quarta-feira, 21 de outubro de 2020

O que esconde a morte de Samuel Paty?

 





Como é notícia, Samuel Paty, um professor de História da região de Paris, França, foi degolado por ter mostrado caricaturas do profeta Maomé em sala de aula (Caricaturas que podem ser vistas em grande número e à exaustão na Net), degolado, nada menos que isto, num ato bárbaro perpetrado por um imigrante muçulmano acolhido residindo em França.

A razão dele ter mostrado as caricaturas deve-se ao fato de lecionar liberdade de expressão, esse tipo de liberdade essencial a uma democracia, o que desconhecem os muçulmanos que vivem em teocracia, que vêem Maomé como um Deus intocável (É um Santo, um profeta, e condenaria certamente o que se faz em seu nome.). O próprio Deus, tolerante e misericordioso atura todo tipo de ofensa, e as perdoa. 

Tudo certo, ou melhor, tudo errado, e podemos condenar fortemente o entendimento e a reação absurdas, que resultou no assassinato do professor. Sem nenhuma xenofobia, ou qualquer tipo de repulsa, ou ódio, temos de fazer alguma coisa para restringir a ação dessa gente que não respeita a liberdade de expressão. Pois são como bandidos, que devem ser controlados pela polícia.

Dito isto sem nenhuma fobia ou preconceito, apenas por não querermos o ladrão dentro de nossas casas, analisemos os fatos:

                                  1. O assassinato do Prof. Paty deu-se em menos de uma semana após ele ter levado as imagens para sua sala de aula.

                                   2. Houve uma rede de envolvidos na elaboração do crime.

                                   3.  Eram todos estrangeiros acolhidos em França.    


O que pergunto como ponto chave do ocorrido, é o seguinte:

                                                                                                    1. Então eu sou acolhido em casa alheia, da qual conheço as Leis, se não quero aceitá-las devo-lhes poder impor minhas leis e regras?

                                                                                                     2. Como em menos de uma semana souberam, planearam, e executaram o ataque e o assassinato do Prof. Paty? Eles têm aquilo tudo controlado?

                                                                                                     3. Estarão os muçulmanos acolhidos em países estranhos a vigiar e controlar a gente dos países onde vivem, para puni-las em caso de fazerem alguma coisa que lhes desagrade?

E a última e crucial pergunta: Devemos em nome da Democracia e da Civilização aceitar isso sem nada fazermos para impedir novas mortes?

Eu entendo que quando estou em casa alheia tenho de respeitar os costumes dos donos da casa, e não impor os meus, se eles não me agradam, lá não vou. 

Do que não vi ninguém dar fé,  é do que refiro no primeiro fato registado, que motivou a segunda pergunta, o que nos leva a esta outra: Então, logo à seguir (E se passou o mesmo com  Charlie Hebdo.) toda e qualquer atitude que os muçulmanos reprovem, estes estarão orientados, sabe-se lá por quem,  para matar, ferir, atingir, massacrar, aqueles que em seus países defendem suas ideias e opiniões?


Et évidamment Je suis Paty! 


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

O dinheiro na mão das pessoas.

 

                                                                                                                                                                      Há, como sabemos, muitíssimos tipos de pessoas, e cada uma delas reage diferentemente ao dinheiro. Ou porque só pode reagir assim, ou porque assim é sua sensibilidade. Com esta relação com o dinheiro, o dinheiro que é essa circunstância restritiva e impositora que assumiu extrema força, e que hoje controla tudo, com esta relação criaram-se diversos tipos de dinheiro que se apresentam em situações diferentes à medida que as circunstâncias também assim se apresentam. Não se criaram como resposta à sensibilidade das pessoas, mas aproveitando-se delas. Destes muitíssimos tipos, brevemente analisemos a parte do capital improdutivo, aquele dinheiro que ainda que na mão das pessoas, não serve para nada, e ganha logo características degenerativas muito acentuadas, pela negação de suas mais importantes funções. Entre estes tipos de dinheiro temos: o que não é, o que não pode, o que não serve, o que não há, não tem, não vai, não está, iremos olhar para eles para podermos notar seus contorcionismos, mentiras e desgraças, posto que fazendo suas aparições nas contas, nos Orçamentos de Estado, nos balanços das empresas, não criam nada, flutuando sempre, e tendo sua ação sem comiseração ou lógica racional, numa lógica própria, malévola, irracional, implacável e progressiva na sua ascensão e domínio, que nos tem levado à todas as desgraças, e que nos levará a destruição. 

Antes de vermos estes sete tipos de dinheiro, vejamos três características gerais que se formaram com a ascensão do lugar do dinheiro em nossas vidas e na sociedade, degenerando a ordem das coisas, pondo em seu lugar esta mentira destrutiva que hoje domina tudo, e que se chama O IMPÉRIO DO DINHEIRO. 

1ª. DISFUNCIONALIDADE.

As necessidades financeiras de uma sociedade são de toda sorte complementares, nunca podem ser o corpo da sociedade, mas para absurdo, inapelavelmente  foi o que aconteceu na nossa sociedade atual, as finanças determinam tudo, e tudo controlam, apesar de não produzirem nada. Os agentes improdutivos se tornaram donos do mundo, desfigurando o mundo em sua única e possível forma de ser - HOMEM => MEIO => SOCIEDADE => HOMEM - A face do mundo, para que possa ser democrática, para que haja democracia política, necessita que antes haja democracia económica, se não se estrangula, se asfixia a democracia em seus valores, exige que esses valores estejam em tudo, porque o homem é o homem e suas circunstâncias, e estas, todas as que lhe permitem viver, exigem democracia económica, uma vez que a distorção da distribuição da Riqueza não pode ser de tal forma injusta que transforme tudo em ditadura. 

ESTAMOS VIVENDO A DITADURA DO DINHEIRO ! Como veremos, essa disfuncionalidade penetrou fundo na lógica do mundo, tendo se tornado sistémica, estabelecendo as regras do jogo que geram o Caos. Se esta última frase for re-escrita depois do fim de nossa sociedade, fim que inevitavelmente virá se não mudarmos o modelo, ganhará contornos de clara explicação, os mesmos que tem hoje, mas que, por enquanto, ninguém os quer ver. 

2ª. VACUIDADE.

Temos esta imensa quantidade de dinheiro que NÃO PRODUZ NADA

                                                                            NÃO GERA EMPREGOS

                                                                        e  NÃO PAGA IMPOSTOS. Mas sua existência cria uma distorção nos valores sociais de tal ordem, que torna irrecuperável a lógica da sociedade, criando uma outra lógica própria e particular baseada na sua existência, vale dizer, pelo só efeito de existir tanto dinheiro inútil, os custos em financia-los distorce todo o sistema, destruindo o social, corrompendo a sociedade, e dando-lhe novos valores, falsos valores e razões, falsas medidas e metas, que cria e alimenta o monstro dinheiro, para que ele possa continuar existindo nessa forma e tamanho. Pode haver maior miséria? Pode haver maior crime? Crime perpetrado todos os dias contra todos, com mercados próprios, com enormes estruturas que o facilitam, e com leis, ou a falta delas, que o legitimam, é, portanto, a institucionalização da criminalidade. Num mercado liberado, desregulado, e que vive de si mesmo, sem nenhuma ligação com o mundo real, a não ser o papel impresso que circula em ambos, que têm como meta de ação, e que se alimenta do trabalho para que seja cada vez maior. Ora, se há este mundo improdutivo, e ele vai consumindo a produtividade do outro (a do mundo real) até que esta colapse, porque deixam-no existir?  Sempre gerando uma crise, que é dita financeira, mas não é, e a das coisas, do trabalho, dos valores, que terão que arduamente compensar a corrosão que criou seu colapso criado pela ação do poder financeiro, e, ao tentar repor as equivalências, as paridades do dinheiro com sua razão de existência (o mundo real),  as forças produtivas ficam tão descompensadas pela avassaladora quantidade deste volume absurdo de dinheiro na mão de pouquíssima gente, em margem absolutamente desproporcional (O mundo financeiro distorce o mundo real.). Tão poderosa quanto inútil à sociedade, essa quantidade monstruosa de dinheiro em circulação, absurda e desnecessária, mas que mantém-se, tendo evoluído e envolvido e subjugado tudo, com o endividamento das famílias, das empresas e dos Estados, deste modo tendo se apropriado do produto social (o excedente que é necessário ao equilíbrio social e que permite o aumento populacional) através destes agentes não produtivos que controlam tudo, invertendo a lógica das coisas, quando as finanças deveriam constituir um sistema complementar, transformou-se no centro, no coração, na alma, e depois no próprio sistema social em toda sua extensão. Como sua existência é centrada na vacuidade, só poderia se manifestar em algo útil, se cumprisse sua lógica de complementaridade ao sistema central, mas se tendo transformado no sistema central, está fadada, é autofágica quando acabarem-se as margens, e virá a morrer da própria vacuidade que gera, devorando-se. Antes criará o Caos, é verdade.

3ª. MAXIMIZAÇÃO.

Neste processo de financeirização dado com o Neo-liberalismo, com o Estado mínimo e com a privatização do deficit público, criaram um modelo de economia que se baseia só na maximização do lucro, onde nada mais importa, SÓ O LUCRO IMPORTA, não havendo outros interesses que se imponham numa sociedade que apenas gira em torno das finanças. Como hoje a maioria das grandes empresas não têm dono (ou estes mudam a cada dia) uma vez que estes são o capital social composto em ações ao portador, seus CEO só pretendem atender ao interesse de seus patrões invisíveis, gerando lucro, porém este em sua expressividade mais perversa, porque ainda que possa ferir aos interesses de existência futura da empresa, esta de momento têm de gerar lucros em detrimento de tudo mais. Este princípio que norteia toda a economia hoje, onde só o lucro e o crescimento importam, está contra a lógica das coisas, posto que tudo existe por causa dos seres humanos, estes que são todos os que existem, e que, para proveito de apenas uns quantos, nessa ilógica existencial, criou-se uma realidade que destrói a única base de como podem ser as coisas, como está explicitado no que se chama o 'triple bottom-line', que estabelece esses três princípios que não podemos mudar, ainda que hoje estejamos em sua negação, o que é maior insanidade, ao pensar que possa haver uma sociedade que não seja: ECONOMICAMENTE VIÁVEL, SOCIALMENTE JUSTA, e AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEL. Ultrapassamos todos os limites na ambição desenfreada!

O abandono destes princípios gerou o Caos em que nos encontramos, Caos que se expande e dita o fim desse modelo económico que, ao se manter, determinará nosso fim. => As palavras são o que são, podem parecer fracas ou demasiadas, mas, se refletirmos, veremos que nos desviamos demais da realidade, nos entregando a Utopia financeira que gerou esta sociedade consumista, destruidora, e poluente que nos está a engolir, daí não poder usar outras palavras.


TIPOS DE DINHEIRO.

Vejamos sete tipos de dinheiro que mostram essa realidade. Como não há leis, O DINHEIRO NÃ TEM LEI, só há algumas regras do jogo que basicamente servem aos poderosos, razão de existência do sistema que criaram, e de suas regras, e do próprio jogo a que estão sujeitas, com as diferentes políticas e as variáveis infinitas. Políticas que os donos do jogo determinam, ao sabor das variáveis de natureza real, às quais contrapõem em seu confronto invisível, semeando o Caos, que agora se generaliza na sociedade, e a faz agonizar mais intensamente.  

 

1ª tipo.

O dinheiro que não é.

 É o daquelas pessoas que o tem na mão, mas é para nada, porque o único que podem fazer com esse dinheiro que lhes passa pela mão, é pagarem o que devem ("Toma Coca-cola, paga lo que deve", diz a canção.) porque o dinheiro está com elas, mas não é delas, porque não podem dispor dele de forma diversa do que lhes determina suas necessidades existenciais. E essa é a maioria esmagadora das pessoas que existe, por isso é o primeiro tipo de dinheiro que apreciamos, por ser o mais comum, o de subsistência, o que todos temos de gastar para nos mantermos vivos, e quentes e sem que nos chova em cima. O único que podem decidir essas pessoas sobre esse tipo de dinheiro, o dinheiro que terão circunstancialmente em suas mãos, é se pagam a luz hoje ou amanhã, se compram carne ou peixe, mas seu dinheiro todo vai nisso, e quem estudou as ideias de Adam Smith sabe que a concentração desse dinheiro, e mesmo sua expansão, rouba todas as margens para que se crie "A Riqueza das Nações" (usemos-lhe a expressão). E como o dinheiro todo vai nisso, e não pode ter outra destinação, é como se na verdade não existisse, portanto não é ! Logo sendo um dinheiro que não é, cumpre apenas a função primária do dinheiro, ser moeda de troca sem excedentes. É, portanto, como se não existisse. Não é de quem o tem, não é para o que querem ou queiram, não é para criar nada. É só um meio de pagamento, como poderia ser as conchas das praias. Mesmo aqueles que têm dinheiro para além deste, têm uma parte (mais ou menos significativa) de seu dinheiro, que é esse dinheiro que não é, e que está empenhado como essa forma, a de não ser, porque, como todo mundo, ao cumprir desse modo suas necessidades de subsistência, de forma mais folgada ou mais apertada, não importa, gastará esse dinheiro, esse dinheiro que não é, que não é delas, não é para realizarem nada de mais com ele, não é para criarem nada, é só para se manterem vivas, portanto não é, não é para mais nada, porque também se poderiam manter vivas as pessoas sem dinheiro,  em outro tipo de sociedade, é claro, que foi na qual todos começamos nossa existência enquanto Humanidade. Logo por as pessoas, em sua esmagadora maioria, terem apenas esse tipo de dinheiro devido à má repartição das riquezas, é, para além de uma das maiores injustiças sociais existentes, o maior bloqueio ao progresso e ao desenvolvimento social.  


2º tipo.

O dinheiro que não pode.

Esse tipo, que está para além do que não é, admite dois sub-grupos:

I) Não pode porque é pouco.

É o dinheiro que, estando na mão das pessoas, estas nada, ou quase nada, podem fazer com ele, por ser pouco. A maioria faz alguma poupança, uma reserva (99% em aplicações que perdem até para a inflação) e uns poucos, muito poucos, conseguem se reunir para que o dinheiro deles, todo junto, possa criar alguma coisa [Supostamente é para o que serviriam as ações e as bolsas de valores, se não fossem um meio de especulação, de casino, de jogatina mais vergonhosa que possa haver.] Talvez o Crowdfunding seja uma nova esperança.

II) Não pode porque é sujo.

É o dinheiro que podendo ser produtivo, porque é muito e suficiente para empreender, não aparece, e são somas astronómicas, porque fica escondido à espera de lavagem, quando essa é possível, porque sua origem é ilegal, ou sem comprovação, ou mesmo criminosa, e fica lá, onde quer que esteja, escondido, e não cria nada. Não se enganem, há muitíssimo desse dinheiro.  


3º tipo.

O dinheiro que não serve.

Não serve porque, mesmo sendo justo, limpo, com origem, as regras para sua utilização traz exigências de tal ordem que inviabiliza sua utilização (Quem já pediu empréstimo ao banco, por um lado, ou quem já constituiu uma empresa, sabe do que estou a falar), mesmo para quem já o tem na sua mão não serve para investir, porque as regras são tantas e de tal ordem que afugenta ao empreendedor. O que leva a conclusão de que o dinheiro não é para quem precisa dele, para quem poderia fazer algo de útil para a sociedade. Não, o dinheiro é para quem tem dinheiro.  


4º tipo.

O dinheiro que não há.

Esse dinheiro que pode ser quase todo o mais dinheiro que existe, porque as finanças permitiram que montanhas de dinheiro que não há invadissem o mundo e desse cabo da economia, se não a matou e enterrou ainda, é porque as pessoas vivem com necessidades reais, e não com as virtuais ou financeiras [elas comem, elas viajam, elas se vestem, elas tomam banho, etc...] se não fossem essas necessidades reais, o dinheiro já teria um lugar apenas abstrato dominando tudo - como o de plástico, ou eletrónico, que se não lhe precisa tocar- que mesmo não tendo existência física, existe como meio, e cada vez mais controla o mundo, e que estando em toda parte só serve e só se materializa  como sujeira, como poluição, como fadiga para todos. E todos que queiram produzir, criar, levar a vida e o mundo adiante, esbarrarão sempre nessa enorme muralha do dinheiro que não há, mesmo havendo tanto, demasiado, muito mais do que deveria existir. E, mesmo assim, mais das vezes não há, porque a rentabilidade real não pode nem de perto nem de longe competir com a financeira. Essa voracidade criou bolsas de irrealidade que correm nossas vidas, e roubam e falseiam a realidade. Nunca esquecendo que o dinheiro não aceita desaforos.


5º tipo.

O dinheiro que não tem.

Essa forma de dinheiro, que não é o de quem não o tem, como possam pensar alguns, sendo este mais um tipo que não interessa, pois o que não tem é aquele que não tem utilidade, não tem participação no mundo real, pelas mais diversas razões, e parece que não existe, mas existe em quantidades absurdas. Esse tipo de dinheiro que é feito de parte de alguns dos demais que lhes já comentei, é parte do que não pode (a parte que pode aparecer) mais todo o que não há, e ainda uma franja à mais que é aquele que roda depressa, às vezes, raras vezes, podendo ser pontualmente útil à sociedade. É o dinheiro da ambição, é o que existe em maiores quantidades, não tem aplicação para a maioria das pessoas, sobretudo as que não o tem, e mesmo para as que o possuem, costuma ser inútil, estando sempre em reserva. São montanhas de dinheiro que não tem utilidade, não tem emprego, não tem destino, existe para a suposta tranquilidade de quem o acumulou. E flutua, do 'stock market', aos leilões, passando pelo 'over night' e mais lugares de seu pouso. É puramente especulativo, e já foi chamado de capital mercantil flutuante. É corrosivo, é destrutivo para tudo a seu redor, é o mais maldito de todos, por inúmeras razões, que vão desde sua origem até sua forma de acumulação. Ao não ter, poderia não existir, mas existe, e distorce a realidade, torce o mundo e a vida, de tal ordem que é o mais pernicioso de todos os tipos de dinheiro que existem. Nunca esquecendo que o dinheiro é fêmea, e reproduz-se, até por partenogénese.   


6º tipo.

O dinheiro que não vai.

É o dinheiro que, na ânsia de se ir reproduzir, não vai, portanto não chega a ser útil e produtivo, este é a o a essência do que é o capitalismo, que vive desse não ir, posto que ciclicamente criam-se e destroem-se empresas, deixando dívidas e prejuízos, que é o que os bancos chamam de imparidade, e, para quem sabe jogar com ele, pode criar fortunas. É um dinheiro ácido, que corrói a si mesmo. É uma chaga social, é uma entre tantas desgraças que há, porque ao promover destruição estará fazendo mover a economia, parecendo ser útil, parecendo até ser criador, mas é apenas destruidor, levando a que outro dinheiro, aquele que cria, ao que chamamos produtivo, que não está entre estes sete tipos que aqui avaliamos, venha recriar o que foi destruído pelo dinheiro que não vai, consumindo recursos.

A quantidade deste dinheiro é tanta, que até pagam para que alguém o tome por empréstimo (ou seja com juros negativos para o tomador do empréstimo). São montanhas de dinheiro que não podem ser guardadas debaixo do colchão dado a seu volume, por isso pagam para que alguém fique com ele. É um dos contra-sensos que surgiu com esta extraordinária expansão do dinheiro. Nunca esquecendo que o dinheiro nunca dorme, nunca se cansa, nunca se aquieta, e exige esmerados cuidados para que se não vá embora de nossa mão para nunca mais voltar.  

Deixem-me Vos dar uma imagem de como age esse tipo de dinheiro: Eu vivo em frente a um casino, e fui várias vezes convidado a financiar jogadores. Esse negócio passa-se assim, o custo do dinheiro é tão alto que já se sabendo que não iremos receber uma boa parte do que foi emprestado, que nunca irá ser paga, não importa, porque as margens cobrem tudo. Como eu não aceito isso, que para mim é desonesto, nunca participei, e não fiz uma fortuna por causa de meu temperamento -sou socialista- mas essa é a essência do capitalismo, que fica bem patente no sistema bancário, pois sempre deve haver muita destruição para que haja reconstrução, e o que não vai, o que ficou destruído, ainda leva fama de bonzinho, de progresso, de coisa boa, quando é só destruição e imparidade. É portanto de existência efémera, como é a própria alma do capitalismo, onde é necessário que sempre haja destruição para poder haver criação, permitindo que se jogue sempre mais, e que se gaste o dinheiro, mas ele não irá reaparecer, não vai dar em nada, não vai criar nada, terá sido só uma expressão contábil, um registo sem sucesso, porque não deu em nada, a não ser no próprio ato de seu emprego inconsequente. Eis a alma do capitalismo!


7º tipo.

O dinheiro que não está.

É um tipo de dinheiro transitório, por exemplo o de uma Conta Corrente que é dada com provimento, e é admitida como boa, mesmo estando no negativo. Desse modo todos os dias se cria grande quantidade de dinheiro que não está, primeiro porque não existe, e por outra parte que, sendo uma expectativa, essa poderá não ser satisfeita, muita gente tem poder de criar esse tipo de dinheiro, desde qualquer gerente de conta (hoje já se cria esse dinheiro automaticamente com uma cobertura, uma margem que cada conta pode ter) passando pelos contabilistas, até aos grandes financeiros e jogadores das bolsas. Isso aumenta ainda mais, ainda que temporariamente, a base monetária que já é mais do décuplo do que deveria ser, destruindo ainda mais a razão de ser de um elemento de troca. Ninguém troca algo real, que exista, por nada, pelo vazio, não é verdade? 

Como sabem, antigamente (Até o século XIX e a primeira metade do XX, e antes, numa época em que não havia o capitalismo desenfreado, e, ainda um pouco antes, quando nem mesmo era capitalismo, porque tudo pertencia ao Rei ou a Nobreza, e só aos poucos foi trocando de mãos para a burguesia ascendente.) o dinheiro estava ligado à matéria pelo seu valor intrínseco (era em ouro, em prata, em bronze) depois se desmaterializou e, em papel, ficou livre para existir sempre mais, e desgraçar o mundo, podendo sempre ser impresso mais um bilhete sem lastro, (antes você não podia cunhar sem a matéria valiosa) e prosseguiu até que se tornou em impulsos eletrónicos, com velocidade e voracidade nunca imaginadas, destruindo tudo que toca. E outrora as pessoas de sucesso empregavam-no re-produtivamente, gerando empregos, criando riqueza e fazendo um mundo melhor, depois disso perdeu todas suas características criadoras, tornando-se nesse frasco de ácido corrosivo, perigoso, que apresenta-se nessas 7 características que apreciamos, entre outras.

Não se esqueça que, com qualquer característica que apresente, TODO DINHEIRO TEM DONO, mesmo que este seja muito improvável, ou não deseje que se saiba sê-lo.


                                                                                                            (*) Escrito em português de Portugal.

UM PAR DE PATINS PARA TRUMP.


 


Um par de patins para que ele vá mentir a quem sempre mentiu, e não para uma nação inteira. 

Um par de patins para que ele possa logo ir a falência, com seus negócios incertos.

Um par de patins para que ele vá infeccionar sua gente, e não aos pobres infelizes que vão aos seus comícios.

Um par de patins para que ele vá pagar os impostos que nunca pagou.

Um par de patins para que ele governe sua vida, e não o país irresponsavelmente, tendo levado muitos milhares a morte, a economia a bancarrota, o orçamento ao fundo, e destruiu a credibilidade do país.

Um par de patins que o leve para o inferno, onde ele vá se encontrar com outros demônios como ele.

Que lhes possam dar esse par de patins que livre o mundo de semelhante figura. 

terça-feira, 13 de outubro de 2020

A falta de pudor em mentir descaradamente no orçamento.

 

    



                                                                                      QUANDO SE PERDE O PUDOR POUCO RESTA.


Tendo atingido o ponto mais alto da negação de seus propósitos existenciais, o governo português do PS inclui entre suas inúmeras contingências a de mentir. Um governo existe para atender as necessidades do povo que governa, prestando-lhe conta, a cada passo, do que fez e do que intenta fazer. Toda e qualquer outra postura é descabida, indigna e miserável, como esse triste retrato que nos dá há anos figuras abstrusas como Trump e Bolsonaro.

É com muito desfavor que vejo o governo do Dr. António Costa ter se valido da falsidade, do engano e da mentira para tentar esconder no Orçamento de Estado as centenas de milhões de euros que pretende dar ao fundo abutre 'Lonestar' para suprir as imparidades registadas no Novo Banco. A triste figura a que se prestou o Dr. João Leão diz muito da circunstância governamental no geral e de seu caráter em particular. Sinto mesmo pessoalmente alguma vergonha em virtude dessa tentativa de enganar o povo português que, ao ser tão primária e tão reles, faltando ao primado da governação que reside em dizer a verdade, seja ela qual for, traz à tona lembranças de seus momentos mais baixos, indigentes e desgraçados.

E olha que o rei vai nu!

E, nesse passo dado, a revelação mais pecaminosa de sua atitude, tendo alcançado um estado de miserabilidade, onde seu propósito de existir esgota-se, posto que ao tentar enganar seus parceiros de governação, enganando toda gente, mergulha no mais ignominioso de todos os estados porque passam os diferentes governos, o de negação, onde já nada mais importa que satisfazer seu ego, num apreço exagerado das razões e necessidades de sua existência. Condição miserável de ser, em que será melhor não ser, fugindo à máxima de Ovídio, velha de dois milénios, tão empregada por Machiavelli já há 5 séculos, e pelos Jesuítas, e pelos inquisidores, que afirmam que os fins justificam os meios. Esse tempo todo depois deveria ter dado outra apreciação ao PS.

Hoje sinto vergonha por ser socialista, não no sentido lato, mas no restrito de supor que o PS possa ser uma boa solução para Portugal.