terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Como tem razão o Ricardo Araújo Pereira.







“uma intolerável afronta à soberania e independência da República Bolivariana da Venezuela”.


É o que alega o PCP para não aceitar as pressões internacionais contra Maduro, especialmente a portuguesa, que declarou seu apoio a Guaidó, o que motivou a declaração supra.

Outro dia o Ricardo Araújo Pereira, com aquele seu jeito engraçado, dizia que votava PCP apesar das declarações de membros do partido. Nada mais correto, à parte da jocosidade intrínseca, e eu não voto PCP exatamente por causa dessas declarações, ainda que veja o partido como um guardião de valores que devem ser preservados, e que tem imensa utilidade ao se opor às diatribes dos governos e à corrupção do governantes, dois focos de desgraça em que o confronto do PCP é muito útil, porém essa visão cega de que tudo que é de esquerda é bom e deve ser defendido, rouba parte da enorme credibilidade que possui a conta de sua honestidade e trabalho árduo e contínuo na defesa dos interesses do povo português, em virtude dos disparates.

Então porque fazem tais afirmações descabidas?

Porque como o escorpião que picou o sapo que o transportava ao meio do rio morrendo afogado, é mais forte que eles. Cada um é o que é, e os membros do PCP, sobretudo os que podem falar em nome do partido, são velhos frequentadores das sessões do Comitê Central, que tem por premissa, na velha tradição trotskista, a defesa intransigente do comunismo, como e onde quer que este se manifeste. Durante muito tempo defenderam os horrores da União Soviética, desde a miséria até os Gulags, e pegaram o jeito. E, como no caso do escorpião, tornou-se mais forte do que eles, com o que prestam um mau serviço ao país.

Tudo isso dito assim é um 'fait divers', mas se pensarmos que nas próximas eleições legislativas o PS vai ter de formar governo com o apoio das esquerdas (espero que bem unidas como diz a outra) reeditando a geringonça (como alcunhou-as o outro) e isto muda um bocado de figura, e passa a ser uma nota triste para um partido que tem um lugar a ocupar, por seu mérito próprio, pelo voto popular que representa, e pelo muito que pode contribuir para o desenvolvimento do país, e, por obra dessas posições abstrusas, se mantém como uma relíquia heterodoxa. Quando o mundo hodierno reza por cartilhas diferentes todos os dias, e é necessário repensar os conceitos, não para ser politicamente correto, mas para ser politicamente ativo.

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