sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Da trilateralidade.

"Alguma coisa está fora da Ordem, da Nova Ordem Mundial." Caetano Veloso. Meu avô materno, que era militar, costumava dizer: Manda quem pode, obedece quem tem juízo! E assim é, por maioria de razão, em espaços sem o império das leis, quando países deixam o Estado Democrático de Direito para assumirem posições em que fiquem sob o poder da força, vale dizer sob o Império da força, rejeitando os outros meios de expressão existentes na relação entre os Estados: o Direito (nesse caso o público internacional) a Diplomacia e o diálogo, institucional ou não, fazendo perecer estes meios, dando espaço somente ao poder da força — que muito pode, é verdade, mas não pode tudo, porque no processo atuam também outras componentes, que sendo de pequena e relativa força, mesmo assim podem modificar cenários que o poder entendem como certos. Foi assim durante toda a idade média, durante o período napoleônico, e mais, porque aquilo que se imaginava seguro, subitamente tomou outro rumo, alterando toda a situação — Vejam por exemplo o poder napoleônico, pensava que dominaria Portugal, o pequenino Portugal, facilmente, e não conseguiu. Por três vezes tentou, e por três vezes perdeu. Hoje temos dada a incúria europeia, por um lado, e o psicopata que ocupa a casa branca, por outro, (pedra que eu havia cantado na primeira campanha para sua indicação pelo partido republicano - podem verificar, está na net) a condição que está permitindo que o mundo tenha se rachado em três blocos, sem melhor proveito para nenhum, no entando permite a todos, e a cada um deles, impor políticas e ações militares absolutamente perversas, desrespeitando tudo que estava consaagrado como ordem mundial, rasgando a Carta da ONU, a da OEA, rasgando os compêndios de Direito Internacional, e destruindo relações diplomáticas, políticas e militares, e suas instituições, que levaram décadas (algumas séculos) a se consolidarem. Com isso ruiu a ordem, a antiga ordem multilateral, e surge uma nova, novíssima, que, por enquanto, é trilateral. A Alemanha foi a primeira a perceber isso, e a começar a se preparar para lidar com a Nova Ordem, e tentar estabelecer um quarto factor, um quarto lado (muito certamente dentro do todo da União Europeia da qual faz parte) mas isto demora. São preciso armas, exércitos treinados, indústria bélica e apoio popular (no caso das democracias). É preciso tomar boa nota que o tempo é um factor crucial, porque todo o espaço (político, militar, institucional, que não é ocupado, é um flanco aberto a movimentações, nada podendo embotá-las, que não o exercício efetivo do poder). Os que crêem em acordos (tinta sobre papel) como se deu com a Ucrânia, que entregou seu arsenal atômico em troca de um acordo de defesa — sabemos o que foi feito de tal acordo. Pobre Ucrânia. Sem Ordem, visto os poderes proeminentes só entenderem a linguagem da força, essa que só pode ser exercida militar ou/e economicamente, do vazio existente, muitas movimentações ocorreram no intúito de demarcar territórios, e estabelecer zonas de domínio. A Rússia de Putin começa sua expansão territorial no sentido de recompor a velha União Soviética (que nunca teve nada de União, mas sim de jugo soviético). Os Estados Unidos começam a peleja pelo domínio do Indo-Pacífico, levando a China a demonstrar todo o poderio que vinha, e vem, consolidando durante décadas, como é seu modo de atuar (devagar e sempre, ou melhor: continuamente ativa sem despertar barulho e atenções) e um pouco por toda parte, na Europa, em África, por toda Ásia, na América, nos próprios Estados Unidos, comprando sua brutal e impagável dívida; e por toda parte comprando empresas, portos, companhias de transporte, etcetera (tudo sem guerra, pela foça e poder do dinheiro que deixará de ser o dólar). Desse modo a Rússia que só é poder pela força das armas, tendo uma economia bem menos pujante que os outros dois lados — Os Estados Unidos e a China, os atuais maiores PIBs do planeta, muito distantes dos que vem depois, e, como sabemos, tudo, desde o desenvolvimento às guerras, custa dinheiro, e muito dinheiro, este que só pode ser obtido pelo desenvolvimento econômico e pela exploração das riquezas naturais, próprias ou alheias, para que haja uma máquina poderosa que sustente as pretensões de poder que alguém possa ter. Hoje estamos nisso, três poderes tentando aumentar seu efetivo poder e sua área de influência, melhor dizer domínio, por isso a Rússia do Coronel Putin invadiu vários Estados sem declarar guerra, através de "operações especiais", a China e os Estados Unidos fizeram o mesmo, coagindo outros países, sendo que os EUA têm como justificação, o entendimento absurdo da extra-territorialidade, e agora as três, para demarcar território, buscam acordos secretos ou não, como o de Putin-Trump em Anchorage, os de Xi nos BRICS+, e o de Trump-Xi na Venezuela (onde nem uma gota do petróleo que vai para a China será tocada). Manda quem pode, obedece quem tem juízo, 'tout court'.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Complexo de Napoleão.

Napoleão era baixinho.
O Sr. José Paulo Fafe escreveu no seu 24 horas, às vezes são só 23 e meia, um artigo de opinião intitulado O ERRO FATAL DE MARCOS MENDES. Ora não há erro nenhum, é como é. Erro é aquilo que resulta de uma má compreensão, ou de análise deficiente, o que nesse caso não se verifica. Sendo o erro apontado "assentar sua campanha na seriedade, na questão da ética e da experiência.". Não há erro nenhum nisso, e na verdade o mínimo expectável é que todos os candidatos o fizessem.O que não ficou dito é que para o fazer é preciso não ter telhado de vidro, o que certamente o sr. José Paulo Fafe evitou mencionar, para não responder a um processo do Dr. Marcos Mendes, agora dizem Marcos Mentes... Sei lá! O facto é que essa coisa de se apresentar higiênico, é necessária higidez, ou seja sua boa saúde no sentido da limpeza, ou seja não estar conspurcado por nenhuma sujeira que se lhe possam apontar. O paladino dos comentários de domingo, que, tendo sucedido a Marcelo na tv, não o sucederá em Belém, por falta de cabedal, os sobejos recursos que tinha Marcelo candidato, que pôs-se em rumo batido na sua candidatura inexorável a dez anos no Palácio de Belém, salvo sua mordacidade, não puderam apontar nada a Marcelo. Já o caso do Sr. Mendes é bem diverso. Não se tratando de erro algum, posto que só erra quem foge a sua essência, e Marcos Mendes manteve, e mantém ua essência, essa que é forjada na puquenez de seus dias, o tampinha que sempre foi, e é, porque é baixote, poucos esuqecer-se-ão das blagues dos bonecos da Contra-Informação, onde o sr. Mendes era retratado naquela versão abstrusa de comportar-se, um sorriso falso, uma pose estudada, uma postura premeditada, e nada para destruir uma pessoa do que passar a sensação de ilusionismo. E a postulação do Sr. Marcos Mendes não aguentou uma campanha, sem erro, mas com sua natureza, napoleônica que é. O complexo de Napoleão, que atinge primordialmente às pessoas de baixa estatura que gostariam de ver sua figura em posição cimeira, ultrapassando todos os demais mais altos fisicamente que eles, tendo destarte o desejado destaque, aquele que se lhe foi roubado pela Natureza ao fazêlo pequeno fisicamente, mas que seus magníficos dotes intelectuais o lançaram muito para além dos outros, oa mais altos. O erro, que aqui neste caso é do Sr. José Paulo, foi esquecer-se que ninguém foge a sua própria natureza, sendo como é, nesse caso um pretencioso, que só sem máculas, como se verificou na candidatura de Marcelo Rebelo de Souza, poderia prosseguir num diapasão de ética, cuja conduta fosse, não digo irrepreensível, mas com falhas aceitáveis, e que não levassem ao que as apresenta a postura temerosa e apoucada para um gigante-anão que tenha a maior pretensão política que há em Portugal. "Ganda noia."

Macas ou mocas?

Devido à minha proverbial estupidez, promovo soluções óbvias aos problemas que se me aparecem. Por exemplo: acaba-se-me o pão lá em casa, eu sem exitar saio e compro pão - pondo fim ao problema - e me considero muito engenhoso por isso! Só uma mente brilhante alcançaría tão pronta solução. Deste modo quando sabe-se que o problema do INEM reside no sequestro, melhor será dizer não liberação, das ambulâncias que não podem seguir seu rumo sem as macas, este utencílio indispensável para o transporte de doentes, uma vez que os doentes sem macas teriam um transporte ao mesmo tempo difícil e perigoso, pensei, dentro dos meus limitadíssimos recursos mentais: Porque não suprir a falta de macas, e com isso libertar as ambulâncias prontamente, vale dizer libertar o INEM para continuar a fazer seu serviço indispensável e insubstituível? Desse modo, dentro de minha fraquíssima capacidade de entendimento, imaginei que se houvessem macas sobressalentes, o problema prontamente resolver-se-ia, evitando toda essa convulsão que assola o país há anos. Fiquei mesmo muito abespinhado que saísse essa ideia de minha limitadíssima cabeça, quando os cérebros privilegiados que dirigem a nação portuguesa, não concatenaram essa prodigiosa ideia, advinda de minhas parcas faculdades. Seria algo assim: No lugar de adquirir mais ambulância, equipamentos, treinar pessoal para-médico e de suporte, etcetera e tal, bastaria comprar bom número de macas e distribuí-las pelos hospitais. Desse modo quando uma ambulância chegasse a um hospital, em lugar de aguardar a devolução da maca em que entregaram o doente, apanhariam outra, e seguiam seu mui meritório trabalho de salvar vidas. Sinto-me amedrontado em propor solução tão simples, que só poderia vir de uma mente tão simplória quanto a minha, e deste modo estar metendo a pata na poça, revelando todas as minhas limitações de raciocínio, mostrando quão medíocre eu sou. Vencendo este medo por amor à causa, e na expectativa de salvar vidas, lanço aqui minha sugestão: PONHAM MACAS SOBRESSALENTES EM CADA HOSPITAL. COM POSSIBILIDADE DE ACESSO SÓ POR PARTE DOS PARAMÉDICOS DAS AMBULÂNCIAS. Dito isso peço a Deus que me perdoe na minha ousadia simplória, e que ilumine as mentes brilhantes que nos governam para encontrarem a solução mais adequada a tão complexo problema. Que Deus nos ajude.