sábado, 5 de setembro de 2015

Ofídio, Ofélia, Orfeu. (- P1.)







De hoje até o próximo 30 de Novembro, quando se comemorarão oitenta anos sem Pessoa, e o centenário da Revista Orfeu, todas as semanas publicarei um poema relativo a esse gênio singular que mais que habitar a língua portuguesa, assombrou-a para sempre, fantasma múltiplo a desassombrar o verbo.  



Ofídio, Ofélia, Orfeu.

                                                Solução de desamor/
                                              /Labirinto da alma.
                                                                                            FERNANDO PESSOA/
                                                                                          / BERNARDO SOARES.


Tem os venenos destilados todos
Em sua bolsa inoculadora, que só em si inoculava,
Rastejando por todos os inquinados lodos
Mutilado, sem raciocínio e afetividade, andava.

Expressão de covardia sem busca de mimos
Serpente exponencial sem harmonia
Dédalo em Knossos a procurar por Minos
Seu vazio pleno que ao vazio enchia.

Chamava-se Ofélia, Eurídice
E a matéria, quimera
Sossego é não como disse
É o que foi e o que era.

Da revista, o nome indicativo, és
Do que sempre quis ser
Com o corpo despedaçado em papéis
Morre-vive em seu poder.

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