse menos corrupção, para que os recursos do país fossem mais em benefício de usa população em geral e não de um pequeno grupo, foi preciso muita luta e muitas conquistas,  e estas conquistas que se foram sucedendo lentamente foram todas no âmbito da Democracia. E continuamos a clamar por mais! Quando houve uma ditadura houve, é verdade, muito desenvolvimento, muita riqueza sendo realizada, mas houve muita fome e miséria, porque este regime traz pouca distribuição da riqueza, porque é um regime para poucos e com poucos, mesmo quando opera sob o manto de uma democracia.

Portanto basta uma pequena revisão na História para verificarmos que diferentemente destas afirmações que visam legitimar o ilegitimável, é a democracia que nos traz mais fartura, podendo, destarte, afirmar-se a expressão título deste artigo, porque o pão acaba, a democracia não.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mateus 19:14/ Lucas 18:16/ Marcos 10:13.






Foram necessários 266 Papas, dois milênios, milhares de cardeais, dezenas de milhares de bispos, centenas de milhares de padres e milhões de católicos para aparecer um Homem que entendesse a mensagem, tão simples a mensagem: Todos se podem aproximar. Vejamos a cena de há dois mil anos: Depois de comparar um fariseu que exalta suas qualidades como crente, e um publicano que se sabe pecador, tendo dito: « Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado.» mostrando bem como as coisas funcionam para Deus, vê que seus discípulos, os escolhidos, os instruídos por Ele mesmo, repreendiam os que traziam as crianças para Jesus as tocar, então Jesus chamou-as para si, e deu a lição que fica e demorou dois mil anos para que um Papa a compreendesse: « Deixai vir a mim as criancinhas...»

Francisco deixa hoje na praça de São Pedro mais uma lição pondo duas crianças a passear com ele no papa-móvel, fica o exemplo (a segurança, já avisada, não ousa desobedecer, põe as crianças dentro do carro). Este Homem que gosta do símbolo, que gosta de ensinar pelo exemplo, e que quebra os protocolos do Vaticano, dois milênios de estupidez e medo, recebe, como não poderia ser de outra maneira, as crianças que se aproximam. Ocorre-me a seguinte questão: Como poderá se comportar o próximo Papa?

Lembrei-me também que o carro foi todo modificado, aberto, os vidros contra as balas retirados, o papa exposto. lembrei-me para além das balas, dos venenos, das maldades 'intra-muri', dos perigos que corre Francisco, e face aos quais tenho pedido orações, e subitamente compreendi: Francisco não será morto. Francisco não será tocado, porque a lógica divina é muito especial, e ele vem respondendo a seu chamamento de peito aberto, como tem de ser. Subitamente via que as coisas funcionam na medida de Emanuel, que é absolutamente necessário confiar, e se entregar, se expor e não temer, que tudo torna-se possível. Sim, é necessário dar para receber, um outro Francisco nos tinha ensinado:  « ..pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive...» Pois é!

A lição incontornável que começa no juiz injusto, passa pelo fariseu e o publicano, na parábola dos que confiam em si mesmos, crendo que são justos e desprezam os outros, e termina nas criancinhas, e aos que são como elas, estas criancinhas que se não são recebidas, são desprezadas. Porque os que se acham justos e justificados soem se proteger dos demais, crendo estar num patamar mais elevado, quanto enganam-se! No exemplo de Francisco a lição de Jesus: « Deixai vir a mim as criancinhas, NÃO AS IMPEÇAIS, porque delas é o Reino dos Céus.».  Aqueles que julgam, ou prejulgam e se elegem, e se exaltam, « digo-vos que depressa [se] lhes fará justiça » e  relembro para concluir: « Não julgueis para não serdes julgados.» Grande Francisco!



terça-feira, 7 de outubro de 2014

CHINA : A infecção que acompanha.




                                                                                               Muitos guarda-chuvas, e já nem chove.



Há uma segunda infecção que acompanha a primeira. A infecção do mercado livre que dominou a China no último quarto de século, vindas das duas pústulas reservadas para espalhar lentamente a infecção da economia de mercado por todo o gigante: Hong Kong e Macau. O problema é que a primeira infecção faz-se acompanhar de uma segunda menos controlável, Tiananmen o mostrou, esta segunda infecção que atende por uma antiga palavra grega: DEMOCRACIA.

Um país, dois sistemas, tem sido o lema  para a solução de transição encontrada pela China, do sistema socialista para o capitalista, 'doucement'. Tem sido a solução chinesa para mudar, e mudar necessita de implantação de novos valores, mas a filosofia oriental não gosta de solavancos, de convulsões, novos valores sim, mas têm de ir se alastrando, nada de mudanças bruscas, por isto assassinaram em Tiananmen as mudanças, não para que elas não ocorressem, mas para dar tempo a que elas pudessem ocorrer.

Tiananmen foi logo no início da infecção, reprimiram com violência e morte, já a resposta de agora ao território, em Hong Kong, ao movimento dos guarda-chuvas, é totalmente outra, estamos vendo uma China dialogante. Quem imaginaria um dia isto? É o pragmatismo chinês no seu melhor, sabem que vão soltar a fera, sabem que a fera é incontrolável, mas como sempre 'doucement', porque, e aí é totalmente justo e compreensível, pois existem muitas Chinas, e há que se preservar as conquistas comunistas/socialistas da China (comida na mesa) nas suas áreas rurais, nas suas áreas subdesenvolvidas, e eles sabem que uma China tem de resgatar a outra, com o tempo, por isto vão devagar, devagarinho. A isto chama-se desenvolvimento. Os chineses gostam de tudo que é boa solução antiga, e como nós sabemos a democracia é o pior de todos os sistemas, com a exceção de todos os outros.

Longe de mim, ocidental, defender essa lentidão, mas a compreendo, e mais ainda, a respeito, porque ter a responsabilidade de governar 1. 338 612 968 de seres humanos (*), com suas vontades e conflitos não deve ser nada fácil. Além do mais é minha obrigação respeitar, ao observar, a forma de ser de cada um, e a filosofia oriental, e seu modo de sentir e perceber as coisas, merece respeito, posso não sentir da mesma forma, mas nada me autoriza a apontar-lhes o  dedo. Os chineses são como são, e os veremos, agora, como qualquer governo ocidental negociar com os guarda-chuvas e obter uma solução de consenso.

(*) Enquanto escrevo este artigo já nasceram umas quantas dezenas mais, e enquanto você o lê dá-se o mesmo. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

15 anos sem Amália.



                 

                                                                                                             6/10/1999 - 6/10/2014




                                                                                   
                                                                                         Que  oferecer a  Amália ?        
                                                                                         A ela ofereci minha amizade
                                                                                          e constantemente lhe ofereço minha saudade,
                                                                                          mas isto é uma coisa só portuguesa

                                                                                        Trecho do poema: Une valse pour Marlene, do
                                                                                                livro: Luzes que não se apagam.



Saudade é a palavra. Quem a conheceu bem sabe de sua presença... « Muito obrigada, Muito obrigada» e as mãozinhas no ar como a tocar castanholas.... Morreu porque parou de cantar. Parou de cantar porque não tinha mais a excelência, qualquer outro se satisfaria imensamente com aquela voz que ela ainda tinha, mas Amália não! Ela tinha tido um nível único, inigualável (e o termo não é ocasional, ou uma  forma de dizer, ou de elogiar, no caso de Amália era assim, quando ela própria, não se conseguiu igualar, parou, e parando sua razão de viver acabou, e assim sua vida acabou, apagou a luz, foi isso.) Quem se pode igualar a Amália Rodrigues? O que há por aí em todo o mundo com aquela expressão, com aqueles vibratos? Não, não há, por isto a seu tempo teve o mundo a seus pés. No Japão, ninguém entendia uma palavra, e quanta gente na plateia chorou, chorou pela emoção que aquele canto passava. Única, inigualável!

Foi no milênio passado, ficou com o milênio nas coisas das memórias, não, não! Ficou e fica com as coisas do coração!

Devo um poema a Amália, ainda não consigo fazê-lo, sempre me vem um nó, o nó da saudade e vejo que vou chorar. Penso que um dia certamente vou ultrapassar isto, mas 15 anos ainda não foram suficientes, para ultrapassar o fato dela me ter honrado com sua amizade e eu saber que não posso mais ir a São Bento. Não há mais Amália... 

Como estou errado! Há  Amália!  Toda esta ausência é ela, mais forte que nunca!

domingo, 5 de outubro de 2014

Dr. Splinter rides again.




In the speech of 5th of October the same bla, bla bla, the same fake proposition of someone who has no theme, no intension, no goal, but sustain this government of his same colour. Empty words provoke empty reactions, provoke answers without feelings. Those are just circumstance when the circumstances mean nothing,  when is with Dr. Splinter. The country is still waiting for some words of hope, of fire, to heat our hearts. Unfortunately Dr. Splinter only say words who make us glimpse no solution to our problems, what means no expectations, no hope, no future!

At dark times hope is most important than bread.! Bread we can find some, somewhwere, sometime. Hope, we need someone else to dream together. The bigger service anyone can do is give someone hope. This gloomy man has no idea of the evil it causes. No having soul is the greatest defect of a ruler. Dr.Splinter shows have no soul all the time. He always seems to be just playing a role.

I don't know why I spend my time with this figure. He means nothing, after all he has done: He is nothing! He managed to desconstuct his image killing what little did get ellect. Dr. Splinter is a splinter of a bad vision, like a vision of a ghost who is trying to frighten us telling us there is no way out.

Badly of anyway Dr. Splinter gives us the idea that it will be worse. His rhythm, his ideas, his way of being, everything make us feel empty, because empty he is. And this is the greatest disservice that he is rendering to the country at the moment. This is Dr. Splinter in his best!

sábado, 4 de outubro de 2014

A Couve de Bruxelas.







A  mais amarga couve  que se possa ter é a da solidariedade enfraquecida. Quando Portugal ia entrar para o euro, lembro-me bem, divulgou-se um anúncio jocoso, que  estava pelos painéis urbanos na grande Lisboa, os 'banners', com esta pergunta singela, e, agora o sabemos, premunitória: Quanto vai custar uma couve de Bruxelas? E nesta pergunta esconde-se toda uma verdade subjetiva: Qual o preço desta participação? Hoje sabemo-lo alto, altíssimo. Certamente foram muito bons os anos de dinheiros europeus que aportaram ao país, o preço disto, e a fatura que em má hora chega, porque chega em hora de crise como nunca se esperou, hora em que o projeto comum, acossado pela ganância dos mercados, está ameaçado, já que a fatura está a revelar-se também alta. Ameaça mais proveniente da sua estrutura anquilostada do que da agressividade das atuais relações político-sociais. Estas relações evoluíram, é verdade que mudaram enormemente, mas estas profundas mudanças só ameaçam a quem não quer adaptar-se a elas, e a adaptação exige uma escolha entre dois caminhos mutuamente excludentes: Ou opta-se pelas gentes ou opta-se pelas finanças. O que equivale dizer que a Europa está nesta encruzilhada de que a China é paradigma da escolha dos dois extremos : Nenhum direito social e grande riqueza concentrada!

Nesta escolha reside todo o dilema de nossos tempos entre escolher o modelo de criar riqueza apenas, a que chamo modelo financeiro, ou o modelo de criar riqueza e distribuí-la, a que chamo modelo sócio-econômico. A Europa que sempre foi sinônimo de qualidade de vida, e esta era a tradução de um modelo que optava pelas pessoas e com isso tinha uma classe média muito forte; isto está mudando rapidamente, principalmente por causa da inoperância das organizações europeias com o BCE a cabeça, por um lado, e pela opção alemã de só olhar para si, por outro. Estas duas escolhas vão pagar um preço caro, que podem levar ao fim da União ou à sujeição total do Sul ao Norte, para usar uma imagem simplificadora, ou tudo terá que ser rediscutido com olhos bem abertos, olhos de quem come cenouras e não couves.

Toda esta situação que está elevando o termômetro da tensão política ao vermelho-rubro, ou como quer 'Le Figaro' é a bomba atômica, porque não como se passou na humilhação austríaca, no atual conflito orçamental com a França, Bruxelas e sua amarga couve contesta, como é natural, a desobediência francesa aos compromissos orçamentais, criando um impasse de difícil solução, onde acresce ainda a atitude italiana. Da solução deste impasse surgirá o indicativo da tendência européia. Se esta for a mesma de agora, estará estabelecido um caminho muito doloroso para o futuro; se Bruxelas ceder, haverá um forte vento de mudanças a soprar pela União no sentido Sul/Norte.

O Sr. Hollande que para nada serviu até agora, a não ser descredibilizar os socialistas, com este braço de ferro que iniciou com o seu orçamento apresentado a Bruxelas, se não terminar por meter o rabo entre as pernas, terá prestado grande serviço ao futuro da União, se perder, ao menos terá  servido para aclarar o impasse central da austeridade que se espalhou por toda União europeia. Do prato de lentilhas ao amargo prato de couves, com o preço da perda da soberania em prol da União, fica o sabor amargo de faltar uma visão mais abrangente e envolvente, inclusiva no seu âmago, que satisfaça a distorção provocada por um euro a duas velocidades. Agora é necessário fazer a escolha entre uma ementa europeia onde deve haver diversidade alimentar, contra esta mono-alimentação que consiste no repetitivo prato de couves. Prato de couves de Bruxelas, é claro!

Bruxelas e a atualização SOS.



                                                                                                                                  505=SOS


SOS, sempre pareceu-me. SOS quer mesmo dizer socorro, e socorro  é assistencialismo, da mesma forma que uma quantia de 20 euros. A atualização do salário mínimo em vinte euros, elevando-o para 505 euros, esta miséria concedida, esta quase esmola, que não é reajustamento, pois se quer repõe a inflação do período, muito menos aumento pois não é nem o que era, quanto mais aumento, ou seja mais em termos reais, mesmo que o seja em termos nominais.

505 euros é o salário mínimo mais baixo da Europa e mais dos baixos do mundo, exceto no mundo onde tudo é miséria mesmo. 505 euros é uma remuneração de sobrevivência, mal dá para uma pessoa sozinha comer bem. E Bruxelas ainda acha que é muito. É normal que achem isto, eles só ganham entorno de 8.000 mensais, logo vinte euros é mesmo muito. Quantas vezes dei isto de esmola ou de gorjeta!

505 euros quando você olha assim parece SOS, o pedido de socorro dos que o recebem. Socorro pela situação de miséria, de impossibilidades, de limitações, de restrições em que se encontram. Até discutir esta situação é indigno, quanto mais afirmar que estes 'chorudos' salários e os seus 20 euros de atualização parcial são uma atitude que pode perturbar a recuperação econômica do país.

Se tivessem vergonha não diziam nada.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Justiça suspensa em Portugal até segunda ordem.




A façanhuda ministra da justiça, Dra. Paula Maria Teixeira von Hafe da Cruz, levou Portugal a uma situação no mínimo 'suis generis', ao ter sua justiça suspensa, não na sua totalidade, é verdade, mas está amputada de uma parte substancial da mesma, com milhões de atos processuais paralisados e prazos adiados 'sine die'. 

Portanto não se sabe quando Portugal volta a ter justiça integralmente, e este recurso a uma legislação de excepcionalidade para tentar colmatar a anormalidade perpetrada, é certamente um ato anti-democrático que teve de ser imposto por não haver melhor remédio a disposição. 

Discutir o pouco juízo desta senhora que dispõe presentemente dos destinos da justiça em Portugal, é questão de somenos importância, está  tudo visto ( Von Hafe[r] Brei, bestehend...)* porém o do governo como um todo, e seus parcos recursos administrativos e de falha previsibilidade em sucessivas ações inconsequentes, ou se o são, são de consequência desastrada, para dizer pouco, também creio não deve ser discutido. Fugindo como o diabo da 'cruz' desta tenebrosa situação, os agentes do poder  judiciário nem querem ouvir falar em 'citius' ou  na 'cruz' que carregam...  talvez esta classe já tão debilitada e tão diminuída por ter número insuficiente, por ser mal paga, por não ser devidamente considerada, como soem ser os funcionários públicos em geral, seja das mais abnegadas e mais dedicadas que se possa encontrar, assim como os professores, mas falar de professores neste décimo nono governo constitucional, com este ministro, o matemático que errou nas contas, e (sendo também o estatístico que  errou nas estatísticas) parece que é covardia... Pobres classes maltratadas.

Destas, entre outras maravilhas  que ficam deste governo, temos o cabeça de cartaz Petrus Quosque Gradus Lepus, o tecnoformatizado, que recentemente perdeu seu estatuto de homem honesto, tendo sido colocado sob suspeição ainda não esclarecida e seu maravilhoso vice, o incontornável irrevogável, que do taxi atingiu alturas desmesuradas, se é que algo pode ser desmesurado a tão proeminente criatura. O resultado de tudo isto é uma justiça adiada em todos os sentidos, mesmo que saibamos que ela tarda mas não falha, mas enquanto tarda, vamos cartando com estas preciosidades que nos calharam, nada mais português.


* Pela aveia se fez o mingau...
ou se preferirem: Pela aveia se fizeram as papas generalizadas...


Afinal descobrimos porque Passos Coelho gosta de Nuno Crato e de Paula T. da Cruz, cada qual com seu igual, mentiroso gosta de mentiroso.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

As Guerras da Ucrânia em andamento e a ilusão "desejável".




Como todo mundo sabe houve um cessar fogo na Guerra da Ucrânia em cinco de Setembro, e o que resultou deste cessar fogo é que a guerra continua exatamente como deseja Putin: DESCONTROLADA, e ademais sob a máscara de que não é Guerra já que houve um cessar fogo. Como eu havia afirmado no artigo, aliás a afirmação era seu título, o czar Putin decidirá da guerra, e onde apontava que assim poderia começar a terceira guerra mundial, coisa que ninguém quer fazer, logo concluía, e estávamos em Julho, que entre a fazer como fez na Xexênia ou continuar dissimulando a guerra em curso, era o que iríamos ver. Este artigo confirmava o que havia previsto antes que iria haver guerra e que Putin não abria mão de seu projeto de reconstituição da antiga URSS em tudo que puder.(Artigos de 02 e 04 de Março.)

E logo no início de Setembro dava-lhes conta de que era o cúmulo da desfaçatez, onde todas as medidas tomadas contra a Rússia era a manutenção da Guerra e um recomeçar da Guerra fria por outro lado, passando a ser duas as Guerras; alertando que esta postura QUE É O QUE CONTINUA, de fingir que não se passa nada vai fazer-se pagar com um alto preço, lembrando a história e a tibiez dos líderes, exceptuando Churchill, hoje não há Churchills, infelizmente.

Então é de se perguntar: Fica tudo como está? O Coronel Putin venceu afinal?  Nada vai ser feito e a guerra quente que tinha matado 3.000 e deslocado um milhão terá seus números já dobrados por ora e disto não resulta nada?

A ilusão do cessar fogo, fingindo que o que se passa são apenas violações do mesmo, esta mentira desejável e conveniente, porque evita o confronto a todos, menos aos ucranianos evidentemente, que sofrem todos os dias a guerra quente, e ademais estarão reféns da guerra fria, irá prosseguir até quando? Até a Ucrânia ser anexada à Rússia? . Mais cego é aquele que não quer ver, mas não se esqueçam: Tudo tem um preço, e, mais cedo ou mais tarde, a conta chega.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

... Mesmo um sorriso, ainda que pequeno.





                                                                                                                                            para Rafaela.

Dá-me um teu sorriso pequenino!
Não aquele largo e bem posto,
que te ilumina o rosto
e faz aquecer o coração do interlocutor...

Basta-me um daqueles pequeninos,
que nos faz, todos, sentirmos-nos meninos,
e em  nós deflagra um forte ardor:
Ardor cardiovascular de ternura!

Da inocência que emana
enche-nos a tarde, o dia, a semana,
com teu pueril sorrir.

Vá, dá-me teu pequeno sorriso
para fazer meu dia,
a imaginar, quem diria?
...Tão encantador!

Um daqueles que te fazem criança,
renovando em nós esperança
de pureza que não se vá denegrir,
trazendo-nos a confiança
que flui, plena, neste teu sorrir!


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Vasco... Será o Gama?





                                                                               Se a PGR tivesse pedido as contas bancárias indicadas                                                                                 na denúncia, todos saberíamos a verdade para além de                                                                                 qualquer dúvida.


                                                                                O Vasquinho demorou a resolver denunciar.


                                                                                Os crimes prescrevem, a ética não.

TECNOFORMA que quer dizer corrupção, antes de qualquer outra coisa, como vem emergindo nos tribunais, um tipo de empresa que não devera poder existir, e que teve como um apêndice, uma organização não governamental, CPPC, Centro Português Para a Cooperação, uma ONG em penduricalho, que servia não a atividades beneficentes ou idealistas, como soem praticar as ONGs, não, esta postulava interesses econômicos e fatias chorudas dos  dinheiros do Estado, por isto esta conotação nos tribunais que é assim  no julgamento popular.

O Dr.Pedro Passos Coelho que foi administrador financeiro desta empresa, e participou da ONG durante largos anos numa e noutra, neste segundo caso de forma gratuita enquanto era deputado a Assembleia da República, foi implicado numa denúncia deste Sr. Vasco, referido no título, à Procuradoria Geral da República, PGR, onde referenciava as contas bancárias através das quais Pedro Passos Coelhos receberia as remunerações da TECNOFORMA, o que nos  leva a concluir que se a PGR quisesse apurar se o Primeiro Ministro recebeu, ou não, as ditas remunerações, ao invés de requerer os livros da TECNOFORMA, deveria ter requerido as referenciadas contas bancárias do Primeiro Ministro, agora só com a autorização deste, que já disse não a dar, ou com uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Independentemente da intenção intempestiva do denunciante, o fato denunciado guarda sempre  a tempestividade ética de se saber a ação de alguém em tão destacada posição política no país, com a agravante de ter sido tão impiedoso e exigente com as contas dos outros, e que, fica evidente pela sua má memória, não o é com as suas. Além de ser apontado como facilitador de negócios, "já que abria todas as portas", conforme acusa o Dr. Fernando Madeira em entrevista, este que era o maior acionista da TECNOFORMA a época, então deve saber do que fala. Aliás este caso envolve também o Sr. Miguel Relvas, sobre quem pesam fortes suspeitas, tudo uma trama malvada. 

Fica-se agora a saber pela voz de um advogado da TECNOFORMA que chama a ONG CPPC insistentemente de empresa, em entrevista coletiva de imprensa que deu, que irá processar jornalistas e comentadores e empresas jornalísticas que se pronunciaram sobre a matéria, afirmando haver «manipulação» por parte destes, nada mais intimidatório para outros jornalistas, empresas e comentadores que queiram se manifestar ou comentar o caso, que esta ação de abrir processos judiciários que irão até envolver um membro do governo, mostrando a decisão beligerante da empresa na defesa de seu bom nome, apesar das fortes suspeições de corrupção que emanam dos tribunais contra si, com vários envolvidos. As diversas afirmações que fez o referido advogado levam a concluir que o mecenato explicará ainda os cinco mil euro mensais como as doações da TECNOFORMA, mecenas da CPPC, faazia em apoiá-la mensalmente com um valor que poderá se verificar ser exatamente este, os propalados cinco mil euros mensais. O Vasquinho sempre lá sabia de alguma coisa, mas equivocou-se... e ajudou a estragar a imagem e a credibilidade do Primeiro Ministro.

E O VASQUINHO EMBARALHOU TUDO COM ACUSAÇÕES INFUNDADAS! Dizendo ser Pedro Passos Coelho que recebia como salário, as tais doações, logo ele que não as podia receber por se considerar em exclusividade na AR, e que ainda por cima teria cometido o crime de fraude fiscal por não declarar os ditos recebimentos. A má memória do Primeiro Ministro ajudou a que se concluísse, ou quisessem concluir, que as acusações tinham um fundo de verdade. Ao que pode nos levar a maldade humana de uma acusação infundada! 



P.S. Já se sabe que eram mesmo cinco mil euros, como eu imaginava e afirmava no terceiro parágrafo, o que comprova o que eu afirmava.