sábado, 18 de abril de 2020

ENSAIO GERAL.




O Covid 19 é o ensaio geral da crise ambiental do final da próxima década. Todo esse impacto económico, do qual ainda só vimos a pontinha, é uma colher de chá do grande caldeirão que se está cozinhando. 

Comecemos por fazer notar que essa crise do Coronavid não é uma crise de saúde pública, como muitos querem crer, mas sim uma crise ambiental (Verão suas causas e consequências ao longo do texto, que esclarecerão esta afirmação.) .

Nosso comportamento (o dos seres humanos) está moldado para trocarmos germes, desde a proximidade com os animais (sempre tivemos animais próximos, domesticados ou não), e com o solo (cavamos e lidamos com a terra com as mãos nuas) até aos antigos rituais (com sangue, fezes, secreções diversas) passando pela alimentação (Carnes pouco cozidas, ingerir animais de toda ordem e origem) até aos comportamentos sociais (dar as mãos, dançar, abraçar, beijar) e os sexuais (sendo o de maior quantidade de troca de germes de todos, o beijo na boca, além de outros beijos noutros lugares, e o coito em suas várias expressões). Todos esses comportamento evoluíram evoluíram ao mesmo tempo que a ciência, ou o que ela era, que foi, em diferentes épocas, os alterando com as suas descobertas e soluções, o que nos foi afastando do básico animalesco, mas que demorou muito a incorporar, e ainda no século XIX se operava um paciente sem sequer lavar as mãos, e ainda hoje toda a modelação do comportamento infantil está em ensinar às crianças o que é adequado e inadequado em termos de lidar com micro-organismos, levamos anos nisso (Não ponha a mão na boca. Vá lavar as mãos. Troque de roupa. Não mexa na terra.). Toda esta educação comportamental evoluiu para usos e costumes estabelecidos, para escolhas dietéticas, e, logo também, opções religiosas, que iriam incluir restrições alimentares e comportamentais, tornando-se, à seguir, tudo isso cultural, mas não é, nunca foi, foi e é, desde sempre, biológico e ambiental, ou seja é a Natureza a nos moldar a seu talante, não são hábitos culturais como ir à missa. Que ninguém se engane! (Note que devido às suas restrições e opções alimentares, certas religiões -as abraâmicas mais que todas- forjaram uma superioridade moral que as demarcou.)

Todos esses hábitos contraídos mostraram-se proveitosos, ainda que a princípio essa troca de germes só se desse instintivamente, os resultados que apresentaram, os benefícios que daí advieram, tornando todos, e cada um daqueles indivíduos que os praticaram, mais saudáveis e imunes a muitas doenças, foram tornando esses hábitos universais para cada grupo, culturais, pode-se dizer afinal, criando, como consequência, unidades sociais sincronizadas, que atuam como barreiras às doenças e aos micro-organismos patogénicos. Viu-se isso claramente quando grupos, com outras defesas, ou sem elas, e portadores de organismos patogénicos que não os afetavam, entraram em contacto com outras populações também saudáveis e perfeitamente defendidas dos elementos patogênicos que haviam "domesticado" enquanto comunidade, em seu ambiente, assim como os outro, mas que eram sazonais e diferentes daqueles que vieram ter com eles (Foi assim, por exemplo, quando os europeus chegaram ao novo mundo.) matando aos milhares os elementos da outra população sem defesas para virus banais, mas muito contagiosos, como os da gripe comum, que os mataram impiedosamente. Portanto devemos considerar que todo o contagio que nos crie anti-corpos é bom, e que necessitamos mesmo dessa contaminação branda, e que os exacerbados meios de higiene e limpeza de que hoje dispomos, (desinfetantes, detergentes, remédios, mais que todos os antibióticos, máquinas, tecnologia, e sobretudo água corrente) nos tornou mais distantes desse elementos, com os quais só o convívio com suas formas brandas nos pode imunizar.

Outra coisa que devemos ter em atenção é que a rede da vida, com seus milhões de espécies, é muito intrincada, e que a separação de seus diversos ramos é, muita vez, pouco considerada, e que a nossa proximidade traz e proporciona evoluções diversas nos micro-organismos que contactam e contaminam em nós e nos animais com que lidamos, gerando alterações e evoluções nesses micro-organismos.

E ainda mais um aspecto que devemos considerar é o de que nossa inteireza biológica, ou somática, que sofre atualmente uma série de agressões e modificações a que antes não estavam sujeitas, porque agora convivemos com elementos tóxicos e patogénicos de toda ordem (muitos que fomos nós que criamos, e não são encontráveis na Natureza, sendo que desde o remédio que tomamos e depois expelimos nas fezes com grande impacto no meio ambiente, até os produtos de limpeza que usamos em quantidades gigantescas, e que são química dura, não biodegradável, ou que requer muito tempo para se degradar) e que fluem pelos rios, mares oceanos, e pela atmosfera, como todo o tipo de gases tóxicos que produzimos, que juntamente com a grande convulsão de nossa presença excessiva em todos os cantos do planeta, geram na própria natureza (com a presença de 9 bilhões de indivíduos) com nossa ação, que libera nas correntes atmosféricas todo tipo de bactérias, bacteriófagos, virus, fungos, esporos, micro-algas, gases tóxicos, toxinas outras que também sejam aerotransportáveis, e ainda trilhões de outras partículas e componentes que sem a nossa ação (sobretudo as ações agropecuárias e de destinação de resíduos) estariam quietinhas em seu lugar, e que entram, espalhadas pelo ar, com inusitadas tendências de dispersão, naquelas redes de seres vivos, alterando-as, modificando suas relações interespecíficas, derrubando as barreiras existentes, bem como suas situações endémicas, o que promove contaminações de toda ordem, estimulando comportamentos, ocorrência, reações, presenças, e ações diversas e pouco naturais, criando hospedagens novas (relação espécie x hospedeiro) o que altera todo o ambiente e toda a estrutura do planeta, bem como provocam reações individuais em todos e em cada indivíduo com que contacte (eis a fonte de muitos de nossos males) liberando elementos patogênicos a vários níveis, que, por sua vez, serão combatidos com a poderosa química moderna, a qual, com sua forte ação, irá gerar ainda outras mudanças e extinção massiva de outros micro-organismos de que necessitamos, ações que também podem ser perigosas, ou mesmo desastrosas numa cadeia de acontecimentos e fenómenos que se re-alimenta (eis o fenómeno asa de borboleta) estamos interferido de mais com o ambiente, que tem de per si seus caminhos e métodos próprios. Já vimos muitos organismos expandirem-se mortiferamente ao longo da História, esse, o Covid 19, é apenas mais um, mas que irá servir de ensaio geral para as catástrofes ambientais que se seguirão (se serão mais mortíferas, ou não, dependerá de nossa capacidade de resposta e antecipação). Toda esta anormal concentração de espécies, com a exacerbação do número de algumas delas em monoculturas, agricultura industrial, e criação intensiva, corrompe a ordem natural, que a diversidade criou subtilmente, gerando uma nova ordem epidemiológica, de onde vêm novas zoonoses, novas estirpes, e novas fontes de contágio. Note que ainda não conhecemos claramente as implicações genéticas disso tudo, que dirá de sua transitoriedade ou permanência, de sua maior ou menor profundidade.

Todo esse progresso que permitiu o aumento exponencial do número de membros da nossa espécie, consequência que terá de ter um fim, posto que o espaço em que vivemos é finito, e nossas possibilidades são finitas consequentemente. Logo ver, visualizar o fim, para anteciparmos-nos às consequências danosas, é uma necessidade imperiosa, para possamos ter parâmetros, e estabelecer padrões, paradigmas com os quais possamos evitar que o edifício todo colapse. => Não já teremos ultrapassado esse número? Não estaremos, como estamos, dispondo de recursos que nunca mais iremos recuperar? E isto nos empurrará para o abismo? Ou não? O fato é que a crise ambiental que vivemos tem muitas formas de manifestação, e sua compreensão e gestão exigem uma percepção acurada e totalmente nova, que vindo de nosso passado, da História portanto, deverá nos ensinar meios e modos de lidar com o ambiente, respeitando-o sobretudo, porque os parâmetros que não o violavam residem no que já fomos, e em quando convivíamos bem, já as soluções de recuperação, residem no que ainda deveremos ser.

Tendo em mente a ideia de que nossa expansão específica, pois somos apenas uma espécie dentre muitas que interagem no planeta, bem como os recursos que esta expansão convoca para seu sustento, nos encurrala enquanto espécie, uma contradição nos termos, um paradoxo, cuja lógica reside no entendimento de que o mundo finito nos impõe sua finitude, e que apesar de não conhecermos os valores desta, os devemos buscar, para poder respeitá-los (freando antes de atingirmos o precipício). Entretanto existe um valor, 1, 5ºC que já conhecemos, o qual devemos abraçar o quanto antes.

Este grau e meio centígrado que temos de diminuir da temperatura média no ambiente do planeta, que este ensaio geral do coronavirus expõe como simulacro da derrocada que nos espera se mantivermos nossa pouca ação no combate às desgraças ambientais que causamos, e que estão, portanto, respondendo em força. Que o ensaio geral nos sirva de aviso!






Sem comentários:

Enviar um comentário