quinta-feira, 28 de abril de 2016

A um passo do inferno.






Eu há mais de um ano e um trimestre previa que a OPEP iria pôr o mundo em deflação e logo à seguir em recessão, quando ninguém fazia ou faz previsões para mais de duas semanas em qualquer área da economia após as duas crises, a de 2002 e a de 2008, muito menos no respeitante a macroeconomia. Porém eu deveria estar meio doido para pôr meu pescoço à prêmio e lá fiz a previsão, e como infelizmente se verifica hoje, eu tinha absoluta razão, e o mundo já está há vários meses agudizando seu processo deflacionário, com taxas de juros negativas sendo operadas pelo mundo fora, apesar da dinheirama que foi injetada nos mercados pelos bancos centrais de quase todo o mundo, não surtindo o efeito desejado.

Toda a vez que eu via que punham a maquineta a rodar, inventando bilhões e bilhões a troco de nada, eu falava de mim para comigo, estão fazendo de tudo para ver se me estragam a previsão... E me consolava a pensar que uma previsão daquela demoraria anos a se concretizar, e que a OPEP, pobre coitada, nada mais fazia que uma reação a uma realidade que a ultrapassa, dando a cara por uma realidade esmagadora, como um reflexo apenas, e que todos, quase em união, iriam lutar contra isso, com os bancos a marcharem à frente, porque eles sabem, melhor do que ninguém, que o contexto de deflação é a destruição de seus lucros, e sua manutenção o horizonte de sua falência.

O que é ainda mais grave nisso tudo é que toda a economia está fragilidade, e a banca especialmente pelo mundo fora, esforçando-se para manter os seus rácios e paridades que da noite para o dia se alteraram de tal modo, que tudo se tornou um castelo de cartas, onde se tem medo de mexer, porque tudo pode ruir inesperadamente. O mundo todo não entrou já em deflação, ainda que várias economias já a tenham experimentado e algumas estejam experimentando, o fato é que as injeções massivas de dinheiro têm segurado o processo. Pergunta-se até quando?

No entanto eu continuo a achar que ainda vai haver extremadas situações de descontrole (como em 1929) por uma combinada manifestação de duas realidades conflituosas:

 1ª - O dinheiro, apesar de tudo que tem sido feito, teima em manter-se como uma commodity, e teima em ser endeusado, e isso é compreensível que aconteça em virtude dos grandes bolsões de miséria ainda existentes, de onde o dinheiro teima em se afastar, garantindo seu endeusamento, esta distorção num mundo globalizado repercute de imediato, gerando essa comoditização (quase inversa) do dinheiro.

2ª - Porque apesar dessa ação de preeminência que atingiu o dinheiro, ele necessita de cumprir uma função econômica para que sua multiplicação absolutamente vital para sua componente financeira, faça sentido. A multiplicação exclusivamente financeira (pode-se portanto dizer artificial e falsa) a que se submeteu o dinheiro, gerou uma desproporção de valores tão aguda, que só grandes economias podem fazer alguma frente, mas ainda está por comprovar se esse processo irá resultar. E é aqui que entra a OPEP, porque a OPEP, assim como o estômago das pessoas não pode esperar muito tempo por alimento. A OPEP em grande parte financia economias que são movidas a investimentos dos resultados do petróleo (suas próprias economias)  por outro lado como expliquei no artigo de um ano e um trimestre atrás,  segue-se o seu link : http://hdocoutto.blogspot.pt/2015/01/a-opep-vai-por-o-mundo-em-deflacao-e.html,  essa fonte energética fóssil vem sendo substituída progressivamente, e os seus produtores não querendo perder tempo, querem aproveitar para continuar a malhar o ferro, porque sabem que este vai esfriar.

Da ação combinada de interesses tão díspares com o acréscimo da emergência de outros mercados, avassaladores esses, que manterão sua supremacia por séculos (BRIC, a Asia menor e seu entorno, hoje em guerra, mas que passada essa quererá competir por uma fatia preponderante do mercado mundial, e os antigos tigres que pretendem manter os restos de seu império ainda poderoso.) ninguém se engane que a China seja um fenômeno passageiro, por exemplo, a realidade mundial é tão diferente do que sempre foi, e tão pouco ainda compreensível como ela reage e reagirá a essa nova correlação de forças que se criou, que a única brincadeira que não poderia ter sido feita, foi a que os americanos fizeram com o sub-prime saqueando grande parte da banca mundial, que, afetada, não reage adequadamente na defesa dos interesses locais que também representa, e que são e serão os seus clientes de longo prazo. Na situação destorcida que se criou que foi propícia a ação anormal de procurarem alterar as anomalias manifestas, para tanto fazendo as mais incorretas ações, sobretudo a austeridade que re-alimenta estas próprias distorções, agravando-as, e promovendo ainda mais outras distorções, e que vão levar muito tempo para serem superadas, estabelecendo um ciclo vicioso e viciante sem remédio aparente.

Tudo junto temos o caldo de cultura do caos, a sopa dos infernos, que só ainda não baixaram a
à Terra, porque tem havido muita unificação nas ações empreendidas, os adversários de antes têm se revelado os associados de hoje, e tem havido muita prudência porque sabem todos que qualquer imprudência pode se revelar fatal.

Até quando?







terça-feira, 26 de abril de 2016

Um século de um suicídio: Mário Sá Carneiro.







Há 100 anos se suicidava num hotel em Paris o heterônimo de Fernando Pessoa mais independente, que ao fazer percurso próprio, isolado (Os outros também faziam seu próprio percurso, mas mantinham a dependência.) pois, deferentemente dos demais, não precisava da cabeça do Fernando para pensar, chamava-se Mario Sá Carneiro, e não suportando seu conflito existencial, pôs fim a ele. Pessoa o curtiu lentamente a golos de vinho, suicidando-se demoradamente.

Era brilhante por voz própria, assim como os outros heterônimos, porém aqueles sabemos ser Pessoa, e este sabemos não ser, e isso faz toda a diferença, mas não lhe retira o estatuto.

Não gosto de suicidas, amo Fernando Pessoa, que fingiu não ser. Não posso amar menos Mario Sá Carneiro que assumiu ser rápida e prontamente... (Gênios não se encontram pelas esquinas.)

Pronto: ficam encerradas as exceções que abri nesse meu não gostar para a aceitação desses dois, que talvez sejam um, todos os demais estão e estarão apartados para todo o sempre. Sempre lembrando que nunca se deve dizer dessa água não beberei.


Deixo 2 poemas de Mario Sá Carneiro, um o prenúncio de suicidar-se, que é muito evidente além de toda sua obra, seu enfado da vida, de rico bem nascido que esvaia-se no nada de seu vazio existencial, o outro no bilhete do suicídio que envia a seu mentor, à seu umbigo, âncora de seu desvario, reproduzo a parte essencial do bilhete/carta que evidencia essa dependência psicológica, é logo o começo do bilhete, a seguir o poema sugestivamente intitulado.

Vontade de Dormir

Fios d'ouro puxam por mim
A soerguer-me na poeira -
Cada um para o seu fim,
Cada um para o seu norte...

. . . . . . . . . . . . . . .

- Ai que saudade da morte...

. . . . . . . . . . . . . . .

Quero dormir... ancorar...

. . . . . . . . . . . . . . .

Arranquem-me esta grandeza!
- Pra que me sonha a beleza,
Se a não posso transmigrar?...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão' 



Paris - 31 Março 1916
Meu Querido Amigo.
A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal e qual – mas custa-me tanto a escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas "cartas de despedida"... Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando: afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por aqui... Já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma: eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa áurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei: tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o histerismo do seu ópio, as luas zebradas, os mosqueiros roxos da sua Ilusão. Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre, psicologicamente, às mil maravilhas: mas não tenho dinheiro. [...]

Fim
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!
                                     Mário de Sá Carneiro.



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ana Salazar: Grande Senhora, levou Portugal para fora!


                                                                                Para 20/7/ 2016 um dia depois do 19...


Ana Salazar combate luta singular
A de quem quer uma nova estética
E quer outra ética: a de lutar e lutar.

Mais de
75 anos de idade
45 anos de atividade
40 anos de marca
30 anos de internacionalização
25 anos de ex-libris
É sua pontuação...

Pioneira, é a primeira
Que os mais distraídos
não sabem avaliar...
Levou sempre a dianteira!

Presença forte que toca e incomoda:
Não sabe indiferença despertar.
É um acontecimento de moda!

Vida de essência verdadeira
Não será esquecida.
Sempre a dizer como é que é,
Até o fim a dizer com Saulo o remate:
"Combati o bom combate,
E guardei a fé."



sexta-feira, 22 de abril de 2016

CERVANTES + SHAKESPEARE






O que há de mais alto no mundo? Não só do literário, pois em tudo que há nesse mundo suas sensibilidades tocaram, deixando como herança a maior maravilha que o testemunho de uma passagem por esse mundo pode deixar: a grandeza dos sentimentos em seu entendimento mais profundo!

Foi há 400 anos, completam-se hoje, que os perdemos, mas como um grande navio atravessando tormenta sua obra perseguiu incólume, expressiva, brava, forte, atual. Que mais se pode querer das palavras? Que mais se pode desejar das ideias?

É nessa hora do encontro dos dois dias, o 22 e o 23, apesar de tudo se ter passado nesse 22, uns consideram 23 para Shakespeare, é nessa hora em que o dia finda que os lembro, imortais como são, inteiros no poder de seu dizer. Sua grandeza reside na mais poderosa característica que tem a Humanidade: a capacidade de rir-se de si mesma, e disso tirar proveito. 

Vejo passar cavalgando em seu rocinante um homem alto, muito magro com uma bacia de barbeiro na cabeça, seguido por um baixo e gordo em seu burrico. Mais adiante vejo um casal de apaixonados morrer dramaticamente pelo amor que os unia, que o ódio familiar desbaratou. O que não daria para ser um desses amantes? Daria meu reino, onde há algo de podre, certamente, por não alcançar aquele nível de sensibilidade emocional. Vejo um homem de vidro a falar das realidades mais profundas que, como é louco, tem suas palavras louvadas. Vejo fileiras de mulheres, alegres e tristes, vejo Aldonsa, Desdêmona, Cordélia, Julieta, Marcela, Helena, Isabela, Dulcineia, Adriana, Catarina, Beatriz, Viola, toda a intensidade de um mundo praticamente desconhecido e alijado do resto das coisas, prisioneiro de uma outra realidade que imperava, apartado da possibilidade de ser. Como as mulheres devem de sua libertação a esses dois senhores!

Nesse desfilar de gente mais viva do que gente que assim se julga, vejo desfiar grande parte de meu encantamento, e talvez maior parte ainda de minha compreensão. Há coisas difíceis de aprender, mas a mais difícil de todas é perceber e entender o próximo.  

E quanto entendimento devo a esses dois senhores...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Nada justifica o que continua a se passar no Mediterrâneo.





As fotos do Pulitzer são de uma eloquência contundente expondo o drama humano que está acontecendo com os refugiados, mas são também um libelo contra a indiferença, o descaso, a ignorância e a estupidez dos responsáveis europeus. link : http://www.infobae.com/2016/04/18/1805347-las-impactantes-fotos-la-crisis-los-refugiados-que-ganaron-el-pulitzer

Eu já disse tudo que se tem para dizer sobre esse assunto, só volto a ele como registro da insensibilidade da Europa, que de todo não tem o direito de se comportar como está se comportando, por todo o seu passado e por tudo que representa, e se deixar de representar deixará de ser Europa, a Europa que marcou e marca a diferença que fez ela ser o que é, e que pela tibiez e falta de noção dos atuais dirigentes decaiu nisso que se vê hoje.

Para o assunto recomendo os seguintes links: http://www.infobae.com/2016/04/18/1805347-las-impactantes-fotos-la-crisis-los-refugiados-que-ganaron-el-pulitzer     e

http://www.nacion.com/ocio/Fotografo-Mauricio-Lima-Premio-Pulitzer_0_1555444526.html


E o meu artigo  http://hdocoutto.blogspot.pt/2016/03/as-vergonhas-europeias-dependuradas-em.html

onde estão os links para boa parte do que escrevi sobre essa vergonha! Que confirmam a acertiva título.

domingo, 10 de abril de 2016

E por fim um poeta.





A terceira República portuguesa conheceu 21 Ministros da Cultura, onde teve de tudo, desde sargento até iletrados, desde  técnicos até, sua maior incidência no cargo: Políticos! Ocupavam o cargo pelo simples fato de serem políticos, e porque o ambiente político os alçava. Espero que esse tempo esteja definitivamente encerrado, e que tenhamos a pessoa certa no lugar certo, e que este ministério tão importante porque é a sala de visitas do país, e é de sua boa ação que o desenvolvimento do turismo depende, que uma certa coesão nacional depende, que a identidade portuguesa se mantém na expressão de seus autores, de seus artistas, de sua gente, e é como se deve manter voltada para o mundo, sobretudo num país de serviços como Portugal, onde essa função, a mais expressiva representação de sua alma,  deve assumir a preeminência que merece e necessita, fazendo com que as pessoas se dêem conta da dimensão do cargo de Ministro da Cultura.

Nessa longa lista em que teve de tudo, nunca houve um poeta, vale dizer um ser com a sensibilidade aflorada, uma pessoa voltada para a percepção do mundo na sua dimensão mais profunda, nunca contou-se entre seus titulares um cidadão que, no universo de seus cuidados, tivesse publicado poesias, tivesse, por as cometer, assumido plenamente o estatuto de vate. O único caso de poeta neste âmbito, aliás muito bem sucedido, foi o de David Mourão Ferreira, que foi Secretário de Estado da Cultura na época dos ministros sem pasta do primeiro governo Mário Soares, e David Moura Ferreira foi, como sabemos, um grande poeta e um grande secretário de Estado da Cultura.

O atual ministro é um beirão interior, e, como sua gente, tem a dimensão do país, é de Idanha-a-nova, coração da Egitania, desde sempre uma identidade, como a identidade do Senhor Ministro é desde sempre ser poeta, e, desde que pode, seguiu a 'carriérre'. Seu rumo desde muito novo estava traçado.

Agora que temos alguém da mesma estirpe de um Mourão Ferreira, e por em cima diplomata de carreira, um homem com provas dadas, o ilustre Embaixador Luis Filipe Castro Mendes, podemos estar esperançosos que a Cultura vá tomar rumo, depois de preterida anos pela insânia que dominou a última legislatura, temos, portanto, um reconforto.

Como é reconfortante ver um homem de cara limpa na pasta, basta olhar para ele para ver sua postura psicológica, que é o que define uma pessoa, o que a caracteriza, e a faz ser verdadeira ou falsa. Depois de tantas mentiras e aberrações, depois de tanta gente inadequada, POR FIM UM POETA!

E bom poeta! Os poemas do futuro ministro são bons, intensos, verdadeiros, só desejamos que sua ação na pasta seja da mesma ordem: boa, intensa, laboriosa, verdadeira. Esperamos para ver o que teremos então. " E todos os mistérios que se fazem promessas e se perdem nos versos..."(*) revelar-se-ão.

(*) Do poema "Das Palavras" in "Os Amantes Obscuros" de Luis Filipe Castro Mendes.

O dia internacional do livro : Cervantes e Shakespeare. Salve Ogum !





Como a contagem dos dois calendários confundem e complicam a atualização dos dias no atual calendário, e como fatos ocorridos há quatro séculos já se perdem nas brumas do tempo, muitos sobrepõem as mortes desses gigantes Cervantes e Shakespeare no 23 de Abril.

O que é certo é que neste próximo 23 de Abril iremos comemorar 20 anos que o dia Internacional do Livro, que é comemorado nesse dia, porque a UNESCO em 1995, fixou essa data para o dia internacional do livro tendo o primeiro sido comemorado no 23/4/1996. Espanha já o havia feito em 1930, transferindo a data do nascimento de Cervantes, 5 de Abril,  na qual se comemorava desde 1926 o dia do livro, passando-a ao dia da morte do grande autor.

E Cervantes é um grade autor por sua obra toda, inclusive a de dramaturgo, pois após casar, é esta a profissão que escolhe para si, escritor, e a ela se dedica intensamente até morrer. Casado em 1584, publica logo em
                         1585  Galatea
                                                  para só 20 anos depois editar sua obra-prima

                         1605 D. Quixote (1ª parte)

                                                   ou mais propriamente a 1º parte do Quixote à qual intitulou El ingenioso fidalgo D. Quixote de La Mancha,  entretanto saem as suas novelas

                         1613 As Novelas Exemplares
                                                                            tendo a segunda parte do Quixote visto a luz em

                         1615 D. Quixote (2ª  parte)
                                                                       que teve por título El ingenioso caballero D. Quixote de La Mancha.

Nesse ano anterior ao de sua morte, Cervantes também publica

                        1615 8 Comédias e 8 entremezes novos nunca antes representadas.

                                                                      Saindo no ano seguinte a seu falecimento

                        1617  Os trabalhos de Perfiles e Sigismunda
                                                                                                   tendo deixado vários inéditos que só serão publicados nos finais do século seguinte:

                         1784 O cerco de Numancia
                         1784 O tratado de Argel.


Como se pode ver Cervantes é  muito mais que D. Quixote, e esse 23 de Abril, hipotético duplo funeral, foi bem escolhido, porque mais significativo dia para o livro não poderiam encontrar. Além do mais é dia de São Jorge, sincronizado com o orixá Senhor da guerra, logo, eu, como bom brasileiro, só posso acrescentar :  SALVE OGUM !
             

quinta-feira, 7 de abril de 2016

VAMOS PÔR O SEQUEIRA NO LUGAR CERTO: SÓ FALTA 1/6.






Um sexto são cem mil euros. É fabuloso ! Com toda a crise que se vive, os portugueses não deixaram passar a oportunidade de adquirir para o seu museu, aquele que fica ao nível dos maiores museus da Europa, um quadro de autoria nacional, que era mais que necessário, imprescindível a seu acervo. E é com estes museus e países que tem que se ombrear, pois Portugal é um país europeu, disputando os destinos turísticos europeus, e tendo que ter da sua maior pintura e sobretudo a nativa, a portuguesa, tem de estar amplamente representada. Sim esse diretor atual do MNAA que eu não conheço de lado nenhum (Além do mais como sabe a maioria de meus leitores, sou brasileiro,  mas não posso desprezar nada, nenhuma ação do país que me acolheu tão fraternalmente, logo engajei-me.)  e no decurso da campanha passei a admirar, o  Dr. António Felipe Pimentel, porque só gosto de gente que se mexe, que corre atrás. Como todo mundo sabe, sua ação, vamos pluralizar isso porque ele tem feito muitas coisas, suas ações, como sabem, não lhe aumenta um cêntimo no salário ao final do mês, mas as pessoas têm que fazer as coisas por motivação, e não só pela recompensa material que isso lhes vá trazer. Assim você, meu amigo que me lê, abra mão de uns quantos euros e junte-se a campanha : Vamos por o Siqueira no lugar certo, para completar essa sexta parte que falta, o que significa que as outras cinco partes do dinheiro necessário já lá está. já temos 500.000 euros, meio milhão, agora só falta menos de cem mil.  VAMOS A ISSO !


Leiam  agora o artigo com o qual comecei minha campanha, faz alguns meses,  eles vos informa como proceder para participar, e o que isso representa :


 






O Museu Nacional de Arte Antiga, conhecido carinhosamente como das janelas verdes, porque seu prédio, antigo Palácio dos Távoras, Palácio de Alvor mais propriamente, que o irmão de Pombal adquiriu junto ao largo de Santos-o-velho, num número da rua desse nome, número que se perdeu ou nunca existiu, bastando a referência de tão imponente palácio, que acaba por se apropriar do one de sua rua, e que junto ao rio por escadaria própria tinha-se acesso às suas embarcações privadas na Rocha Conde d'Óbidos, de saudosa memória, logo ali, e que o Marquês de Fronteira e Alorna, Trazimundo, nos conta em suas memórias, lembrando que lá esteve à época da partida de seus parentes para o Brasil, quando acompanhavam D. João VI em sua viagem, evocando o antigo embarcadouro, que então existia. sendo ainda dos finais do XVII, quando d. Francisco o manda construir após seu retorno da Índia, em 1778 passa a ser um Palácio com água à porta pela construção do chafariz num pequeno largo, largo que viria a ter o nome do primeiro diretor do Museu que passa a ocupar o palácio a partir de 1884.

E é no Museu e no seu atual diretor António Felipe Pimentel em que me quero situar. Conhecendo imensamente o primeiro, o museu, e desconhecendo totalmente o segundo, o diretor, devo congratular-me com sua iniciativa, porque tudo que é correto e competente deve ser louvado, e o referido diretor teve(tem) uma iniciativa louvável, na qual devemos todos participar.

É uma ação de financiamento colaborativo, ou como preferem alguns, que serão muitos, sua expressão em Ingês: 'crowdfunding' que pretende arranjar seiscentos mil euros para adquirir o quadro de Domingos Sequeira a adoração dos Magos, como nos informa o Diário de Notícias de ontem. O tema a Adoração, abordado por quase todos os importantes pintores do renascimento desde Leonardo e Botticelli, não deixou de ter em Portugal, ainda que tardiamente, seu adorador, um pintor que fizesse sua versão do tema consagrado, e que pudesse incluir-se na prestigiosa lista de adoradores, como chamo aos pintores que abordaram a temática. O quadro de Sequeira, esse menino da Casa Pia, depois pensionista de D. Maria I em Roma, filho de um barqueiro do Tejo, cujas águas do tempo trazem de volta na sua infindável viagem seu nome e seu quadro do menino Jesus sendo adorado, à rocha conde d'Óbidos onde o barco de seu genitor tantas vezes terá aportado.   

Adoradores todos nós da estética e da ética, queremos ver esse quadro chegar a bom porto, o porto de acolhimento museológico maior de Portugal, o nosso janelas verdes. Queremos e vamos pagar por isso! A solução é muito inteligente e baratíssima, divido o valor necessário a aquisição da obra, os seiscentos mil euros que ela custa, pelo número de portugueses, dez milhões, dá seis cêntimos a cada um, quantia irrisória, que cada um, não direi de nós porque não sendo português, não estou entre os dez milhões, e como irei contribuir, ainda fica mais barato. Claro que vamos dar alguns euros cada um o que logo porá Sequeira no lugar certo, respondendo ao mote da campanha : Vamos por Sequeira no lugar certo ou seja porá no Museu Nacional de Arte Antiga A Adoração dos Magos, o quadro que queremos ver em seu acervo.

Como colaborar, muito fácil: Ponha no motor de busca sequeira no lugar certo que logo aparece, note bem é sequeira com e e o site é do MNAA, o do museu, onde seu nome ficará para sempre associado a aquisição da obra. O que está esperando, pode transferir, pagar por multibanco, fazer remessa, vamos lá!!!  

terça-feira, 5 de abril de 2016

LEMBREM-SE: ELES SÃO SERES HUMANOS !







Exatamente como está em As vergonhas europeias penduradas em Idomene, segue-se o link: http://hdocoutto.blogspot.pt/2016/03/as-vergonhas-europeias-dependuradas-em.html , todas as previsões do que se iria passar com o acordo com a Turquia se confirmaram, e a continuada falta de coragem dos dirigentes europeus em enfrentarem o problema dos refugiados, falta de coragem que vem esfacelando a União Europeia, atinge o cume empurrando o problema para os turcos, e eles fazem o que não pode fazer os europeus, como hoje se soube que fizeram com afegãos e congoleses, recusando-lhes o Direito de solicitar asilo.

As pessoas a sofrerem, expulsas, perseguidas, desprovidas, ameaçadas, fugitivas, refugiadas. As imagens, para quem as olhou com atenção, dizem tudo desse contigente humano malbaratado, marginalizado, excluído, isso não os tocou, corações de pedra que só fazem política de conveniências. Sabemos que a UE não tem responsabilidades diretas no ocorrido, mas tem no que agora ocorre. Tem por omissão responsabilidade no que não fez ao longo desse ano em que os refugiados morriam feito moscas no Mediterrâneo, e chegavam como pássaros engaiolados às praias gregas e italianas. Quanta insensibilidade foi necessária para que se produzissem aquelas imagens, e quanta falta de juízo é mister para decidirem tudo errado em sucessivas decisões sem lógica. Não podem ser tão estúpidos! São o que então? Desinformados? Sem critério? Covardes? Não solidários? Não há palavras para os qualificar.
Revoltado com o que vejo e como as soluções tendem à repulsa e não ao acolhimento, ja no artigo intitulado Essas morte têm de acabar apresentava a solução óbvia se os quisessem acolher e evitar o sangue no Mediterrâneo, já faz muito tempo de imobilidade, e, apesar do que se passou nos últimos dois anos sem uma solução plausível, continua a exclusão, agora orquestrada. E porque? Porque os que mandam na Europa não queriam, e deixaram o problema progredir, e não querem, e, como ele é grande demais, resolveram pagar à Turquia para fazer o trabalho sujo que eles não têm coragem de o fazer diretamente. Já escrevi sobre isso em 2013, e passaram-se mais de dois anos e tudo continua na mesma, ninguém é cego tanto tempo! Está provado que os atuais dirigentes que mandam na Europa repudiam os refugiados, exatamente como a Hungria, só que a Hungria foi mais honesta em o declarar frontalmente sua repulsa, eles não. É abjeto, mas é assim. Se formos aos meus artigos As portas da Europa, e os de 2014: Uma nação de refugiados e o Dia Mundial dos Refugiados (ofereço os links no final) verão que o que se passa agora era já uma intenção escondida que já existia então. São só máscaras e falsidades, até pela necessidade de respeitar a Lei de acolhimento a refugiados a que estão obrigados, mas vontade não há nenhuma, parece que se esqueceram de que: ELES SÃO SERES HUMANOS!

LINKS: http://hdocoutto.blogspot.pt/2015/08/essas-mortes-tem-de-acabar.html
              http://hdocoutto.blogspot.pt/2015/05/as-portas-da-europa.html
              http://hdocoutto.blogspot.pt/2014/08/uma-nacao-de-refugiados.html
             https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=7310573379523666490#editor/target=post;postID=6209429556067173985;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=6;src=postname

E mais:
               http://hdocoutto.blogspot.pt/2015/08/a-grande-vaga-humana.html