quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Carlos Costa : Da fungibilidade do caráter.








O caráter do Sr. Carlos Costa é fungível, e já cansou o país com suas explicações técnicas, e mais ainda tecnocráticas, e tudo o que fez e que não devia ter feito, que sempre explica pelos detalhes técnicos, que talvez o livrem da cadeia, e pelo que não fez e deveria ter feito, que certamente não o porá na cadeia, ainda que eu creia que omissão é conivência, mas tecnicamente se livrará, talvez. Sempre se defende muito bem, tem excelente previsão do perigo, mas tem imensa imprevisibilidade ao exercício do necessário, para ater-se à possibilidade do previsível, do aceitável, ou, se preferirem, a previsibilidade do possível, ou seja no limite de toda a previsibilidade arguível (nos tribunais é claro) ou seja, no estrito senso da letra da lei, sem tirar nem pôr. A fiabilidade, a visão de futuro, o conjunto da economia, isso é secundário, desde que se cumpra a lei. Ruinoso, pequenino, mesquinho. Participou da festa sem se comprometer com os festejos. Assim conseguiu seu monte no Alentejo e conseguirá sua reforma de luxo. Mestre das desculpas! Grande oximoro! Máxime sofista. Hábil em paroxismos! No caso da CGD ele não esteve lá, estava lá, mas era para fazer número, não se lhe podem imputar nenhuma responsabilidade, ora essa! Uma verdadeira enguia, mais que a fuinha, de que já o alcunhei. O rombo em que tem parte ativa ou passiva, logo se verá, para além de qualquer culpa ou condenação, é uma catástrofe da qual a economia portuguesa nunca se recuperará. Éo responsável direto pela extinção dos bancos com capitais portugueses, por sua má supervisão, e são 3 ou 4, entendem???

É como eu já disse uma fuinha, que sempre está apegado a um detalhe, a uma variante, a uma vírgula, tudo o que será sempre uma exclusão, e como sabe-se o diabo está nos detalhes, e o sr. Carlos Costa é um cultor do diabo nesse sentido. E esse seu procedimento constante que lhe foi abrindo portas, o foi fazendo ser aceito, por estar sempre vinculado ao detalhe, ao acessório,  que certamente agrada muito aos poderosos e aos políticos, porém, do ponto de vista prudencial, causa asco ao cidadão normal, por isso, em outra crônica, o caracterizei como asqueroso. É o homem da pequena objeção, do circunlóquio, atido e prisioneiro do que está ou não em causa, e que nega sempre: "Não, não, não, não!" que renega o fundamental para se ater ao acessório, estes detalhes que sempre o podem salvar, que sempre é uma maneira de  dar a volta, que tem sempre uma segunda intenção, que foge sempre do cerne da questão, uma verdadeira imparidade humana, estando em imparidade com o que é primordial, tendo suas intenções sempre sub-avaliadas (exceto por Mariana Mortágua), posto que trabalha com margens e à margem, a margem do essencial que para um homem nas suas funções é defender o patrimônio de todos os portugueses, sempre jogando como tempo, esperando pelo depois, por uma reestruturação futura, que talvez haverá, como se seu caráter fosse um investimento num título que deverá dar lucros, desde que haja uma garantia, ainda que falsa, está  tudo precavido, mesmo sendo uma empresa fantasma a emitente do título em questão. Não importa, não faz mal. A fiabilidade está na garantia, e pronto, ninguém lhe pode acusar de nada, ainda que fosse culpado de tudo. Sempre agindo nas fímbrias da lei, no detalhe, nunca indo ao âmago das questões, escudado na ética dos outros, nas comissões que por essa regra se formam, destarte, nunca na frontalidade de uma ação fidedigna, sempre na zona de sombra, na obscuridade de um mundo, que, como ele deve saber muito bem, é um mundo de alma negra, mais do que sombria, onde fugir aos holofotes é sempre boa política, e excelente defesa num universo de corruptos e corruptores, da enorme miséria que geram para milhões, mas onde tudo é muito higiênico, resolvido em grandes reuniões e mesas de decisões muito ilustres, com máscaras e obliterações, as sombras, onde cada corrrupto não é um ser humano, aquele ladrão ali de casaca, não, não, é algo bem mais imaterial e pouco explícito, por isso menos atingível ou condenável, um takeover, uma ator, um paciente, um agente, uma personalidade sem alma, talvez seja esse o fator central do sr. Carlos Costa, esse de não ter alma, e uso a palavra aqui no seu sentido de ânimo, aquilo que impulsiona as pessoas com caráter a agir, e agir firmemente, mesmo que isto lhes custe inimizades, os postos de trabalho e os salários privilegiados que recebam. O que não poderão evitar são as contrações involuntárias nos músculos faciais de uma cara retorta, que expressa como vitrine a infungibilidade do caráter primordial, que afinal, não é substituível, porque, afinal, os caracteres são concêntricos, e "não, não, não" - não podemos fugir a isto.

Poderemos dizer que o sr. Carlos Costa com sua omissão, com seu detalhismo, com sua tibiez, com sua falta de decisão, com altíssimo rácio de inoperacionalidade, pode até não ser culpado de nada, mas é abjeto. E ele, e isso tudo, mete-me nojo.

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