terça-feira, 16 de agosto de 2016

Revelações das revelações da História do Brasil.





O título reflete uma faceta do que tenho feito que nunca revelei, e que chegou a encontrar resposta a um e-mais com uma pergunta de um leitor que se chama Tiago Alves. A pergunta do e-mail:
No dia 15/08/2016, às 22:44, Thiago Alves <tralves2016@gmail.com> escreveu:

Boa noite Helder!
Que legal, sou fã de Historia. Voce é de qual cidade?
Poderia me falar algo sobre seu trabalho de Historiador?
Grato!

Que motivou a seguinte resposta, que resolvi tornar pública, porque esclarece muito do que penso sobre o trabalho que desenvolvo nessa área. A resposta:

Caro Thiago,
                      É com gosto que lhe respondo, entretanto estou curioso de saber como chegou até mim.
A sua questão é meu trabalho de historiador.  Pois bem, a história se faz com documentos, documentação
que confirme ou altere a história que nos é contada. Tudo o mais é balela, oportunismo, ou repetição,
Balela é quando um ’historiador’ tira uma ideia do nada, porque acha que é assim, e escreve um livro para
expor essa ideia. OK, é uma hipótese, e daí?  Eu posso achar que D. João VI chegou ao Brasil vindo de 
Marte, e não de Portugal, OK, tenho todo o direito de achar isso, mas com que fundamento? Há algum 
documento, e documento é muita coisa. (Uma nave espacial, uma jóia, uma moeda, uma carta etc…)
repito, há algum documento que corrobore a ideia de que D. João VI tenha vindo de Marte? Claro que não!
Logo esta hipótese é uma balela. Outros escrevem livros recontando o que há em outros livros, esteja certo 
ou errado, repetem a história toda, às vezes com alguma graciosidade, e já está! Creio que 99% de todos os 
livros que se escrevem são sobre outros livros, uma coisa inútil e vã, porque nada acrescenta. É puro oportunismo, 
como esse livro 1808, por exemplo, só para vender livro. Outra coisa é a repetição histórica, onde um historiador
crítico revê tudo o que há sobre determinado assunto, e repete toda a chorumela que se conhece. O faz
com o melhor intuito, com a melhor das intenções, OK, mas o que é isso? Ao que leva isso? O que 
acrescenta? Nada.

                       Há muitos anos, por pura paixão, porque minha formação não é em história, venho pesquisando
muita coisa sobre momentos da história do Brasil e de Portugal, que acho que foram mal interpretados. Como
vivo muito perto de Lisboa, posso ter acesso ao maior acervo de documentos que há no mundo sobre história
das civilizações, que é a Torre do Tombo, o arquivo nacional português. A pesquisa é muito complicada porque
são centenas de ‘cartórios’ e entradas que repetem períodos, vêm das mais diversas origens, e, para uma pesquisa 
estar bem feita, tem-se que olhar tudo, e, mesmo assim, pode não ser suficiente, porque em História, há muita
verdade que não é dita, ou não está em documento algum, mas que pode emergir do cruzamento de dados, que
são muitas vezes reveladores de coisas que eram insuspeitas. por outro lado há muita informação em 
documentação privada que tem de ser descoberta, garimpada, para se conseguir alguma coisa de 
verdadeiramente nova e importante, há ainda que, após o enquadramento histórico de qualquer descoberta, 
se fazer toda uma recriação das implicações, para ver se aquela descoberta influenciou efetivamente a 
História. É um trabalho de paciência e escavação, como em arqueologia, onde o lugar das coisas importa, e
depois, como num puzzle, ver se as peças se encaixam. Ás vezes é necessário ir a vários países onde esta
informação circulou, para comparar os diversos estados da informação, para ver o que ela contém de verdade
ou de inusitado. É um trabalho lindo, mas que requer tempo, método e paciência.

                        Então, concluindo a resposta a sua pergunta e seu pedido, devo informa-lo que descobri em mãos
particulares muita documentação importante. Alguma pude adquirir, outra pude copiar, e ainda outra pude tomar
nota de sua existência para contextualizar sua importância, e ver se poderá ser útil. Venho fazendo essa brincadeira 
há décadas, até que consegui algumas conclusões importantes.

                        Agora por ocasião dos 200 anos do casamento de D. Leopoldina com D. Pedro, vai sair um livro
meu que irá aclarar, baseado em nova, rica e inédita documentação, muito da história de corm e porque o Brasil se 
tornou independente.

                         Com o melhor apreço, 
                                                               Helder Paraná do Coutto. 


No dia 15/08/2016, às 22:44, Thiago Alves <tralves2016@gmail.>




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